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19 maio 2010

Léo Ferré - Ni Dieu Ni Maître

Léo Ferré (1916-1993) amaba las palabras y odiaba la autoridad. Era poeta y anarquista, si es que esas dos palabras no quieren decir la misma cosa. 

El creador de Avec le temps, esa maravillosa canción de cuna nihilista, tuvo el detalle de morirse el 14 de julio, día en que los franceses celebran el aniversario de la toma de la Bastilla, acontecimiento que les convirtió en un pueblo libre. En su canción A mon enterrement, Ferré dijo: "En mi entierro tendré un corazón de hierro. Quiero ver negro por todas partes, hasta hacerme saltar los ojos".


A Léo Ferré le entristecía que la palabra anarquía se identificase con caos y violencia. "La anarquía", repitió por enésima vez en septiembre de 1989, "da miedo, pero es algo extraordinario. La anarquía es amor y respeto al otro. Por eso es imposible". 
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Ferré nació el 24 de agosto de 1916 en Mónaco. Paradójicamente, el futuro autor de Ni Dieu ni maître comenzó su educación musical como soprano solista de la catedral del principado.
A los 11 años compuso su primera melodía sobre el poema Soleil couchant, de Paul Verlaine. Hizo el bachillerato en Roma y estudió derecho en París. La II Guerra Mundial le obligó a regresar a Mónaco.
Edith Piaf le explicó, en 1945, que si quería labrarse una carrera de cantante tenía que irse a París. En 1947 Ferré debutó en Le Boeuf sur le Toit, desde donde se trasladó a Le Quod Libet, un cabaré de un amigo; y empezó a grabar temas que fustigaban el franquismo y la actitud del Papa en la II Guerra Mundial o que tomaban el pulso del París real. La comisión de la Radiotelevisión Francesa censuró su Paris canaille por "inoportuna cuando Francia lanza una campaña turística". 

El éxito no le sonrió pronto. Pasó años de grandes penurias: "Todas las mañanas me levantaba diciéndome: "¿Cómo voy a pagar hoy mis cigarrillos?". Un día tuve dinero para comprar un cartón. Era rico". Pero su obra adquirió una enorme dimensión y comenzó a ser admirada incluso por los que condenaban su espíritu anarquista.
"Ferré, inquebrantable espíritu adolescente, era la memoria viviente de nuestras revueltas" (Jack Lang, ex ministro de Cultura)   
fonte: youtube

07 fevereiro 2009

a literatura, as paixões: La Catedral del Mar

É um livro apaixonante, daqueles por que [assim mesmo, separado= pelos quais] apetece regressar a casa … O romance (que já vai na 36ª edição) chama-se “A Catedral do Mar” e o seu autor, um espanhol, leia-se,... catalão :-) de Barcelona: Ildefonso Falcones
Falcones faz um retrato empolgante de uma Catalunha medieval assolada por conflitos feudais, pela guerra, a peste, a inquisição… Os personagens principais acabam por ser o Povo – sofrido e ao mesmo tempo heróico, e a sua cidade condal, Barcelona, que, como uma mãe, acolhe e dá estatuto de cidadãos livres a quantos se refugiam no seu seio.
Assim um cheirinho a “O Memorial do Convento”, do Nobel português (que lucidamente se mudou para Lanzarote) José Saramago, e a “A História do Rei Transparente”, da madrilena Rosa Montero.

'encuentros digitales' com o autor: aqui


postado por ana lima

03 janeiro 2010

Vinicius de Moraes, saravá!

postado em nome da Sílvia:

O Haver

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

Vinicius de Moraes




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