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22 setembro 2011

A vingança do anarquista

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Público de 21.9.11 - aqui
a pedido do autor, este artigo respeita as normas do Acordo Ortográfico
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A vingança do anarquista

Por Rui Tavares (*)


Aqui há tempos havia um enigma. Como podiam os mercados deixar a Bélgica em paz quando este país tinha um défice considerável, uma dívida pública maior do que a portuguesa e, ainda por cima, estava sem governo? Entretanto os mercados abocanharam a Irlanda e Portugal, deixaram a Itália em apuros, ameaçaram a Espanha e mostram-se capazes de rebaixar a França. E continuaram a não incomodar a Bélgica. Porquê? Bem, - como explica John Lanchester num artigo da última London Review of Books - a economia belga é das que mais cresceu na zona euro nos últimos tempos, sete vezes mais do que a economia alemã. E isto apesar de estar há 16 meses sem governo.

Ou melhor, corrijam essa frase. Não é "apesar" de estar sem governo. É graças - note-se, graças - a estar sem governo. Sem governo, nos tempos que correm, significa sem austeridade. Não há ninguém para implementar cortes na Bélgica, pois o governo de gestão não o pode fazer. Logo, o orçamento de há dois anos continua a aplicar-se automaticamente, o que dá uma almofada de ar à economia belga. Sem o choque contracionário que tem atacado as nossas economias da austeridade, a economia belga cresce de forma mais saudável, e ajudará a diminuir o défice e a pagar a dívida.

A Bélgica tornou-se assim num inesperado caso de estudo para a teoria anarquista. Começou por provar que era possível um país desenvolvido sobreviver sem governo. Agora sugere que é possível viver melhor sem ele. Isto é mais do que uma curiosidade.

Vejamos a coisa sob outro prisma. Há quanto tempo não se ouve um governo ocidental - europeu ou norte-americano - dar uma boa notícia? Se olharmos para os últimos dez anos, os governos têm servido essencialmente para duas coisas: dizer-nos que devemos ter medo do terrorismo, na primeira metade da década; e, na segunda, dizer-nos que vão cortar nos apoios sociais.

Isto não foi sempre assim. A seguir à II Guerra Mundial o governo dos EUA abriu as portas da Universidade a centenas de milhares de soldados - além de ter feito o Plano Marshall na Europa onde, nos anos 60, os governos inventaram o modelo social europeu. Até os governos portugueses, a seguir ao 25 de abril, levaram a cabo um processo de expansão social e inclusão política inédita no país.

No nosso século XXI isto acabou. Enquanto o Brasil fez os programas "Bolsa-Família" e "Fome Zero", e a China investe em ciência e nas universidades mais do que todo o orçamento da UE, os nossos governos competem para ver quem é mais austero, e nem sequer pensam em ter uma visão mobilizadora para oferecer às suas populações.

Ora, os governos não "oferecem" desenvolvimento às pessoas; os governos, no seu melhor, reorganizam e devolvem às pessoas a força que a sociedade já tem. Se as pessoas sentem que dão - trabalho, estudo, impostos - e não recebem nada em troca, o governo está a trabalhar para a sua deslegitimação.

No fim do século XIX, isto foi também assim. As pessoas viam que o governo só tinha para lhes dar repressão ou austeridade. E olhavam para a indústria, e viam que os seus patrões só tinham para lhes dar austeridade e repressão. Os patrões e o governo tinham para lhes dar a mesma coisa, pois eram basicamente as mesmas pessoas. Não por acaso, foi a época áurea do anarquismo, um movimento que era socialista (contra os patrões) e libertário (contra o governo).

Estamos hoje numa situação semelhante. Nenhum boa ideia sai dos nossos governos. E as pessoas começam a perguntar-se para que servem eles. 
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(*) Historiador. Deputado independente ao Parlamento Europeu (http://twitter.com/ruitavares)

31 maio 2010

um sentido para a vida?

É .. as mega manifestações podem até encher-nos a alma, dar-nos um muito equívoco sentimento de união .. que, hélas  e afinal (quantas vezes o comprovámos já?)  não faz a força, nem leva a vitórias que o sejam, ou a ganhos que se vejam. Tenho a sensação de que tudo, tudo, faz agora parte de um delirante folclore em que nos viciámos, incapazes que parecemos estar, todos, de atitudes mais frontais, decisivas, eficazes. E não sei já o que sou, se uma desencantada militante ou uma cínica diletante. Gostava de poder dizer, ainda, 'pelo sonho é que vou'. Não sei. Já não sei nada, muito menos de mim. Sei que ultimamente me apetecem anarquias, revoluções. tempestades, loucuras que valham e varram - tudo e eu transvertendo-me também, 'passionária' quem sabe. ou não. ou nada. 
Talvez que nesse fundo mais fundo que penso ser eu esteja mesmo uma incurável utópica-romântica-optimista: "não sou nada. nunca serei nada. não posso querer ser nada. à parte isso .. " (A.Campos)

pois .. antes o Léo Ferré e a sua voz que queima! -   [e "que sempre é mais sério. seria?" (A. O'Neill)]

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Le symbole traditionnel du A dans un cercle. 

Le A représente la première lettre du mot anarchie (ou anarchisme). Le cercle symbolise l'unité, mais aussi la détermination. 
Beaucoup de groupes anarchistes font preuve d'un esprit de solidarité avec d'autres groupes, bien qu'ils soient éloignés géographiquement et par différentes conceptions de l'anarchisme. Le symbole est une sorte d'incarnation de la maxime de Pierre-Joseph Proudhon : « La plus haute perfection de la société se trouve dans l'union de l'ordre et de l'anarchie » fonte

22 maio 2010

Sacco e Vanzetti , in memoriam

foto retirada daqui 

do meu amigo do FB, Jalal Planeman:
Lo que se refiere a los anarquistas, se deben escuchar a "Nicholas & Bart" por Joan Baez para los dos grandes : Nicola Sacco ; Bartolomeo Vanzetti y lo que han hecho los Americanos que pretenden enseñar la democracia y los derechos humanos al mundo...

aqui vai, então:

Here's to You (Ennio Morricone & Joan Baez)

Here's to you, Nicola and Bart
Rest forever here in our hearts
The last and final moment is yours
That agony is your triumph


Sacco, Nicola (1891-1927)

"If it had not been for these things I might have lived out my life talking at streetcorners to scorning men. I might have died unmarked unknown a failure. Now we are not a failure, this is our career and our triumph. Never in our full life could we hope to do such work for tolerance, for justice, for man's understanding of man as now we do by accident. Our words - our lives- our pains, nothing! The taking of our lives - lives of a good shoemaker and a poopish pedler- all! That last moment belongs to us. That agony is our triumph!"
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Viva l'anarchia!"
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"Farewell, mia madre."
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 Bartolomeo Vanzetti (1888-1927)

"I wish to forgive some people for what they are now doing to me."

fonte: Youtube 

um filme com imagens da época - mais completo, aqui - e uma voz lindíssima: Joan Baez?
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