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13 junho 2010

porque "a cantiga é uma arma"

versão áudio do espectáculo (Ser Solidário) gravado ao vivo no antigo Teatro Aberto (casa amarela na Praça de Espanha), em 1982. O LP foi vendido ali aos espectadores que quiseram, para que pudesse ser editado..

eu, estive lá! - e nem vos conto da emoção - ainda hoje, quando o oiço..  naquela sala, naquele dia,  nos dias todos que durou o espectáculo, revisitou-se Abril. e todos fomos um, e fomos tantos! o coração pesado (de saudade?) e os olhos molhados, de esperança talvez ..      (ler outro testemunho aqui)


*
FMI ,  Zé Mário Branco 


1ª parte
.
« esta merda não anda, porque a malta, pá, 
a malta não quer que esta merda ande! »
.

FMI - 2ª parte

«Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto. 
Muito mais vivo que morto ..»
.

31 maio 2010

um sentido para a vida?

É .. as mega manifestações podem até encher-nos a alma, dar-nos um muito equívoco sentimento de união .. que, hélas  e afinal (quantas vezes o comprovámos já?)  não faz a força, nem leva a vitórias que o sejam, ou a ganhos que se vejam. Tenho a sensação de que tudo, tudo, faz agora parte de um delirante folclore em que nos viciámos, incapazes que parecemos estar, todos, de atitudes mais frontais, decisivas, eficazes. E não sei já o que sou, se uma desencantada militante ou uma cínica diletante. Gostava de poder dizer, ainda, 'pelo sonho é que vou'. Não sei. Já não sei nada, muito menos de mim. Sei que ultimamente me apetecem anarquias, revoluções. tempestades, loucuras que valham e varram - tudo e eu transvertendo-me também, 'passionária' quem sabe. ou não. ou nada. 
Talvez que nesse fundo mais fundo que penso ser eu esteja mesmo uma incurável utópica-romântica-optimista: "não sou nada. nunca serei nada. não posso querer ser nada. à parte isso .. " (A.Campos)

pois .. antes o Léo Ferré e a sua voz que queima! -   [e "que sempre é mais sério. seria?" (A. O'Neill)]

.

 
Le symbole traditionnel du A dans un cercle. 

Le A représente la première lettre du mot anarchie (ou anarchisme). Le cercle symbolise l'unité, mais aussi la détermination. 
Beaucoup de groupes anarchistes font preuve d'un esprit de solidarité avec d'autres groupes, bien qu'ils soient éloignés géographiquement et par différentes conceptions de l'anarchisme. Le symbole est une sorte d'incarnation de la maxime de Pierre-Joseph Proudhon : « La plus haute perfection de la société se trouve dans l'union de l'ordre et de l'anarchie » fonte

29 novembro 2009

inquietação

porque "a cantiga é uma arma"
e  hoje me apetecem estas canções ..





 Os Vampiros, do Zeca, canção que tristemente vem ganhando cada vez mais actualidade:



pois canté!



GAC (gupo de acção cultural - impulsionado por Zé Mário Branco) : nascidos do período revolucionário em Portugal, após o 25 de Abril de 1974; Do disco "Pois Canté!" de 1976 que fez história no seu tempo e influenciou musicalmente muita gente que veio depois, para a via da música tradicional feita em meio urbano. Trinta anos depois, as letras conservam toda a dureza do período revolucionário, que foi um libertar de energias depois de quase 50 anos de ditadura. fonte: Youtube

e eu ...... tenho este LP!! :-) - uma raridade, fiquem sabendo!

01 junho 2009

a galopar - hasta enterrarlos en el mar!

No sábado, regressados da manifestação, um homem que encontrámos no metro identificou-nos - pelas 'fardas', as bandeiras, e disse-nos:
«Se fosse em Espanha, esses gajos já de lá tinham saído há muito tempo! Acabem com eles! Atirem-nos ao rio!!»
Gostei. E ri-me (..) - a exortação acendeu memórias de outras lutas, de outras vozes, em tudo idênticas às que, a 30 de Maio, cantámos nós:

A galopar - Paco Ibáñez y Rafael Alberti

eu fico arrepiada, uma força a crescer-me nos dentes, e nos nervos. E vou contigo, Paco Ibañez! «Ahora vos propongo que cantemos juntos y que salgamos de aquí galopando... ! - ponerle voz e ponerle rabia también!»

  • Las tierras, las tierras, las tierras de España,
  • las grandes, las solas, desiertas llanuras.
  • Galopa, caballo cuatralbo,
  • jinete del pueblo,
  • al sol y a la luna.¡
  • A galopar,a galopar,
  • hasta enterrarlos en el mar!
  • A corazón suenan, resuenan, resuenan
  • las tierras de España en las herraduras.
  • Galopa, jinete del pueblo,
  • caballo cuatralbo,caballo de espuma.¡
  • A galopar,a galopar,hasta enterrarlos en el mar!
  • Nadie, nadie, nadie, que enfrente no hay nadie;
  • que es nadie la muerte si va en tu montura.
  • Galopa, caballo cuatralbo,
  • jinete del pueblo,que la tierra es tuya.¡
  • A galopar,a galopar,
  • hasta enterrarlos en el mar!

Rafael Alberti (Capital de la Gloria, 1938)

02 abril 2009

resistências: Lluís Llach

Lluís Llach, (aqui, o site oficial) é um cantor e compositor catalão, nascido em Girona em 1948. Iniciou a carreira em 1965, sendo um dos mais conhecidos cantores da designada nova cançó catalã. De entre os seus maiores êxitos destaca-se o tema L'Estaca, de 1968, um hino da resistência ao regime franquista, mais tarde adotado por outros movimentos. Fala a canção de uma estaca a que todos estamos presos, uma estaca que a todos tolhe - e de uma exortação a que se 'abane' , que ela há-de tombar..

Lluís Llach al Camp Nou 1985 - Barcelona 1985 : - L'estaca

L'ESTACA

  • L'avi Siset em parlava
  • De bon matí al portal,
  • Mentre el sol esperàvem
  • I els carros vèiem passar.
  • Siset, que no veus l'estaca
  • On estem tots lligats ?
  • Si no podem desfer-nos-en
  • Mai no podrem caminar!
  • Si estirem tots, ella caurà
  • I molt de temps no pot durar :
  • Segur que tomba, tomba, tomba !
  • Ben corcada deu ser ja.
  • Si tu l'estires fort per aquí
  • I jo l'estiro fort per allà,
  • Segur que tomba, tomba, tomba
  • I ens podrem alliberar.
  • Però, Siset, fa molt temps ja :
  • Les mans se'm van escorxant,
  • I quan la força se me'n va
  • Ella és més ampla i més gran.
  • Ben cert sé que està podrida
  • Però és que, Siset, pesa tant
  • Que a cops la força m'oblida.
  • Torna'm a dir el teu cant
  • L'avi Siset ja no diu res,
  • Mal vent que se l'emportà,
  • Ell qui sap cap a quin indret
  • I jo a sota el portal.
  • I mentre passen els nous vailets
  • Estiro el coll per cantar
  • El darrer cant d'en Siset,
  • El darrer que em va ensenyar.

aqui, outra versão, com imagens do fim do franquismo e da luta universitária nos anos (19)70

(letra em espanhol nos comentários)

08 fevereiro 2009

resistências: a música como arma


clicar na foto para ouvir A.C.O.
  • porque atrás dos tempos vêm tempos..
  • porque, de novo, este é o tempo em que os homens renunciam ..
  • e porque só estas canções me parecem, agora, fazer sentido ..

um site que as reúne quase todas: AQUI : ao meio, onde diz "canções de intervenção", ir seleccionando.É só clicar para ouvir; gosto muito da n.º 19: CANÇÃO COM LÁGRIMAS, música e voz de Adriano Correia de Oliveira, letra de Manuel Alegre: dedicada a um amigo que morreu na guerra colonial

 

no vídeo: Fala do Homem Nascido -Poema: António Gedeão - Música: José Niza


quando morreu o Adriano, dele disse Zeca Afonso: "Desapareceu o último cantor de intervenção."
al

resistências: Léo Ferré, um cometa incendiário e anarquista

« o louco inspirado, o poeta profético, aquele que sempre, e cada vez mais, pertencerá ao futuro, atravessou os céus da Europa no século passado como um cometa incendiário ... »
Era anarquista e chamava-se Léo Ferré . (cliquem no nome, vão dar a um site incrível!).

- e não percam, no vídeo, uma interpretação espantosa, misto de teatro e música, assim como um panfleto - cúmplice, libertário, provocatório:

LA SOLITUDE


a letra, aqui / um cheirinho: «o desespero é uma forma superior de crítica»

e ainda .. vejam q vale a pena: uma página na ESAG dedicada a mais umas quantas figuras maiores da cultura francesa : aqui
al

resistências: obrigada ao Zeca

Pelo dia, pelas circunstâncias, pela vida, pela memória, pela saudade, pelos ideais, pela verdade, pela esperança, pelas utopias, pela liberdade:



'a morte saiu à rua', a canção; o pintor, assassinado pela PIDE em 19 de Dezembro de 1961, é José Dias Coelho, pai de Teresa Dias Coelho, a autora de "pain 6", no post Pablo Neruda, "estar vivo".

Em baixo, uma linogravura de José Dias Coelho: a morte de Catarina Eufémia (clicar para ouvir: a canção do Zeca que mais me emociona)

a.l., 3 /12/ 08

Resistências: Camões: mudam-se os tempos


3 de Dezembro de 2008:

Num dia em que os Professores portugueses
estão em greve,
lutando
pela sua dignidade,
pelo direito a ensinarem,
pela sobrevivência da Escola Pública,




Zé Mário Branco e um poema de Luís de Camões:
































MUDAM-SE OS TEMPOS





aqui
, uma canção paradigmática : a galopar, de Paco Ibañez

a.l., 3 /12/ 2008

07 fevereiro 2009

homenagem ao Zeca em Madrid

Curtindo uma gripe e a nostalgia, aqui fica um post recheado de boas músicas. Vão clicando, e deliciem-se ...

ASP-Lusa-JN- Madrid, 11 Nov 2008 - Os 20 anos da morte de Zeca Afonso serviram na passada segunda-feira à noite de pano de fundo para um debate em Madrid (no âmbito da VI Mostra da Cultura Portuguesa - post 27 out) sobre o papel da música nas transições para a democracia em Portugal e Espanha. O debate foi protagonizado, entre outros, pelos músicos Luis Pastor e Júlio Pereira.

Luis Pastor (clicar para ouvir: 'cantautor extremeño' -lindo!) , o músico espanhol que mais cantou Zeca Afonso - e que também se tornou famoso pela sua obra política e de intervenção - recordou que "Havia muitos músicos e muitos artistas espanhóis que não conheciam Zeca Afonso e a sua obra. "
"Mas quem ouvia pela primeira vez, a lírica, a música, enamorava-se", recordou (clicar aqui para ouvir: Canção de embalar).
"Acabou por ter um impacto tremendo tanto entre os músicos espanhóis como entre o público. E acabou por ser a porta de entrada para se conhecerem outras vozes portuguesas da altura", disse. [clicar aqui - post 25 Abril 08- para ouvir uma selecção da melhor música que por cá se fazia]
Para Luis Pastor, "numa época em que a música começou a ser vista como uma arma, Zeca Afonso surge como referencial obrigatório, a nível moral e de compromisso" - tanto no espaço ibérico, como fora dele. "Era um homem contra a corrente, mas que recuperava a canção popular, um professor, um pedagogo", sublinhou.
"Tudo é redutor quando se fala de Zeca Afonso", acrescentou o músico português Júlio Pereira (clicar no nome para ouvir uma actuação espantosa!), destacando a vontade de José Afonso de exportar o que era a cultura portuguesa para outros espaços.

João de Melo (clicar nas palavras sublinhadas), 'pai' da Mostra Portuguesa e conselheiro cultural da embaixada de Portugal em Madrid, (clicar também aqui para ver programa, em pdf), rematou o debate recordando a importância que Zeca Afonso teve na formação da consciência de todos os portugueses, tanto dentro como fora do mundo da música. "Cada um de nós tem uma história pessoal com Zeca Afonso, e hoje não me imagino a olhar para Portugal, para o que aconteceu nas últimas décadas, sem incluir Zeca Afonso", disse.


aqui
, aquela que é uma das suas músicas mais emblemáticas

a letra: aqui, em rascunho (pelo próprio) , e aqui

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, que ficou conhecido como José Afonso (clicar aqui para ver animação e música, lindíssimas, as 2 -post de 25 Out) ou Zeca Afonso, foi um dos mais importantes cultores do fado de Coimbra e tornou-se depois o maior símbolo da canção de intervenção contra o regime político que se vivia em Portugal. "Um homem que", nas palavras de Júlio Pereira, "foi muito mais do que músico. Um homem que conhecia e queria saber do mundo, que era genuinamente humano. Que gostava mais das pessoas que da música"


José Afonso: Balada de Outono



a.l. (12/11/2008)

resistências: aprende a nadar companheiro!

de Sérgio Godinho, 'Maré Alta' , com imagens de uma revolução ..

mais música - da melhor - aqui : Zeca Afonso: 'O que faz falta'

postado por ana lima em 6/11/2008

homenagem a Adriano C.de Oliveira

Adriano Correia de Oliveira (1942-1982)

Tejo que Levas as Águas



postado por ana lima

resistências: a cantiga como arma

Antes, faziam-no clandestinamente... Algumas das suas canções davam direito a prisão ou a perseguições pela PIDE. Depois do 25 de Abril, correram de boca em boca, poderosas e livres.

Aqui fica uma homenagem a esses homens de coragem, precursores de Abril


Zeca Afonso




Homenagem a Adriano Correia de Oliveira

Zé Mário Branco



Sérgio Godinho


Que força é essa? (de Sérgio Godinho)

parabéns Fausto
O Barco Vai de Saída


postado por ana lima

resistências, nostalgia, des-encantos: um sonho lindo que acabou

EU VIM de LONGE , por Zé Mário Branco




José Saramago: falsa democracia

"A democracia em que vivemos é uma democracia sequestrada, condicionada, amputada..."

postado por ana lima

resistências: vozes na luta: Zeca Afonso

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (ZECA AFONSO) nasceu em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929. Morreu no hospital de Setúbal, na madrugada de 23 de Fevereiro de 1987.

Zeca - por ele próprio:
«Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão seja a que nível for.»




«Não me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é que fica. Quando as pessoas param há como que um pacto implícito com o inimigo, tanto no campo político, como no campo estético e cultural. E, por vezes, o inimigo somos nós próprios, a nossa própria consciência e os alíbis de que nos servimos para justificar a modorra e o abandono dos campos de luta.»

«Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de ‘homenzinhos’ e ‘mulherzinhas’. Temos é que ser gente, pá! »

em entrevista publicada originalmente no semanário Se7e de 27.11.1985

in http://www.aja.pt/ (site da Associação José Afonso)

Zeca Afonso ao vivo:



posted by ana lima