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18 agosto 2011

Um neoliberal é isto, Álvaro!

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Se alguma coisa a vida e os muitos anos de profissão me ensinaram, foi que ninguém consegue ensinar nada a alguém que não queira aprender, sejam alunos ou aprendizes de feiticeiro, de ministro, lo que seya .. E é pena. Já aqui o disse 'n' vezes, e repito-o: oiçam o que diz Santana Castilho, porque ele (ao contrário dos desgovernantes que sempre nos calham em rifa..) - ele, sabe do que fala!
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in Público, 17 de Agosto, 2011 
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Um neoliberal é isto, Álvaro!
Santana Castilho *
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1. O Álvaro, que veio do Canadá para pôr a economia do país na ordem, disse na Assembleia da República que não sabia o que era um neoliberal. Agostinho Lopes ensinou-o assim: “…É alguém que tem três axiomas com que justifica tudo: globalização, revolução científica e técnica e competitividade. É alguém que tem três mandamentos sagrados: privatizações, liberalização dos mercados e desregulamentação dos mecanismos de orientação económica. E tem um único instrumento como variável de ajustamento dos desequilíbrios: o preço do trabalho …”. A lição dada ao Álvaro, se complementada com a compulsão para aumentar impostos e taxas, faz uma bela síntese da actividade do Governo até agora.
2. O ministro das Finanças também precisa de uma lição que o esclareça sobre o que é uma conferência de imprensa. Convocada uma, que se supunha para anunciar os cortes na despesa, proibiu as perguntas e prendou-nos com mais aumentos, agora na electricidade e no gás. A subserviência à troika deixou à dita a missão soberana de, finalmente, esclarecer os indígenas sobre o desvio colossal, a solver com mais confiscos colossais. Aproveitando a inércia, Passos Coelho foi lesto no Pontal: preparem-se que vem aí muito mais e, por favor, não estrebuchem, porque o inferno espreita. Quanto ao corte na despesa, é esperar até Outubro. Antes, Passos tem que ultimar a oferta do BPN a Isabel dos Santos e companhia, resolver o bónus da TSU e escolher quem vai abocanhar a TAP, a RTP, os CTT, as Águas de Portugal e um naco da CGD, tudo a preço de saldo e em nome do inferno que espreita.
3. Para os que ainda tinham dúvidas, chegou a definitiva dissipação: a regulamentação da avaliação do desempenho dos professores, agora apresentada, é tão-só o Simplex 3 do modelo de Maria de Lurdes Rodrigues, que sucede ao Simplex 2 de Isabel Alçada. Definitivamente, há uma nota que sobressai, por maior que seja a esperteza para a dissimular: continuar a política que privilegia a diminuição do preço do trabalho.
HanusheK, economista da Educação por quem Nuno Crato tem grande apreço e trouxe recentemente a Portugal, foi dos primeiros a apontar a “falta de incentivos mercantis” (Journal of Human Resources, Junho de 1979) quando analisava a eficiência em Educação. Atente-se bem à semântica da expressão, não descuidada num académico com a responsabilidade dele. Mercantil é um adjectivo que se refere ao comércio, à mercancia, coisa bem afastada do objecto da Educação, suponho eu. Se tomarmos o vocábulo em sentido figurado, diz-se daqueles que perseguem só ganhos materiais, que são interesseiros e meros especuladores. A génese da avaliação do desempenho pode ser facilmente compreendida por quem a estude a partir da segunda metade do século passado, quando tomou relevância a preocupação política e económica de analisar em detalhe os custos de produção do serviço público de Educação. Por o ter feito, por a ter abordado na prática, em experiências e projectos de natureza educacional e empresarial, compreendo-a bem, rejeito-a como panaceia para a melhoria da qualidade da Educação e lamento que os professores e a sociedade em geral a aceitem como os crentes aceitam os dogmas, isto é, com reverência sacra. A avaliação do desempenho tornou-se um instrumento de uma concepção tecnocrática de gestão. A prática de modelos estereotipados para a realizar está estudada e reprovada pelo balanço dos resultados. Assim, a grande alteração que ficou por fazer foi desistir dela. O processo deveria ser indissociável da avaliação do desempenho de cada escola, depois de alterar radicalmente o modelo de gestão vigente. É estúpido avaliar com as mesmas referências e medidas o que é radicalmente diferente. É estúpido impor a todos o mesmo processo. É estúpido confundir a Educação com a actividade mercantil. Sei que incorro na fúria de muitos. Mas é o que penso e o que considero essencial. Tudo o mais é acessório, embora relevante, por ser tomado por essencial. 
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Posto isto, vejamos, então, o acessório. Isenta-se da avaliação cerca de um terço dos docentes em exercício. Esperta malha. Calam-se muitos. Reduz-se o número de aulas a observar e, com isso, custos enormes e logística disforme. Pouco importa que se recupere, implicitamente, o conceito de professores titulares e que vá às urtigas o rigor do ministro e o que resta da coerência do seu discurso. 
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Quotas viram percentis. Boa jogada! É mais erudito, ou não fora o ministro um mestre em Estatística e o secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar um anterior defensor da avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues. E neste ambiente em que todos começam a fazer de conta que não foram o que foram e não disseram o que disseram, faz de conta que as quotas desapareceram. Como reclamavam os sindicatos. Se assinarem rápido o papel, substituam “acordo”, de má memória, por um sinónimo. “Ajuste directo” ou “conúbio” seria perfeito e adequado aos tempos!
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Se afastarem a espuma, encontram o mesmo disfarce ideológico, que visa condicionar a independência intelectual e profissional do exercício da docência: pela precarização da profissão (fala Crato de assistir os “novos” isentando os “velhos”, ignorando que muitos dos “novos” têm 10, 15 e até mais anos de exercício); pela proletarização da profissão; pela persistência da desconfiança militante na classe; pelo refinamento dos padrões de desempenho, como se professor fosse sapateiro (sem desprimor para com tal ofício).
Também isto, Álvaro de Vancouver, o ajudará a saber o que é um neoliberal.
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* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)
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12 julho 2011

Coisas simples

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Ora aqui está! Uma questão sobre a qual venho reflectindo, e que faz todo o sentido: tornar as coisas simples, perceptíveis, práticas, eficazes. Leis que se entendam, para começar..
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Ainda ontem numa reunião de escola 'especialistas' de trazer por casa levaram tempos infinitos a debitar mirabolantes argumentos sobre a diferença entre "metas" e "objectivos": que umas eram mensuráveis e os outros não, que, que, que ... E eu (muiiiito minoritariamente!) desespero com o tempo que se perde e as energias que se gastam a discutir o sexo dos anjos - nas escolas, na AR, nos centros decisórios deste mundo - e que nos deixam exaustos, incapazes de nos focarmos no essencial .
Pensar o que está mal e tentar resolvê-lo sem delongas, com sentido prático, com lógica e bom-senso, seja através de leis ou de acções como por exemplo, a de «desincentivar fiscalmente a desocupação de imóveis nas cidades e o abandono de terras nos campos»,  como refere o autor do texto abaixo - tão, mas tão!! óbvio! (ainda que, se fosse eu, optasse pela expropriação..) 
E a propósito: logo, logo, com os calores do verão, o país vai recomeçar a arder, outra vez!! ... e era tão simples evitá-lo! ...

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Coisas simples
Por José Vítor Malheiros

A economia e as finanças são-nos apresentadas como algo demasiado complexo, sobre as quais não devemos emitir opiniões

1. Em 1375, o rei D. Fernando promulgou a Lei das Sesmarias. Aquilo que, em linguagem de hoje, se chamaria a Lei dos Baldios. Penso que todos a aprendemos na escola primária e julgo que mesmo aqueles que não voltaram a ouvir falar dela a recordam passados muitos anos. Por que nos lembramos deste pedaço de história e por que esquecemos tantos actos heróicos decorados penosamente, tantas causas de revoluções e tantos pedaços de prosa e de poesia às vezes até lidos com gosto? Lembramo-nos dela porque se trata de uma lei baseada num princípio simples e que faz sentido, que conseguimos compreender, uma lei que nos parece equilibrada, da qual resultam vantagens para a sociedade em geral, que vem dar racionalidade a um mundo imperfeito. Num contexto de escassez de alimentos e de desertificação dos campos, a lei impunha aos proprietários de terras a obrigatoriedade de as trabalhar e de produzir alimentos sob pena de expropriação e posterior entrega a quem as trabalhasse. A lei obrigava os mendigos e vagabundos que tivessem as devidas condições físicas a trabalhar no campo, impunha penas de açoite e possuía a dureza de uma lei medieval mas, mesmo hoje, passados mais de seiscentos anos, ainda nos parece uma lei, no essencial, justa.

2. Movimentos de "indignados" de vários países europeus estiveram reunidos em Lisboa, na livraria Ler Devagar, no domingo, para trocar experiências e visões e discutir a coordenação das suas acções. Um dos participantes nessa reunião, o islandês Gunnar Sigurdsson, citado pelo PÚBLICO, defendeu a criação de um movimento cívico europeu que ponha em causa as regras impostas pelo sistema financeiro. Para isso, diz que é preciso mobilizar "as pessoas que hoje estão sentadas em frente da televisão". E, para as mobilizar, Sigurdsson diz que são precisas "ideias simples", "um conjunto limitado de objectivos com que todos possam concordar". "Não basta dizer que queremos mudanças", disse Sigurdsson. "Temos de dizer às pessoas o que queremos em alternativa".

3. Um dos grandes obstáculos à participação na vida política por parte dos cidadãos é que, hoje em dia, tudo nos parece demasiado complexo. Se alguém sugere que prescindamos das agências de rating, aparecem uns peritos explicando com um sorriso benevolente que as coisas não são assim tão simples, que estas organizações possuem um papel central na economia, que só podemos prescindir das que há se criarmos outras absolutamente iguais e talvez piores. Mas se fazem batota, se são venais, como se vê nas investigações feitas nos EUA sobre a sua acção? Os peritos explicam que, mesmo que seja assim, precisamos delas. E as off-shores, que só servem para os mais ricos fugirem ao fisco, para branquear dinheiro obtido de forma criminosa, para facilitar a espoliação dos povos pelos ditadores, para permitir que alguns fujam às obrigações que todos nós cumprimos? Os peritos sorriem... "As coisas não são assim tão simples... as off-shores são essenciais à economia. Para acabar com elas teria de haver um consenso internacional e isso é impossível. Se não as tivéssemos, seria pior".

E o carrossel não pára, mostrando sempre que existem excelentes razões técnicas para não se fazer aquilo que é justo e necessário.

4. Aceitar o primado da política sobre a economia significa agir de acordo com princípios simples. A preocupação com a simplicidade não exclui o estudo nem o debate de um problema, mas permite equacioná-lo em termos simples, de forma perceptível pelos cidadãos, para que estes decidam. A economia é demasiado importante para ser deixada na mão dos economistas e o argumento de que algo é demasiado complexo para permitir que os cidadãos decidam é inaceitável numa democracia. Acabar com as off-shores é simples e justo. Deixar de contratar agências de rating venais também. Recusar que as agências de rating definam a política nacional ou europeia também. Exigir o lançamento de eurobonds também. E por que não actualizar a ideia de D. Fernando e desincentivar fiscalmente a desocupação de imóveis nas cidades e o abandono de terras nos campos?
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(jvmalheiros@gmail.com)
in Público - aqui
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29 junho 2011

A propósito do poder das corporações

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Um leitor do PÚBLICO decidiu escrever uma carta (dia 18 p.p.) à senhora directora Bárbara Reis, carta na qual se permitiu dar conselhos ao primeiro-ministro Passos Coelho de como deverá exercer o acto governativo a fim de evitar o déjà vu referente aos erros, à irresponsabilidade e aos truques manhosos usados pelo exímio actor José Sócrates. 

A dado passo dos conselhos, o leitor da Parede diz: "não tenha medo do poder das corporações, quaisquer que sejam (ex.: da justiça, dos sindicatos, dos patrões, das finanças, dos construtores, dos professores (...). 

Julgo que no caso dos professores, ao conceder-lhe um putativo "poder corporativo", errou. Que eu saiba isso até seria interessante se fosse verdade (que diabo, têm a fama mas não têm o proveito?!...).  De facto, a esmagadora maioria dos professores não tem poder nenhum, quanto mais "poder corporativo". 

A arrogante Maria de Lurdes Reis Rodrigues (de má memória), com furor inaudito, procurou exercer acções persecutórias sobre os docentes esquecendo literalmente os alunos, facilitando-lhes a vida escolar em termos de ausência de rigor e exigência, ao mesmo tempo que os inebriou com o Magalhães.
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Concomitantemente, sobrecarregou os professores com esquizofrénico e despótico trabalho burocrático (que continua) ineficiente e improdutivo, que os impediu (e impede) de prestar mais atenção aos alunos.
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Além disso, os professores continuam a ter de suportar discentes malcriados (que têm, muitas vezes, o apoio dos pais), alunos violentos e indisciplinados que ameaçam os professores enquanto estes se vêem ainda obrigados a tratar das avaliações interpares, despoletadoras de conflitualidades e relacionamentos malsãos, o que, de certa maneira, contribuiu para um ambiente crispado e tenso que, por vezes , se viveu/vive nas escolas. 
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Por isso, onde está o poder corporativo dos professores? Espera-se - agora que finalizou o ano lectivo de 2010/2011 - que a nomeação do Professor Nuno Crato para a pasta da Educação, crítico percuciente do eduquês, deixe alguma esperança (a ver vamos) para que se inverta uma situação que tem sido penosa para os docentes e embusteante para os alunos. Como o ilustre Professor Santana Castilho não se tem cansado, outrossim, de denunciar, aqui, nas páginas do PÚBLICO.

António Cândido Miguéis
Vila Real
http://jornal.publico.pt/noticia/29-06-2011/-22374410.htm
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bom ... tudo certo, excepto que aquilo que se podia ter esperado, já des-esperou.
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20 maio 2011

Prefere a vitória de José Sócrates ou de Pedro Passos Coelho?

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Sócrates ou Passos? Passo. 

artigo de Daniel Oliveira
aqui


Prefere a vitória de José Sócrates ou de Pedro Passos Coelho? Se me pusessem perante esta escolha não saberia o que responder.

Não, lamento, não acho que o PS e este PSD sejam iguais. É verdade que o que Sócrates fará por falta de coragem Passos fará por convicção. Dá, infelizmente, quase no mesmo. Sendo certo que, apesar de serem ambos claramente incompetentes, o primeiro fará o que a troika decidiu e o segundo tentará ir mais longe. E nisso pode haver uma diferença.

Só que uma vitória de Sócrates teria como resultado a sua permanência na liderança do PS. Ou seja, o bloqueio, por mais dois ou três anos, do centro-esquerda e do deprimente panorama político português. E o lento reforço da direita. A médio prazo, a esquerda (eleitorado do PS incluído) acabaria por pagar um preço demasiado alto por esta vitória sem, na prática, ganhar grande coisa.

A questão é esta: se o programa do próximo governo está já decidido, não seria preferível que esta crise servisse para nos livrarmos de Sócrates e iniciar-se uma profunda renovação de toda a esquerda portuguesa? Sem Sócrates tudo ficará em aberto. Com ele, continuará a degradação ideológica e ética do PS e do País.

O problema é que com Passos Coelho teremos um grupo de lunáticos extremistas no governo. Sem ele, o PSD rumará ao centro para o bloco central. Com ele, a direita chega ao poder no momento em que o ataque ao Estado Social é mais fácil e em que tem a direção mais radical da sua história.

Isto não está fácil para quem, à esquerda, se resigna ao "voto útil", que, como dizia Adriano Moreira, só é útil para quem o recebe.

A resposta, quanto ao meu voto, é mais simples: nem um nem outro contará com ele. Sou exigente com a democracia e não sou dos que se conforma com a inútil aritmética que transforma o meu voto em arrependimento mais do que certo.

A esquerda que se opõe a este suicídio económico tem-se portado sempre bem? Não e eu tenho-o assinalado, para irritação de alguns, mais vezes do que gostaria. Mas seria trágico que, nas atuais circunstâncias, ela não saísse reforçada. Será a única oposição ao programa da troika. O único sinal de alarme aos abusos que aí vêm. Tenha um bom ou um mau resultado, também esta esquerda terá de refletir, depois das eleições, no papel que quer ter nos próximos anos. Mas isso não diminui a importância de haver uma oposição ao sentido único que nos quer ser imposto.

Se me perguntarem se prefiro a vitória de Sócrates ou de Passos Coelho não sei o que responder. A minha emoção impede-me de querer sequer imaginar o que será a trupe de Passos no poder. A minha cabeça nem por isso. Felizmente, não está nas minhas mãos. O meu voto servirá para outra coisa: garantir que, havendo quem se oponha a um programa que arrasará com a nossa economia e com o Estado Social, a democracia continua a funcionar. Será, é verdade, desta vez, um voto crítico. Mas seguro da sua enorme utilidade. Será um voto contra a capitulação. O debate sobre o que tem esta esquerda de fazer com o voto que eu e muitos outros lhe vamos dar virá depois. Terá de vir.

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15 maio 2011

el grande comunicador !

Por João Miguel Tavares (jmtavares@cmjornal.pt)

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Estou capaz de dar uma dentada na próxima pessoa que se chegar ao pé de mim e disser que José Sócrates é "um grande comunicador".

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O grande comunicador explicado às crianças

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À medida que o PS sobe nas sondagens é como se os dotes comunicacionais do primeiro-ministro crescessem na mesma proporção, aproximando-se do Olimpo da retórica. Oh, que comunicador extraordinário! Não me lixem. Kennedy foi um grande comunicador. Luther King foi um grande comunicador. Obama é um grande comunicador. Sócrates é um artista de circo, que faz sempre os mesmos truques na televisão, para grande espanto do povo.

Nos Estados Unidos ou em Inglaterra, onde as pessoas aprendem na escola a falar em público, qualquer estudante de retórica de 14 anos saberia desmontar os seus truquezinhos baratos. Aqui, acolhemos as performances de Sócrates como se elas fossem um prodígio. E toda a gente diz: "Ele nunca perde um debate!" "Ele nunca se atrapalha numa entrevista!" Por amor de Deus. Serei só eu a reparar que os extraordinários dotes oratórios de José Sócrates se resumem a ser capaz de canalizar todas as questões para três míseras ideias, que não aguentam 20 segundos de reflexão?

No próximo debate em que intervier, recorte este texto e confira. É muito simples: o que quer que seja que perguntem a Sócrates vai acabar numa destas três respostas. 1) "Só estamos assim por causa da crise internacional, a maior dos últimos 80 anos." 2) "Os partidos da oposição estão a assinar o mesmo PEC que recusaram, apenas por cobiça de poder." 3) "Eu posso ter cometido erros, mas nunca cometi o erro de não agir." Perguntem a José Sócrates "o que é que comeu hoje ao almoço?" e ele vai responder-vos 1, 2 ou 3. Perguntem-lhe as horas e ele vai responder-vos 1, 2 ou 3. É isto um grande comunicador?
Nós já abdicámos de nos governar.
Pelos vistos, também estamos dispostos a abdicar de pensar.

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18 abril 2011

o cagão .. só por cá é que o pessoal é cego!

o que lá fora se pensa (e diz) do "querido líder" - a não perder!!

in ABC Economía - Madrid

Un antipático contra todos
El ex [próximo?! #x# ] primer ministro portugués
José Sócrates, primer ministro de Portugal
enrique serbeto
Día 01/04/2011


El primer ministro portugués se parece a un conductor que avanza a toda velocidad por la autopista en dirección contraria, convencido que son todos los demás automovilistas los que se equivocan. 


Los gobiernos europeos y las instituciones comunitarias dan por hecho que Portugal no puede salir de la crisis sin asistencia financiera, pero José Sócrates les contradice a todos diciendo que que el país puede superar sus problemas con sus propias fuerzas. Después de ser derrotado en el Parlamento ha presentado su dimisión y ha lanzado a su partido, el socialista, de frente y a toda velocidad contra la oposición liberal-conservadora, esperando que en el último momento un volantazo de buena suerte le permita dar la vuelta a las encuestas y regresar victorioso.


En la última cumbre europea de Bruselas, el pasado viernes 25, sorprendió a muchos cuando se dedicó a saludar estrechando la mano a todos los periodistas antes de sentarse a explicar su versión de lo que había sucedido en el Consejo. Dada su proverbial fama de antipático [e esta, hem?!!] , el gesto podía interpretarse como una especie de despedida, teniendo en cuenta que para la próxima cumbre es posible que las elecciones le hayan devuelto a la oposición. «Puede tener usted la seguridad de que no me estoy despidiendo» aclararía después, «aunque estoy seguro de que en su periódico es lo que están deseando». Sócrates no solo conoce perfectamente todo lo que se dice sobre él en los diarios de Lisboa (y por lo que se ve también de algunos de Madrid) sino que está convencido de que gran parte de sus problemas vienen del hecho de que no siempre cuentan las cosas del modo que más le gustaría. En la misma comparecencia atacó sin mucho disimulo las preguntas incómodas, a pesar de que coincidían con la opinión que estaban expresando los demás jefes de Gobierno en salas contiguas: «lo que causa la especulación son preguntas como las que me están haciendo. Portugal no necesita ninguna ayuda y si lo que se quiere es parar los movimientos especulativos, es infantil creer que eso sucederá si pedimos ayuda».

ler mais aqui

05 fevereiro 2011

Mudar de povo ou mudar de esquerda?

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e eu acrescentaria: mudar de políticas sindicais?
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do site do SPGL - aqui

por José António Faria Pinto


Tal como a reeleição de Sócrates, em 2009, a reeleição de Cavaco, em 2011, constitui mais uma contrariedade para a luta dos professores. Maria de Lurdes era, não só, a menina dos olhos do senhor engenheiro, mas também, a ministra preferida do senhor professor. Com Sócrates em Belém e Cavaco em São Bento gerou-se a conjuntura política mais adversa para os professores, e não só, de que há memória em tempos de democracia. Apesar das maiores manifestações e greves de sempre, da enorme unidade e mobilização dos professores, nada foi suficiente para impedir as maiores derrotas de sempre do movimento sindical docente.

Cavaco Silva desempenhou neste processo um papel decisivo. Como afirmou o professor Santana Castilho, em artigo recentemente publicado, “por omissão e acção suportou e promoveu políticas que desvalorizaram e desrespeitaram como nunca os professores e promulgou sem titubear legislação injusta e perniciosa para a educação dos jovens portugueses.” Por isso, a sua vitória eleitoral significa mais uma derrota para o movimento sindical e levanta uma questão intrigante que é a de saber por que é que as lutas sociais não se reflectem nas disputas eleitorais, ou seja, por que é que a esquerda não consegue capitalizar eleitoralmente o descontentamento provocado pelas políticas de direita. A tese de que o povo é sistematicamente enganado, depois de tantos actos eleitorais, começa a ter as pernas curtas. Seja como for, a luta continua.

02 fevereiro 2011

Tolhidos

no Público de hoje, a crónica de
Santana Castilho *


A campanha eleitoral para a presidência da República foi pouco esclarecedora e lamentavelmente decepcionante. Não foi nobre o processo pelo qual os mascarados do costume trouxeram a escrutínio passagens menos edificantes dos negócios de Cavaco Silva. Mas foi deprimente a forma como o candidato, presidente presente e presidente futuro, lhes respondeu. Sem decoro, o ministro do malhanço, que não deixou de ser da Defesa, atiçado pelo animal feroz, que continua primeiro-ministro, zurziu sem elegância o candidato que ainda era presidente da República e chefe máximo das forças armadas. O eleito respondeu-lhe, enviesado e rancoroso, num discurso que devia ser de vitória e acabou em perda, particularmente quando apelou para que os jornalistas denunciassem as fontes das notícias que o incomodaram. O mesmo Cavaco que se desagradou com o comportamento lamentável do Diário de Notícias, aquando das escutas de Belém, exortou agora ao mesmíssimo remexer na lama que então manchou a honra e a ética do jornalismo sério. Tão clara e indiscutível como a vitória que as eleições lhe conferiram foi a sua queda do pedestal onde os indefectíveis o colocaram. O flop do cartão maravilha, que sonegou a milhares o direito mais sagrado da democracia, foi branqueado com um suave pedido de desculpas às portuguesas e aos portugueses e dispensa de penitência redentora. Mas, em compensação, os comentários produzidos sobre as eleições presidenciais foram criativos e trouxeram-nos de tudo: todos a ganhar e todos a perder; uma abstenção esmagadora ou cadernos eleitorais enganadores; uma vitória de Cavaco Pirro ou o sucesso do Professor Doutor Nulo Branco. 

A abstenção, os votos nulos e os votos brancos tiveram as maiores expressões de sempre. Se estes dois últimos contassem e se somassem às cinco candidaturas derrotadas, teríamos tido uma segunda volta. Confrontando os resultados das eleições presidenciais de 2006 com os das de 2011, vemos que Cavaco Silva perdeu 530 mil votos e Manuel Alegre 298 mil. Os votos nulos duplicaram de 2006 para 2011. E os brancos mais que triplicaram. Ora estes votos exprimem inequivocamente um protesto cívico, na medida em que são uma explícita declaração de não adesão a nenhum dos candidatos propostos. É significativo que 278 mil portugueses se tenham dado ao incómodo de se deslocarem às urnas para assim votarem. Volta a ser significativo que 189 mil tenham subscrito o discurso bizarro de José Coelho. Qualquer político ou cidadão consciente não pode deixar de reflectir sobre o que tudo isto evidencia de protesto e de desinteresse. E talvez fosse tempo de acolhermos, em sede de legislação eleitoral, o significado do fenómeno, melhorando o modelo da nossa representatividade.

Olhando para a nação no rescaldo das eleições, vejo-a partida: de um lado, os que não acreditam no regime e nos políticos que o representam; do outro os afectados pelo sindroma de D. Sebastião, aparentemente incapazes de viver sem uma sombra tutelar. Rei aos três anos, tutelado pela avó até aos 14, vítima de grave disfunção sexual desde os 11, fundamentalista religioso, pobre de cabeça e de saúde, lunático e inebriado pela corte incapaz, hipócrita e bajuladora, D. Sebastião finou-se sem glória em Alcácer Quibir e arrastou para a morte milhares de seguidores. Mas D. Sebastião, em vez de obstinado, lunático, fundamentalista, irresponsável e impotente, chegou até hoje como um icónico desejado. Os 37 anos de democracia não apagaram a tendência do povo para se curvar a líderes paternalistas. Cavaco Silva é deles um ícone. Mas, acabada a festa, é desejável que se caia no real.

A Providência é uma sabedoria suprema com que Deus dirige tudo. Se ele existe, é dele a Providência, não dos homens. Nenhum homem providencial resolverá os problemas de Portugal, cuja solução reclama a participação de todos. O que pode ser providencial é a missão dos que se sigam no Governo, se tiverem a capacidade de envolver os portugueses na solução dos problemas do país. 

Disse-se que vivemos nos últimos meses constitucionalmente tolhidos por umas eleições que se sabiam ser de continuidade. Mas tolhidos já vivemos há muito: tolhidos pelos interesses particulares que se apossaram do Estado; tolhidos pela crescente dependência financeira do exterior; tolhidos pela incompetência de quem manda; tolhidos pela corrupção crescente e pela justiça ineficiente; tolhidos por uma administração pública que não se reforma e por uma economia que não cresce; tolhidos por decretos maliciosos, por fiscalidade desleal, pela desconfiança generalizada num Estado saqueador. Nenhuma magistratura activa nos libertará do que nos tolhe, sem que se remova a desconfiança que hoje separa a sociedade dos responsáveis políticos. Sem isso, sem a mobilização cívica de novos protagonistas, nenhum velho imaginário pátrio nos salvará. 

É um lugar-comum, mas é falso, dizer que estas eleições nada tiveram com a governação. Tiveram. Quando o pano caiu sobre elas, encerrou-se definitivamente o ciclo da governação do PS. A mobilização cívica de que falo tem agora um protagonista: Pedro Passos Coelho. Sócrates, nas vascas da morte, vai estrebuchar até ao fim. Já anunciou uma nova oportunidade para as bafientas Velhas Fronteiras. Pedro Passos Coelho, sem pressa e bem de chegar ao Governo, deve ser lesto a mobilizar o país e a apresentar um programa. A hora é de iniciativas. 


* Professor do ensino superior

a imagem é de Marcel Duchamp, do movimento Dada
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18 janeiro 2011

Portugal e os cidadãos de primeira

por António de Sousa Duarte*

12 de Janeiro de 2011

As mortes de Vítor Alves, capitão de Abril, e do cronista cor-de-rosa Carlos Castro mostram algumas evidências sobre o país.

de Cruzeiro Seixas
Separadas por escassas horas, as mortes do coronel Vítor Alves, "capitão de Abril", e do cronista "cor-de-rosa" Carlos Castro tiveram o condão de fazer notar uma vez mais algumas evidências sobre Portugal e os portugueses que nunca será de mais destacar. Na verdade, mesmo admitindo as macabras circunstâncias em que Castro foi assassinado e os requintes de malvadez de que foi aparentemente vítima, não parece normal que tal facto tenha merecido tão esmagadoramente maior espaço mediático do que o desaparecimento de um dos principais símbolos da Revolução do 25 de Abril de 1974 e destacado operacional da construção do processo democrático.

Vítor Alves faleceu domingo, cerca de 36 horas depois da morte, em Nova Iorque, de um colunista social conhecido por se dedicar há décadas a analisar os factos da actualidade "cor-de-rosa" nacional. Considerado em muitas das biografias espontâneas que dele nos últimos dias chegaram ao nosso conhecimento como "um cidadão de primeira", Vítor Alves foi um homem probo, sério, rigoroso, sensível que contribuiu de forma decisiva - antes e depois do dia 25 de Abril de 74 - para o actual regime democrático em Portugal. Vítor Alves, que integrou, com Vasco Lourenço e Otelo Saraiva de Carvalho, a comissão coordenadora e executiva do MFA (Movimento das Forças Armadas), foi o autor do primeiro comunicado dirigido à população no dia 25 de Abril e o militar que foi o porta-voz do Movimento. Mas as exéquias mediáticas de Vítor Alves foram curtas, muito curtas, se levarmos em conta a importância do seu legado e o impacte informativo que outros factos da actualidade suscitaram e de que é exemplo, sublinho, a vaga noticiosa relativa à morte de Carlos Castro.

O país trocou "um cidadão de primeira" por uma "história de segunda", mas o desiderato é positivo: chancela-se a morte do militar, político, ministro e conselheiro da Revolução em rodapés a correr e baixos de página e atribuem-se honras de Estado... mediático ao assassinato do cronista (não cronista social como alguns lhe chamam, como se Carlos Castro e Fernão Lopes fossem páginas do mesmo livro...) e às incidências macrotrágicas em que foi encontrado o seu corpo após alegada tortura, castração e assassinato. Mas a responsabilidade de todo este "estado a que - de novo e citando Salgueiro Maia - chegámos" não é do povo. Porque não é o povo que edita jornais, blocos noticiosos, telejornais ou sites. Nem é o povo o responsável por Marcelo Rebelo de Sousa ter dedicado ontem, no Jornal da TVI, mais tempo de antena à morte de Carlos Castro do que ao desaparecimento de Vítor Alves..


*ex-jornalista, consultor de comunicação, doutorando em Ciência Política

23 novembro 2010

Como foi possível?

Pertenço a uma geração que se tornou adulta durante a II Guerra Mundial. Acompanhei com espanto e angústia a evolução lenta da tragédia que durante quase seis anos desabou sobre a humanidade. 

Desde a capitulação de Munique, ainda adolescente, tive dificuldade em entender por que não travavam a França e a Inglaterra o III Reich alemão. Pressentia que a corrida para o abismo não era uma inevitabilidade. Podia ser detida. 
Em Maio de 1945, quando o último tiro foi disparado e a bandeira soviética içada sobre as ruínas do Reichstag, em Berlim, formulei, como milhões de jovens em todo o mundo, a pergunta «Como foi possível?» 

Hitler suicidara-se uma semana antes. Naqueles dias sentíamos o peso de um absurdo para o qual ninguém tinha resposta. Como pudera um povo de velha cultura, o alemão, que tanto contribuíra para o progresso da humanidade, permitir passivamente que um aventureiro aloucado exercesse durante 13 anos um poder absoluto? A razão não encontrava explicação para esse absurdo que precipitou a humanidade numa guerra apocalíptica (50 milhões de mortos), que destruiu a Alemanha e cobriu de escombros a Europa. 

Muitos leitores ficarão chocados por evocar, a propósito da crise portuguesa, o que se passou na Alemanha a partir dos anos 30. Quero esclarecer que não me passa sequer pela cabeça estabelecer paralelos entre o Reich hitleriano e o Portugal agredido por Sócrates. Qualquer analogia seria absurda. São outros o contexto histórico, os cenários, a dimensão das personagens e os efeitos. 

Mas hoje também em Portugal se justifica a pergunta «Como foi possível?» Sim. Que estranho conjunto de circunstâncias conduziu o País ao desastre que o atinge? Como explicar que o povo que foi sujeito da Revolução de Abril tenha hoje como Primeiro-ministro, transcorridos 35 anos, uma criatura como José Sócrates? 

Como podem os portugueses suportar passivamente há mais de cinco anos a humilhação de uma política autocrática, semeada de escândalos, que ofende a razão e arruína e ridiculariza o País perante o Mundo? 

O descalabro ético socrático justifica outra pergunta: como pode um Partido que se chama Socialista (embora seja neoliberal) ter desde o início apoiado maciçamente com servilismo, por vezes com entusiasmo, e continuar a apoiar, o desgoverno e despautérios do seu líder, o cidadão Primeiro-ministro? 

Portugal caiu num pântano e não há resposta satisfatória para a permanência no poder do homem que insiste em apresentar um panorama triunfalista da política reaccionária responsável pela transformação acelerada do país numa sociedade parasita, super endividada, que consome muito mais do que produz. 

Pode muita gente concluir que exagero ao atribuir tanta responsabilidade pelo desastre a um indivíduo. Isso porque Sócrates é, afinal, um instrumento do grande capital que o colocou à frente do Executivo e do imperialismo que o tem apoiado. Mas não creio neste caso empolar o factor subjectivo. 

Não conheço precedente na nossa História para a cadeia de escândalos maiúsculos em que surge envolvido o actual Primeiro-ministro. Ela é tão alarmante que os primeiros, desde o mistério do seu diploma de engenheiro, obtido numa universidade fantasmática (já encerrada), aparecem já como coisa banal quando comparados com os mais recentes. 

O último é nestes dias tema de manchetes na Comunicação Social e já dele se fala além fronteiras. É afinal um escândalo velho, que o Presidente do Supremo Tribunal e o Procurador-geral da República tentaram abafar, mas que retomou actualidade quando um semanário divulgou excertos de escutas do caso Face Oculta. Alguns despachos do procurador de Aveiro e do juiz de instrução criminal do Tribunal da mesma comarca com transcrições de conversas telefónicas valem por uma demolidora peça acusatória reveladora da vocação liberticida do governo de Sócrates para amordaçar a Comunicação Social. Desta vez o Primeiro-ministro ficou exposto sem defesa. As vozes de gente sua articulando projectos de controlo de uma emissora de televisão e de afastamento de jornalistas incómodos estão gravadas. Não há desmentidos que possam apagar a conspiração. 

Um mar de lama escorre dessas conversas, envolvendo o Primeiro-ministro. A agressiva tentativa de defesa deste afunda-o mais no pântano. Impossibilitado de negar os factos, qualifica de «infame» a divulgação daquilo a que chama «conversas privadas». Basta recordar que todas as gravações dos diálogos telefónicos de Sócrates com o banqueiro Vara, seu ex-ministro foram mandadas destruir por decisão (lamentável) do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, para se ter a certeza de que seriam muitíssimo mais comprometedoras para ele do que as «conversas privadas» que tanto o indignam agora, divulgadas aliás dias depois de, num restaurante, ter defendido, em amena «conversa» com dois ministros seus, a necessidade de silenciar o jornalista Mário Crespo da SIC Noticias. 

Não é apenas por serem indesmentíveis os factos que este escândalo difere dos anteriores que colocaram José Sócrates no banco dos réus do Tribunal da opinião pública. Desta vez a hipótese da sua demissão é levantada em editoriais de diários que o apoiaram nos primeiros anos e personalidades políticas de múltiplos quadrantes afirmam sem rodeios que não tem mais condições para exercer o cargo. 

O cidadão José Sócrates tem mentido repetidamente ao País, com desfaçatez e arrogância, exibindo não apenas a sua incompetência e mediocridade, mas, o que é mais grave, uma debilidade de carácter incompatível com a chefia do Executivo. 

Repito: como pode tal criatura permanecer como Primeiro-ministro? Até quando, Sócrates, teremos de te suportar? *

Urbano Tavares Rodrigues,  
professor universitário, reformado
texto escrito em 2009

* da famosa frase de Cícero para Catilina, na Roma antiga: «quosque tandem abutere, Catilina, patientia mea?»

sim,
quosque tandem abutere, socrates, patientia nostra?

22 novembro 2010

Eu fui a Lisboa abraçar-te

o grazia tanta enviou, eu transponho-o para aqui (em excertos).
É um texto de sentida raiva, dorido  ..

retirado daqui :  (sublinhados meus..)


Eu fui a Lisboa abraçar-te

A ordem perturba mais do que a desordem.
Quem quiser ver, a democracia está aí: converteu a política, toda a política, no confronto com a polícia.
A política é hoje tudo aquilo que escapa ao sistema político-partidário. E contra o que escapa ao sistema político-partidário, a mentira da democracia chama a polícia.
 (...)
Mas a falsa democracia é por demais previsível: o ataque preventivo começou cedo. Ataque preventivo na rua, em Lisboa, ataque preventivo nos/dos Media com a série policial black block, ataque preventivo nas fronteiras. Assim desvia a falsidade da sua essência, assim limpa a ferocidade do seu Estado-Guerra: cercar o mal, isolar o desordeiro, o violento, o vândalo, os palhaços, os filhos-da-puta.
Mas se o Estado é cada vez mais guerra e cada vez mais previsível, o que dizer do PCP?

O meu avô e o meu pai foram/são comunistas. O meu avô foi preso, torturado (...)
O meu pai deu metade da vida pelo “partido”. (...) Acumulou mais cólera e raiva do que aquela que eu tenho.
O PCP é uma linha de comando de controlo da raiva e da cólera?

Nenhuma outra estrutura/movimento político e social no país é um “black block” em potência, além do PCP.
Se a voz de comando dissesse: ocupem as fábricas, ponham cadeados nos portões, não deixem sair os camiões, o país parava. O PCP não tem de o fazer, só a ele lhe cabe essa responsabilidade, ou melhor, ao seu comité. Mas para achar a nossa responsabilidade em tudo o que fazemos, temos sempre que confrontar aquilo que realmente fazemos com as possibilidades do que poderíamos fazer e não fazemos. Nessa diferença, podemos achar a nossa irresponsabilidade.

Pergunto – não à voz de comando, aquele que declara à Lusa (Fonte: TVI) que as pessoas que foram impedidas de entrar no protesto «não pediram antecipadamente para fazer parte do corpo principal da manifestação»; ou ainda, citando a reportagem assinada no JN por Catarina Cruz, Carlos Varela e Gina Pereira, “o único caso de maior preocupação deu-se, a meio da tarde, quando um grupo não organizado foi cercado pelo Corpo de Intervenção da PSP, junto ao Marquês de Pombal. A intervenção policial deu-se a pedido dos organizadores da manifestação que perceberam que mais de 100 pessoas iam integrar o protesto. A polícia, fortemente armada, cercou o grupo na cauda do cortejo” –, pergunto a tantos comunistas e simpatizantes do PCP (e já agora aos outros movimentos partidários que a integravam) se têm o direito de impedir que um outro grupo de cidadãos exerça o mesmo direito que eles próprios gozaram no mesmo sítio, à mesma hora?

O que o PCP fez (ou a organização submetida à lógica centralista e autoritária do PCP) foi ilegal, ilegítimo e, sobretudo, um ultraje. E para fazer cumprir uma ilegalidade, chamou a polícia. E ditou-lhes: façam desta forma, cerquem esse grupo de cidadãos, ou seja, exerceu com eficácia o seu poder sobre as autoridades, condicionando-as a agir fora da lei. Conseguiu o apartheid. Foi a peça que faltava no puzzle montado pelo circo do poder para legitimar mediaticamente a NATO, a sua cimeira, a sua máquina de guerra.

Foram três as entidades que montaram o circo mediático de legitimação da Cimeira da Nato: as altas-esferas políticas; a Polícia e os seus vários serviços; e os Media de Informação de Massa.
E o circo mediático tinha uma pedra-chave em todo processo de desvio da essência assassina da NATO e limpeza do sangue do seu cadastro criminal: os black block.
15 dias antes, começou-se a armar a tenda: telejornais transformados em séries policiais.
Os black block seriam a pedra-chave para montar o cerco, para apontar o adversário, para legitimar a repressão. Bastaria um carro a arder ou uma montra partida e, passe de mágica, o espectador lá de casa pensaria: de facto, os gajos da NATO até têm razão, estes tipos anti-Nato são uns arruaceiros. E todos os manifestantes passariam a ser arruaceiros e os senhores da Guerra uma espécie de caritas global d’ ajuda ao outro!


Mas desta vez, a tripla entente (Estado-Guerra, polícia e Media) não precisou de polícia infiltrada a partir as montras, para isolar o adversário, para desviar a atenção dos 35 mil mortos civis afegãos, os torturados, o horror, o ódio, o terror espalhado pela NATO. Tinham a voz de comando do PCP: a farsa dos B.B (barbies big-brother), a psicose colectiva instigada na TV por Estado-Guerra, Polícia e Media, passava a ter a sua realidade na manifestação contra a cimeira da Nato.
Nessa lógica, o PCP integrou a lógica do Estado: primeiro, limitou a sua actividade de protesto à legitimidade imposta pelo Estado da falsa democracia, como sempre tem feito (uma greve geral em 22 anos é uma espécie de suicídio assistido pelo capitalismo…), depois impedem um grupo de pessoas de juntar-se a uma só voz contra a Guerra, contra a NATO.

Cerquem esse grupo, cacem-nos, porque a democracia está em perigo!

E cercados que estávamos, passámos a ser o adversário, o arruaceiro, o vândalo, o criminoso que vem na TV. Nem uma pedra atirámos. O que o PCP e a polícia-exército fizeram foi fazer-me sentir, num par de horas, um palestino.
(...)

22 Nov 2010, por Face oculta
ver texto na íntegra, aqui

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20 novembro 2010

da greve de dia 24 ..

por Marília Azevêdo
in DN Madeira, aqui

Passageiros clandestinos
É o caso dos não grevistas (*)  que beneficiam da luta dos outros sem perderem o salário
(*) no bons, velhos tempos, chamavam-se fura-greves, amarelos ..)
..............................

«Vivemos um tempo demasiado complexo e angustiante. Confrontados, diariamente, com notícias que nos falam da crise em todas as tonalidades possíveis, que anunciam o empobrecimento generalizado da população e, o encerramento de empresas que lançam para o desemprego centenas de pessoas, aumentando um já insustentável nível de desemprego, de insegurança, precariedade e exclusão social.

Um tempo em que tentam vender a paradoxal teoria de que um verdadeiro estado social é aquele que reduz a protecção social e destrói os serviços públicos. Um tempo em que as perspectivas de futuro são quase um não-futuro.

Neste contexto, cinzento e asfixiante, é fácil ser dominado pelo sentimento de impotência e pelo desalento. Pela sensação de claustrofobia castradora do "não há nada a fazer". Mas há. São tempos como estes que exigem de todos uma resposta à altura. Uma resposta que passa por unir esforços e vontades para lutar por uma mudança, verdadeiramente, significativa.

A união de esforços em torno de uma luta comum levou a que a CGTP-IN e a UGT se juntassem na proposta da Greve Geral para o próximo dia 24 de Novembro. A união de esforços, porém, não isenta ninguém da individual responsabilidade de participar e agir.

Por isso, faz-me alguma confusão assistir a um grupo, não negligenciável, de cidadãos, que se arrogam no direito de assobiar para o lado, como se nada de importante se estivesse a passar. Esse grupo de cidadãos é o exemplo típico do que o economista Macur Olson caracterizou como "passageiro clandestino" na sua obra "The Logic Of Collective Action".

Como "passageiro clandestino" Olson identifica o membro de um colectivo que beneficia da acção pública desse colectivo, sem nada investir nessa acção concreta.
É o caso dos não grevistas que beneficiam da luta dos outros sem perderem o salário correspondente aos dias de greve convocadas pelos sindicatos, ou sem o incómodo de participar em vigílias, manifestações e outras acções de protesto. É fácil identificá-los.

São os "heróis" que no meio da crise e da contestação escolhem como alvo os sindicatos e os dirigentes sindicais. Que contestam as medidas anunciadas pelo Governo, fazendo, pasme-se, oposição aos sindicatos como se tivessem sido estes a apresentá-las e a aprová-las.

Incapazes de contribuir de forma construtiva para a solução dos problemas, a sua verborreia tem como único objectivo atingir as pessoas que, muitas vezes, em contextos difíceis, conseguem melhorar os seus interesses quer pessoais quer profissionais.

São os mesmos que depois arrogam direitos de interpretação como se tivessem contribuído para a mudança.

Não há como desistir de sermos protagonistas da nossa História. Temos, no entanto, a obrigação de escolher a forma como seremos recordados.

Eu vou fazer greve no dia 24 de Novembro. Porque não desisto de tentar deixar um mundo melhor para os meus filhos! »

*
Eu também vou fazer greve no dia 24. Porque tenho mais que razões para estar revoltada, para me sentir lesada por estas políticas e estes políticos. Não acho que uma greve de um dia (por mais geral..) vá alterar seja o que for neste mundo.

Neste campo, gostava...
  • de ser francesa. ou grega.   - ver aqui
  • de poder contar (há anos!) com um fundo de greve (e já lá vão 36 desde o 25 de Abril..)
  • que a união das 2 centrais sindicais não fosse motivo de notícia (por inédita/histórica/especial), num tempo em que, de há muito, vimos (quase)todos - trabalhadores com ou sem partido - a ser nada menos que siderados.
.
Gostava ..

  • de não ter compatriotas burros, tolhidos de medo, desinformados, oportunistas, acéfalos,  umbiguistas, carneiros ignorantes, inertes nêsperas.
  • de não precisar de explicar o óbvio
  • de não ter de ouvir justificações esfarrapadas dos "passageiros clandestinos" meus co-workers, ou de ler comentários alarves como alguns que se seguem ao artigo transcrito.
  • que fossem 'condenados' a ser professores todos os seus algozes militantes.


(*)
A Nêspera

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse,
olha uma nêspera!
e zás, comeu-a.

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece.

in Novos Contos do Gin

a imagem (dividida): "punhos", de Helena Almeida

30 outubro 2010

da Rússia com amor

O artigo está a ser partilhadíssimo no FB. Coloquei-me a questão: como é que na Rússia sabem tanto sobre nós, e que jornalista tem esta visão assim ousada - e a consegue publicar .. na Rússia!?
Fui à fonte, procurei o autor, encontrei-o aqui :

«Hi! I am Timothy Bancroft-Hinchey, director of PRAVDA.Ru Portuguese version (...)
I am a journalist. I am editor of the English version of the Russian online journal Pravda.Ru and director and chief editor of the Portuguese version which serves simultaneously as an online news resource linking Russia with the 8 CPLP countries (actually the only one in Portuguese) and also a source of news among the 8 CPLP member states.»

O artigo não estará escrito no português mais escorreito, mas não vou corrigir uma vírgula.  O conteúdo aquece-me o coração: quase um hino ao 'bom povo português'! Ora vejam:
.

Se Não É de Portugal, Então Deve Ser da União Europeia

by Timothy Bancroft-Hinchey – Pravda

Foram tomadas medidas draconianas esta semana [27 Set/3 Out] em Portugal pelo Governo “socialista” (só em nome) de José Sócrates, um caso de um outro governo de centro-direita/direita pedindo ao povo Português a fazer sacrifícios, um apelo repetido vezes sem fim a esta nação trabalhadora, sofredora, historicamente deslizando cada vez mais no atoleiro da miséria.

E não é porque eles são portugueses. Vá ao Luxemburgo, que lidera todos os indicadores sócio-econômicos, e você vai descobrir que doze por cento da população é português, o povo que construiu um império que se estendia por quatro continentes e que controlava o litoral desde Ceuta, na costa atlântica, tornando a costa africana até ao Cabo da Boa Esperança, a costa oriental da África, no Oceano Índico, o Mar Arábico, o Golfo da Pérsia, a costa ocidental da Índia e Sri Lanka. E foi o primeiro povo europeu a chegar ao Japão….e Austrália.

Esta semana, o Primeiro Ministro José Sócrates lançou uma nova onda dos seus pacotes de austeridade, corte de salários e aumento do IVA, mais medidas cosméticas tomadas num clima de política de laboratório por acadêmicos arrogantes e altivos desprovidos de qualquer contato com o mundo real, um esteio na classe política elitista Português no PSD/PS, gangorras de má gestão política que têm assolado o país desde a Revolução de Abril de 1974.

O objectivo? Para reduzir o défice. Por quê? Porque a União Europeia assim o diz. Mas é só a UE? Não, não é. O maravilhoso sistema em que a União Europeia deixou-se a ser sugado é aquele em que as agências de ratings Fitch, Moody’s e Standard and Poor’s, baseadas nos EUA (onde havia de ser?) virtual e fisicamente controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos Estados-Membros da União Europeia através da atribuição das notações de crédito.

Com amigos como estes organismos, e Bruxelas, quem precisa de inimigos?

Sejamos honestos. A União Europeia é o resultado de um pacto forjado por uma França tremente e com medo, apavorada com a Alemanha depois que suas tropas invadiram seu território três vezes em setenta anos, tomando Paris com facilidade, não só uma vez mas duas vezes, e por uma astuta Alemanha ansiosa para se reinventar após os anos de pesadelo de Hitler. França tem a agricultura, a Alemanha ficou com os mercados para sua indústria.

E Portugal? Olhe para as marcas de automóveis novos conduzidos por motoristas particulares para transportar exércitos de “assessores” (estes parecem ser imunes a cortes de gastos) e adivinhem de qual país eles vêm? Não, eles não são Peugeot e Citroen ou Renault. Eles são Mercedes e BMWs. Topo-de-gama, é claro.

Os sucessivos governos formados pelos dois principais partidos, PSD (Partido Social Democrata, direita) e PS (Socialista, de centro-direita), têm sistematicamente jogado os interesses de Portugal e dos portugueses pelo esgoto abaixo, destruindo sua agricultura (agricultores portugueses são pagos para não produzir) e sua indústria (desapareceu) e sua pesca (arrastões espanhóis em águas lusas), a troco de quê? O quê é que as contra-partidas renderam, a não ser a aniquilação total de qualquer possibilidade de criar emprego e riqueza em uma base sustentável?

Aníbal Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma década, entre 1985 e 1995, anos em que estavam despejando bilhões através das suas mãos a partir dos fundos estruturais e do desenvolvimento da UE, é um excelente exemplo de um dos melhores políticos de Portugal. Eleito fundamentalmente porque ele é considerado “sério” e “honesto” (em terra de cegos, quem vê é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder (que só em Portugal, é) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS) fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.

Sua “política de betão” foi bem concebida, mas como sempre, mal planejada, o resultado de uma inepta, descoordenada e, às vezes inexistente localização no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado, como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo. Uma grande parte dos fundos da UE foram canalizadas para a construção de pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.

O resultado, concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já fecharam.

Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou em empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados Lamborghini. Mazerati. Foram organizadas caçadas de javalí em Espanha. Foram remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Silva ficou a observar, no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a perderem o controle e a participarem. Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido político.

E ele é um dos melhores.

Depois de Aníbal Silva veio o bem-intencionado e humanitário, António Guterres (PS), um excelente Alto Comissariado para os Refugiados e um candidato perfeito para o Secretário-Geral da ONU, mas um buraco negro em termos de (má) gestão financeira. Ele foi seguido pelo diplomata excelente, mas abominável primeiro-ministro José Barroso (PSD) (agora Presidente da Comissão da EU, “Eu vou ser primeiro-ministro, só que não sei quando”) que criou mais problemas com seu discurso do que ele resolveu, passou a batata quente para Pedro Lopes (PSD), que nunca tinha qualquer hipótese de governar (não viu a armadilha), resultando no horror de dois mandatos do José Sócrates, um Ministro do Ambiente competente mas … As medidas de austeridade apresentadas por este… senhor… são o resultado da sua própria inépcia como primeiro-ministro no período que antecedeu a última crise mundial do capitalismo (aquela em que os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões de dólares de um dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis, enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou projetos de educação).

E, assim como seus antecessores, José Sócrates demonstra uma falta de inteligência emocional, permitindo que os seus ministros pratiquem e implementem políticas de laboratório, que obviamente serão contra-producentes.

Pravda.Ru entrevistou 100 funcionários, cujos salários vão ser reduzidos. Aqui estão os resultados:

Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou trabalhar menos (94%). Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou fazer o meu melhor para me aposentar cedo, mudar de emprego ou abandonar o país (5%). Concordo com o sacrifício (1%). Um por cento. Quanto ao aumento dos impostos, a reação imediata será que a economia encolhe ainda mais enquanto as pessoas começam a fazer reduções simbólicas, que multiplicado pela população de Portugal, 10 milhões, afetará a criação de postos de trabalho, implicando a obrigatoriedade do Estado a intervir e evidentemente enviará a economia para uma segunda (e no caso de Portugal, contínua) recessão. Não é preciso ser cientista de física quântica para perceber isso. O idiota e avançado mental que sonhou com esses esquemas, tem resultados num pedaço de papel, onde eles vão ficar. É verdade, as medidas são um sinal claro para as agências de ratings que o Governo de Portugal está disposto a tomar medidas fortes, mas à custa, como sempre, do povo português.

Quanto ao futuro, as pesquisas de opinião providenciam uma previsão de um retorno para o PSD, enquanto os partidos de esquerda (Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português) não conseguem convencer o eleitorado a votar em excelentes ideias e propostas concretas. No caso do PCP, é melhores salários, maior produção, a diversificação da economia e, basicamente, o respeito pelas pessoas que têm apoiado essa absurda e demente governação PSD/PS durante décadas. PCP: Um excelente produto sem um departamento de vendas capaz.

Só em Portugal, a classe elitista dos políticos PSD/PS seria capaz de punir o povo por se atrever a ser independente. Essa classe, traidora, enviou os interesses de Portugal no ralo, pediu sacrifícios ao longo de décadas, não produziu nada e continuou a massacrar o povo com mais castigos. Esses traidores estão levando cada vez mais portugueses a questionarem se deveriam ter sido assimilados há séculos, pela Espanha.

Que nojento e ao mesmo tempo, que convidativo, o ditado português “Quem não está bem, que se mude”. Certo, bem longe de Portugal, como todos os que possam, estão fazendo. Bons estudantes a jorrarem pelas fronteiras fora. Que comentário lamentável para um país maravilhoso, um povo fantástico, e uma classe política abominável (do centro, à direita). Quanto à esquerda, ainda existe a divisão, e a falta de marketing.

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fonte

Go to Original – pravda.ru

06 agosto 2010

o pobre portugal dos doutores, continuação

Confesso: eu não queria estar a gastar o tempo do meu (acho q mais que merecido) descanso com o assunto dos 'chumbos'. Neste momento, apetece-me muito mais postar sobre música, poesia, livros, filmes ..por isso deixei incompleto o post abaixo (ver)

Não queria, nem me parecia necessário. Outros se debruçaram sobre as declarações ditas 'polémicas' da ME (não o são, polémico seria qq coisa de novo e não-esperado, a inefável criatura mais não fez do que ler umas páginas da bíblia da antecessora!) . Enfim, os media deram-lhe a costumada cobertura, as associações de pais pronunciaram-se, uma preto, outra branco. Tudo o que havia a dizer foi dito e eu, sinceramente, nem sei se valia a pena gastar cera com mais defuntas ruindades.. Tudo vai ficar-se por isto mesmo, esta 'tosquice' que me traz à memória um título de um livro para crianças, "a sopa toca e foge". Eles brincam, nós entramos no jogo. Pais, professores, jornalistas.

E esperamos que nada aconteça, nada se altere nos próximos (pelo menos) dez anos. Quando os vossos filhos (que o meu já é grande, escapa a estas estatísticas..) tiverem terminado os seus 'bolónhicos'  cursos-seguidos-de-mestrado para UE ver e forem engrossar as filas dos portugueses desempregados. Ou quando, engenheiros e advogados, forem atender telefones num qualquer call centre. Ou quando tiverem de emigrar para outros países, e os únicos que os vão aceitar são aqueles que deixaram de 'chumbar' ainda mais futuros doutores analfabetos do que nós.

Porque o 'chumbo', e agora passo à análise do artigo de Miguel Reis (aqui) , o chumbo NÃO é «a marca mais evidente do falhanço da escola». A marca mais evidente do falhanço da escola é toda uma geração ter passado por lá e ter-se iludido com o facilitismo das passagens sucessivas, ter agora (ou daqui a dez anos) o seu futuro hipotecado. 

E isso é um falhanço, sim, e rotundo, mas da sociedade em que vivemos, muito mais do que da escola.
  • É o falhanço de uma sociedade que menospreza o papel da Educação, mas almeja para os seus rebentos um diploma de estudos superiores. 
  • Uma sociedade que vive de aparências, inclusive a de que se importa com o futuro dos filhos (ou o seu presente, e isso não é apanágio exclusivo, nem talvez particularmente significativo, das classes ditas ‘baixas’). 
  • Uma sociedade que aplaude quando uma ministra da Educação vem publicamente achincalhar os agentes dessa mesma Educação. 
  • Que vê num programa de televisão um homem agredir uma mulher e logo o transforma em herói. 
  • Que sabe de cor os nomes de todos os jogadores, de todos os treinadores de futebol, mas ignora em absoluto quem foi Agostinho da Silva, ou António Egas Moniz, ou José Saramago. 
  • Que tem 4 e 5 aparelhos de televisão em casa, mas nunca leu um livro na vida. 
  • Uma sociedade, enfim, que elege e reelege um primeiro ministro suspeito de burlas várias, paradigma do bem-sucedido cidadão português!
Vivemos num mundo em que o ‘parecer’ prevalece sobre o ‘ser’, onde quem colhe frutos são os oportunistas, os burlões, os chicos-espertos. A escola pública é apenas a ponta mais visível – e mais vulnerável – desta lixeira nauseabunda em que se tornou o nosso país, e também o seu reflexo.

No seu artigo "uma proposta falsa", diz Miguel Reis que «as visões meritocráticas da escola são apanágio da direita conservadora». Pois deviam sê-lo também da esquerda, se por esquerda se entende uma força que não aceita a podridão deste status quo! Uma força que valoriza o trabalho sério e o empenhamento individual como construtores de um mundo melhor e mais justo, e de que possam, os seus agentes, colher os frutos. É que, ser “conservador”, nos tempos que correm, é encarar como natural a indisciplina que grassa nas escolas, e premiá-la. É aplaudir a violência, os maus modos, a displicência, a cabulice, o eduquês. É aceitar a desautorização sistemática dos professores e outros agentes da educação, é dar cobertura ao bullying. “Conservar”, neste momento, é querer manter este estado de coisas. É não perceber, ou não querer ver, o que se passa nas escolas deste país, onde a indisciplina e o desinteresse de grande parte dos alunos são a causa primeira do seu insucesso.

Pois, sejamos realistas. Mas não exigindo o impossível grau de doutor para todos os nossos jovens (e quem me dera, se isso se traduzisse em mérito, em conhecimento efectivo!!). Na escola (a pública, entenda-se) dificilmente se encontra já o que Miguel Reis chamará de 'elites'. Na escola pública estão os filhos dos professores e outros funcionários públicos, e os dos operários mais bem pagos do que eles. Estão os filhos dos comerciantes, e os dos desempregados. E os das mães solteiras e os dos emigrantes - brasileiros, africanos, ucranianos, moldavos, romenos. Estão os alunos que querem aprender e os que, logo na ficha que entregam ao director de turma, escrevem que não gostam de estudar. Estão os que lêem e os que não lêem, sejam filhos de professores, operários, desempregados, mães solteiras, emigrantes. Na escola (a pública, repito) estão os que vestem roupas de marca, e são basicamente todos. Os que têm televisão e computador no quarto onde dormem - e são basicamente todos. Os que só se alimentam de hamburgers, croissants, gomas, coca-cola - e são basicamente todos. 

A estratificação da sociedade faz-se agora entre os que não têm outro remédio senão frequentar a cada vez mais desacreditada escola pública e os que podem pagar os colégios privados.
Tempos houve em que os alunos se inscreviam nos colégios privados que lhes garantiam a passagem fácil com notas altas - como a realidade se inverteu, não? Tempos, e não tão distantes assim, em que a escola pública tinha qualidade reconhecidamente superior à generalidade dos privados.  Em que os professores de uma davam, também, umas aulas na outra. Ou em que o pessoal docente dos colégios era composto, maioritariamente, pelos candidatos que não conseguiam lugar nas escolas do Estado. Onde há, certamente, "os professores que facilmente desistem" (...) e "os professores que tentam utilizar todos os escassos meios existentes" (...) Mas não me venham com a demagogia do "carimbar prematuramente o destino de certos alunos"!!! e .... "professores que acreditam numa escola que serve para distinguir em vez de ensinar", Miguel Reis ?? que é isso? ?!! Pois se é você mesmo que diz, e cito, " a Ministra faz recair toda a responsabilidade sobre as escolas e sobre os professores, insinuando que dispõem de todo os meios para garantir o sucesso escolar de todos os alunos» - em que ficamos, afinal? A escola não tem toda a responsabilidade mas "desiste de corrigir as desigualdades de partida, deixando que elas se reproduzam e se ampliem."??

Esses 'certos alunos carimbados de incapazes', Miguel, não existem no meu mundo profissional, como não existem os professores 'elitistas' de que fala. Existem, sim, alunos que se estão completamente borrifando para a escola, que agridem verbal e fisicamente colegas e professores. E existem professores que não conseguem ensinar-lhes nada, nem a eles nem ao resto da turma, tal é o desinteresse generalizado, tão inultrapassável a indisciplina dentro da sala de aula.

Não se pode exigir à escola que acabe com a leviana cultura de aparências de toda uma sociedade enformada nos estereótipos virtuais que lhe invadem a casa a toda a hora, muito menos que ‘corrija’, ela só, “as desigualdades de partida”. O que, sim, se lhe deve exigir, é que proporcione um ensino de qualidade, regido por valores humanistas e pautado por critérios de exigência, a todos os seus alunos. Que a todos dê os instrumentos necessários para que possam atingir o sucesso, a nível académico e na sua vida futura.

Mas que, antes, se criem as condições sine qua non. Condições que passam, não por um megalómano plano tecnológico, muito menos pela despesa de milhares de euros gastos em escolas-mãe de futuros mega agrupamentos. As condições necessárias para que a escola mude passam, sobretudo e quase só, pela alteração radical das mentalidades dos alunos e dos seus progenitores. Passam por se voltar a entender a escola como um lugar de trabalho, em vez do pátio de recreio que agora é. Passam, também, por diferenciar os curricula e os cursos, de acordo, não com a condição social de cada um, mas com as suas apetências, as suas diferentes capacidades, e por que não?, a sua diversa inteligência.
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Na Rua Sésamo, o programa infantil mais didáctico que já vi, ensinavam-se as letras, os números e os valores. Uma das canções que por lá ouvi dizia qualquer coisa do género: “se todos fôssemos doutores e engenheiros, quem é que martelava?”

É que - marca evidente do falhanço da escola (da sociedade!) - é , também, precisarmos de um electricista ou um canalizador e não encontrarmos um que não esteja atafulhado de compromissos. Ou de arranjarmos outro que nos ponha a instalação em curto circuito e as torneiras a vazar. E é termos tantos inúteis diplomas de doutores. Termos uma taxa de desemprego galopante. Termos nas ruas um número cada vez maior de pedintes cada vez mais jovens.

Por isso a minha aluna, que não é filha de cozinheira, deveria, sem complexos de qualquer espécie,  poder cumprir o seu sonho de cozinhar, tal como a filha da empregada de uma amiga cumpriu o sonho de ser médica. Não fossem, também, os preconceitos sociais que (quase) todos ainda temos neste país, e a escola cumpriria muito melhor o seu papel.


E finalizo registando aqui algo que já anteriormente escrevi, e que é fruto da minha experiência de mais de 30 anos com alunos do 3.º ciclo e secundário:

(..) a propósito de um inquérito do jornal Público, em que se inquiriam 'personalidades' sobre as causas do insucesso escolar (efectivo) em Portugal: «Acha que a culpa do insucesso é dos professores?»
A resposta de uma das inquiridas, Inês Pedrosa, escritora e directora da Casa-Museu Fernando Pessoa, mais ou menos isto : « É óbvio que a culpa é dos professores! Os alunos não hão-de ser todos burros!»
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Num ponto tem razão a senhora: os alunos, na sua grande maioria, de 'burros' não têm nada. Nem, de resto, os alunos que reprovam são os que têm 'dificuldades de aprendizagem'.
  • Os alunos que reprovam são aqueles que não querem saber da escola para nada - secundados e incentivados nesta perspectiva pelos seus EE.
  • Os alunos que reprovam são os que se portam muito mal e fazem da sala de aula uma extensão do recreio, prejudicando-se a si e aos colegas.
  • Os alunos que reprovam são aqueles cujos pais só aparecem na escola para insultarem os professores, 'carrascos implicantes' que traumatizam os seus impolutos 'anjos'.
  • Os alunos que reprovam, em última análise, são os que, inteligentemente, intuíram os valores de facilitismo e auto-desresponsabilização subjacentes ao sistema educativo - desenhado e mantido ao longo das últimas décadas - pelo ministério da educação.
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22 julho 2010

Mário Soares e a 'lucidez'

um artigo de Clara Ferreira Alves (alegadamente publicado no Expresso)  que me chegou via mail ..

Interessante, fiz uma pesquisa, diria, exaustiva: encontro o artigo (que terá sido escrito em Julho de 2009) em 'n' blogues, mas não na página web do Expresso .. por que será??(ver link ao fundo)
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«Eis parte do enigma. Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana, para a voz da rua.

A lucidez, uma das suas maiores qualidades durante uma longa carreira politica. A lucidez que lhe permitiu escapar à PIDE e passar um bom par de anos, num exílio dourado, em hotéis de luxo de Paris.

A lucidez que lhe permitiu conduzir da forma "brilhante" que se viu o processo de descolonização.

A lucidez que lhe permitiu conseguir que os Estados Unidos financiassem o PS durante os primeiros anos da Democracia.

A lucidez que o fez meter o socialismo na gaveta durante a sua experiência governativa.

A lucidez que lhe permitiu tratar da forma despudorada amigos como Jaime Serra, Salgado Zenha, Manuel Alegre e tantos outros.

A lucidez que lhe permitiu governar sem ler os "dossiers"..

A lucidez que lhe permitiu não voltar a ser primeiro-ministro depois de tão fantástico desempenho no cargo.

A lucidez que lhe permitiu pôr-se a jeito para ser agredido na Marinha Grande e, dessa forma, vitimizar-se aos olhos da opinião pública e vencer as eleições presidenciais.

A lucidez que lhe permitiu, após a vitória nessas eleições, fundar um grupo empresarial, a Emaudio, com "testas de ferro" no comando e um conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas
internacionais.

A lucidez que lhe permitiu utilizar a Emaudio para financiar a sua segunda campanha presidencial.

A lucidez que lhe permitiu nomear para Governador de Macau Carlos Melancia, um dos homens da Emaudio.

A lucidez que lhe permitiu passar incólume ao caso Emaudio e ao caso Aeroporto de Macau e, ao mesmo tempo, dar os primeiros passos para uma Fundação na sua fase pós-presidencial.

A lucidez que lhe permitiu ler o livro de Rui Mateus, "Contos Proibidos", que contava tudo sobre a Emaudio, e ter a sorte de esse mesmo livro, depois de esgotado, jamais voltar a ser publicado.

A lucidez que lhe permitiu passar incólume as "ligações perigosas" com Angola, ligações essas que quase lhe roubaram o filho no célebre acidente de avião na Jamba (avião esse transportando de diamantes, no dizer do então Ministro da Comunicação Social de Angola).

A lucidez que lhe permitiu, durante a sua passagem por Belém, visitar 57 países ("record" absoluto para a Espanha - 24 vezes - e França -21), num total equivalente a 22 voltas ao mundo (mais de 992 mil
quilómetros).

A lucidez que lhe permitiu visitar as Seychelles, esse território de grande importância estratégica para Portugal, aproveitando para dar uma voltinha de tartaruga.

A lucidez que lhe permitiu, no final destas viagens, levar para a Casa-Museu João Soares uma grande parte dos valiosos presentes oferecidos oficialmente ao Presidente da Republica Portuguesa.

A lucidez que lhe permitiu guardar esses presentes numa caixa-forte blindada daquela Casa, em vez de os guardar no Museu da Presidência da Republica.

A lucidez que lhe permite, ainda hoje, ter 24 horas por dia de vigilância paga pelo Estado nas suas casas de Nafarros, Vau e Campo Grande.

A lucidez que lhe permitiu, abandonada a Presidência da Republica, constituir a Fundação Mário Soares. Uma fundação de Direito privado, que, vivendo à custa de subsídios do Estado, tem apenas como única função visível ser depósito de documentos valiosos de Mário Soares. Os mesmos que, se são valiosos, deviam estar na Torre do Tombo.

A lucidez que lhe permitiu construir o edifício-sede da Fundação violando o PDM de Lisboa, segundo um relatório do IGAT, que decretou a nulidade da licença de obras.

A lucidez que lhe permitiu conseguir que o processo das velhas construções que ali existiam e que se encontrava no Arquivo Municipal fosse requisitado pelo filho e que acabasse por desaparecer convenientemente num incêndio dos Paços do Concelho.

A lucidez que lhe permitiu receber do Estado, ao longo dos últimos anos, donativos e subsídios superiores a um milhão de contos.

A lucidez que lhe permitiu receber, entre os vários subsídios, um de quinhentos mil contos, do Governo Guterres, para a criação de um auditório, uma biblioteca e um arquivo num edifico cedido pela Câmara de Lisboa.

A lucidez que lhe permitiu receber, entre 1995 e 2005, uma subvenção anual da Câmara Municipal de Lisboa, na qual o seu filho era Vereador e Presidente.

A lucidez que lhe permitiu que o Estado lhe arrendasse e lhe pagasse um gabinete, a que tinha direito como ex-presidente da República, na... Fundação Mário Soares.

A lucidez que lhe permite que, ainda hoje, a Fundação Mário Soares receba quase 4 mil euros mensais da Câmara Municipal de Leiria.

A lucidez que lhe permitiu fazer obras no Colégio Moderno, propriedade da família, sem licença municipal, numa altura em que o Presidente era... João Soares.

A lucidez que lhe permitiu silenciar, através de pressões sobre o director do "Público", José Manuel Fernandes, a investigação jornalística que José António Cerejo começara a publicar sobre o tema.

A lucidez que lhe permitiu candidatar-se a Presidente do Parlamento Europeu e chamar dona de casa, durante a campanha, à vencedora Nicole Fontaine.

A lucidez que lhe permitiu considerar Jose Sócrates "o pior do guterrismo" e ignorar hoje em dia tal frase como se nada fosse.

A lucidez que lhe permitiu passar por cima de um amigo, Manuel Alegre, para concorrer às eleições presidenciais mais uma vez.

A lucidez que lhe permitiu, então, fazer mais um frete ao Partido Socialista.

A lucidez que lhe permitiu ler os artigos "O Polvo" de Joaquim Vieira na "Grande Reportagem", baseados no livro de Rui Mateus, e assistir, logo a seguir, ao despedimento do jornalista e ao fim da revista.

A lucidez que lhe permitiu passar incólume depois de apelar ao voto no filho, em pleno dia de eleições, nas últimas Autárquicas.

No final de uma vida de lucidez, o que resta a Mário Soares? Resta um punhado de momentos em que a lucidez vem e vai. Vem e vai. Vem e vai.
Vai.... e não volta mais.»

Clara Ferreira Alves 

in Expresso (2009) - (mais artigos seus, aqui )
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e..
 retirado daqui :

Contos Proibidos, de Rui Mateus - o tal livro que desapareceu do mercado

Dizem que a Fundação Mário soares comprou os exemplares quase todos, mas aí está a verdade nua e crua escrita por uma pessoa muito próxima de Mário soares - seu conselheiro e amigo.


PODE FAZER-SE O DOWNLOAD DO LIVRO NESTE LINK ABAIXO:
http://ferrao.org/documentos/Livro_Contos_Proibidos.pdf

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pois é .. como alguém muito bem disse, não se pode enganar toda a gente durante o tempo todo!
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