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20 maio 2011

"Portas del Sol"

- texto lido em18 de Maio"

  • Nos piden propuestas, quienes nunca han tenido propuestas
  • Nos piden programas políticos quienes se saltan sistemáticamente sus programas políticos
  • Nos pide transparencia quien nunca nos ha contado nada. Quien nunca nos ha preguntado nada.
  • Nos piden propuestas quienes tienen millones y millones a quienes tenemos carpas y cartones, precariedad y paro, deudas y más deudas.
  • Nos piden propuestas porque el poder ya no son ellos, el poder somos nosotros y nosotras.
  • Nos piden propuestas porque tienen prisa, tienen prisa porque tienen miedo.
  • Pero nosotros y nosotras no tenemos prisa, porque el tiempo ahora ya no es el suyo. El tiempo es nuestro.
  • Tenemos paciencia porque sabemos que esto va a crecer.
  • Tenemos paciencia, porque no tenemos miedo.

15 abril 2011

Islândia, a aldeia viking que resiste

por Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
8:00 Quarta feira, 13 de abril de 2011


Há coisas estranhas. Uma delas é a inexistência de notícias sobre um dos primeiros países sobre o qual se abateu esta crise. Vemos reportagens sobre a Irlanda e sobre a Grécia, mas nada, rigorosamente nada, nos contam sobre essa pequena e gelada ilha que decidiu seguir um caminho diferente: a Islândia. E assim se convence toda a gente que a austeridade, a recessão e a destruição do Estado Social são inevitáveis. Como uma lei da natureza que nem vale a pena discutir.

Em 2009, a esmagadora maioria dos islandeses disse, em referendo, que não queria a "ajuda" do FMI nas condições previstas para pagar as dívidas da sua banca. Irresponsáveis, disseram muitos. Entregavam-se ao suicidio. Foram para eleições e no dia 25 de Abril desse ano tinham um novo governo, dirigido por uma renovada Aliança Social Democrata aliada ao Movimento Verde de Esquerda. Saiam do poder os que foram responsáveis pela cedência dos recursos naturais islandeses a multinacionais e pela privatização dos três principais bancos. Os mesmos bancos que viriam a enfiar a Islândia numa aventura financeira com um fim catastrófico depois de, em 5 anos, emprestarem o correspondente a dez vezes o PIB nacional. Sairam do poder os que fizeram o que, há uns anos, os sábios que agora culpam o excesso de Estado pelo estado em que estamos diziam ser inevitável.

Os islandeses mudaram a Constituição, desvalorizaram a moeda, avançaram com uma reforma fiscal severa, cortaram na despesa sem destruir os serviços públicos de que se orgulham. Houve uma renegociação com o FMI, para garantirem o financiamento, mas, graças à posição firme que os islandeses demonstraram nas ruas e nas urnas, em condições bem diferentes das que aqui, na Irlanda e na Grécia foram aceites. Ou era isto ou a Islândia daria o exemplo ao Mundo de como mandar a dívida às malvas. Os islandeses fizeram sacrifícios. Mas fizeram todos eles e com o objetivo real de sair da crise. No terceiro trimestre de 2010 já tinham saído da recessão.

Esta semana, os islandeses voltaram a rejeitar o pagamento da dívida dos bancos ao Reino Unido e à Holanda. Acham, coisa estranha, que não têm de pagar pelos erros dos banqueiros e pela decisão daqueles países em usar dinheiros públicos para cobrir prejuízos privados.

Neste segundo referendo apenas sessenta por cento votou contra o pagamento, contrariando a posição do governo de esquerda e indo de encontro à posição do Presidente. No anterior, o "não" tinha recebido 93 por cento dos votos. Desta vez o que estava em causa era cobrir o mínimo de vinte mil euros por depositante e não o total pago aos investidores pelos governos britânico e holandês. Desta vez os juros eram entre 3,0 e 3,3 cento, a pagar entre 2016 e 2046, e não os mais de cinco por cento que antes lhes eram exigidos. Desta vez, só dez por cento dos pagamentos viriam dos impostos, sendo o resto conseguido através dos recursos obtidos com a venda de ativos do banco Landsbanki, casa-mãe do Icesave.

Graças ao isolamento financeiro de que são alvo e das ameaças judiciais, é provável que os islandeses acabem por ceder. Mas em condições bem diferentes das que foram aceites pela Irlanda. Porque em vez de comer e calar estão a fazer um braço de ferro. Porque estão a medir forças numa negociação, não estão a aceitar imposições de quem se está nas tintas para a sobrevivência da sua economia. Também eles estavam e estão em estado de necessidade. Mas não aceitaram ser liquidados sem luta.

Holanda e Reino Unido prometem processar a Islândia por tamanha ousadia. A Europa diz que o País só será aceite na União se pagar as suas dívidas. A banca está a fazer um cerco ao País. Mas a verdade é que os desobedientes islandeses estão bem melhor do que os irlandeses e do que os gregos. Orgulhosos por serem a pequena aldeia gaulesa que mostra ao mundo que é possível dizer "não" ao processo global de transferência de recursos públicos para cofres privados. No fim encontrarão uma solução. Os que não resistiram apenas encontraram a rendição. 

fonte

imagens: cartazes do Maio 68

06 julho 2010

28 junho 2010

banda sonora para um verão quente

enviada pelo Idalino, título e tudo ..

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Nata nella valle Padana tra 1890 e 1914, entra presto nel repertorio delle mondine e poi in quello delle DONNE SOCIALISTE come canto di protesta. L'autore è anonimo e ne esistono diverse versioni. Questa è stata raccolta da Bermani a Novara nel 1963/64. La canzone è inserita nel film "Novecento" di Bernardo Bertolucci.


Sebben che siamo donne,
Paura non abbiamo:
Per amor dei nostri figli,
Per amor dei nostri figli;

Sebben che siamo donne,
Paura non abbiamo,
Per amor dei nostri figli
In lega ci mettiamo.

A oilì oilì oilà e la lega la crescerà
E noialtri socialisti, e noialtri socialisti
A oilì oilì olià e la lega la crescerà
E noialtri socialisti vogliamo la libertà .

E la libertà non vien
Perchè non c'è l'unione:
Crumiri col padrone
Son tutti da ammazzar.

A oilì oilì oilà ...

Sebben che siamo donne,
Paura non abbiamo:
Abbiamo delle belle buone lingue
E ben ci difendiamo.

A oilì oilì...

E voialtri signoroni
Che ci avete tanto orgoglio,
Abbassate la superbia
E aprite il portafoglio.

A oilì oilì oilà e la lega la crescerà
E noialtri socialisti, e noialtri socialisti
A oilì oilì olià e la lega la crescerà
E noialtri socialisti i voroma vess pagà .

A oilì oilì olià ...

25 junho 2010

a desratização que se impõe

porque já chega!
basta ya!!
  • É mais que tempo de pôr um ponto FINAL em tanta incompetência, tanta burrice e trafulhice, tantas políticas esquizofrénicas, tanta cegueira e oportunismo, tanto compadrio, tanta criminosa conivência!!
  • E basta de dobrar a 'espinha' !
  • Basta de só nos lembrarmos da santa quando troveja e o céu nos cai em cima!
  • Basta de esperar que outros façam por nós!
  • Basta de queixinhas só à mesa do café ou na sala de profs!
  • E BASTA de apatias, dormências, invisibilidades. [Alô professores, sindicatos, movimentos, associações de pais!!]
  • É a REVOLUÇÃO que se precisa, sim! 

e.. ainda que o slogan já esteja meio pardacento.. YES, WE CAN!  - basta querermos!!
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Pois então, DESRATIZEMOS :
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a imagem é uma adaptação de um cartaz do sempre inspirador Maio de 68.

27 maio 2010

como se faz uma revolução?

Continuaremos a preparar a revolução libertadora que deverá assegurar a todos a justiça, a liberdade e o bem-estar.
Errico Malatesta

"Não há qualquer razão para aceitarmos as doutrinas que foram engendradas para suster o poder e os privilégios, ou para acreditarmos que estamos constrangidos por misteriosas leis sociais que nos transcendem. Elas são apenas decisões tomadas por instituições que estão sujeitas à humana vontade e que têm de enfrentar o teste da sua legitimidade. E que, se não passarem esse teste, podem ser substituídas por outras instituições,  mais livres e mais justas, como frequentemente aconteceu no passado."
Noam Chomsky

“As coisas acontecem no mundo devido aos esforços de pessoas dedicadas e corajosas, de cujo nome ninguém ouviu falar, e que não passam para a História.
Noam Chomsky

nota: Chomsky, o eminente linguista, descreve-se como um socialista libertário, havendo quem o associe ao anarco-sindicalismo.

17 maio 2010

enquanto nós rezamos..

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16 de Maio de 2010 — Desde la fuente de Cibeles hasta la Puerta del Sol, unos 15 000 personas marcharon en Madrid el 16 de mayo de 2010 para protestar pacíficamente contra los gobiernos europeos que intentan hacer pagar la crisis a los trabajadores, en vísperas de la cumbre Unión Europea-América Latina. 

09 maio 2010

Professores gregos ocupam TV pública

7 de Maio de 2010A entrevista à ministra da educação grega no canal público de tv foi antecedida pela entrada de dezenas de professores no estúdio. A polícia interveio com violência, mas os professores conseguiram deixar esta mensagem aos telespectadores.

28 abril 2010

Isto inté qu' há-de mudar um dia!! *

artigo de Santana Castilho - jornal Público, 28 de Abril

E se isto nunca mudar?

O Conselho de Ministros aprovou novas versões do estatuto de carreira e do sistema de classificação do desempenho dos professores. Fê-lo no último dia de um concurso trapalhão, que pôs fim a uma paz podre, erigida em cima de interesses menores, parlamentares, sindicalistas e carreiristas. Ao “acordo”, que abandonou sem moral nem ética os professores que mais se expuseram para defenderem o que todos reclamavam, seguiram-se 4 meses de conversa fiada, apenas útil para os protagonistas aparecerem nas televisões e nos jornais. Nada do que seria importante se resolveu, continuando adiada, sem horizontes de solução, a refundação da escola pública, destruída por Maria de Lurdes Rodrigues.

No momento em que, tudo indica, se consumará mais uma enorme injustiça legalmente coberta, há coisas que é mister recordar e outras que importa perguntar.
Em artigo intitulado “E agora, professores?”, aqui publicado em 30/9/09, após conhecidos os resultados eleitorais, escrevi: “… com este resultado, a visão estalinista que orientou a Educação nacional não vai mudar. Vai apenas adoçar-se com protagonistas presumivelmente mais delicados… Com este resultado, os professores portugueses … ganharam, tendo perdidVamos entrar em jogos complexos que se arrastarão no tempo. Ao desanuviamento antecipável não vão corresponder soluções céleres”.
Infelizmente, tive razão.
Em 28/10/09, sob a epígrafe “ Uma Aventura” e referindo-me à actual ministra da educação, acabada de nomear, também aqui escrevi: “…Numa palavra, fez o suficiente para que nenhum professor prudente acredite nela. Para início e em tão pouco tempo, pior seria difícil. Não espanta que Isabel Alçada seja ministra sem anteriormente ter sentido necessidade de dizer o que pensa do sistema educativo. Sócrates pensará por ela … Não me entendem? Estejam atentos aos próximos capítulos!”
Infelizmente, tive mais uma vez razão e agora já todos entendem. Até Mário Nogueira já se queixa de ser necessário um telefonema para o gabinete do primeiro-ministro, sempre que alguma decisão tem que ser tomada. Ainda ele não tinha sucumbido aos sorrisos da ministra e já eu lhe dava o mote. Foi a 11 de Novembro de 2009, em artigo sugestivamente intitulado “A directora-geral sem poder”, que aqui escrevi: “… de Isabel Alçada esperem tão-só afirmações redondas, irresponsáveis, de directora-geral sem poder”. Mário foi generoso e promoveu-a a secretária de Estado, para não concordar totalmente comigo, 5 meses mais tarde.

Não vou voltar a trazer à colação os dois erros irreparáveis consubstanciados pela assinatura do “memorando de entendimento”, primeiro, e do “acordo de princípios”, depois. Ambos, derrogando nos respectivos articulados muito do que antes serviu para empenhar a palavra e a dignidade dos docentes, foram machadadas na confiança e na coesão que, então, os caracterizava. Sobre isso escrevi e polemizei com responsáveis, a seu tempo. 
Mas aqueles que serão cilindrados mais uma vez, agora em concurso, formulam perguntas não respondidas. Porque uma lei má, iníqua, de resultados pedagogicamente criminosos, que devia ter morrido às mãos do parlamento, por imperativo da decência e para defesa dos lesados, atravessou incólume as negociatas da baixa política e acabou por servir frio, como a vingança de Maria de Lurdes o preparou, o prato do primeiro ciclo avaliativo, nunca suspenso e engolido levianamente por quem jurou jamais o digerir.

Conhecemos o texto do acordo. Mas não conhecemos as actas, que se presumem feitas, das discussões havidas na maratona de 14 horas de negociações que o antecederam. A consideração da classificação do desempenho para efeitos de graduação dos professores foi ou não objecto dessa discussão? Se foi, em que termos? Se não foi, por que não foi? Se não foi, que atenção mereceu nos 3 meses seguintes de reuniões sem fim?

Como se explica, considerado o traquejo da FENPROF e o profissionalismo dos seus assessores jurídicos, que não tenham visto que os resultados da contestada classificação do desempenho eram considerados para efeitos de graduação profissional, em sede de concurso? Estando lá e resultando da leitura cruzada de vários diplomas que se aplicavam, como foi possível cantarem de galo, de manhã, para engolirem o sapo, à tarde?

Face a tudo isto, o que explica e o que significa a afirmação pública segundo a qual a tutela aceitou todas as condições que a FENPROF colocou no que toca à avaliação dos docentes?

O acessório da Educação nacional ocupa, há 5 anos, o Governo e os sindicatos. Sócrates passou para a opinião pública a ideia segundo a qual o intangível da Educação pode ser medido com a mesma limpeza com que se pesam caras de bacalhau. Enquanto isso, o essencial jaz intocável. E se isto nunca mudar, o que farão os cidadãos professores? Esta pergunta ocorreu-me há 3 dias, a 25 de Abril, relembrando que muitos especialistas julgavam, então, firme uma ditadura que se desmoronou logo que os subordinados decidiram não obedecer. Os professores sabem, têm obrigação de saber, que todo o poder só se constrói sobre o consentimento dos que obedecem.

Santana Castilho, professor universitário
                                       
 
de uma canção do álbum 'Pois Canté', do GAC

Canção sem maneiras : a ouvir, absolutamente!!

.

17 março 2010

canções que me apetecem

ser solidário
.
que força é essa
.
Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
..
Não me digas que não me compreendes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compreendes 

Sérgio Godinho

03 março 2010

greve da função pública

amanhã estou em greve.  
quando me 'batem', não preciso de ser 'motivada' a reagir, 
só que dêem cobertura legal à minha raiva, à minha insatisfação.


não sei o que sobre esta luta dizem os 'gurus', nem me interessa.
eu sou aquilo que sinto.

posso até ser a única a protestar, não me abala a convicção nem me aplaca a revolta. não diminui a minha razão. e não preciso de companhia para a indignação,  orgulho-me de manter essa capacidade. "um só que fosse.."  (*)

só as ausências se classificam, e já não me afecta este 'ser português': "um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo (..) ".  (**)

Na Grécia, em Espanha, funcionários tão lesados / ameaçados como nós aderem protestam agem manifestam-se - aos milhares. Por cá .. calam, aguentam, arranjam desculpas mil para a inércia, gostam-se 'nêsperas'. (***)

Não importa.

"Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não!" 

(*) de Miguel Torga, "Quantos seremos?"
(**) de Guerra Junqueiro, aqui
(***) de Mário Henrique Leiria, "Rifão quotidiano"

14 fevereiro 2010

democracias da TRETA

enviados pelo Guapo, o Panta, a Edite..

1. 

clicar para ampliar imagem


2.
Gabriel, o pensador - 'pega ladrão'



3.

En España tenemos muchisimos mas politicos como ese y nadie dice ni hace nada.
No votes a ninguno de los dos partidos politicos de mierda que tenemos o tendremos lo que nos merecemos por votarlos, sabiendo lo que hacen desde hace decenios.

BUENISIMO...Y CABREADISIMO !!!

...os suena de algo lo que dice ???...lastima que sea brasileño y no español !!! // português !!! //
Si conoceis en España //  Portugal //  algún periodista que sea capaz de hablar en TV como éste, decidme su nombre.



4.

Obviamente, demita-o.
Tiago Moreira Ramalho
7 de Fev de 2010

O momento actual obriga o Presidente da República a demitir o governo. Se o Presidente da República não tiver coragem para o fazer, é ele quem se deve demitir. O tempo já não é de complacências.
Chegámos ao limite. A incompetência é aturável, a inabilidade para lidar com a crítica também. O que não é aturável em democracia é uma tentativa - e concretização em alguns casos - de silenciamento de opositores através dos instrumentos do poder. Se o conteúdo das escutas for verdadeiro, e até agora ele ainda não foi desmentido, foi isto que José Sócrates fez: utilizou os meios do Estado para calar quem ousava levantar-lhe a voz, num esquema nunca visto no Portugal democrático.
(...)
Cabe-nos a nós, cidadãos, agir dentro dos nossos meios. Através de textos como este, declarações públicas, manifestações de rua, cartas aos organismos internacionais, o que for.
(...)
texto completo: aqui

12 fevereiro 2010

le temps des cerises

ou.. as lições da História

Comuna de Paris - 28 março a 28 maio de 1871 , 
62 dias que assombraram/encantaram/chocaram o mundo
*
Vista pela esquerda a Comuna foi a primeira experiência moderna de um governo realmente popular.  Um extraordinário acontecimento histórico resultante da iniciativa de grupos revolucionários e do espontaneidade política das massas, combinando  patriotismo, republicanismo e socialismo, em meio a circunstâncias dramáticas de uma guerra perdida (Franco-Prussiana)  e de uma guerra civil em curso.
  • Palavra-chave: criatividade instituinte.
  • Pressuposto: É possível viver sob novas formas políticas e sociais, mais justas e igualitárias.
  • Motivação: tomar de assalto os céus.
Vista pela direita tratou-se de uma aberração política, obra de fanáticos revolucionários e de uma plebe ignorante que, ao afrontar as instituições, símbolos e interesses burgueses-aristocráticos, mereceu o castigo exemplar: nada menos que um banho de sangue,  para repor esta gentinha em seu lugar e pensar duas vezes antes de aventurar-se novamente a ameaçar a boa sociedade.
  • Palavra-chave: pânico repressivo.
  • Pressuposto: A sociedade e seu governo é uma prerrogativa (trans)histórica inextricável das elites proprietárias.
  • Motivação: remeter os insurrectos aos infernos.

.
Esta canção de Jean-Baptiste Clément e Antoine Renard, anterior à Comuna (1866-1868), não é um canto revolucionário, mas uma cançao de amor. E no entanto, ela virá a tornar-se, depois do massacre dos  'Communards', o símbolo da Comuna e dos imensos anseios que ela gerara.

fonte

11 fevereiro 2010

não há ....


... machado
que corte 
a raiz ao pensamento,
não há morte 
para o vento, 
não há morte


*
cartaz do Maio de 68, França

Bella Ciao, a mais conhecida canção da Resistência Italiana contra o fascismo durante a 2ª guerra mundial, e um símbolo universal de luta pela liberdade


Una mattina mi son svegliato,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
Una mattina mi son svegliato,
e ho trovato l'invasor.
O partigiano, portami via,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
O partigiano, portami via,
ché mi sento di morir.
E se io muoio da partigiano,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E se io muoio da partigiano,
tu mi devi seppellir.
E seppellire lassù in montagna,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E seppellire lassù in montagna,
sotto l'ombra di un bel fior.
E le genti che passeranno,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E le genti che passeranno,
Mi diranno «Che bel fior!»
«È questo il fiore del partigiano»,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
«È questo il fiore del partigiano,
morto per la libertà!»

29 dezembro 2009

exceptional laws for exceptional people !

  • His name is Paulo Condado. (see his homepage)
  • He's a scientist in a country which offers no support to scientific research outside the mainstream.
  • He has a PhD in Electronic Engineering and Computer Science.
  • He envisages the future and its challenges-to-come, is research assistant on the project GeneticLand.
  • He has created a special software that makes communication possible for speech-impaired people.
  • He has a brilliant mind, and yet, his future is at stake: he faces a very unjust law which allows research (paid for, officially recognised and providing social welfare) to Professors only.  
  • Paulo Condado is physically challenged due to cerebral palsy.
  • He can't and won't teach in any university because of his speaking problems. 
  • He'll be living on scholarships (3 more guaranteed years) - but what about the rest of his life?
 


 

 transcrevo aqui o apelo que me chegou:

«O Paulo quer ser investigador - campo em que é muito bom, mas a lei vigente só permite que se seja investigador sendo ao mesmo tempo proessor universitário. Acontece que o Paulo (que sofre de paralisia cerebral)  tem muitas limitações ao nível da fala ... e claro que tem consciência  disso, já pôs  de parte a hipótese de dar aulas na universidade. 
Por agora vai continuar na investigação com a bolsa do pós doutoramento da Fundação Ciência e Tecnologia,  durante 3 anos. Não lhe contam como tempo de serviço , não lhe dão direito a usufruir de qualquer sistema de segurança social (ADSE, por ex) ...
Mais 3 anos - e depois? A  lei tem que contemplar casos excepcionais. Dentro de 2 anos haverá outra pessoa nas mesmas circunstâncias, um aluno, também com paralisia cerebral, que  acabará o doutoramento no Instituto Superior Técnico. 
O Paulo é mesmo um génio, o país não faz favor nenhum em aproveitá-lo!! »

É A LEI QUE TEM QUE MUDAR!
there's got to be a special law for special people! .

28 dezembro 2009

pardonne, (si tu peux..) - n' oublies pas (*)

a canção, "pra não dizer que não falei das flores", é tb conhecida por 'caminhando' e fala dos tempos de ditadura no Brasil. estive lá este verão .. e tantas coisas permanecem, injustas, impensáveis, nesse país de riquezas imensas. imensamente mal distribuídas..



a Simone também a canta (aqui) , e o Zé Ramalho (aqui) , mas o autor é o Geraldo Vandré. fizemos tb. dela uma arma, na manif de profs de 30/maio/2009

(*) a frase do título deste post (sem o parênteses) está gravada numa parede do memorial aos deportados da II guerra, em Paris, nas traseiras de Notre Dame

aqui ao lado, cada luz acendendo uma memória

30 novembro 2009

Aminetu Haidar - a congruência até ao fim

carta aberta, por Miguel Portas

Dirijo esta carta em primeiro lugar à nova embaixadora do reino de Marrocos. Só a urgência da circunstância me leva a torná-la pública. No aeroporto de Lanzarote encontra-se uma mulher que hoje entrará no seu 14.º dia de greve de fome. Conheci-a em Bruxelas e acompanhei-a durante a semana que esteve em Portugal. Essa mulher chama-se Aminetu Haidar. Vive em El Ayoun com a sua mãe, dois filhos e um irmão. Vive? Vivia. Até ter sido deportada no passado dia 12 de Novembro.

Eu sei que o Rei de Marrocos declarou recentemente que não renunciaria a um grão de areia do Sahara e que considera a sua parte ocidental como território do reino. Não é sobre isso que pretendo argumentar. O meu ponto é outro: sei que Aminetu Haidar levará o seu gesto até às últimas consequências e quero fazer o que puder para o evitar.

Como sabe, Aminetu Haidar foi detida pelas autoridades no aeroporto de El Ayoun porque no formulário de entrada escreveu ‘Sahara ocidental' onde se esperava que escrevesse ‘Marrocos'. Saiba, senhora embaixadora, que ela sempre assim procedeu antes. Mas mesmo que assim não tivesse sido, tal atitude não justifica detenção, confisco de passaporte marroquino e deportação. O que as autoridades do seu país, de que tanto gosto, fizeram, foi usar de um pretexto administrativo para impedir esta activista de regressar à sua cidade e à sua família sem terem que a prender de novo. Nem liberdade nem prisão, deportação. Porque Aminetu preencheu indevidamente os formulários de entrada...

Sem discutir a questão Sahara ocidental, reconhecerá que a causa de Aminetu Haidar - acreditar que os sarauís têm direito ao seu Estado - é pelo menos tão respeitável quanto a sua. Acresce que o activismo deste rosto da resistência saharauí é pacífico e decorre num contexto em que o diferendo se procura resolver pela via do diálogo mediado por instâncias internacionais. Invocar um procedimento administrativo para expulsar o símbolo de um povo da sua própria terra é algo que não honra quem o pratica. Por isso apelo. A morte de Aminetu Haidar pode ser evitada desde que ela possa regressar a sua casa.

Dirijo-me agora ao embaixador espanhol em Lisboa. Não é razoável que um país que não reconheceu a ocupação do Sahara ocidental pelo reino de Marrocos aceite a entrada contrariada de Aminetu Haidar em Lanzarote e lhe ofereça a condição de refugiada - porque ela não quer tal estatuto, mas ser cidadã na sua própria terra; e porque não é compreensível que Espanha aceite o papel que o reino de Marrocos lhe destinou - resolver o problema que ele próprio criou.

As linhas finais desta carta dirigem-se ao primeiro-ministro português e a Luís Amado: o que nos idos de 74 ocorreu nas areias do Sahara - a entrada de Marrocos após a saída dos espanhóis - lembra demasiadamente os acontecimentos de Timor Leste. Portugal só pode ter uma posição pró-activa neste caso porque nenhum negócio justifica o silêncio em matéria de Direitos Humanos. A realpolitik tem limites.

Miguel Portas, texto publicado no jornal Sol de 27 de Novembro

27 novembro 2009

oser penser, oser parler, oser agir (*)

foram 4 intermináveis anos. começámos a lutar tarde, demasiado tarde. mas lutámos. as nossas lutas terão sido demasiado brandas.. sacrificámos dias de descanso para nos manifestarmos, e houve (há de novo) , quem nos chamasse hooligans, arruaceiros, inúteis..
cansados, tolhidos, baixámos os braços, muito, muitos.
acreditámos em promessas, recuos, tréguas. caímos.
hoje a força perdida, o desgaste. ousaremos ainda?


foto do Teodoro, retirada daqui

ao que li aqui, a inscrição está na parede de um cemitério - premonições do fotógrafo?

 


(*) 
capa de um LP de Léo Ferré
(ver mais LF e etc.. aqui)