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22 setembro 2011

Portugal inimputável

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in Público, 21.09.2011

"Antes da Madeira, houve várias Madeiras"
Medina Carreira: governantes dos últimos dez anos deveriam ser julgados

de Antoni Tàpies
“Estamos com as baterias contra o Dr. João Jardim (...), mas temos muita gente que à frente dele devia sentar-se no banco dos réus. As pessoas que puseram este País no estado em que está deveriam ser julgadas”, disse Medina Carreira, durante uma tertúlia na Figueira da Foz.


Medina Carreira alegou que o caso da Madeira “só existe” porque Portugal “chegou ao estado de abandalhamento completo” e que a questão só foi tornada pública dado o período eleitoral na região autónoma.

“Por toda a parte se nota que falta dinheiro aqui e ali. Rouba-se aqui. Rouba-se acolá. Nunca ninguém é julgado. Nunca ninguém presta contas.
- ler mais

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Merecemos pagar cada cêntimo gasto por Jardim

por Daniel Oliveira
retirado daqui


A dívida astronómica do governo regional da Madeira, que nem o imposto extraordinário de Natal chega para pagar, não é novidade. Há anos que sabemos que Alberto João Jardim se eterniza no poder por não ter de fazer contas. As suas campanhas resumem-se a uma sucessão de inaugurações de obras sobre obras, não havendo na ilha já quase espaço para tanto betão e asfalto.

A forma despudorada como nos rouba e ainda goza também não é novidade. Quando o País se comovia e aceitava, como gesto natural de solidariedade com os compatriotas madeirenses, que, em tempo de crise, fossem canalizados para a ilha milhões, com vista à reconstrução depois da tragédia, o cacique madeirense não hesitou em gastar o dinheiro em outras obras e despesas. Perante a austeridade geral, riu-se de nós e explicou que tencionava continuar a esbanjar. Porque nada podemos fazer para o impedir.

A violação descarada das leis da República, de que troça, por conhecer o seu estatuto de inimputável, também não é novidade. O senhor absoluto da Madeira persegue opositores, cala jornalistas, insulta detentores de cargos públicos e ainda usa as forças de segurança para impedir protestos e os tribunais para calar criticas, incluindo de deputados que, em princípio, têm imunidade parlamentar. Financia imprensa que lhe faça propaganda, esmaga a que faça jornalismo, distribui negócios por amigos e empregos por familiares, impede deputados eleitos pelo povo de entrar na Assembleia Regional e recusa-se a aprovar a lei de incompatibilidades que vigora no resto do País.

A cumplicidade com que sempre foi contando também não é novidade. Quando o Presidente da República se deslocou à Madeira, foi impedindo de ir ao parlamento regional e aceitou receber deputados da oposição num quarto de hotel, como se estivesse numa qualquer ditadura do terceiro mundo. Deixou que assim fosse, porque a democracia e o Estado de Direito têm um offshore na Madeira, aceite por todos.

Durante anos o País sorriu com as alarvidades deste déspota local. Durante anos achou o seu desprezo pela lei, pela democracia, pelo Estado e por todos nós "politicamente incorrecto" e sinal de "rebeldia". Agora ele explica, com todas as palavras, que rebentou com centenas de milhões, violou a lei e nos mentiu para não ser apanhado. E ainda se diverte com isso. Queixamo-nos? Não sei porquê. Merecemos pagar cada cêntimo que nos roubou. Achámos que não era para o levar a sério. Agora pagamos a brincadeira. Muitos madeirenses corajosos, que há quase quatro décadas fazem frente ao Presidente num ambiente político sufocante, têm pago um preço bem mais alto pela sua ousadia. Nunca quisemos saber deles. Vem agora a fatura. É bem feita.

Publicado no Expresso Online
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A vingança do anarquista

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Público de 21.9.11 - aqui
a pedido do autor, este artigo respeita as normas do Acordo Ortográfico
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A vingança do anarquista

Por Rui Tavares (*)


Aqui há tempos havia um enigma. Como podiam os mercados deixar a Bélgica em paz quando este país tinha um défice considerável, uma dívida pública maior do que a portuguesa e, ainda por cima, estava sem governo? Entretanto os mercados abocanharam a Irlanda e Portugal, deixaram a Itália em apuros, ameaçaram a Espanha e mostram-se capazes de rebaixar a França. E continuaram a não incomodar a Bélgica. Porquê? Bem, - como explica John Lanchester num artigo da última London Review of Books - a economia belga é das que mais cresceu na zona euro nos últimos tempos, sete vezes mais do que a economia alemã. E isto apesar de estar há 16 meses sem governo.

Ou melhor, corrijam essa frase. Não é "apesar" de estar sem governo. É graças - note-se, graças - a estar sem governo. Sem governo, nos tempos que correm, significa sem austeridade. Não há ninguém para implementar cortes na Bélgica, pois o governo de gestão não o pode fazer. Logo, o orçamento de há dois anos continua a aplicar-se automaticamente, o que dá uma almofada de ar à economia belga. Sem o choque contracionário que tem atacado as nossas economias da austeridade, a economia belga cresce de forma mais saudável, e ajudará a diminuir o défice e a pagar a dívida.

A Bélgica tornou-se assim num inesperado caso de estudo para a teoria anarquista. Começou por provar que era possível um país desenvolvido sobreviver sem governo. Agora sugere que é possível viver melhor sem ele. Isto é mais do que uma curiosidade.

Vejamos a coisa sob outro prisma. Há quanto tempo não se ouve um governo ocidental - europeu ou norte-americano - dar uma boa notícia? Se olharmos para os últimos dez anos, os governos têm servido essencialmente para duas coisas: dizer-nos que devemos ter medo do terrorismo, na primeira metade da década; e, na segunda, dizer-nos que vão cortar nos apoios sociais.

Isto não foi sempre assim. A seguir à II Guerra Mundial o governo dos EUA abriu as portas da Universidade a centenas de milhares de soldados - além de ter feito o Plano Marshall na Europa onde, nos anos 60, os governos inventaram o modelo social europeu. Até os governos portugueses, a seguir ao 25 de abril, levaram a cabo um processo de expansão social e inclusão política inédita no país.

No nosso século XXI isto acabou. Enquanto o Brasil fez os programas "Bolsa-Família" e "Fome Zero", e a China investe em ciência e nas universidades mais do que todo o orçamento da UE, os nossos governos competem para ver quem é mais austero, e nem sequer pensam em ter uma visão mobilizadora para oferecer às suas populações.

Ora, os governos não "oferecem" desenvolvimento às pessoas; os governos, no seu melhor, reorganizam e devolvem às pessoas a força que a sociedade já tem. Se as pessoas sentem que dão - trabalho, estudo, impostos - e não recebem nada em troca, o governo está a trabalhar para a sua deslegitimação.

No fim do século XIX, isto foi também assim. As pessoas viam que o governo só tinha para lhes dar repressão ou austeridade. E olhavam para a indústria, e viam que os seus patrões só tinham para lhes dar austeridade e repressão. Os patrões e o governo tinham para lhes dar a mesma coisa, pois eram basicamente as mesmas pessoas. Não por acaso, foi a época áurea do anarquismo, um movimento que era socialista (contra os patrões) e libertário (contra o governo).

Estamos hoje numa situação semelhante. Nenhum boa ideia sai dos nossos governos. E as pessoas começam a perguntar-se para que servem eles. 
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(*) Historiador. Deputado independente ao Parlamento Europeu (http://twitter.com/ruitavares)

10 setembro 2011

a privatização da RTP

recebido via e-mail:

O que deverá saber sobre a RTP e que a "On going" não lhe vai contar.

1º Sabia que todos os países da Europa comunitária e inclusive os Estados Unidos têm serviços públicos de televisão, e que o modelo misto de mercado que existe em Portugal é a regra e não a exceção?
2º - Sabia que o serviço público de televisão prestado pela RTP é não só um dos mais baratos da Europa, é também um dos mais baratos do mundo? Custa cerca de 15 cêntimos por dia, não por pessoa, mas por contador de luz.
3º Sabia que por esses 15 cêntimos emitem diariamente 11 canais de televisão com programação diferenciada (RTP1, RTP2, RTPN, RTP Memória, RTP África, RTP Internacional Asia, América, Europa, RTPMobile, RTP Madeira, RTP Açores) 7 antenas de rádio (Antena 1, Antena 2, Antena 3, RDP África e RDP Internacional, Antena1 Madeira, Antena1 Açores), Rádio, Televisão e Noticias na plataforma Multimédia, (NET), com uma audiência potencial de cerca de 200 milhões de pessoas?
4º Sabia que a RTP possui o maior e melhor arquivo audiovisual do país e um dos melhores do seu género em todo o mundo?
5º Sabia que os trabalhadores da RTP são dos mais produtivos do sector televisivo europeu, recebendo menos salário líquido do que os seus congéneres no privado e auferindo em média 50% do que ganham os seus colegas europeus?
6º - Sabia que os trabalhadores da RTP não têm aumentos salariais reais desde 2003, sendo, depois dos professores, os trabalhadores do sector estado que mais percentual de poder de compra perderam numa década?
7º Sabia que a publicidade da RTP não entra para os seus cofres mas está sim indexada ao pagamento de um empréstimo bancário a um sindicato bancário alemão e holandês, que assumiram o passivo?
8º Sabia que essa dívida (contraída graças a Cavaco Silva) ronda os 600 milhões de euros a um spread baixíssimo, e que este sindicato deseja renegociar o empréstimo há anos?
9º Sabia que no caso da RTP ficar sem publicidade o accionista Estado teria que assumir o pagamento da dívida, mais juros por inteiro e de imediato?
10º Sabe quem pagará a dívida de um canal à Ongoing (se comprar a RTP) pelo governo de Passos Coelho? Você!.. E vai custar-lhe 600 milhões de euros!"
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04 setembro 2011

moros y cristianos + judeus e + budistas, e + .. _ a mesmíssima luta

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daqui:

Salários
Gestores não executivos recebem 7400 euros por reunião

por MARIA JOÃO ESPADINHA
16 Abril 2010
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Embora não desempenhem cargos de gestão, administradores são bem pagos.

Por cada reunião do conselho de administração das cotadas do PSI--20, os administradores não executivos- ou seja, sem funções de gestão - receberam 7427 euros. Segundo contas feitas pelo DN, tendo em conta os responsáveis que ocupam mais cargos deste tipo, esta foi a média de salário obtido em 2009. Daniel Proença de Carvalho, António Nogueira Leite, José Pedro Aguiar-Branco, António Lobo Xavier e João Vieira Castro são os "campeões" deste tipo de funções nas cotadas, sendo que o salário varia conforme as empresas em que trabalham.
(......)
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26 agosto 2011

do bovino povo português e das novas oportunidades

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Este povo não presta!

Acabava de entrar o ano de 1872. E o novo ano que chegava interrogava o ano velho. "'-Fale-me agora do povo", pedia o novo ano. E o velho: “-É um boi que em Portugal se julga um animal muito livre, porque lhe não montam na anca; e o desgraçado não se lembra da canga!” -"Mas esse povo nunca se revolta?" insistia o ano novo, espantada £ respondia o velho: “-O povo às vezes tem-se revoltado por conta alheia. Por conta própria, nunca" E uma derradeira questão:"- Em resumo, qual é a sua opinião sobre Portugal?" E a resposta lapidar do ano velho:"- Um pais geralmente corrompido, em que aqueles mesmos que sofrem não se indignam por sofrer”. Este diálogo deve-se a Eça de Queirós. O mesmo Eça que escreveu sobre o Portugal de então: "O povo paga e reza. Paga para ter ministros que não governam, deputados que não legislam (...) e padres que rezam contra ele. (...) Paga tudo, paga para tudo. E em recompensa, dão-lhe uma farsa" Estávamos, repito, em 1872.

Aquilino, por Artur Bual
Estamos obviamente a falar do povo português. Esta "raça abjecta", congenitamente incapaz, de que falava Oliveira Martins. Este povo cretinizado, obtuso, que se arrasta submisso, sem um lamento, sem um queixume, sem um gesto de insubmissão, tão pouco de indignação e muito menos de revolta. Um povo que se deixa conduzir passivamente por mentirosos compulsivos como Sócrates ou Passos Coelho ou por inutilidades ignorantes como Cavaco Silva, não merece mais que um gesto de comiseração e de desdém. É vê-los nas televisões, por exemplo, filas e filas de gente acomodada, cabisbaixa, servil e absurdamente resignada, a pagar as estradas que a charlatanice dos políticos tinha jurado "que se pagavam a si mesmas"!

Sem qualquer tipo de pejo e com indisfarçável escárnio, o Estado obriga-os a longas filas de espera para conseguirem comprar e pagar o aparelho que lhes vai possibilitar a única forma de pagar as portagens que essa corja de aldrabões, agora no poder, se lembrou de inventar! E eles passam a noite inteira à espera, se preciso for. E lá vão depois, bovinamente, de chapéu na mão, a mendigar a senha redentora que lhes dará o "privilégio de serem esbulhados electrónica e quotidianamente pelo Estado”.
Um povo assim não presta, não passa de uma amálgama amorfa de cobardes. Porque, se esta gentinha "os tivesse no sítio" recusar-se-ia massivamente a pagar as portagens. E isso seria o suficiente para que os planos governamentais ruíssem como um castelo de cartas.

Mas não. Esta gente come e cala. Leva porrada e agradece. E a escumalha de medíocres que detém o poder, rejubila e escarnece desta populaça amodorrada e crassa que paga o que eles quiserem, quando e como eles o definirem. Sem um espirro de protesto, sem um acto de revolta violenta, se preciso for.
Pelo contrário, paga tudo. Paga para tudo. Sem rebuço, dóceis, de chapéu na mão, agradecidos e reverentes, como o poder tanto gosta. E demonstram-no publicamente, disso fazendo gala. Como eu vi, envergonhado, a imagem de um homenzinho ostentando um sorriso desdentado, exibindo perante as câmaras da TV o aparelhinho que acabara de pagar, como se tivesse ganho uma medalha olímpica.


Esta multidão anestesiada espelha claramente o pais que somos e que, irremediavelmente, continuaremos a ser - um pais estúpido, pequeno e desgraçado. O "sítio" de que falava Eça, a "piolheira" a que se referia o rei D. Carlos. "Governado" pelas palavras "sábias" de Alípio Severo, o Conde de Abranhos, essa extraordinariamente actual criação queirosiana, que reflecte bem o segredo das democracias constitucionais.
Dizia o Conde: "Eu, que sou governo, fraco mas hábil, dou aparentemente a soberania ao povo. Mas como a falta de educação o mantém na imbecilidade e o adormecimento da consciência o amolece na indiferença, faço-o exercer essa soberania em meu proveito...”

Nem mais. Eis aqui o segredo da governação. A ilustração perfeita com que o rei D. Carlos nos definia há mais de um século: "Um país de bananas governado por sacanas". Ontem como hoje. O verdadeiro esplendor de Portugal.


Jornal de Barcelos, (Luis Manuel Cunha, Professor – in Jornal de Barcelos de 27/10/2010)


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comentário e texto retirados daqui  e daqui, respectivamente .
comentário de Zé das Esquinas, o Lisboeta:
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Já aqui comentei, a propósito de não sei o quê, que o real povo português está fielmente representado num programa da RTP1 chamado de Preço Certo. Quem quiser ver com olhos sociológicos e de estudo não necessita de ir passear pelo país. Basta-lhe passar uma horas a ver uma dúzia destes programas. Não tem mal, nem tem bem. É assim mesmo, um retrato do País onde incluo o apresentador e os seus quatro assistentes.
E a propósito da afirmação incluída neste post «que a falta de educação mantém o povo na imbecilidade e adormecimento» quero ainda acrescentar uma pequena mas verdadeira «estória».
Uma amiga de infância contou-me no outro dia que tinha sido aconselhada a inscrever-se no programa «Novas Oportunidades» para ter o 12º Ano e assim poder subir um nível na carreira administrativa na Segurança Social onde fez todo o seu percurso laboral e onde, nos anos sessenta e setenta, se entrava com o antigo 5º Ano dos Liceus…
Dizia-me ela que entusiasmada com a ideia, pois está à beira da reforma, que até eu entrava no seu salto académico, pois era referido no seu trabalho que lhe dará a equivalência. E então contou-me que estava a contar a «estória da sua vida» em Word (vê lá tu, eu a escrever num computador…). Concluindo, a equivalência era-lhe atribuída mediante a avaliação de um trabalho com um número de «x» páginas onde ela contaria com palavras e imagens, a sua vida.
Não quero, por agora, fazer comentários a este programa das Novas Oportunidades, que acabei de contar e que, repito, me foi contado pela voz da própria candidata.
Mas tenho a certeza que a minha querida amiga de infância fez bem ao inscrever-se, porque merece de certezinha absoluta ser remunerada um nível acima e um dia ter uma melhor reforma.
Mas se «isto» é um programa de Ensino, que permite o acesso directo à Universidade, como vi à dias um senhor de oitenta e tal anos orgulhosamente manifestar o seu interesse, após obter a equivalência ao 12º Ano neste mesmo programa, aí já tenho as minhas maiores dúvidas.
Mais uma vez, andamos a enganar quem?
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24 agosto 2011

um político que, em vez de prometer, FAZ !!

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Pois ora aprendam, senhores políticos! E olhem que, ao contrário de Portugal, o Brasil nem sequer está em crise!!

notícia retirada daqui , confirmado aqui  (Fev. 2011)

Câmara dos Deputados, Brasília 
Estreia com exemplo de austeridade

O deputado federal José Antonio Reguffe (PDT-DF), que foi proporcionalmente o mais bem votado do país com 266.465 votos, com 18,95% dos votos válidos do DF, estreou na Câmara dos Deputados fazendo barulho. De uma tacada só, protocolou vários ofícios na Diretoria-Geral da Casa.


Abriu mão dos salários extras que os parlamentares recebem (14° e 15° salários), reduziu sua verba de gabinete e o número de assessores a que teria direito, de 25 para apenas 9. E tudo em caráter irrevogável, nem se ele quiser poderá voltar atrás. Além disso, reduziu em mais de 80% a cota interna do gabinete, o chamado “cotão”. Dos R$ 23.030 a que teria direito por mês, reduziu para apenas R$ 4.600.


Segundo os ofícios, abriu mão também de toda verba indenizatória, de toda cota de passagens aéreas e do auxílio-moradia, tudo também em caráter irrevogável. Sozinho, vai economizar aos cofres públicos mais de R$ 2,3 milhões nos quatro anos de mandato. Se os outros 512 deputados seguissem o seu exemplo, a economia aos cofres públicos seria superior a R$ 1,2 bilhão.


“A tese que defendo e que pratico é a de que um mandato parlamentar pode ser de qualidade custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje. Esses gastos excessivos são um desrespeito ao contribuinte. Estou fazendo a minha parte e honrando o compromisso que assumi com meus eleitores”, afirmou Reguffe em discurso no plenário.

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das razões da eleiçao de JOSÉ ANTÔNIO REGUFFE
em Out. 2010
Um homem ficha limpa

Dono da maior votação proporcional do País, José Antônio Reguffe chega à Câmara disposto a reduzir o salário dos deputados e o número de parlamentares no Congresso
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por Adriana Nicacio, Hugo Marques e Sérgio Pardellas - aqui

Aos 38 anos, o economista José Antônio Reguffe (PDT-DF) foi eleito deputado federal com a maior votação proporcional do País – 18,95% dos votos válidos (266.465 mil) no Distrito Federal. Caiu no gosto do eleitorado graças às posturas éticas adotadas como deputado distrital. Seus futuros colegas na Câmara dos Deputados que se preparem. Na Câmara Legislativa de Brasília, o político desagradou aos próprios pares ao abrir mão dos salários extras, de 14 dos 23 assessores e da verba indenizatória, economizando cerca de R$ 3 milhões em quatro anos. A partir de 2011, Reguffe pretende repetir a dose, mesmo ciente de que seu exemplo saneador vai contrariar a maioria dos 513 deputados federais. Promete não usar um único centavo da cota de passagens, dispensar o 14º e 15º salários, o auxílio-moradia e reduzir de R$ 13 mil para R$ 10 mil a cota de gabinete. “O mau político vai me odiar. Eu sei que é difícil trabalhar num lugar onde a maioria o odeia. Quero provar que é possível exercer o mandato parlamentar desperdiçando menos dinheiro dos cofres públicos”, disse em entrevista à ISTOÉ.
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"democracia verdadeira, JÁ!"

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MANIFESTO ABERTO DOS INDIGNADOS LISBOA

Somos pessoas comuns. Pessoas com deveres , direitos e responsabilidades. Pessoas que se levantam todas as manhãs para estudar, trabalhar ou procurar emprego. Pessoas que têm família e contas para pagar. Pessoas que trabalham arduamente para proporcionar um futuro melhor àqueles que os rodeiam.

Este é um movimento aberto, apartidário e não-violento , com uma estrutura horizontal sem líderes. ...Condenamos de forma clara o sistema político, económico e social. Recusamo-nos a ser escravos e reféns de uma classe política privilegiada e corrupta, de um sistema eleitoral fechado às pessoas, e de uma economia de mercado sem regras nem ética, que a todos nos deixa indefesos e sem voz.

Defendemos uma democracia verdadeira assente nos seguintes princípios e normas de funcionamento:

1. - Estabelecimento gradual de uma democracia participativa em que sejam as pessoas a tomar as decisões relevantes para si próprias.

2. - Reforma da lei eleitoral de modo a que:

- O voto de todos os portugueses tenha o mesmo valor e representatividade.

- As eleições não sejam um exclusivo de partidos mas permitam candidaturas de cidadãos e colectivos.

- Os mandatos sejam revogáveis, o programa eleitoral seja vinculativo e a sua alteração só possa ocorrer mediante referendo.

3. - Fim dos privilégios da classe política (reformas, imunidades, etc). Rigor nas incompatibilidades no exercício de cargos públicos e moldura penal agravada para os crimes cometidos no desempenho destas funções.

4. - Transparência em todos os actos do Estado e acesso dos cidadãos a toda a documentação sobre contratos, receitas e despesas públicas.

5. - Acabar com as práticas públicas de favorecimento dos interesses privados que atravessam o Estado. Regulação efectiva das entidades financeiras (banca, seguradoras, etc), de forma a evitar a especulação dos mercados.

A responsabilidade de refundar a democracia, de construir um mundo diferente, mais justo, mais solidário, recai sobre todos nós. Juntos em Portugal, unidos a todos os que no mundo resistem e se revoltam, devemos lutar por resgatar aquilo que quase já se perdeu - a dignidade humana.

O futuro é de todos nós: dos nossos avós, dos nossos pais, e sobretudo dos nossos filhos.

16 agosto 2011

um bilionário decente

NYT - image by kelly Blair
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“Parem de mimar os super-ricos!”
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quem o pede é Warren Buffett
o terceiro homem mais rico do mundo (ver biografia
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excertos do discurso de Warren Buffett no New York Times, , 8/14/2011:

«OUR leaders have asked for “shared sacrifice.” But when they did the asking, they spared me. I checked with my mega-rich friends to learn what pain they were expecting. They, too, were left untouched.

While the poor and middle class fight for us in Afghanistan, and while most Americans struggle to make ends meet, we mega-rich continue to get our extraordinary tax breaks. Some of us are investment managers who earn billions from our daily labors but are allowed to classify our income as “carried interest,” thereby getting a bargain 15 percent tax rate. Others own stock index futures for 10 minutes and have 60 percent of their gain taxed at 15 percent, as if they’d been long-term investors.
Warren E. Buffett, n. 1930
These and other blessings are showered upon us by legislators in Washington who feel compelled to protect us, much as if we were spotted owls or some other endangered species. It’s nice to have friends in high places.
(...)
My friends and I have been coddled long enough by a billionaire-friendly Congress. It’s time for our government to get serious about shared sacrifice. »

Warren E. Buffett,
chairman and chief executive of Berkshire Hathaway.

fonte
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artigo em português, aqui
Obama usa "mimos aos milionários" de Buffett para criticar oposição
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16 Agosto 2011 | 13:46
Diogo Cavaleiro - diogocavaleiro@negocios.p

O artigo de Warren Buffett e a sua crítica aos mimos que tem recebido de Washington já levaram a uma reacção do Barack Obama. O presidente utilizou as suas frases para criticar as reticências que os republicanos no Congresso apresentam em aumentar os impostos sobre os mais ricos. E, dirigindo-se a uma plateia de gente 'normal' (entenda-se 'remediada'): "Vocês não têm direito a estas isenções fiscais. Até posso estar errado, mas penso que vocês são um pouco menos ricos que Warren Buffett"

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lista de bilionários da Forbes (os mais ricos do mundo em 2011) - aqui
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14 agosto 2011

a impermeabilidade da ganância


Público de 9.8.11


Privilégios e direitos
Por José Vítor Malheiros
Há privilégios legítimos. Outros são uma usurpação, um assalto ao bem público
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No filme Missing, de Costa-Gavras, cuja acção se passa no Chile durante o golpe de Pinochet, em 1973, o papel principal é representado por Jack Lemmon, que é Ed Horman, um empresário americano acabado de chegar a Santiago em busca do seu filho desaparecido. Horman é um conservador, mas, ao longo dos seus contactos com as autoridades americanas, vai-se dando conta de que a embaixada dos EUA lhe mente, apercebe-se de que o seu país teve um papel central no derrube da democracia chilena e começa a suspeitar de que está mesmo implicado no desaparecimento do filho. Um dia, desesperado e frustrado, farto das mentiras oficiais com que o tentam enganar, Horman ameaça processar o cônsul e o embaixador dos EUA e metê-los na cadeia. O cônsul responde-lhe calmamente: "Acho que tem esse privilégio!" "Não, tenho esse direito!", corrige Jack Lemmon.

Horman - a história é verídica - chegou mesmo a processar vários responsáveis americanos, incluindo o inefável Henry Kissinger, sem nunca ter conseguido encontrar os culpados pela morte do seu filho, cujo corpo acabou por ser encontrado. Para mim, esta dicotomia privilégio/direito, exemplarmente explicada no filme, está no coracão de todo o debate político.

Uma publicidade recente a um automóvel diz nos seus outdoors que "o luxo é um direito". A frase pode incentivar a compra do carro, mas é falsa. O luxo não é um direito e não é um direito porque não é indispensável à vida ou à dignidade. É apenas um privilégio. A liberdade é um direito; poder comprar uma jóia é um privilégio. Um direito pertence a todos e não pertence mais a uns do que a outros. Um privilégio é de alguns.

Os privilégios não seriam um problema, se não houvesse o mau hábito de os confundir com direitos. Há quem pense que tem "direito a ter privilégios", como se uma tal formulação fizesse sentido, como se ela não ofendesse a justiça, a lógica e a linguagem. Há quem tente defender essa posição: de facto, dizem, todos gostaríamos de experimentar certos privilégios. E certamente que todos temos o direito de os experimentar, se a ocasião se apresentar legitimamente. Mas a palavra-chave aqui é "todos" e o que não é admissível é partir daí para a formulação restritiva, de defesa dos privilégios de apenas alguns.

Soubemos há dias que os 25 homens e mulheres mais ricos de Portugal viram as suas fortunas valorizar-se 17,8% no último ano - esse ano de recessão, de desemprego, de crise, de falências, de ajuda alimentar. Trata-se de pessoas privilegiadas - pela sorte, pelas suas qualidades e esperamos que por nada mais.

A questão que se coloca aqui é, naturalmente, tentar perceber até que ponto se pode considerar justo, legítimo, este imenso privilégio, este acréscimo do privilégio, numa época onde a maioria das pessoas passou tempos difíceis e, por vezes, terríveis privações.

Não se trata de impor a pobreza franciscana como regra ou de denegrir o sucesso empresarial, mas é evidente que um crescimento da fortuna tão acima do que foram as médias nacionais e em circunstâncias tão adversas para a restante população só se pode explicar pela existência de uma ganância impermeável à mais elementar solidariedade social.

O que isolou dos problemas do resto da população estes 25? Apenas o seu mérito? Como se portaram especialmente bem, quando todos os outros se portaram especialmente mal? Quantos destes 25 pagam todos os seus impostos em Portugal? Quantos têm empresas registadas em paraísos fiscais? Quantos invocaram dificuldades de várias ordens para despedir pessoal nas suas empresas? Quantos pagam salários de miséria nas suas empresas? Quantos destes ricos são subsidiados pelos pais dos seus trabalhadores mais jovens, obrigados a completar com mesadas os recibos verdes com que os seus filhos são pagos? Que benefícios receberam do Estado as empresas destes 25, ao mesmo tempo que eram reduzidos os apoios sociais aos mais pobres? Que benefícios reduziram aos seus trabalhadores as empresas destes 25, em nome das dificuldades da crise? Quantos peixes pequenos comeram estes peixes grandes para poderem crescer como cresceram? Estas são perguntas que temos o direito de fazer. E nenhum privilégio deveria evitar que elas fossem respondidas. (jvmalheiros@mail.com)

le temps menaçant, de Magritte

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Público de 9.8.11
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Ser ideologicamente neutro é uma impossibilidade

por António Vilarigues *

"O capitalista e o trabalhador não têm uma realidade social na economia do século XXI." Ai não?

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1. A frase que dá o título a este artigo é do ministro Vítor Gaspar. Não podia estar mais de acordo. A mensagem passou na Assembleia da República e o recado está dado a todos os que por aí andam a perorar sobre a independência ideológica versus os proselitismos.

Já quanto a outras considerações, ideológicas como é óbvio, do senhor ministro o caso muda de figura.

"O capitalista e o trabalhador não têm uma realidade social na economia do século XXI, se é que a tiveram na economia do século XIX." Ai não?

Tributar salários e pensões com um imposto extraordinário e recusar-se firmemente a fazê-lo em relação aos dividendos, às transacções bolsistas e às transferências para os offshore é o quê? Não é uma opção de classe?

E o que dizer de pretender reduzir (ou eliminar) as indemnizações que as empresas devem aos trabalhadores, quando os despedem sem justa causa? Isto, ao mesmo tempo que o Governo mantém intocáveis as indemnizações que os trabalhadores (se não cumprirem o pré-aviso) devem às empresas quando se despedem?

Como qualificar o facto de, passados 23 anos (!!!) do encerramento da Mundet, no Seixal, os trabalhadores terem começado a receber as suas indemnizações - entre os 26 cêntimos e os 30 euros?

Qual a "realidade social na economia do século XXI" do capital em Portugal? Apropria-se de quase 70% (!!!) do rendimento nacional do país. A fortuna dos 25 mais ricos de Portugal aumentou 17,8 por cento, somando 17,4 mil milhões de euros, mais de 10% do PIB. O homem mais rico, Américo Amorim, viu os seus activos crescerem 18,2% num ano. Só no sector da cortiça teve, em 2009, de lucro por dia 64.000€. Mas o mesmo Américo Amorim nem pestanejou ao propor um aumento de 15 cêntimos (!!!) por dia aos trabalhadores deste sector.

Os resultados do primeiro semestre deste ano, revelados pelos principais grupos económicos, exprimem-se em crescimentos que chegam a ultrapassar os 100%. A Corticeira Amorim, SGPS, o grupo Jerónimo Martins e a Sonaecom viram os seus lucros crescer 20,3%; 40% e 62% respectivamente. Entre os principais bancos, o BPI e o BCP fecharam o semestre, respectivamente, com 70 milhões e 100 milhões de euros de lucros. A EDP Renováveis duplicou os seus lucros, para 90 milhões de euros, e a EDP aumentou em 8%, para 609 milhões de euros. A Prossegur aumentou os lucros em 77,5%, a Portucel em 8%, a Mediacapital em 18%. A Galp apresentou lucros de 111 milhões de euros.

No pólo oposto, o retrato da "realidade social" dos trabalhadores - e dos pensionistas, e dos micro, pequenos e médios empresários - é bem conhecido. O contraste dificilmente podia ser maior.

2. Gabriel Fino Noriega, Julho de 2009. Claudia Larissa Brizuela, 24 de Fevereiro de 2010. Víctor Manuel Juárez, 1º trimestre de 2010. José Bayardo Mairena, 1º trimestre de 2010. Joseph Ochoa, 1º trimestre de 2010. Joseph Hernández, 26 anos, no dia 2 de Março de 2010. David Meza, 51 anos, 11 de Março de 2010. Nahún Palacios Arteaga, 34 anos, 14 de Março de 2010. Israel Zelaya, 62 anos, 24 de Agosto de 2010. Hector Palanco, Maio de 2011. Adán Benitez, 4 de Julho de 2011. Nery Orellana, 26 anos, 13 de Julho de 2011. O que têm de comum estes nomes?

Todos eram naturais das Honduras. País onde em 28 de Junho de 2009 ocorreu um golpe militar que derrubou o governo legítimo e instaurou uma ditadura. Golpe comandado pelos EUA e por Obama. Perseguições, agressões, ameaças de morte (aos próprios e aos familiares), sequestros, prisões, assassinatos: eis as Honduras de hoje. Silêncio absoluto sobre a repressão nas Honduras: eis o "critério informativo" adoptado pela comunicação social dominante no nosso país.

Todos eram jornalistas. Todos foram assassinados a tiro por "desconhecidos". Todos foram notícia em órgãos de comunicação social estrangeiros. Em Portugal nem uma linha, nem uma palavra, nem uma imagem. Excepção feita ao jornal Avante! e alguns blogues, com destaque para o Cravo de Abril. Em Portugal há de certeza jornalistas que condenam esses crimes. Jornalistas que, como cidadãos e como profissionais, desejariam denunciá-los e apelar à solidariedade para com as vítimas. Por que não o fazem?

* Especialista em sistemas de comunicação e informação.
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23 julho 2011

the haves and have nots

P L U M A C A P R I C H O SA
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Trabalhar e poupar para quê?
o trabalho e a poupança não chegam para salvar a classe média
por CLARA FERREIRA ALVES
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Anda por aí um conselho: temos de trabalhar e poupar. Como se o futuro dependesse de esforçadamente nos matarmos a trabalhar por menos dinheiro — poupando em quê, onde? — e pagarmos uma dívida que não contraímos nestes termos nem com estes juros de agiotagem. Anda por aí a mania de que os chineses poupam. E que é por isso que estão tão bem de vida. Os chineses não poupam. Os chineses pobres poupam. E quanto mais dinheiro ganham, mais consomem. Esbanjam.

A verdade é que por muito que trabalhemos e poupemos, isso não nos livrará da abjecta miséria se amanhã o sistema de protecção falhar e formos, de um dia para o outro, todos desempregados. Reformados sem reforma. Ao contrário dessa forma de falsa sabedoria popular que passa por sapiência de economista, não existe um empreendedor solitário no coração de cada um de nós. Pode existir um desesperado, um suicida, um assassino, um ladrão ou um agitador. Uma vítima silenciosa. Não existirá sempre um empresário.

As teorias do narcisismo e da auto-estima que tanto apreciamos, e que assentam num período de expansão económica, paz social, excesso de liquidez, crédito barato e abundância, pregam que podemos vencer todas as dificuldades por força e mérito da vontade, por exercício da inteligência e da educação. Por bom comportamento. As pessoas têm a estranha convicção, desmentida pela história, de que o seu mundo não pode acabar de um dia para o outro e de que podem controlar o que lhes acontece. Não podem. Aqueles que julgavam que a Alemanha não invadiria a Polónia, e que se não incomodassem muito Hitler ele não os incomodaria, acordaram com amargos de boca. Os judeus julgaram que estavam protegidos pela sua educação, a sua inteligência, a sua perspicácia, a sua assimilação, a sua devoção à weltanschaaung.

A economia em que crescemos e que conhecemos assenta no consumo. A nossa, europeia, e a alheia, a americana, a chinesa, a brasileira, a indiana. Todo o nosso estilo de vida assenta no consumo. No gasto. Na importação. Na livre circulação de mercadorias. Na famosa e desregulada globalização. Não assenta na poupança. Assenta na especulação. No risco. Assenta na criatividade e na revolução tecnológica servidas por legiões de miseráveis semianalfabetos designados por mão de obra barata. Assenta no saque planetário de matérias-primas. Assenta no petróleo. Perguntem a um jovem da sociedade de consumo se ele prefere jejuar ou ficar sem Internet. Ele preferirá jejuar. Um dia, poderá deixar de escolher e perceberá como vive a maioria da população mundial. Os explorados existem, nós é que não damos por eles.

Dizem que o dinheiro acabou. Basta olhar para o mercado da arte contemporânea a as indústrias e serviços do luxo para perceber que nunca os que têm dinheiro tiveram tanto dinheiro. O dinheiro não acabou, o que acabou foi o acesso ao dinheiro e as regras da sua circulação, controladas por uma plutocracia que convenceu o resto do mundo, incluindo os políticos e académicos que recrutam e aos quais pagam, de que são eles os senhores do dinheiro e das regras.

Se olharmos para pequenos países ricos, como Singapura, a Suíça, o anedótico Mónaco, que vemos? Vemos que são pequenos e bem administrados. Vemos também que não é por serem bem administrados que prosperaram. Prosperaram porque instituíram regras de acolhimento do dinheiro dos que têm muito dinheiro. Serviços financeiros. Em Singapura ninguém se mata a trabalhar, muito menos é poupado. É, como Xangai, Dubai. São Paulo ou Mumbai, um lugar onde se gasta dinheiro como se não houvesse amanhã. Em Singapura, a Gucci e a Prada são armazéns. No aeroporto de Dubai vendem-se Aston Martins. Não se vê ninguém a poupar. E os que se matam a trabalhar são, precisamente, os escravos destes reinos. Os chineses e malaios pobres imigrados em Singapura, os paquistaneses, afegãos, indianos, bangladeshis que construíram cidades do século XXII sobre as areias dos emirados. As amas filipinas traficadas. Os iraquianos e palestinianos fugidos da guerra. Os destituídos que, por mais que se matem a trabalhar, nunca sairão da destituição. As legiões invisíveis.

É isso que a plutocracia espera dos povos, a submissão. Porque a plutocracia não tem país, não tem nação, odeia o estado. Os super-ricos conhecem-se todos, têm os mesmos hábitos, adquirem as mesmas coisas. Encontram-se nos mesmos lugares. Numa economia global, estão em toda a parte ao mesmo tempo. A sua extravagância não conhece limites. Nos Estados Unidos, em 2007, 1% da população controlava 35% da riqueza do país. A classe média proletarizada acha que trabalhar e poupar a ajudará a controlar a sua vida mas esse controle escapou-lhe das mãos. O trabalho e a poupança não chegam para a salvar do capitalismo financeiro global e das suas práticas de jogo. 

REVISTA ÚNICA 16/07/2011
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22 julho 2011

uma república de bananas

Público de 22.7.11

Por António Vilarigues
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Cenas eventualmente chocantes de uma crise
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1. Os sacrifícios para todos. No passado dia 14 o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, anunciou um imposto extraordinário sobre salários e pensões.Este corte ou, melhor, este roubo no subsídio de Natal atingirá os 1025 milhões de euros - 185 cobrados em 2012 e 840 já no final do ano. Destes, três quartos sairão dos bolsos dos trabalhadores e o restante dos pensionistas.

ball in Colombia, de Botero
Portanto o Governo PSD/CDS-PP pretende arrecadar, com a sobretaxa de IRS, 1025 milhões de euros. Mas, como já aqui sublinhámos, se aplicasse uma taxa de 20% nas transferências para os off-shores a receita seria muito superior, na ordem dos 2200 milhões. Uma taxa de 0,2% sobre as transacções bolsistas representaria mais 220 milhões. A cobrança de uma taxa efectiva de IRC de 25% à banca aumentaria a receita fiscal em 300 milhões de euros.

Taxar as mais-valias das SGPS em sede de IRS e as mais de 2600 empresas sediadas no off-shore da Madeira que, saliente-se, não pagam um euro de impostos, traria também receitas significativas. Todas estas propostas, recorde-se, foram apresentadas na última legislatura pelo grupo parlamentar do PCP. Todas elas foram chumbadas pelos três partidos (PS/PSD/CDS-PP) que se têm sucedido nos Governos do País.

"Medidas inevitáveis", uma ova! É tudo uma questão de opção. Opção de classe.

2. O Salário Mínimo Nacional (SMN). Pela boca dos dirigentes das confederações patronais ficámos todos a saber que as empresas portuguesas abrirão falência se o SMN for aumentado de 15 euros por mês. É preciso não ter vergonha na cara. Que empresa não pode pagar a um trabalhador mais 50 cêntimos por dia (menos do preço de um café)? De facto CIP, CCP e CAP sabem perfeitamente que as remunerações têm um peso médio de 18 por cento na estrutura de custos das empresas. Percentagem muito inferior a um conjunto de outros custos, tais como energia, combustíveis, crédito, seguros. O impacto na massa salarial do aumento previsto será nulo. Ou, em casos particulares, no máximo de 0,6 por cento (não é gralha!).

Na Zona Euro, Portugal, em 2010, continuava a ser o país que registava o salário mínimo nacional mais baixo: Bélgica €1189,29, Irlanda €1253,02, Grécia €739,56, Espanha €633,30, França €1151,80, Luxemburgo €1442,37, Holanda €1206,51, Eslovénia €512,08, Portugal €475,00, Reino Unido €922,68. Mais: importa referir que, se o salário mínimo tivesse sido actualizado desde 1974, então, em 2009, o SMN já seria de 562 € e não de 475 €.

Tudo isto comprova claramente como é injusta a distribuição da riqueza existente no nosso País.

3. O Banco Português de Negócios (BPN). Não fosse estarmos perante um claro caso de polícia e dir-se-ia que todo este processo se assemelha a uma palhaçada sem nível. Nada nem ninguém sabia o que se passava. O Banco de Portugal (BP) afirmava ter dificuldades em conhecer quem eram os 390 accionistas do BPN e/ou da Sociedade Lusa de Negócios (SLN). Os órgãos sociais do BPN e da SLN, sublinhe-se, saíram durante anos a fio do bloco central do poder, com predominância para o PSD. Administradores executivos e não-executivos, membros dos órgãos sociais, que nada viam, nada ouviam, nada liam, logo nada sabiam. O Governo do PS nacionaliza o banco, mas não os bens do grupo SLN. Ou seja, nacionalizou os prejuízos e aumentou a dívida pública. O Presidente da República bateu todos os recordes, promulgando a legislação em apenas quatro (!!!) dias.

Foram injectados até hoje, recorde-se, 4,8 mil milhões de euros. Fala-se da necessidade de mais 2,9 mil milhões, atingindo-se assim a astronómica soma de 7,7 mil milhões de euros. Ou quase 5% do PIB de Portugal! Tudo isto num banco que, segundo se notícia, tem depósitos no valor de três mil milhões de euros. E se pretende privatizar por um estranho valor mínimo de 180 milhões!

E não há responsáveis? Não há culpados? Não vai ninguém preso? Na Islândia foram... Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

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17 julho 2011

truques e orçamentos

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Os sistemas escolares dos Estados Unidos são financiados pelos 50 estados. Neste discurso inflamado, Bill Gates diz que os orçamentos estaduais estão cheios de truques de contabilidade que disfarçam o verdadeiro custo dos cuidados de saúde e pensões e ponderado com agravamento dos défices - com o financiamento da educação perdendo no final.

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mundo abaixo-de-cão

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silence, by J. H. Füssli
Meio milhão de crianças em risco de vida
Primeira ajuda humanitária para as vítimas da seca entrou na Somália

17.07.2011 - 12:59 
Por PÚBLICO

As Nações Unidas conseguiram fazer passar um primeiro combóio com ajuda humanitária para a região da Somália mais afectada pela seca e a fome, depois de receber autorização da guerrilha islâmica Al-Shabab, que controla o centro e o sul do país. Segundo a Unicef, 500 mil crianças estarão em risco de vida devido a subnutrição severa.

No início do mês, a guerrilha, que pertence à rede da Al Qaeda, apelara à ajuda de organizações muçulmanas e não muçulmanas. Porém, mantivera a poibição, que já dura há um ano, de entrada de qualquer tipo de auxílio no seu território.

Levantaram agora essa proibição por dez dias. (ler mais aqui)

14 julho 2011

e que tal pararem de fazer de nós parvos??

 notícia e foto retiradas daqui
http://economia.publico.pt

«O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, garantiu hoje que metade das pessoas abrangidas pelo imposto extraordinário que o Governo irá implementar este ano (equivalente a 50 por cento do subsídio de Natal) pagará menos de 150 euros.» [Ou seja, metade das pessoas recebem menos de 300 euros de subsídio de Natal - ou estou a ver mal?]  **
(...)

«Vítor Gaspar – que esta tarde apresentou os contornos da sobretaxa – confirmou que juros e dividendos não serão alvo de imposto extraordinário.» [pois ... juros de ... contas a prazo, por exemplo? eu .. não tenho nenhuma, e ganho quase 4 vezes o ordenado mínimo nacional ... assim sendo, e nem sei muito bem o que são os tais de 'dividendos', quem é que isto beneficia?! ] A retenção incidirá sobre os rendimentos englobáveis no IRS e sobre os rendimentos sobre os quais incidem taxas especiais. Isto exclui, os dividendos e os juros, que podem estar sujeitos a taxas liberatórias. [ - já agora, o que é que saõ 'taxas liberatórias? ]
A exclusão é justificada com o facto de ser necessário, nesta fase, incentivar a poupança (...) [a poupança???!!! mas qual poupança, senhor ministro??? Quem é que acha que convence com esta conversa da treta? Acha realmente que alguém consegue poupar seja o que for com ordenados de miséria»??? Mas o senhor não vê, não ouve, não lê, não sabe - NADA da realidade deste país??  (nem sei por que pergunto ... claro que não sabe, o seu mundo, mais o dos seus todos comparsas, não tem nada a ver com o meu!!..) -  Agora, adivinhe aonde vai levar o seu imposto. Assim, logo, logo, à falência dos comerciantes, já pensou nisso? ... é só ir a um centro comercial e ver quantas lojas já estão às moscas, apesar dos saldos antecipados e do subsídio de férias ... no natal vai ser 50% pior...]

«Questionado sobre o facto de a primeira grande medida do Governo ser uma medida de aumento da receita e não de redução da despesa, quando Pedro Passos Coelho prometeu durante a campanha eleitoral dar prioridade ao corte do lado da despesa, Vítor Gaspar respondeu: “Estamos comprometidos com um programa que será baseado num corte de despesa que contribuirá com dois terços, sendo o restante terço assumido com contribuição de receita. Há acções de contenção de despesa com um desfasamento maior e mais incerto do que do lado da receita”.»

«Vítor Gaspar não apontou um calendário exacto para actuar com medidas específicas de corte de despesa,» [exactly! nem calendário, nem efectivação, cá para mim! ... as moscas mudaram, mas a merda fede cada vez mais!] «mas prometeu mais indicações para a reunião de Conselho de Ministros, a 28 de Julho, e para o documento de estratégia nacional, a divulgar em Agosto.» [em Agosto, para passar de mansinho ? ... ]

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Em 2010, o valor do salário mínimo foi fixado em 475 euros, o que representa um aumento de 5,6% face a 2009 (450 euros).
Regra geral, são descontados 11% para a segurança social (€ 52,25), o que equivale a 422,75 líquidos em 2010. Não há retenção na fonte para IRS.
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comentário/correcção recebido(a)
Está a ver mal (embora possa alegar ter sido induzida em erro pela notícia que analisa,que está errada). Com efeito, o que será taxado é o subsídio de Natal, depois de o mesmo ser deduzido do valor do salário mínimo nacional. Assim, quem pagar 150€ de taxa tem um subsidio de Natal de 775€. Em rigor, trata-se de uma taxa que incide sobre os rendimentos de 2011, calculada tendo por objectivo chegar-se a uma importância equivalente a metade do remanescente do subsídio de Natal, depois de deduzido o equivalente ao salário mínimo nacional.

10 julho 2011

o primo de Francisco Louçã

e esta, hein???? ora leiam q é bem interessante!! - tudo recebido via e-mail:

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Vítor Gaspar
Características pessoais e profissionais


«Nota: Em itálico coloquei a matéria do amigo que me mandou o documento»

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Amigos e Amigas, Conhecidos e Desconhecidos, Nónimos e Anónimos

Leiam atentamente, com um copo de água e uns tremoços por perto, pois este relato é longo.

Se resistirem sem desmaiar, o que é difícil, proponho que se inscrevam já, imediatamente, para os fundos necessários para poder erguer, ali no Campo dos Mártires pela Pátria, uma estátua e um monumento digno par este preclaro e voluntário sofredor, que abdica da sua vida profissional em alto nível, para se sacrificar para este povo de ingratos e maldizentes.

Um VIVA INFLAMADO para o Doutor (pela UNIVERSIDADE CATÓLICA) VITOR GASPAR!!!!

Desta vez é que é!!!! Algum dia teria que ser.

Tão vendo que o azar não pode durar sempre.

E nem sequer se fala em recuperar, nem que seja com as forças da ordem, os dinheiritos que se foram metendo nas contas pessoais durante estes longos anos das conquistas de Abril.

E com craveira igual há outros mais, a começar pelo P.M.


E AGORA O TEXTO QUE REENVIO. Espero que lhe dêem a atenção que merece.


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Quem é o novo ministro das Finanças?

O homem que tem o País nas mãos


Leu O Capital de Karl Marx, aos 17 anos. Aos 50, admira Milton Friedman. É um académico que percebe bastante de política. E um independente que sempre navegou nas águas do PSD. Ninguém lhe regateia elogios.

A revolução apanhou-o com 13 anos, cedo de mais para o arrebatar, tarde de mais para o deixar indiferente. Na Avenida de Roma, em Lisboa, onde cresceu, perdeu mais tempo a jogar à bola do que a colar cartazes ou a organizar manifs.

Os pais eram oposicionistas ao Regime, mas não tinham qualquer tipo de atividade política. Vítor Rabaça Gaspar, o pai, é economista. Laura Louçã, a mãe, é jurista.

E, ao contrário dos primos maternos, vizinhos próximos, Vítor não se empenhará muito nas discussões do PREC. Isso ficará para Francisco Louçã, o primo, sete anos mais velho, ou para os seus irmãos.

O que não significa que Vítor não queira saber a razão de tanto alvoroço político.

Pelo contrário, escolhe a via mais difícil para se familiarizar com o debate.

Aos 17 anos, quando se prepara para entrar no curso de Economia da Universidade Católica, pega nos quatro tomos de O Capital, de Karl Marx, e lê-os. Poucos serão os comunistas que se podem gabar do feito.
E Vítor nunca chegou a ser um comunista. Apenas curioso, qb.

Mas a curiosidade não esgota o feito.

É preciso uma boa dose daquelas qualidades que agora todos os ex-professores, ex-colegas e ex-alunos lhe gabam, enquanto ministro das Finanças, e número dois do Governo liderado por Passos Coelho.
"Determinação", "competência ", "estudo", "dedicação".

"Era muito estudioso, e foi dos melhores alunos que já vi na vida" (Manuel Pinho); "Pode confiar-se naquilo que ele diz. Se ele diz que faz, é porque vai fazer" (João Carlos Espada); "É uma pessoa brilhante e isso vê-se de imediato. Dos mais brilhantes que tenho conhecido"
(Miguel Beleza); "Deve ser dos ministros das Finanças dos últimos anos com maior preparação técnica" (Pedro Pita Barros); "Se ele não conseguir ser um bom ministro das Finanças, nenhum outro conseguirá"
(António Nogueira Leite); "Ele quer saber dos assuntos com bastante detalhe, mesmo dos assuntos do dia a dia" (Fátima Barros).

O INÍCIO: DOMINAR OS GABINETES

Por onde andava, então, Vítor Gaspar, o ministro quase desconhecido, que tanta surpresa parece ter causado?

A resposta é óbvia: estava onde as decisões se tomam. Lá mesmo, no centro.

Discreto, como gosta de ser. E precoce, como as suas leituras evidenciam.

Conclui a licenciatura na Católica, impressionando professores e colegas. "É extremamente discreto, desde os tempos em que foi meu aluno", nota Manuel Pinho, ex-ministro da Economia, do PS.

António Nogueira Leite, que foi seu "caloiro ", recorda os jogos de futebol em que ambos participavam, nas traseiras do Centro Roma: "Foi o melhor aluno do ano dele." No doutoramento, passa com nota máxima louvor e distinção. E começa a viver a política, nos gabinetes.

Primeiro, no do ministro das Finanças, Miguel Cadilhe, na primeira maioria absoluta de Cavaco Silva. "Deixou-me muito bem impressionado. Era sério, profundo, muito analítico e fundamentado ", avalia o ex-governante.

Quando Cadilhe sai do Governo, em 1990, Vítor Gaspar já dirige, com 28 anos, o Gabinete de Estudos do Ministério das Finanças e integra, como "alternante", ou seja substituto, o restrito Comité Monetário. O novo ministro é Miguel Beleza. E Portugal caminha a passos largos para a integração monetária europeia.

O jovem economista Vítor Gaspar impõe-se. "Escolhi-o porque entre as pessoas disponíveis pareceu-me uma opção óbvia. Rapidamente me apercebi das suas capacidades técnicas, para além de ser uma pessoa excelente para trabalhar, por ser muito simpático", recorda Miguel Beleza.

Com o ministro, Vítor Gaspar corre mundo, de reunião em reunião. "Ele, normalmente, vinha comigo, quando havia uma reunião de alguma importância. Ajudava-me a escrever discursos, a preparar posições, tinha uma grande capacidade de trabalho e era muito versátil.

Versátil ao ponto de acompanhar Beleza no jogging. "Corríamos 45 minutos a uma hora e o ritmo era bastante equilibrado. Talvez ele quisesse ser simpático e não ir mais depressa." Assim, aproveitou para conhecer cidades como Washington e Basileia, nos tempos em que não havia televisões a registar a corrida...

Aos 31 anos, depois de quatro anos de ministério e três ministros diferentes, Vítor Gaspar não abranda o ritmo. O sucessor de Beleza, Braga de Macedo, nomeia-o seu representante na Conferência Intergovernamental que negociou o Tratado de Maastricht, em 1992.

A ESCALADA: MAASTRICHT E O EURO

Sempre discreto, mas não ao ponto de passar despercebido junto do primeiro-ministro, Cavaco Silva. Só isso explica a sua permanência, e ascensão, num período tão conturbado, no Ministério das Finanças.

Ao contrário de Cavaco, Gaspar não é um fã de John Maynard Keynes, nem da sua política de intervenção estatal. Gaspar admira, pelo contrário, o liberalismo da escola de Chicago, e o seu maior vulto, Milton Friedman, Nobel da Economia em 1976 e conselheiro dos Presidentes republicanos dos EUA, Richard Nixon e Ronald Reagan.

Nos alvores da moeda única europeia, Gaspar estava como peixe na água.

O "monetarismo" de Friedman inspirou as regras apertadas que estiveram na génese do euro. E todos os constrangimentos da política económica dos Estados que resultaram do Tratado de Maastricht contaram com a concordância do atual ministro das Finanças. Os "critérios de convergência" adotados assentam como uma luva nas convicções de Vítor Gaspar, para quem a estabilidade é a melhor política. "Estabilidade gera estabilidade", costuma repetir. Essa é a principal virtude daquilo a que os economistas chamam teoria da "grande moderação", segundo a qual a intervenção do Estado na economia se torna dispensável e indesejável.

Esta é, talvez, a prova de fogo a que Vítor Gaspar vai ter de submeter as suas opiniões: governar as Finanças portuguesas, à beira do abismo.
Além de uma meta orçamental de 5,9% até ao final de 2011, o novo ministro das Finanças vai ter de garantir o corte de pessoal na Função Pública: 1% na Administração Central, 2% nas autarquias.

Para Manuel Pinho, Gaspar "tem a vantagem de conhecer todas as pessoas em Bruxelas, no BCE e no FMI e de ser respeitado lá. É um teórico que sempre se dedicou a estes assuntos da política monetária europeia. Há 20 anos que trabalha nisto, é muito sério e muito inteligente."
Nogueira Leite subscreve: "Conhece muito bem os dossiês e os interlocutores da troika e tem características pessoais de grande resistência, é determinado, mas calmo. Domina qualquer outro candidato a ministro das Finanças."

A CONSAGRAÇÃO: DOMINAR NA EUROPA

Depois de Masstricht, Gaspar regressou ao Banco de Portugal, para dirigir o Departamento de Investigação e Estatística.

Esteve lá até 1998, data em que assumiu o primeiro cargo internacional de relevo: diretor-geral do Centro de Estudos do Banco Central Europeu.

Passou a viver entre Lisboa (ao fim de semana) e Frankfurt, na Alemanha.

Isto durou seis anos (entre 1998 e 2004).

A família (a mulher e três filhas) ficou sempre em Portugal. E isso, como veremos, fê-lo cansar-se de aeroportos e centros de decisão europeus.

Em 2005, Durão Barroso convida-o para o BEPA (Bureau of European Policy Advisers), como conselheiro. Criado no tempo de Jacques Delors, este organismo europeu, equivalente a uma direção-geral e diretamente dependente do presidente da Comissão Europeia (CE), é uma espécie de think tank interno da CE. Tem uma equipa de poucas dezenas de especialistas em economia, política e assuntos sociais. Em janeiro de 2007, Vítor Gaspar subiu à chefia do BEPA, ocupando o lugar que foi de Maria da Graça Carvalho, antiga ministra do Ensino Superior do Governo de Durão Barroso.

Não sendo um cargo político eletivo, a direção do BEPA é, no entanto, uma função de grande influência política, uma vez que dali saem documentos com orientações da ação política. Vítor Gaspar participava, semanalmente, nas reuniões com todos os diretores-gerais, além de marcar presença nas reuniões da própria Comissão Europeia. "A este nível de conceção de políticas, a fronteira entre o que é técnico e o que é político não existe", refere uma fonte ligada à CE.

O novo ministro das Finanças deixou o BEPA no ano passado, pondo fim a uma aventura europeia que começara em 1998, quando foi chefiar o departamento de estudos do Banco Central Europeu.

O facto de ter já dirigido vários gabinetes de estudo, "onde teve de tomar decisões complexas", convence João César das Neves da capacidade de decidir de Vítor Gaspar. "Diria que é uma pessoa muito competente tecnicamente e que, além disso, tem experiência administrativa e até política, enquanto conselheiro de confiança de vários ministros. E isto não só em Portugal mas a nível europeu. Por isso, parece-me ser uma pessoa muito adequada para a tarefa, neste momento tão difícil", observa César das Neves, que trabalhou com o agora ministro no Ministério das Finanças e no Banco de Portugal, quando Vítor Gaspar foi, também ali, diretor do departamento de estudos económicos.

No último ano, Vítor Gaspar quis voltar a Portugal. O facto de a família se ter mantido em Lisboa enquanto ele esteve em Bruxelas contribuiu para a sua decisão, segundo os que lhe são mais próximos.

E o regresso foi também um regresso à universidade na qual se licenciou, em 1982.

O REGRESSO: PORTUGAL NA CORDA BAMBA

Fátima Barros, diretora da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa, convidou-o imediatamente porque, segundo diz, interessava à faculdade uma pessoa com o perfil de Vítor Gaspar. "Uma pessoa que sempre fez investigação na área económica, mas que, ao mesmo tempo, tem uma visão muito pragmática da realidade, um conhecimento profundo das economias e dos mercados", resume Fátima Barros. Na opinião da diretora da Faculdade de Economia, "a reputação internacional" do novo ministro será um fator determinante. "A sua reputação internacional vai ser muito importante para a nossa credibilidade que, como se sabe, anda pelas ruas da amargura", acrescenta.

Docente de Política Macroeconómica, Vítor Gaspar gosta de dar aulas e, na faculdade, fala-se, sobretudo, de uma personalidade muito "criteriosa". Na Católica, Vítor Gaspar também tem colaborado com o Instituto de Estudos Políticos (IEP), ao lecionar o seminário sobre Políticas Públicas na União Europeia.

João Carlos Espada, diretor do IEP, sublinha o facto de Vítor Gaspar ter "uma grande capacidade de diálogo" e de "manter uma excelente relação com os alunos". "Que é, ao mesmo tempo uma relação de grande exigência. Não é o género do professor popular, facilitista ", sintetiza João Carlos Espada.

Neste contexto, o convite para ministro, e logo para número dois do Executivo, tê-lo-á apanhado de surpresa.

Há uma semana, durante um jantar, juntou-se à especulação sobre quem seriam os ministeriáveis para a pasta das Finanças.

Na altura ganhou Vítor Bento. Mas quem acabou por tomar posse foi Vítor Gaspar.

Terá margem de manobra para usar da sinceridade que João Carlos Espada lhe reconhece? Miguel Beleza diz que tudo vai depender de Passos Coelho. "Há a questão de saber se terá apoio suficiente por parte do Governo, nomeadamente por parte do primeiro-ministro. Quero crer que sim, mas não sabemos. De vez em quando, as prioridades do primeiro ministro não são necessariamente as mesmas do ministro das Finanças." Uma coisa é certa. O ministro das Finanças não gosta de perder, "nem a feijões ", e "joga para ganhar", afiança um amigo pessoal. Em Bruxelas, ganhou torneios de squash e jogou ténis.

Competitivo e determinado, Vítor Gaspar também sabe ser descontraído.
Tem sentido de humor, assegura Miguel Beleza.

E nunca usa argumentos de autoridade, reforça o seu ex-aluno Pedro Pita Barros.

Na universidade de Verão da JSD conquistou a plateia com explicações terra-a-terra. E por aparecer de mochila às costas.

De uma fama não se livra: é alguém que agrada, sobremaneira, aos rígidos alemães. Já era conhecido em Bruxelas por essa proximidade (ideológica, programática) com Berlim. Um membro do gabinete social-democrata de Bruxelas recorda-o como "o menino bonito dos alemães". "Foi sempre muito próximo das posições alemãs. Ele sempre foi de uma grande ortodoxia. É uma visão mais importante do que nunca, neste momento, face ao acordo com a troika", acrescenta Manuel Pinho.

É essa "visão ortodoxa" que o afasta, definitivamente, das posições do outro Louçã que se senta no Parlamento.

Francisco, o primo mais velho, será um dos seus adversários mais duros. Mas só na argumentação. "Desejo-lhe as maiores felicidades.
Opor-me-ei ao Memorando, qualquer que seja o ministro, porque essa é uma política que empurra o País para a bancarrota. Mas espero que ele cumpra a sua atividade nas melhores condições."

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Não duvido desta longa relação de excelsas qualidades da pessoa em causa, nem dos bons propósitos e de vontade de agir que esteja disposto a aplicar para o Bem da Nação (pede deferimento...) Temos que aguardar para ver. e que tem um historial digno de crédito creio que não se pode negar.


Não basta ser bom toureiro para conseguir uma boa lide. Os toiros que saltam para a arena também teem que ser bons. Só com chocas não há lide que preste.

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«Acrescento eu:
Oxalá o deixem trabalhar!»
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acrescento meu, retirado daqui:
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Vai ser um duelo financeiro, político e familiar com vista do Parlamento. De um lado Vítor Gaspar, ministro das Finanças. Do outro, Francisco Louçã, líder do Bloco. Até aqui nada de novo, não fossem os dois primos.

Vítor Louçã Rabaça Gaspar, agora ministro das Finanças é primo de Francisco Anacleto Louçã.

O líder do Bloco de Esquerda diz que «já houve outros familiares meus em outros governos e eu não fiz comentários pessoais, isso seria desagradável. Desejo-lhe o maior sucesso. O verdadeiro ministro das Finanças está no Banco Central Europeu».

Quem desvendou o segredo?  --- ler mais no link acima
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e ainda ... daqui
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Economia
Ministro leva amanhã novas medidas de austeridade a Bruxelas

Vitor Gaspar vai estrear-se no Eurogrupo
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06 julho 2011

premonições .. ou 'o que vale a palavra do PSD'

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pouco antes das legislativas de 2009, que viriam a dar 2ª vitória a José Sócrates ..

retirado daqui:
Santana Castilho, Mário Nogueira e João Dias da Silva no debate sobre política educativa promovido esta manhã pelo PSD

Teve início às 10:30 o debate promovido pelo Grupo Parlamentar do PSD no edifício novo da AR. Depois de uma comunicação oral a cargo de Santana Castilho, segue-se um debate com a participação de Mário Nogueira (Fenprof), João Dias da Silva (Fne) e João Grancho (ANP).

Está prevista a participação no debate de Octávio Gonçalves (PROmova), Ricardo Silva (Apede) e Ilídio Trindade (MUP). O debate termina às 13:00 com uma intervenção de José Aguiar Branco, líder parlamentar do PSD.
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Intervenção inicial de Santana Castilho no debate "um rumo para a educação":
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nota: pouco tempo depois, e contrariamente ao que esta intervenção de Santana Castilho levaria a supor, (e, de resto, a própria circunstância de o terem convidado para este debate), o PSD viria a aliar-se ao PS, sancionando a manutenção das políticas educativas tão contestadas no anterior mandato de José Sócrates (nomeadamente o modelo de ADD), assim renegando as reiteradas promessas eleitorais de apoio à causa dos professores e da Escola Pública ..

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25 de Março de 2011
Pedro Passos Coelho em entrevista, no dia em que apresentou na AR a proposta de SUSPENSÃO IMEDIATA deste modelo de ADD:

PPC: «O actual modelo de avaliação de professores é um processo MONSTRUOSO e KAFKIANO. O PSD comprometeu-se nas últimas eleições a suspender esse processo e a propor um outro.» (...)  «É verdade que, na altura das eleições, não propôs. NÓS hoje PROPUSEMOS! Propusemos a suspensão do actual e um novo modelo que possa ser desenvolvido.»
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pois .. e vão duas ..  
mas esta raça não tem um mínimo de vergonha na cara??!!
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