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12 setembro 2011

o diletante e o mestre

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Acabei de assistir online a um debate no ETV (Económico.TV, um canal pago sobre assuntos económicos disponível em televisão apenas para aderentes)

Os oradores eram Santana Castilho (como convidado) e Pedro Vassalo * (comentador 'residente' à 2ª feira) e o tema qualquer coisa como "Educação em tempos de troika", ou, por outras palavras, "Os efeitos dos cortes orçamentais no estado da Educação".

Pedro Vassalo
Santana Castilho
Tenho pena de não poder disponibilizar aqui o vídeo do debate. Pena que o não tenham visto mais pessoas, que o não transmitam os canais de serviço público em horário nobre. Santana Castilho esteve SUPERLATIVO! Deu um autêntico baile a um Pedro Vassalo de má dicção, diletante e presumido, 'treinador de bancada' (palavras suas) sobre um assunto de que está positiva e vergonhosamente a leste, que (e, de novo, palavras suas) só conhece na condição de aluno!! Nada que o impedisse (atrevido como qualquer ignorante que se preze) de mandar 'bitaites' sobre o ministério da educação, a escola, os professores, o Parque Escolar! O dito senhor (ver currículo abaixo) trabalha na banca, poderá até perceber imenso do ramo em que exerce funções (calculo que principescamente pagas), mas de Educação e de políticas educativas percebe tanto como o ministro Nuno Crato, que o mesmo é dizer, NADA, um redondo, absoluto zero!
Santana Castilho foi o mestre perante um aprendiz pedante, insuportável como só os ignorantes que pensam que sabem tudo sobre todas as coisas, arrogante e simplório na opção de partir impreparado para debater Educação (como se de um tema menor se tratasse!), ainda por cima com o Homem que sobre o assunto dá cartas em Portugal! E como isso foi, mais uma vez, evidentíssimo, a preparação e o conhecimento dos dossiers, a memória prodigiosa contrapondo números e fontes, a inteligência e a acutilância de um discurso certeiro e limpo, as ideias claras de quem pensa e sabe das coisas.
Não sei se, no fim do programa, PV ficou mais humilde, menos seguro de si. Devia. Vi Santana Castilho aturar-lhe dislate atrás de dislate, como se lhe sobrasse pachorra para o nacional-bronquismo, as frases feitas e as ideias pré concebidas de um consultor de negócios que pouco se distinguiu, no oco palavrar sobre Educação, da tacanha dona de casa que, no último Opinião Pública, brindou quem a ouviu com o estafado slogan à la MST de que 'os professores ganham muito e não fazem nada'.


Alguns exemplos, e a transcrição possível do que se passou no programa:

Partindo da referência de Santana Castilho à 'perversão' matemática destas políticas educativas, em que menos com menos dá, não mais, mas menos - menos escolas, menos professores, psicólogos e outros técnicos de educação, menos apoios - a alunos com deficiência, à aquisição de manuais escolares ou de passes sociais..  e sobre os ditames da troika e além, sobre o cortar despesa em "tudo o que mexe" e que Pedro Vassalo  aprova como inevitável: (cortes)  "possíveis porque imediatos para um governo em funções há apenas 3 meses" [e eu nem vos conto da náusea que me provoca este argumento!] - o que um e outro disseram:
PV: O orçamento do Ministério da Educação vai sobretudo para custos com pessoal, e isso (obviamente) implica despedir professores. --- !!!!!!!!
SC: «Há cerca de 4 mil administrativos em todo o sistema. Por comparação, na Suécia, apenas cerca de 200»
PV: (que "privou com muitos ministros da educação" e foi aluno, por isso crê poder opinar sobre o que se passa no mundo da Educação em Portugal -[a lata desta gente, não?!?!] : «Não há ministro da educação que consiga fazer alguma coisa, porque passa os dias a falar com os sindicatos, são milhares de pessoas!» [ohporfavor!!!!!!!!!!!!!!!!!]
.. e ainda, confundindo professores com líderes sindicais :
«A classe docente  não colabora, nunca colaborou, em qualquer reforma que se faça no ME. Não querem que se corte uma vírgula no seu estatuto!» - [bom, aqui PV passa das marcas! Fique sabendo, caro senhor, que eu, professora, quero mais é que se cortem as vírgulas todas - e os pontos, sozinhos ou em duplo, os de exclamação e interrogação, mais as reticências e as aspas, toda a pontuação deste ECD!! Eu quero é implodir um estatuto que me equipara ao resto da FP apenas para me cortar no salário e em tudo o mais me desfavorece e sobrecarrega!]
Nos antípodas e sem papas na língua, o que consegui anotar das intervenções de Santana Castilho:
«Isto não é uma democracia. É uma falsa democracia. Nós não elegemos um primeiro ministro, votamos num partido, e em Portugal são menos de 4% as pessoas filiadas em partidos. Eu não gosto desta democracia! E não quereria meter as pessoas no Campo Pequeno, mas queria políticos que não fossem apenas técnicos e contabilistas. Queria políticos com alma e coração. Um governo não pode gerir números, tem de gerir pessoas!»
«A maior farsa que se fez neste país a nível educacional foi o programa das Novas Oportunidades.»
«A Parque Escolar foi um expediente para desorçamentar o Estado.»
«O Ministério da Educação é um patrão que não tem vergonha. Anda a contratar há anos milhares de professores a título transitório.»
«O senhor (P. Vassalo) acha que temos de esperar mais tempo antes de criticar as políticas deste governo? Eu ando à espera há 30 anos! Eu, como pagador de impostos, tenho o direito de exigir a quem chega ao governo que saiba ao que vai, que tenha o trabalho de casa feito e aja no dia a seguir a tomar posse!»


Ah, grande Santana Castilho! Assim houvesse mais uns quantos sem vendas nos olhos ou o rabo preso. Assim as pessoas usassem a cabeça para pensar.
Que um serviço público não traduzisse um poleiro. Que as leviandades se pagassem caro e os corruptos fossem parar à prisão, mais ainda se governantes.
E que quem fizesse o que quer que seja o fizesse bem feito ou não o ousasse de todo.
Que quem não percebe nada de Educação se abstivesse de mandar palpites sobre ela. Ou de lhe ocupar o pelouro

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Experiência de Pedro Vassalo (para quem, como eu, nunca antes tenha ouvido falar neste senhor):
  • Director de Negócio Portugal: Novacaixagalicia (Banking industry - March 2011 – present) 
  • Director Portugal - Caixa Galicia (Privately Held; Banking industry, 2000-2011)
  • Analista de Risco de Crédito (Banco Santander - Banking industry, 1996-2000)
  • Auditor-Coopers e Lybrand (Partnership; 10,001+ employees; Banking industry - 1993-1996)
Formação académica de Pedro Vassalo
Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (1988 – 1993)
fonte

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Biografia de Santana Castilho: aqui

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entrevista de SC ao CM, 
3 horas condensadas em 10 minutos:

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Santana Castilho:
"Nuno Crato não sabe o que é uma escola"
Professor defende que o ministro da Educação começou "o reinado como um autêntico palhaço da avaliação do desempenho" dos professores e fala em impreparação.
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Por:Janete Frazão / João Pereira Coutinho

xl.pt/detalhe/noticias/nacional/ensino/nuno-crato-nao-sabe-o-que-e-uma-escola
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23 agosto 2011

da vergonha

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in Público - aqui

Ao menos Warren Buffett tem vergonha
Por José Vítor Malheiros
O que justifica que os ricos paguem menos impostos que os pobres? Absolutamente nada
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O título do artigo é Stop coddling the super-rich (Deixem de mimar os super-ricos), foi publicado no New York Times de 14 de Agosto (aqui), o seu autor é Warren Buffett e a sua leitura é obrigatória. Buffett é actualmente o terceiro homem mais rico do mundo, foi durante anos o mais rico e é considerado o mais astuto investidor de sempre. E o artigo é obrigatório não porque seja a primeira vez que Buffett diz o que escreveu agora, mas porque o que escreveu é importante.

O que Buffett diz é simples: os ricos dos Estados Unidos, apesar de terem visto os seus rendimentos subir de forma astronómica nos últimos anos, têm visto os seus impostos descer sistematicamente graças a uma classe política que os beneficia por sistema. Buffett considera que isso é injusto e que não existe racionalidade social ou económica que sustente esse estado de coisas. E muito menos num contexto de crise financeira como o que os EUA atravessam, onde se pedem sacrifícios à classe média e aos mais desfavorecidos. O multimilionário dá o seu próprio exemplo e conta que, no ano passado, pagou apenas 17,4 por cento de impostos sobre os seus rendimentos, enquanto os seus empregados pagaram 33 a 41 por cento. Em Portugal, a história seria a mesma.

Buffett termina propondo um aumento de impostos para os agregados familiares que ganham mais de um milhão de dólares e um aumento ainda mais substancial para os que atingem mais de dez milhões.

O artigo teve um impacto considerável - não só nos EUA -, com apoiantes e detractores a envolver-se em discussão. Os últimos explicaram mais uma vez que era fundamental que o sistema premiasse de forma particularmente generosa os investidores, pois estes corriam grandes riscos e, se os prémios não fossem excepcionalmente generosos, eles deixariam de investir. Curiosamente, este é precisamente um dos argumentos que Buffett desmonta no seu artigo: "Trabalho com investidores há 60 anos", escreve o financeiro, "e nunca vi ninguém recusar um investimento razoável por causa da taxa de imposto a aplicar sobre o eventual ganho".

Outros críticos explicaram tecnicamente que, mesmo que o imposto dos ricos aumentasse, isso não iria resolver os problemas financeiros dos EUA - esquecendo no meio da argumentação minudências como a equidade, a justiça e a moral.

Mas o mais curioso nas reacções ao artigo de Buffett não foi a polémica, mas a quantidade de milionários que apareceram a apoiar a sua posição e a declarar-se disponíveis para pagar mais impostos - o que é tanto mais significativo quanto se conhece a chantagem assassina que os republicanos levaram a cabo para defender as reduções fiscais para os ricos, à qual Obama (que afinal não é FDR, que desgraçadamente não é FDR) cedeu em toda a linha.

A questão é que Buffett acha que a actual injustiça social passa das marcas e que é excessivo e indefensável o privilégio que a sua competência financeira lhe confere.

Tenho a certeza de que muitos ricos portugueses partilham destas ideias e que na realidade lhes repugnam, em termos morais e económicos, os privilégios fiscais de que beneficiam e que sabem que sobrecarregam fiscalmente os portugueses mais pobres. É inevitável que esse sentimento de vergonha atinja os bancos com empresas nas ilhas Caimão e as empresas do PSI20 com sedes na Holanda e noutros paraísos fiscais, que ficámos a conhecer nas páginas do PÚBLICO no passado domingo. É natural que, devido às férias de Verão, estes empresários ainda não tenham aparecido a manifestar o seu apoio às ideias de Buffett, mas certamente que o farão nos próximos dias, exigindo do Governo de Passos Coelho a mesma inflexão fiscal que o terceiro homem mais rico do mundo defende no seu país. 
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(jvmalheiros@gmail.com)
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17 julho 2011

truques e orçamentos

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Os sistemas escolares dos Estados Unidos são financiados pelos 50 estados. Neste discurso inflamado, Bill Gates diz que os orçamentos estaduais estão cheios de truques de contabilidade que disfarçam o verdadeiro custo dos cuidados de saúde e pensões e ponderado com agravamento dos défices - com o financiamento da educação perdendo no final.

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19 junho 2011

o efeito borboleta e a Mafalda

o problema ...

... o problema é a banca e os banqueiros! (usurários, les llamavam..)

1.
Antigo governador da Reserva Federal norte-americana:
Grécia pode colocar economia dos EUA numa nova recessão, alerta Alan Greenspan
17.06.2011 - 15:17 Por Inês Sequeira
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É “quase certo” que a Grécia não irá cumprir as condições para o pagamento da dívida, o que pode arrastar os EUA para uma nova crise, defende o antigo governador da Reserva Federal.

“O problema que temos é que é extremamente improvável que o sistema político irá funcionar” de forma a resolver a crise na Grécia, considera o antigo responsável da Fed, actualmente com 85 anos, numa entrevista citada pela Bloomberg.

Os juros da dívida pública grega dispararam hoje acima dos 30 por cento, pela primeira vez na história do país, com o nervosismo a crescer nos mercados face às dificuldades do primeiro-ministro George Papandreou em conseguir apoios para um novo plano de austeridade.

O descontentamento social tomou esta semana conta das ruas de Atenas, onde mais de 20.000 pessoas se manifestaram na última quarta-feira e houve confrontos com a polícia frente ao parlamento.

O novo plano de medidas, que teria de ser aprovado até ao final deste mês, corre neste momento o risco de não ter o número necessário de deputados para passar no parlamento. No próprio partido do Governo, o Pasok, já houve pelo menos duas demissões de deputados que rejeitam o projecto em cima da mesa.

As probabilidades de que a Grécia entre em incumprimento “são tão altas que quase podemos dizer que não existe saída”, alertou Greenspan, que liderou a Reserva Federal durante quase 20 anos, entre 1987 e 2006. A acontecer, isso pode deixar alguns bancos norte-americanos “contra a parede”.

Para já, a Grécia parece ser o risco mais sério para a economia norte-americana, acrescentou, uma vez que sem esse problema é “muito baixa a hipótese” de uma recessão nos EUA.

No entanto, Greenspan também admite que a dívida dos EUA está a ficar “terrivelmente perigosa” e que será muito improvável que as autoridades norte-americanas tenham ainda um ou dois anos para resolverem a questão.

A recuperação da economia norte-americana tem sido afectada pelas incertezas dos empresários quanto ao futuro a longo prazo, enquanto a taxa de desemprego se mantém acima dos nove por cento, lembra a Bloomberg.

Os novos dados económicos divulgados hoje mostram no entanto que a confiança na economia está a crescer.

*   *   *

2.
Revisão das previsões de crescimento económico
FMI preocupado com crescimento lento dos EUA e com a dívida pública na zona euro
17.06.2011 - 16:33 Por AFP, PÚBLICO


Em causa está o fraco crescimento económico do país, maior do que esperava a instituição, que está igualmente preocupada com a crise de dívida pública que assola vários países da Europa, incluindo Portugal.

Numa revisão semestral das previsões económicas, financeiras e orçamentais que hoje publicada em São Paulo, o FMI avança com números mais baixos do que as últimas previsões publicadas em Abril (2,8 por cento) e em Janeiro (três por cento).

Em causa está a “fraqueza da actividade [económica] mais importante do que estava previsto” e “em parte devido a factores passageiros, entre os quais a subida de preços das matérias-primas, o mau tempo e as perturbações da cadeia de produção da indústria norte-americana provocadas pelo sismo do Japão”, adianta a instituição.

Os economistas do Fundo apelaram também ao Congresso para elevar “imediatamente” o tecto legal da dívida pública do Estado federal, um assunto que divide actualmente os parlamentares republicanos e democratas.

Já a nível mundial, as previsões de crescimento económico em 2011 mantêm-se muito semelhantes – 4,3 por cento agora contra 4,4 por cento em Abril – mas o FMI admite que a economia “está em vias de abrandar temporariamente”.

Em contrapartida, o optimismo é maior quanto à zona euro, devido à recuperação que se faz sentir na Alemanha e em França: o FMI reviu em alta as previsões para 2011, de 1,6 por cento de crescimento para dois por cento. O país com maior crescimento esperado é a Alemanha (3,2 por cento), que deverá ser o maior do G7 (Grupo dos sete países mais industrializados).

Dívida pública preocupa

No entanto, os problemas crescentes com a dívida pública em vários países da zona euro - como a Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha – são vistos com preocupação pelos economistas do Fundo e como uma ameaça ao sector financeiro.

“Na eventualidade de um acontecimento grave de mercado, um choque poderia reflectir-se para lá da zona euro devido à exposição transfronteiriça [dos bancos à dívida destes países] e ao recuo generalizado do apetite pelo risco”, alertam os responsáveis da instituição.
mais aqui

10 maio 2011

o torto soalho da casa europeia

in Público, 9/5/11

Conteúdo e contexto
Rui Tavares *

A discussão sobre se o acordo com a troika é “bom” ou “mau” para nós, segue previsivelmente todos os passos dos nossos previsíveis debates domésticos. Antes de nos perguntarmos se os senhores estrangeiros nos trataram bem ou mal, como nós merecíamos ou não, será pedir muito que abandonemos por momentos a nossa subalternidade e que nos atribuamos o direito de analisar o trabalho da troika?

A primeira pergunta seria então: é este acordo realista ou irrealista? Valerá a pena espancar a nossa economia para a pôr na forma estipulada? Já o tentámos com os vários PEC, tal como a Grécia e Irlanda tentaram com os seus resgates, e o resultado foi pior do que o estado inicial. Se este acordo falhar, que se seguirá então? Mais espancamentos?

Espancar a economia significa, é bom lembrar, espancar indiretamente as pessoas. Cortar-lhes nos salários, aumentar-lhes os transportes, diminuir-lhes as redes de segurança em caso de desemprego ou doença, cortar-lhes os sonhos na educação ou no ensino superior, cada vez mais caro. Fazê-lo sem certeza dos resultados está na fronteira entre a futilidade e a crueldade.

Para analisar o acordo, precisamos de olhar para o conteúdo e para o contexto. 

No conteúdo, o acordo é duro, duríssimo até, mas levemente menos irrealista nas previsões do que nos casos grego e irlandês. Com dois fracassos no saco, a troika admite à partida uma recessão prolongada, e dá-nos mais um ano para atingir os objetivos convencionados. 

quadro de Botero
A partir daí, o contexto é que é determinante — e o contexto está todo errado, condenando a prazo o exercício. Na verdade, nada do que fizerem Sócrates ou Passos Coelho poderá mudar o facto de que é o euro que está em crise. Dilacerantes eventos se anunciam para a moeda única nos próximos tempos. Há estranhas reuniões secretas, depois confirmadas. Na agenda estaria a saída da Grécia — depois negada. Basta uma reestruturação da dívida para que a crise chegue à Espanha.

As nossas culpas (e são muitas: um país desigual, uma elite predadora, uma estrutura fiscal desonesta) toldam-nos a vista de tal forma que não nos deixam ver esta diferença entre conteúdo e contexto, com prevalência para o segundo. Talvez uma metáfora ajude. 

O que nos sugerem que façamos às contas portuguesas, e por extensão à nossa economia e sociedade, é o equivalente a pedir-nos que arrumemos os pratos de outra maneira no armário. Vamos esquecer por momentos se concordamos ou não com a nova arrumação: isso é o conteúdo.

O problema é que o soalho da casa está torto. O soalho é a zona euro. Quanto mais se entorta mais impossível fica arrumar o nosso armário. Na sala há 16 armários, alguns exercendo um peso sobre o soalho que faz afastarem-se as tábuas onde deveríamos pôr os pés. Os planos de há seis meses já não resolvem os problemas de agora, e os planos de agora arriscam-se a piorar os problemas de daqui a seis meses.

É que entretanto já não é só o soalho que está torto. As vigas do teto afastam-se, as paredes perdem o prumo. A casa é a União Europeia, e os seus pilares são o euro, Schengen, a estratégia 2020 (meu Zeus, onde já vai ela...) — todos em crise. Os alicerces da casa estão sobre um pântano de bancocracia e indecisão política.

A casa é o contexto. Vai ser preciso refazer-lhe os pilares, que deveriam passar a ser: coesão, integração, solidariedade e crescimento (ou emprego). E reconstruir tudo sobre o terreno firme da democracia. Enquanto isto não for feito andaremos correndo à volta do armário, apontando histericamente uns para os outros, enquanto tudo se quebra lá dentro. 

*Historiador.
Deputado independente ao Parlamento Europeu pelo BE (http://twitter.com/ruitavares); 
a pedido do autor, este artigo respeita as normas do Acordo Ortográfico

06 maio 2011

pequenas (?!) trafulhices

e viva o querido líder!
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foolproof: as embrulhadas todas muito bem explicadas ..
..  dos hospitais (e não só) que o estado vendeu a empresas privadas 
e de que agora paga um aluguer astronómico !!
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29 março 2011

austeridade por causa de e ao serviço de quem?

quem fala assim .... 

Brilhante e Mordaz intervenção do Dr. Marinho e Pinto por ocasião da Sessão de Solene de Abertura do Ano Judicial.
Em poucos minutos o Dr. Marinho e Pinto exprimiu o sentimento e o pensamento de milhões de portugueses relativamente à conjuntura actual e atribuiu as devidas responsabilidades (fonte)

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A Watson Institute video on the global trend toward Austerity budgets 
featuring Mark Blyth:
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14 março 2011

he's been talking about this for 11 years!


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enviado pelo grazia tanta:
«Hoje é o PEC 4, daqui a meses o PEC 5; um dia ficam-te com o salário todo para satisfazer os mercados!»
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 - abram os olhos, pá!!
! they are engineering 
the total  C O L A P S E  of society ! !

o que dizem os bancos aos governos: (alegadamente a troco de não 'implodirem' a economia)
  • give us trillions more ,  [dêem-nos mais €€€€€€$$$$$$$$$]
  • raise your taxes in your countries ,  [aumentem e aumentem e aumentem os impostos, a comida, as rendas, os transportes..]
  • cut benefits ,  [cortem e cortem e cortem na saúde, educação, pensões, função pública..]
  • and pay almost everything that you raise in taxes to us!!  [e dêem-nos o dinheiro a nós! e é se querem!]
(tradução menos enfurecida no vídeo)

08 fevereiro 2011

por que será??!

Portugueses são os que menos confiam no governo, seguros e banca
07 Fevereiro 2011
Lusa


Os portugueses são os que menos confiam no Governo entre um grupo de 23 países analisados num barómetro que avalia o nível de confiança nas empresas, Governo, ONG e media, que hoje será divulgado.

De acordo com o Edelman Trust Barometer 2011, que pela segunda vez inclui Portugal, apenas 9% dos 203 inquiridos afirmou confiar no executivo. Face a 2010, o "Governo é a única instituição cujo nível de confiança se reduz", refere o estudo.

No ano passado, 27% dos inquiridos afirmou confiar no executivo, um valor que desceu para 9%. Entre os mais desconfiados nos Governos estão os irlandeses (20%) e os alemães (33%), enquanto os chineses (88%) se mostram os mais confiantes.

Na mesma linha, Portugal "é o segundo país que atribui menos credibilidade a um representante do Governo ou regulador", sendo apenas superado pela Indonésia, numa tabela liderada pelo Brasil.

Os portugueses consideram os técnicos das empresas (como cientistas ou engenheiros) os porta-vozes mais credíveis e os presidentes executivos os segundo menos credíveis. Já as Organizações Não Governamentais (ONG) são as instituições em que os portugueses mais confiam (69%), seguidas pelas empresas (47%) e os media (39%).

No que respeita às empresas, os portugueses afirmam confiar mais nas multinacionais suecas (87%) e suíças (83%), estando no fim da lista três economias emergentes: Rússia (23%), Índia (24%) a China (28%). Metade dos inquiridos afirmou confiar nas multinacionais da vizinha Espanha.

Uma análise por sectores demonstra que a tecnologia (78%) e a biotecnologia (77%) são os sectores em que os portugueses mais confiam, por oposição aos seguros (31%), serviços financeiros (31%) e banca (31%).

Na comparação com 2010, a banca e os seguros registam os maiores decréscimos em termos de confiança dos portugueses. "Apesar da reduzida confiança no sector bancário, Portugal está acima de países como Espanha (35%), Estados Unidos (25%) ou Reino Unido (16%)", refere o barómetro.

Em Portugal, o Edelman Trust Barometer 2011 resulta de uma parceria entre a consultora de comunicação GCI e a Escola de Negócios da Universidade do Porto e é baseado em entrevistas telefónicas feitas a cidadãos que vêem regularmente notícias económicas e políticas, possuem pelo menos uma licenciatura e pertencem ao escalão de rendimento mais elevado. 


imagem ('esticada') de Giorgio de Chirico (surrealista)
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09 janeiro 2011

salários para quê?

recebido via mail como "texto da imprensa" :



A questão não é saber se os cortes nos salários são constitucionais ou inconstitucionais. O buzilis é se, com os cortes, os patrões vão conseguir o trabalho feito.

Há que perceber, ou re-perceber que « o salário» não é nenhuma esmola. Se os patrões pagam salário é porque querem lá o trabalhador para executar um determinado trabalho. Se não precisassem do trabalho feito não pagavam salário nenhum.

As reduções nos salários, ou a eliminação do salário por completo, tem a ver com um processo intelectual que tem acontecido na cabeça das pessoas nos últimos anos e que é o desligamento entre «salário» e «trabalho». De uma visão «contratual» de um «salário» pensado como contrapartida de um «trabalho», muitos patrões têm evoluído para imaginarem o trabalho como uma «obrigação» e o salário como uma «esmola» ou um custo para a empresa.

Os programas públicos de «estagiários à borla» e subsídios «de inserção no mercado de trabalho» têm ajudado este fenómeno. Os patrões habituaram-se a que alguém fizesse o trabalho, automaticamente, e que isso nada tem a ver com aquele acontecimento stressante do final de cada mês (e muitas vezes início e meados do mês seguinte) que é o processamento de salários. As receitas da empresa são todas minhas. «É tudo meu». Os custos são culpa do Estado e da Lei. Malditos impostos! Malditos salários!

É este raciocínio que está por detrás do discurso de que os desempregados «não querem é trabalhar!» Deviam ser obrigados a trabalhar. À borla!

09 dezembro 2010

finanças explicadas devagar

enviado pelo grazia tanta..

São 3 horas e pico de vídeo (nos 1ºs 5 minutos já se aprende qq coisa..), mas garanto-vos que valem a pena: uma análise factual dos meandros político-financeiros que percorre a História, desde os tempos do império romano até ao presente, com especial enfoque para o que se passa agora nos EUA e na Europa. É uma explicação exaustiva e no entanto acessível para leigos (basta saberem inglês..) , servida como uma aula plena de didactismo sobre finanças, economia, manipulação e corrupção, mais as manobras políticas suportadas pelos utilíssimos 'cheerleaders' dos media.
É, sobretudo, uma denúncia sobre quem manipula os cordelinhos que nos põem a todos na corda bamba. Em resumo: A NÃO PERDER!



(http://www.larouchepac.com/firewall) «The powers of financial capitalism had a far-reaching plan, nothing less than to create a world system of financial control in private hands able to dominate the political system of each country and the economy of the world as a whole...Their secret is that they have annexed from governments, monarchies, and republics the power to create the world's money..." THE MONEY MASTERS is a 3 1/2 hour non-fiction, historical documentary that traces the origins of the political power structure that rules our nation and the world today. The modern political power structure has its roots in the hidden manipulation and accumulation of gold and other forms of money. The development of fractional reserve banking practices in the 17th century brought to a cunning sophistication the secret techniques initially used by goldsmiths fraudulently to accumulate wealth. With the formation of the privately-owned Bank of England in 1694, the yoke of economic slavery to a privately-owned "central" bank was first forced upon the backs of an entire nation, not removed but only made heavier with the passing of the three centuries to our day. Nation after nation, including America, has fallen prey to this cabal of international central bankers. » - fonte

06 dezembro 2010

pinoquices


É .. palavras para quê? São 2 políticos portugueses..

- as culpas no cartório do actual MF:
Fernando Teixeira dos Santos - Ministro de Estado e das Finanças
Funções governamentais exercidas
Desde 2009-10-26
Ministro de Estado e das Finanças do XVIII Governo Constitucional
Desde 2005-07-21
Ministro das Finanças do XVII Governo Constitucional
Desde 2005-07-21
Ministro de Estado do XVII Governo Constitucional
De 1995-10-30 até 1999-10-25
Secretário de Estado do Tesouro e Finanças do XIII Governo Constitucional

fonte

19 novembro 2010

o feitiço e o feiticeiro

 dp de corrigir os testes já traduzo .....

By STEPHEN OHLEMACHER,
Associated Press – Thu Nov 18, 6:39 pm ET 

WASHINGTON – Raising the retirement age for Social Security would disproportionately hurt low-income workers and minorities, and increase disability claims by older people unable to work, government auditors told Congress.

The projected spike in disability claims could harm Social Security's finances because disability benefits typically are higher than early retirement payments, the Government Accountability Office concluded.

(notícia completa: - aqui)

08 novembro 2010

obscure 'liaisons'

Parque Escolar já é a quinta empresa pública mais endividada  (*)


Esta empresa pública tem um endividamento igual ao das Estradas de Portugal. Críticas de desorçamentação chegam de dentro do próprio Governo.

O nível de endividamento gerado pela empresa pública Parque Escolar já ascende a 1,98 mil milhões de euros, entre dívida directa e apoio do Estado, e nos primeiros meses do próximo ano pode mesmo ultrapassar a barreira dos 2,25 mil milhões, segundo os números inscritos no Relatório e Contas de 2009 a que o Diário Económico teve acesso.

Números que agora permitem corrigir o Orçamento do Estado para o próximo ano e que vão de encontro a várias criticas de desorçamentação. A mais recente quanto à verdadeira dimensão das contas das empresas públicas veio mesmo do ex-director geral do Orçamento, Luís Morais Sarmento, do ministério das Finanças de Teixeira dos Santos. Ainda esta semana, Morais Sarmento entregou a Teixeira dos Santos o relatório para a Revisão da Lei de Enquadramento Orçamental em que refere explicitamente o caso da Parque Escolar. Chama-lhe "fragmentação orçamental" e ilustra com o que está acontecer nas "Estradas de Portugal, SA, a Parque Escolar EPE e nas fundações universitárias". Aliás, os indicadores económico-financeiros da empresa, monitorizada pelas Finanças, nunca surgiram nos relatórios da direcção-geral do Tesouro e Finanças que são divulgados por ano, por semestre e trimestralmente. Também a Unidade Técnica de Acompanhamento do Orçamento (UTAO) tem chamado à atenção para este facto em vários pareceres aos Orçamentos do Estado.

O relatório do OE, na página 164, enumera, uma a uma, o endividamento das empresas públicas não financeiras e aponta para um valor global na ordem dos 21,2 mil milhões de euros para o corrente ano, mas é completamente omisso quanto à empresa que pretende realizar obras de reabilitação de 205 escolas secundárias.
António de Albuquerque
06/11/10
(*)
Legislação
A Parque Escolar, E.P.E. rege-se pelo regime Jurídico aplicável às Entidades Públicas Empresarias estando sujeita à tutela dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e educação.
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a ler, absolutamente!:
A gorda Parque Escolar, de Santana Castilho, aqui
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30 outubro 2010

da Rússia com amor

O artigo está a ser partilhadíssimo no FB. Coloquei-me a questão: como é que na Rússia sabem tanto sobre nós, e que jornalista tem esta visão assim ousada - e a consegue publicar .. na Rússia!?
Fui à fonte, procurei o autor, encontrei-o aqui :

«Hi! I am Timothy Bancroft-Hinchey, director of PRAVDA.Ru Portuguese version (...)
I am a journalist. I am editor of the English version of the Russian online journal Pravda.Ru and director and chief editor of the Portuguese version which serves simultaneously as an online news resource linking Russia with the 8 CPLP countries (actually the only one in Portuguese) and also a source of news among the 8 CPLP member states.»

O artigo não estará escrito no português mais escorreito, mas não vou corrigir uma vírgula.  O conteúdo aquece-me o coração: quase um hino ao 'bom povo português'! Ora vejam:
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Se Não É de Portugal, Então Deve Ser da União Europeia

by Timothy Bancroft-Hinchey – Pravda

Foram tomadas medidas draconianas esta semana [27 Set/3 Out] em Portugal pelo Governo “socialista” (só em nome) de José Sócrates, um caso de um outro governo de centro-direita/direita pedindo ao povo Português a fazer sacrifícios, um apelo repetido vezes sem fim a esta nação trabalhadora, sofredora, historicamente deslizando cada vez mais no atoleiro da miséria.

E não é porque eles são portugueses. Vá ao Luxemburgo, que lidera todos os indicadores sócio-econômicos, e você vai descobrir que doze por cento da população é português, o povo que construiu um império que se estendia por quatro continentes e que controlava o litoral desde Ceuta, na costa atlântica, tornando a costa africana até ao Cabo da Boa Esperança, a costa oriental da África, no Oceano Índico, o Mar Arábico, o Golfo da Pérsia, a costa ocidental da Índia e Sri Lanka. E foi o primeiro povo europeu a chegar ao Japão….e Austrália.

Esta semana, o Primeiro Ministro José Sócrates lançou uma nova onda dos seus pacotes de austeridade, corte de salários e aumento do IVA, mais medidas cosméticas tomadas num clima de política de laboratório por acadêmicos arrogantes e altivos desprovidos de qualquer contato com o mundo real, um esteio na classe política elitista Português no PSD/PS, gangorras de má gestão política que têm assolado o país desde a Revolução de Abril de 1974.

O objectivo? Para reduzir o défice. Por quê? Porque a União Europeia assim o diz. Mas é só a UE? Não, não é. O maravilhoso sistema em que a União Europeia deixou-se a ser sugado é aquele em que as agências de ratings Fitch, Moody’s e Standard and Poor’s, baseadas nos EUA (onde havia de ser?) virtual e fisicamente controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos Estados-Membros da União Europeia através da atribuição das notações de crédito.

Com amigos como estes organismos, e Bruxelas, quem precisa de inimigos?

Sejamos honestos. A União Europeia é o resultado de um pacto forjado por uma França tremente e com medo, apavorada com a Alemanha depois que suas tropas invadiram seu território três vezes em setenta anos, tomando Paris com facilidade, não só uma vez mas duas vezes, e por uma astuta Alemanha ansiosa para se reinventar após os anos de pesadelo de Hitler. França tem a agricultura, a Alemanha ficou com os mercados para sua indústria.

E Portugal? Olhe para as marcas de automóveis novos conduzidos por motoristas particulares para transportar exércitos de “assessores” (estes parecem ser imunes a cortes de gastos) e adivinhem de qual país eles vêm? Não, eles não são Peugeot e Citroen ou Renault. Eles são Mercedes e BMWs. Topo-de-gama, é claro.

Os sucessivos governos formados pelos dois principais partidos, PSD (Partido Social Democrata, direita) e PS (Socialista, de centro-direita), têm sistematicamente jogado os interesses de Portugal e dos portugueses pelo esgoto abaixo, destruindo sua agricultura (agricultores portugueses são pagos para não produzir) e sua indústria (desapareceu) e sua pesca (arrastões espanhóis em águas lusas), a troco de quê? O quê é que as contra-partidas renderam, a não ser a aniquilação total de qualquer possibilidade de criar emprego e riqueza em uma base sustentável?

Aníbal Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma década, entre 1985 e 1995, anos em que estavam despejando bilhões através das suas mãos a partir dos fundos estruturais e do desenvolvimento da UE, é um excelente exemplo de um dos melhores políticos de Portugal. Eleito fundamentalmente porque ele é considerado “sério” e “honesto” (em terra de cegos, quem vê é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder (que só em Portugal, é) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS) fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.

Sua “política de betão” foi bem concebida, mas como sempre, mal planejada, o resultado de uma inepta, descoordenada e, às vezes inexistente localização no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado, como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo. Uma grande parte dos fundos da UE foram canalizadas para a construção de pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.

O resultado, concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já fecharam.

Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou em empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados Lamborghini. Mazerati. Foram organizadas caçadas de javalí em Espanha. Foram remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Silva ficou a observar, no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a perderem o controle e a participarem. Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido político.

E ele é um dos melhores.

Depois de Aníbal Silva veio o bem-intencionado e humanitário, António Guterres (PS), um excelente Alto Comissariado para os Refugiados e um candidato perfeito para o Secretário-Geral da ONU, mas um buraco negro em termos de (má) gestão financeira. Ele foi seguido pelo diplomata excelente, mas abominável primeiro-ministro José Barroso (PSD) (agora Presidente da Comissão da EU, “Eu vou ser primeiro-ministro, só que não sei quando”) que criou mais problemas com seu discurso do que ele resolveu, passou a batata quente para Pedro Lopes (PSD), que nunca tinha qualquer hipótese de governar (não viu a armadilha), resultando no horror de dois mandatos do José Sócrates, um Ministro do Ambiente competente mas … As medidas de austeridade apresentadas por este… senhor… são o resultado da sua própria inépcia como primeiro-ministro no período que antecedeu a última crise mundial do capitalismo (aquela em que os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões de dólares de um dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis, enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou projetos de educação).

E, assim como seus antecessores, José Sócrates demonstra uma falta de inteligência emocional, permitindo que os seus ministros pratiquem e implementem políticas de laboratório, que obviamente serão contra-producentes.

Pravda.Ru entrevistou 100 funcionários, cujos salários vão ser reduzidos. Aqui estão os resultados:

Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou trabalhar menos (94%). Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou fazer o meu melhor para me aposentar cedo, mudar de emprego ou abandonar o país (5%). Concordo com o sacrifício (1%). Um por cento. Quanto ao aumento dos impostos, a reação imediata será que a economia encolhe ainda mais enquanto as pessoas começam a fazer reduções simbólicas, que multiplicado pela população de Portugal, 10 milhões, afetará a criação de postos de trabalho, implicando a obrigatoriedade do Estado a intervir e evidentemente enviará a economia para uma segunda (e no caso de Portugal, contínua) recessão. Não é preciso ser cientista de física quântica para perceber isso. O idiota e avançado mental que sonhou com esses esquemas, tem resultados num pedaço de papel, onde eles vão ficar. É verdade, as medidas são um sinal claro para as agências de ratings que o Governo de Portugal está disposto a tomar medidas fortes, mas à custa, como sempre, do povo português.

Quanto ao futuro, as pesquisas de opinião providenciam uma previsão de um retorno para o PSD, enquanto os partidos de esquerda (Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português) não conseguem convencer o eleitorado a votar em excelentes ideias e propostas concretas. No caso do PCP, é melhores salários, maior produção, a diversificação da economia e, basicamente, o respeito pelas pessoas que têm apoiado essa absurda e demente governação PSD/PS durante décadas. PCP: Um excelente produto sem um departamento de vendas capaz.

Só em Portugal, a classe elitista dos políticos PSD/PS seria capaz de punir o povo por se atrever a ser independente. Essa classe, traidora, enviou os interesses de Portugal no ralo, pediu sacrifícios ao longo de décadas, não produziu nada e continuou a massacrar o povo com mais castigos. Esses traidores estão levando cada vez mais portugueses a questionarem se deveriam ter sido assimilados há séculos, pela Espanha.

Que nojento e ao mesmo tempo, que convidativo, o ditado português “Quem não está bem, que se mude”. Certo, bem longe de Portugal, como todos os que possam, estão fazendo. Bons estudantes a jorrarem pelas fronteiras fora. Que comentário lamentável para um país maravilhoso, um povo fantástico, e uma classe política abominável (do centro, à direita). Quanto à esquerda, ainda existe a divisão, e a falta de marketing.

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fonte

Go to Original – pravda.ru

16 outubro 2010

anedotário nacional


 as 'curtas' dos últimos dias:

1.
O Orçamento "mais importante dos últimos 25 anos" chegou tarde e incompleto
Depois de sucessivos adiamentos ao longo do dia de ontem, o ministro das Finanças apresentou a Jaime Gama apenas o articulado da lei e as tabelas orçamentais. Por conhecer está ainda o relatório do OE 2011, o documento em que é explicada a proposta e onde são dados a conhecer os principais indicadores, como o valor do défice e a evolução total das despesas e receitas da Administração Pública, utilizando os métodos contabilísticos. A entrega do relatório do OE até 15 de Outubro é uma obrigação prevista na Lei de Enquadramento Orçamental. Nas últimas duas décadas, é a primeira vez que esta regra não é cumprida. (ler mais)
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2.
Quanto mais baixo o rendimento, maior a subida do IRS a pagar. A proposta de Orçamento do Estado que o Governo irá hoje apresentar no Parlamento faz com que a generalidade dos agregados familiares em Portugal passe a pagar mais impostos. Mas, ao nível do IRS, o impacto é consideravelmente mais alto à medida que o salário vai decrescendo. (notícia aqui )
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3.
Deputado Vítor Baptista implica secretário de Estado em alegada tentativa de suborno
A "tramóia" em causa terá consistido numa sugestão de Figueiredo (o secretário) para Baptista (o deputado) ocupar um "lugar de gestor público no Metro, na CP ou na Refer, com um vencimento de 15 mil euros mensais", escreveu o deputado no artigo, intitulado Na calada da noite. Em troca, teria de abdicar da sua recandidatura à presidência do PS/Coimbra.
Portas pediu a José Sócrates uma reacção às acusações de Baptista, mas o primeiro-ministro não respondeu. .. Mais tarde, (...) afirmou que a direcção do partido "nunca se mete nas questões de eleições internas das federações"
(ler mais)
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4.
in IOL:
Empresas do Estado: Mendes denuncia aumentos de 65% nas chefias
Social-democrata revela «aumentos chorudos» depois de lista de institutos a extinguir
 (notícia aqui )
Aumentos dos gestores: Marques Mendes reitera acusações e tem mais dúvidas
Como exemplo, Marques Mendes usa o caso do presidente da Carris, que hoje também disse que os dados revelados «não correspondem à realidade» . Fica então o quadro: 
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(notícia e imagem aqui)
Já na 5ª feira passada, na TVI24, Marques Mendes defendera que o Governo podia cortar vários serviços, organismos e institutos do Estado reduzindo assim a despesa. Segundo o social-democrata, estes cortes podem ser feitos «sem prejuízo para as pessoas, a não ser para aqueles que lá estão administradores e directores».

O comentador da TVI começou por salientar que o primeiro-ministro prometeu acabar com os «serviços inúteis», mas «cortar nas gorduras do Estado, zero». Marques Mendes deu alguns exemplos, por ministério.
(a ver)

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5.
a imagem circula no FB: mate a fome a um pobre deputado!
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14 outubro 2010

The Story of Stuff -

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PR: mordomias em tempo de crise

o Grazia Tanta enviou texto e dados .. não fui verificar porque confio na fonte. Em todo o caso, se a informação não for correcta, estejam à vontade para, fundamentadamente, a corrigir :

«Não se fala nisto porque se trata da veneranda figura do PR, do supremo magistrado da nação e outros epítetos carregados de vénias para com a figura eleita para representar a Cleptocracia Portuguesa.  (E ainda houve a questão das acções do BPN detidas pelo Cavaco e pela filha com flutuações estranhas de valor ... )


O EXEMPLO PRESIDENCIAL
ANÍBAL CAVACO SILVA

Actualmente, e podendo acumulá-las com o vencimento de P. R., Cavaco Silva recebe três pensões pagas pelo Estado (em euros):

4.152,00 - Banco de Portugal.

2.328 ,00 - Universidade Nova de Lisboa.

2.876,00 - Por ter sido primeiro-ministro.

9.356,00 - TOTAL


Por que será que, o Expresso, o Público, o Independente, o Correio da Manhã, o Diário de Notícias, não abordaram este caso, mas trataram os outros conhecidos, elevando-os quase à categoria de escândalos?
Não será por este e outros a falência da Segurança Social???
Ou só as reformas dos funcionários públicos é que causavam tanto mal à economia deste país??? »

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nota: 
por acaso acho que o senhor presidente prescindiu de uma das reformas, se não me engano a da Universidade Nova. De qualquer forma, continua a haver acumulação de pensões - e de vencimento! O que, em tempo de crise ou de abundância, é  imoral, e é indubitavelmente um despesismo,  um mau uso dos dinheiros do Estado, seja para quem for!

imagem de Max Ernst

13 outubro 2010

O B V I A M E N T E !!

Iludir o óbvio não nos salva

Santana Castilho *


A tendência para iludir o óbvio foi classificada por Freud como a primeira paixão da humanidade. Não me recordo se o ilustre “psi” clarificou que é sempre a fuga à violência de uma realidade que explica o mecanismo dessa estranha paixão. Mas posso garantir-vos, com a experiência dos desaires que sofri, que iludir o óbvio nunca nos salva.
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É óbvio que agarrar nos mais de dois mil milhões de euros do Fundo de Pensões da PT e com eles reduzir artificialmente o défice público é uma intrusão inqualificável na gestão de uma empresa privada e uma trapaça política que catapulta um enorme risco futuro para o Estado, leia-se contribuintes. 

É óbvio que transformar quatro mil milhões de dívida privada do BPN em dívida pública, a pagar agora pelos funcionários públicos, pelos reformados e pelos desempregados, foi mais fácil que meter na prisão os responsáveis. 

É óbvio que só um desmesurado despudor permite ao Governo dizer que não sabia que tinha um submarino para pagar.

É óbvio que antes da estafada crise global já o Governo tinha aumentado a despesa corrente do Estado em mais de 12 mil milhões de euros e arrecadado, de aumento de impostos e contribuições para a segurança social, mais nove mil milhões.

É óbvio que a descida do IVA e o aumento de 2,9 por cento da Função Pública foram vis manobras eleitorais, que o orçamento de 2010 foi um orçamento de mentira, que os PEC são expedientes mistificadores incapazes de alterar a trajectória suicida do Estado e que o Governo sonegou, sistematicamente, a deplorável situação das contas públicas.

É óbvio que o problema de Portugal, sendo a dívida grande, não é a dívida. É a ameaça de não a poder pagar com uma economia que não cresce, uma produção que se apouca ante um consumo que se agiganta, um desemprego imparável, uma taxa de investimento em derrapagem e um constante aumento dos custos de produção: capital, energia e transportes.

É óbvio que chegámos aqui empurrados por gente trapaceira, por um Governo e um homem que se permitiram, a golpes de decretos-lei iníquos, impor políticas financeiras, económicas, educativas e de saúde erradas, protegidos por uma justiça injusta.

É óbvio que só a promoção do investimento produtivo, o aumento do que vendemos lá fora, a diminuição do que compramos cá para dentro e a recondução do Estado ao seu papel de árbitro justo de interesses opostos nos poderá arrancar às garras de uma máfia de especuladores e agiotas, a que alguns chamam mercado. 

É óbvio que a anunciada “corajosa austeridade” não muda o futuro. Safa efemeramente, se safar, o passado recente, extorquindo uma vez mais os cidadãos, esmagando os que não tiveram culpa, sem sequer apontar os que engordaram, enterrando o país. É óbvio que o tempo político deste Estado relapso, que permitiu que gente sem vergonha arrastasse na lama a ética da vida pública, se extinguiu. É óbvio que carrascos não viram salvadores. É óbvio que coveiros não salvam moribundos.

Para iludir o óbvio, bem mais extenso que a síntese supra, uma elite pensante, que reúne notáveis do PSD, economistas de renome (que passaram pelo governo sem fazerem o que agora recomendam) e até o pai do “monstro”, que é, nada mais, nada menos, como bem recordou Miguel Cadilhe, Aníbal Cavaco Silva, tem acenado, até à exaustão, com uma realidade violenta: um desastre nacional, se o orçamento não for aprovado. Talvez tenham razão, ou talvez se imponha antes a lógica de Tiririca (nome artístico de um humorista brasileiro, analfabeto ao que consta, eleito deputado federal por S. Paulo com o segundo maior resultado de sempre, que promoveu a candidatura com este slogan: “Pior do que está não fica. Vote Tiririca!”). Mas entre estes especialistas do pensamento inevitável e Tiririca há, pelo menos, uma irracionalidade que espanta e nenhuma violência de cenário ilude. Então não se sentem incomodados por advogarem a aprovação de um orçamento de Estado que ainda não foi sequer apresentado e ninguém conhece? Acham que os mercados financeiros ficarão serenos se o orçamento de Estado estrangular a mais remota hipótese de crescimento económico? Que ficam contentes qualquer que seja o cenário macroeconómico em que o orçamento assente? Que não se incomodarão com a hipotética persistência em adiar o saneamento das estruturas inúteis do Estado? Economistas e políticos que são, aceitam a continuada recusa do Governo em abrir ao escrutínio da oposição, com verdade e transparência, as contas da execução de 2010, indispensáveis para avaliar a seriedade de 2011?

Sócrates e Teixeira dos Santos desceram a longa ladeira da credibilidade, condenados por si próprios ao suplício de Sísifo. Se o fizeram por incompetência ou por dolo é coisa que se apuraria na Islândia. Mas acabaram. Com ou sem orçamento. Advogar que lhe passemos um cheque em branco, mais um, ignorando o óbvio por receio da realidade violenta é, mais que confirmar a curiosa tese de Freud, impor aos que ainda não ensandeceram o grotesco de Tiririca. Nem o interesse dum futuro candidato à presidência da pobre República o justifica.


* Professor do ensino superior

a imagem, de Max Ernst  ..