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23 julho 2011

um mundo assim

e venham meteoritos, eras glaciares, fogo divino. um mundo assim não merece existir!
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Trabalho infantil a partir de um power point criado por J. Alberto de Oliveira.
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a ver:

ZEITGEIST
http://youtu.be/dlPs10GSJjQ
You have to ask yourself: when you finally get the ultimate promotion, when you finally make the ultimate purchase, when you buy the ultimate home, when you have stored up financial security and climbed the ladder of success to the highest ground you can possibly climb it, and the thrill wears off, and you will wear off .. then WHAT? 
How far do you have to walk down that road before you see where it leaves? Surely you understand, it' ll never be enough!
So you have to ask yourself the question: WHAT MATTERS?
 .

08 outubro 2010

Nobel da Paz atribuído (por unanimidade) a dissidente chinês ..

... põe a China (os chefes, entenda-se..) em estado de fúria. 

Resultado imediato:
1. boicote absoluto(ista) a todas as notícias sobre o Nobel
2. ameaça de conflito nas relações entre Pequim e Oslo ..


retirado do Yahoo:

By Associated Press Writers Karl Ritter And Scott Mcdonald – 1 hr 44 mins ago

OSLO, Norway – 8/10/2010
Imprisoned Chinese dissident Liu Xiaobo won the 2010 Nobel Peace Prize on Friday for using nonviolence to demand fundamental human rights in his homeland. The award ignited a furious response from China, which accused the Norwegian Nobel Committee of violating its own principles by honoring "a criminal."
Chinese state media immediately blacked out the news and Chinese government censors blocked Nobel Prize reports from Internet websites. China declared the decision would harm its relations with Norway — and the Nordic country responded that was a petty thing for a world power to do.

The Nobel committee cited Liu's participation in the Tiananmen Square protests in Beijing in 1989 and the Charter 08 document he recently co-authored, which called for greater freedom in China and an end to the Communist Party's political dominance.

This year's peace prize followed a long tradition of honoring dissidents around the world and was the first Nobel for China's dissident community since it resurfaced after the Communists launched economic but not political reforms three decades ago.

Liu, 54, was sentenced last year to 11 years in prison for subversion. The Nobel committee said he was the first to be honored while still in prison, although other Nobel winners have been under house arrest or imprisoned before the prize.
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notícia em português, aqui

03 setembro 2010

solidariedade

enviado pelo Gracia Tanta:


França/Ciganos: 

Manifestações em Lisboa e Porto frente às representações diplomáticas francesas

Lisboa, 3 set (Lusa) - Lisboa e Porto são palco no sábado de manifestações de solidariedade com a população cigana e de protesto contra as medidas desencadeadas pela França, à semelhança do que vai suceder em diversas cidades europeias.
"O objetivo principal é protestar pela situação em França, denunciar as expulsões da comunidade cigana em França. É claramente um atentado contra os direitos humanos porque se trata da expulsão maciça de pessoas e cujo único critério é a sua etnia. É claramente algo que só é comparável ao que foi o regime nazi", referiu à Lusa Ana Cruz, responsável pelo SOS Racismo, uma das organizações envolvidas na iniciativa.
Na capital, a concentração de "repúdio pelas políticas securitárias do Governo de Sarkozy" está convocada para as 15:30 junto à embaixada de França, na calçada Marquês de Abrantes. No Porto, e à mesma hora, decorrerá um protesto junto ao consulado francês, na avenida da Boavista. Os subscritores associam-se assim às manifestações "que vão decorrer em muitas cidades francesas".
A iniciativa internacional teve no início a adesão de uma professora da Universidade do Minho, que de seguida estabeleceu diversos contactos, organizou uma rede de solidariedade e assegurou diversos apoios.
"Já estão envolvidas diversas associações ciganas. No total, já aderiam mais de 14 organizações, que fazem a convocatória por elas próprias", esclarece Ana Cruz.
As convocatórias, promovidas por "um grupo de cidadãs e cidadãos e muitas Associações ciganas e de defesa dos Direitos Humanos", justificam esta ação de protesto pela "atual situação da comunidade cigana em toda a Europa, nomeadamente o que está a ocorrer em França, com o Governo de Sarkozy a expulsar centenas de romenos de origem cigana do território francês, fazendo tábua rasa dos mais elementares direitos humanos de que a UE não se cansa de proclamar".
Além do SOS Racismo, o texto é subscrito pela Associação Cigana de Braga, Associação Cigana Canto e Dança Cigana (Porto), pelas Associações Ciganas de Coimbra, Espinho, Gondomar, Matosinhos, Os Vikings (Porto), Pedro Bacelar Vasconcelos (Braga), Associação Desportiva dos Ciganos do Porto, AMUCIP (Seixal), APODEC (Lisboa), Centro de Estudos Ciganos (Figueira da Foz), Ciganos d' Ouro, Gipsy Produções Associação Cultural (Águeda) e União Romani. As associações Olho Vivo e Solim (Solidariedade Imigrante) também apoiam a convocatória.
As ações de protesto vão ainda decorrer em diversos países europeus, com destaque para a França, onde foram convocadas para sábado manifestações em Paris e em muitas outras cidades. O apelo foi emitido pelas centrais sindicais, diversas associações e por todos os partidos da esquerda francesa.
Em Espanha, a União Romani também convocou uma manifestação de protesto contra as expulsões de ciganos romenos e búlgaros de França.
O Movimento Associativo Cigano Madrileno tem marcada uma concentração para as 12:00 frente à sede local da Comissão Europeia, onde será lido um manifesto de apoio aos romis romenos que estão a ser deportados pelo Governo francês.
A concentração, que decorrerá de forma simultânea em diversas cidades europeias, também foi convocada em Barcelona pela Federação das Associações Ciganas da Catalunha (FAGIC), e vai decorrer frente ao consulado francês.

PCR.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa
na imagem, um quadro de Picasso 

02 setembro 2010

e o Maputo aqui tão perto ..

«No man is an island, 
entire of itself...
any man's death diminishes me, 
because I am involved in mankind; 
and therefore never send to know
for whom the bell tolls; 
it tolls for thee.»

John Donne (1572-1631)


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só sei o que vejo, oiço, nos vídeos: gente pobre, bairros desolados, homens que disparam. gente que protesta pelo preço do pão, gente pobre, homens que disparam.
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retirado daqui:  

Polícia moçambicana mata dez manifestantes
O balanço do primeiro dia dos protestos populares contra os violentos aumentos de preços dos produtos essenciais em Moçambique aponta para a morte de dez pessoas (...) A polícia usou balas reais para dispersar os populares (...)
enquanto se morre na rua ali ao lado, a FACIM dos empresários segue de portas e negócios abertos, sem sobressaltos que afectem investimentos .. ouvir aqui

gente pobre, 
homens que disparam.
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.. e  o Maputo aqui tão perto ..
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a imagem, de Teresa Dias Coelho, Pain 10

19 agosto 2010

sem palavras ..

apenas .. uma tristeza imensa e a minha solidariedade inteira ..

- no Público, 19-8-10, na rubrica Cartas à Directora, este grito:


Uma amargura sem limites

O meu Bruno escolheu a vida de operário. Operário todo construído, daqueles que minuto a minuto enfrentam a medonha boca do forno eléctrico da Siderurgia e tratam respeitosamente por tu o aço que a cerca de 1000 graus centígrados é filho da sucata que o forno engole.

É lindo o meu filho, os olhos azuis da avó, os ombros largos do pai, atleta esbelto cinturão negro de karaté. É muito bom o meu Bruno Daniel, respeitador, educado, cumpridor, responsável.

É um homem que enche de orgulho a família e de amor a namorada de há muitos anos e com quem ia casar já no próximo sábado.

Estavam imensamente felizes, não se cansavam de mostrar as fotos que o amigo lhes tirara no cabo Espichel para o álbum de casamento. (...)

Jantei com ele a última vez há dois dias no aniversário da irmã, que protege como um lobo. Adoram-se, eles, e como a pequena sentiu o sofrimento do irmão.

A festa acabou às 21h, que ele tinha que regressar às 22h para aquele inferno de aço e fogo e cumprir mais 10 horas dum horário que não respeita famílias, saúde, condições climatéricas, não respeita nada a não ser a vontade dos gestores em poupar na factura da electricidade à custa do esforço e do corpo de jovens como o meu Bruno.

Gestores espanhóis e acólitos portugueses que não hesitam em obrigar os trabalhadores portugueses ao gozo de férias em Fevereiro, a trabalhar sem necessidade nos nossos dias feriados mais queridos, em exigir que por interesse exclusivo da empresa se gozem dias de férias do ano que vem e em perseguir os poucos que se atrevem a opor-se a estas atitudes desumanas. (...)

É lindo o meu Bruno, quero acreditar que assim continuará após o acidente de trabalho que sofreu ontem pelas 23h30, ainda dentro daquelas horas de sacrifício extra (...). Nem o pude ver no hospital, tal o estado em que 30% de queimaduras lhe deixaram o peito, abdómen e ancas. Continuará sempre lindo, ao menos para nós, mas por agora a felicidade imensa que irradiava abandonou de repente os seus maravilhosos olhos azuis e mergulhou-nos numa tristeza que desconhecíamos e numa revolta tremenda. Dizem-nos do hospital que psicologicamente está de rastos. Como sofremos por ele e com ele.

Havemos de levantá-lo, temos essa esperança, tal como temos a esperança de que aqueles jovens que ali trabalham naquelas condições dificílimas se levantem um dia e se tornem homens de corpo inteiro e se unam para lutar pela vida social, familiar e laboral que merecem e que a ganância desmesurada de uns poucos lhes rouba sem qualquer pudor. Havemos de arrancá-lo, leve o tempo que levar, aquela armadura de ligaduras que agora lhe cobrem o corpo e às cicatrizes que teimarão em alterar-lhe as formas do seu corpo até ontem bem moldado.

Tanto que, percebendo a sua apetência para as questões da higiene e segurança, o aconselhámos a fazer o curso de técnico dessa área... "Como posso estudar com estes horários, pai? Não dá." Respondia-me invariavelmente assim alimentando-me a revolta perante a impotência de lhe dar alternativas neste país tão madrasto.

O destino é irónico e cruel, escolhe os melhores para maltratar, quando tantos outros mereciam pior sorte. Que o sacrifício e o sofrimento que o Bruno atravessa sirvam ao menos para que outros exijam e consigam ser tratados na sua terra como seres humanos, porque o são. É este agora, a par da exigência de um tratamento que devolva ao meu filho tudo aquilo que até ontem tinha, um objectivo de vida deste pai profundamente ferido.

Joaquim Escoval

Presidente da Assembleia de Freguesia de Palhais, juiz social, dirigente sindical da Fiequimetal

14 julho 2010

Sakineh Mohammadi Ashtiani - notícias

As autoridades iranianas recuaram na sentença de morte por apedrejamento de Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos, e condenada por adultério, cedendo à maciça pressão internacional dos últimos dias. Mas 12 outras mulheres iranianas e três homens permanecem nas prisões do país a aguardar execução por aquele mesmo meio.

Em comunicado, a embaixada iraniana em Londres anunciou que "de acordo com informação prestada pelas autoridades judiciais competentes", o apedrejamento foi cancelado. O regime de Teerão sublinha que "este tipo de punição só muito raramente foi aplicado no Irão", e condena a forma "duvidosa" como os media estrangeiros têm feito cobertura do assunto.

Não ficou claro se a justiça iraniana comuta a sentença de morte pronunciada a Ashtiani em Setembro de 2006; apenas é certo que ela já não morrerá enterrada até ao pescoço e apedrejada por voluntários, como dita a rígida interpretação da lei islâmica no país. Num caso similar anterior, a condenada acabou executada por enforcamento.

A execução no Irão por apedrejamento especifica que devem ser usadas pedras suficientemente grandes para causarem dor ao condenado, mas não o suficiente para o matarem de imediato. As mulheres são enterradas até ao pescoço, os homens apenas até à cintura - e perdoados os que conseguem libertar-se pelos seus próprios meios.

11 julho 2010

da bestialidade do homem ..

uma mulher (mais uma!) que um tribunal condena à morte por apedrejamento, pelo crime de ter tido relações sexuais fora do casamento - e mais não consigo dizer. há uma petição para salvar-lhe a vida, assinem.
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Sakine Mohammadi e Ashtiani faces a horrible punishment for an act of nature: sex. But apparently sex outside of marriage is volatile enough that this woman deserves to be executed by stoning. At least some people in Iran think so. She will almost certainly be murdered by a corrupt "justice" system in a most excruciating way unless WE do something about it. This petition is that something. Although stoning is sadly not terribly uncommon in some parts of the world, saving one person from this atrocity could help to build the movement against inhumane punishments and executions worldwide and promote more justice in troubled nations like Iran. YOU have power to help stop this, the choice is simply yours to do it or not. I urge you brothers and sisters, for we have no more room for hate in our world, the free MUST remember the forgotten. This is simply our duty to our fellow human, to stand up for her when she cannot. I beg you to share this with anyone who would sign it, as it will send a strong message to those capable of helping this poor woman have her right to life.

*
assinar a petição
pela vida de Sakine  aqui


  • "let him who has never sinned throw the first stone" - Jesus Christ, 2010 years ago!
  • what dark world we live in, that shows so little respect for life!
  • which of the numerous gods men believe in would admit such barbaric act?
  • I'm ashamed of being part of the human race! No ' beast' would be so cruel, so soul-less!
  • what if it were a man??
  • there is something called "the universal declaration of human rights", you know?

08 janeiro 2010

" all human beings..

.. are born free and equal in dignity and in rights " - artigo 1.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos




support = apoiar

19 dezembro 2009

sobre a estupidez - as escolas e os fumadores

Nas escolas, tudo começou a deteriorar-se quando, do seu seio, se baniram os fumadores, mais concretamente os professores fumadores. Verdade!!Não acreditam? Pois passo a explicar:

Lá na escola onde trabalho tinha-se gasto dinheiro, feito obras: na sala de professores (onde se passam /passavam!.. não só os intervalos como as inúmeras horas dedicadas ao chamado 'trabalho de escola') pôs-se uma divisória de vidro, separando - sem ostracizar (continuávamos a ver-nos uns aos outros) - os poluentes fumadores do pessoal sem públicos vícios. O espaço que então se criou tinha uma porta de mola, exaustor de fumos, duas amplas janelas. Estava-se lá bem. Nós, os viciados, trabalhávamos e fumávamos sem incomodar ninguém. Nos intervalos, a sala de fumadores era o espaço mais animado da escola: enchia-se de sim- e não-fumadores. Não sei porquê, temos fama/proveito de mais animados, interessantes.. que querem, facto generalizado e quase indesmentível :-) ..  Naquele espaço a abarrotar púnhamos as notícias em dia, tratávamos de assuntos da escola e dos nossos alunos, encontrávamos os directores de turma e quem mais precisássemos, discutíamos políticas e politiquices, organizávamos eventos, resistências. O quadro branco da parede de entrada sempre colorido de slogans poemas notícias bocas. Ríamo-nos muito, também. Do lado de lá do vidro, o protegido cinzentismo dos fundamentalistas saudáveis, o bar ao fundo, que invadíamos a espaços, demandando salgados e muitos cafés.


E de repente a ASAE e a proibição de se fumar no recinto escolar, dentro ou fora de paredes. Os alunos que não podem ser corrompidos pelo mau exemplo dos seus professores fumadores. A lei que , malgré nous, nos protege das nossas próprias fraquezas, zela pela nossa saúde. O pessoal que vai - todo - deixar de ser uma ameaça à saúde pública e aos bons costumes. Professor não fuma, ponto. Professor é role model, impoluto e perfeito. Queira ou não queira! A virginal existência dos nossos jovens enfim liberta de maus exemplos. Indigência poluente, focos inspiradores de banditismo, na escola, plus jamais! Bendita ASAE, e bendito o governo que a pariu, mais às suas imprescindíveis leis. Haja moralidade!

Pois.
Não..
Não completamente, apesar de muitos terem claudicado, deixado de fumar, aceite o seu novo, recomendável estado. Fixe, parabéns! Fico até contente com a vossa conversão.. Pena que comigo a coisa tenha funcionado ao contrário: tratam-me como se fosse criminosa? mas que é esta m*rda, esta perseguição aos fumadores - só? pois agora é que eu não deixo mesmo de fumar!, decidi - eu e outros como eu, 'ovelhas ranhosas' persistindo na sua ranhosice..

Então.. na minha escolinha cheia de espaços verdes onde continua a haver uma sala -separada por um vidro e uma porta de mola, com exaustor de fumos e duas amplas janelas - agora fuma-se ao portão, do lado de fora do recinto, ao sol à chuva à canícula ao vento ao frio.

Cá fora, partilhando fumos suores arrepios, professores e alunos do secundário em insaudável convivência de parabenos e dióxidos múltiplos.
Do lado de dentro os alunos mais novos, observando-nos, aparentemente desejando juntar-se ao grupo de  dialogantes proscritos.
O privado vício tornado do mais público, para alunos, mães, pais, fornecedores, passantes,  automobilistas,   passageiros vários, o mundo todo.

A antiga sala de fumo, durante uns tempos praticamente 'desabitada', agora convertida em sala de trabalho que muito poucos usam, as quatro ocupadíssimas mesas redondas de antes reduzidas a uma. Muitos sofás vazios, a parede do fundo enfeitada com 3 computadores que alguém liga de vez em quando. O tal quadro branco, agora sempre branco. Do lado de lá do vidro, o bar que perdeu clientes para os cafés das redondezas, o cinzentismo carregado de ruído, insuportável no intervalo grande.

Quase não vou à sala de professores, dos que chegaram de novo só conheço os fumadores ou aqueles com quem tenho turmas em comum. Deixámos de nos encontrar, de trabalhar nas horas vazias, de falar das coisas da escola, dos nossos alunos. As políticas e politiquices discutem-se ao portão, meia dúzia de resistentes tolhidos de frio. Que se constipam e adoecem e depois faltam. Que fumam duas vezes mais, aproveitando cada segundo dos intervalos. Que às vezes ainda riem.

10 dezembro 2009

há 61 anos, num 10 de Dezembro ..

the universal declaration of human rights *

A Magna Carta for all humanity  -  10 December 1948


Article 1.

ALLhumanBEINGSare
BornFReeandEQUALin
DIGNITYandRIGHTS




30 novembro 2009

Aminetu Haidar - a congruência até ao fim

carta aberta, por Miguel Portas

Dirijo esta carta em primeiro lugar à nova embaixadora do reino de Marrocos. Só a urgência da circunstância me leva a torná-la pública. No aeroporto de Lanzarote encontra-se uma mulher que hoje entrará no seu 14.º dia de greve de fome. Conheci-a em Bruxelas e acompanhei-a durante a semana que esteve em Portugal. Essa mulher chama-se Aminetu Haidar. Vive em El Ayoun com a sua mãe, dois filhos e um irmão. Vive? Vivia. Até ter sido deportada no passado dia 12 de Novembro.

Eu sei que o Rei de Marrocos declarou recentemente que não renunciaria a um grão de areia do Sahara e que considera a sua parte ocidental como território do reino. Não é sobre isso que pretendo argumentar. O meu ponto é outro: sei que Aminetu Haidar levará o seu gesto até às últimas consequências e quero fazer o que puder para o evitar.

Como sabe, Aminetu Haidar foi detida pelas autoridades no aeroporto de El Ayoun porque no formulário de entrada escreveu ‘Sahara ocidental' onde se esperava que escrevesse ‘Marrocos'. Saiba, senhora embaixadora, que ela sempre assim procedeu antes. Mas mesmo que assim não tivesse sido, tal atitude não justifica detenção, confisco de passaporte marroquino e deportação. O que as autoridades do seu país, de que tanto gosto, fizeram, foi usar de um pretexto administrativo para impedir esta activista de regressar à sua cidade e à sua família sem terem que a prender de novo. Nem liberdade nem prisão, deportação. Porque Aminetu preencheu indevidamente os formulários de entrada...

Sem discutir a questão Sahara ocidental, reconhecerá que a causa de Aminetu Haidar - acreditar que os sarauís têm direito ao seu Estado - é pelo menos tão respeitável quanto a sua. Acresce que o activismo deste rosto da resistência saharauí é pacífico e decorre num contexto em que o diferendo se procura resolver pela via do diálogo mediado por instâncias internacionais. Invocar um procedimento administrativo para expulsar o símbolo de um povo da sua própria terra é algo que não honra quem o pratica. Por isso apelo. A morte de Aminetu Haidar pode ser evitada desde que ela possa regressar a sua casa.

Dirijo-me agora ao embaixador espanhol em Lisboa. Não é razoável que um país que não reconheceu a ocupação do Sahara ocidental pelo reino de Marrocos aceite a entrada contrariada de Aminetu Haidar em Lanzarote e lhe ofereça a condição de refugiada - porque ela não quer tal estatuto, mas ser cidadã na sua própria terra; e porque não é compreensível que Espanha aceite o papel que o reino de Marrocos lhe destinou - resolver o problema que ele próprio criou.

As linhas finais desta carta dirigem-se ao primeiro-ministro português e a Luís Amado: o que nos idos de 74 ocorreu nas areias do Sahara - a entrada de Marrocos após a saída dos espanhóis - lembra demasiadamente os acontecimentos de Timor Leste. Portugal só pode ter uma posição pró-activa neste caso porque nenhum negócio justifica o silêncio em matéria de Direitos Humanos. A realpolitik tem limites.

Miguel Portas, texto publicado no jornal Sol de 27 de Novembro

25 novembro 2009

25/11: dia internacional contra a violência

A 17 de Dezembro de 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas designou o dia 25 de Novembro como o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, e convidou os governos, as Organizações Internacionais e as Organizações Não Governamentais a organizarem actividades naquele dia no sentido de sensibilizarem a opinião pública para este problema.
Os activistas dos direitos das mulheres assinalam este dia como um dia contra a violência desde 1981.
A comemoração desta data teve origem no assassinato das três irmãs Mirabal (las mariposas) , activistas políticas na República Dominicana, mortas sob as ordens de Rafael Trujillo (1930-1961)  


A  LIFE FREE FROM VIOLENCE 
IS A BASIC HUMAN RIGHT

  •  Violence against women is often ignored and rarely punished.
  • Women and girls suffer disproportionately from violence - both in peace and in war, at the hands of the state, the community and the family.




Stop Violence Against Women!


quadro de Paula Rego, série Aborto