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21 agosto 2011

Alice in Wonderland

cartaz do filme de 2010
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- Quando eu uso uma palavra - disse Humpty Dumpty num tom escarninho - ela significa exatamente aquilo que eu quero que signifique ... nem mais nem menos.
- A questão - ponderou Alice – é saber se o senhor pode fazer as palavras dizerem coisas diferentes.
- A questão - replicou Humpty Dumpty – é saber quem é que manda. É só isso.
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- Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
- Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
- Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
- Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.

(Alice no País das Maravilhas)
Lewis Carroll
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Lewis Carroll

(Daresbury, Cheshire, 1832 - Guildford, Surrey, 1898)

Escritor e matemático britânico. Homem de carácter tímido, adopta este pseudónimo para as suas obras literárias, o seu verdadeiro nome (Charles Lutwidge Dodgson) utiliza-o para as obras científicas. De formação universitária, é professor de matemáticas em Oxford e estudioso da lógica matemática. Escreve diversos relatos de falsa aparência infantil cuja matéria narrativa está, ilusoriamente, próxima do absurdo - ler mais

25 novembro 2010

some day ...

Nobel Prize for Literature in 1962.
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Os seus romances são do mais dorido que alguma vez li, e comecei bem cedo a trilhar os caminhos dessa História transfigurada em comoventes estórias, quando, adolescente, me ofereceram o "De Ratos e Homens". Depois de ler e, mais tarde, ver, "As Vinhas da Ira", pensei ter esgotado o manancial de revolta lágrimas impotência dor que me provocava cada livro de Steinbeck. Enganei-me. Já professora, e há não tanto tempo assim, sofri e sofri e sofri, com os meus alunos, a inteira "obra de leitura extensiva", The Pearl

depois da greve geral de ontem, o espírito, as convicções de um escritor tão apropriado - por actual, por necessário, aos tempos que correm ..

John Steinbeck,
from The Grapes of Wrath*

*As Vinhas da Ira, que conta a saga de uma família que durante os anos da Depressão nos EU migra para os campos da Califórnia, para aí encontrar não a 'terra prometida', mas a miséria mais funda e a mais desumana exploração, a par com dádivas de um amor imenso ....
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Chapter 14, pp.156-157:

"To California or any place—every one a drum major leading a parade of hurts, marching with our bitterness. And some day—the armies of bitterness will all be going the same way. And they'll all walk together, and there'll be a dead terror from it." 
[Para a Califórnia ou para onde quer que seja  — cada um de nós, uma bandeira num desfile de gente dorida, marchando com o nosso azedume. E um dia — todos os exércitos de amargurados hão-de seguir na mesma direcção. E caminharão todos juntos, e despertarão um terror de morte.]
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"Man, unlike any other thing organic or inorganic in the universe, grows beyond his work, walks up in the stairs of his concepts, emerges ahead of his accomplishments. This you may say of man—when theories change and crash, when schools, philosophies, when narrow dark alleys of thought, national, religious, economic, grow and disintegrate, man reaches, stumbles forward, painfully, mistakenly sometimes. Having stepped forward, he may slip back, but only half a step, never the full step back. This you may say and know   (...)"
[O homem, ao contrário  de qualquer outra coisa, orgânica ou inorgânica, no universo, vive para além  da sua obra, faz o caminho subindo a escada dos seus conceitos, emerge para lá do que conseguiu realizar. Isto podes dizer do homem—quando as teorias mudam e colapsam, quando escolas, filosofias, quando estreitas, negras linhas de pensamento, nacional, religioso, económico, crescem e se desintegram, o homem chega, segue em frente aos tropeções, penosamente, erradamente, às vezes. Tendo dado um passo em frente, pode escorregar para trás, mas um meio passo apenas, nunca o inteiro passo atrás. É bom que isto digam e saibam.]
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"And fear the time when the strikes stop while the great owners live—for every little beaten strike is proof that the step is being taken. And this you can know—fear the time when Manself will not suffer and die for a concept, for this one quality is the foundation of Manself, and this one quality is man, distinctive in the universe."
[e receiem o tempo em que as greves parem enquanto viverem os grandes donos  - porque cada pequena greve, ainda que derrotada, mostra que um passo está sendo dado. E disto podem estar certos—receiem o tempo em que o Ser Humano não sofra e  não esteja disposto a morrer por um conceito, porque é esta a qualidade intrínseca do Ser Humano, e esta qualidade é o homem, e o que o torna único no universo.]



Henry Fonda's famous "I'll be there" speech
from John Ford's The Grapes of Wrath (1940) 
- also starring Jane Darwell


  • Wherever there's a fight so hungry people can eat, I'll be there 
  • Wherever there's a cop beating up a guy, I'll be there
  • And when the people are eating the stuff they raise, living in the houses they build, I'll be there too
Onde quer que haja uma luta para que gente com fome possa comer, eu estarei lá. 
Onde quer que um polícia espanque um homem, eu estarei lá.
E quando as pessoas estiverem a comer aquilo que produzem 
e a viver nas casas que constroem, eu - estarei lá também.

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from Steinbeck's Nobel Prize Speech:

  • "And this I would fight for: the freedom of the mind to take any direction it wishes, undirected."
  • "Power does not corrupt. Fear corrupts... perhaps the fear of a loss of power." [O poder não corrompe, o medo sim ... talvez o medo de uma perda do poder.] 
  • "...there is a base theme. Try to understand men, if you understand each other you will be kind to each other. Knowing a man well never leads to hate and nearly always leads to love."
- fonte: Youtube

- foto retirada daqui
- vídeo e ideia do post, daqui

06 outubro 2010

'ventos, brisas, rabanadas' e Jean Cocteau

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"Não sabendo que era impossível, foi lá e fez" 
Jean Cocteau (1889-1963)
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O multi-facetado Jean Cocteau foi um dos mais talentosos e fascinantes artistas do século XX.  Além de realizador, foi poeta, escritor, pintor, dramaturgo, cenógrafo, coreógrafo, actor ... e, desde o primeiro minuto, um entusiasta sem reservas do movimento surrealista e do seu Manifesto. (1924)


De Cocteau li, mal tinha começado a adolescência, "Les Enfants Terribles". Da história tenho uma memória difusa (ainda que a mal-tenha relido em adulta..). O que perdura é um imaginário  perturbante de estranhas interacções e sentimentos apenas percebidos. A "Os meninos terríveis" e à discussão filosófica  que , quase criança, sobre ele tive com a minha ainda mais jovem irmã,  devo a minha primeira definição de 'felicidade'.


T H E
J E A N  C O C T E A U
W E B S I T E,
aqui


no video-clip abaixo, o trailer do filme "Les Enfants Terribles". Não sabia que existia, descobri-o por acaso pesquisando no Youtube qualquer coisa sobre o artista. O filme, de 1950, foi realizado por Jean-Pierre Melville sobre a obra homónima de Jean Cocteau.

Vejo dois, três clips, detenho-me na delicadeza das cenas a preto e branco, nos rostos tristes, expressivos, dos actores. Deixo-me enfeitiçar pela lentidão da câmara, os 'close-up' dos olhares. Suporto mal a angústia que me provoca a música quase omnipresente. E encontro similitudes insuspeitadas entre este filme e o "Aniki Bobó" de Manoel de Oliveira (1942) ..



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uma cena de Aniki Bobó, aqui

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18 setembro 2010

LIVRO

nostálgicas paisagens alentejanas (as Galveias) - amparadas pela música dos Moonspell - no vídeo promocional do novo romance de José Luís Peixoto, "Livro" , que estará nas livrarias a 24 de Setembro.

08 julho 2010

tender is the night (*)

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uma música inspiradora
e a noite.
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um livro que li a long, long time ago,
uma fortuita associação de pensamentos ..

(*) título de um romance de F. Scott Fitzgerald (1896-1940)

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      • artigo recomendado, aqui
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      - Tender Is the Night appears in the movie Who's That Knocking at My Door by Martin Scorsese .... also in Michelangelo Antonioni's  L'avventura and in Wim Wenders' Alice in den Städten 
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      - Jack Kerouac begins the 30th Chorus of Mexico City Blues with the line "Tender is the Night".
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      do poema que dá o nome ao romance, Ode to a Nightingale, de John Keats (1795-1821):
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      (...)
      .
      Here, where men sit and hear each other groan;
      Where palsy shakes a few, sad, last gray hairs,
      Where youth grows pale, and spectre-thin, and dies;
      Where but to think is to be full of sorrow
      And leaden-eyed despairs,
      Where Beauty cannot keep her lustrous eyes,
      Or new Love pine at them beyond to-morrow.
      .
      Away! away! for I will fly to thee,
      Not charioted by Bacchus and his pards,
      But on the viewless wings of Poesy,
      Though the dull brain perplexes and retards:
      Already with thee! tender is the night ..
      .
      (...)
      .
      .

      07 julho 2010

      um vómito chamado MLR

      Não estive lá, não comprei, nem tencionava fazer-lhe propaganda (por mais nefasta) citando o livro ou a sua autora. Doem-me ainda as feridas - doer-me-ão sempre - que abriu em mim, nos professores todos deste país. A mencioná-la, só mesmo para dizer do asco imenso que me causa, ela mais todos os seus apoiantes, os de sempre e os recém-arregimentados, cujos alarves sorrisos  me provocam uma náusea sem fim. A mesma, calculo, que terá sentido esse cruzado das coisas da educação que dá pelo nome de Santana Castilho, ao ter de digerir-lhe a prosa .
      Dele, o artigo que se segue, um vómito, um choro que partilho:


      A solidez de um livro, segundo Sobrinho Simões
      in Público, 7 de Julho de 2010

      No livro que acaba de lançar, Maria de Lurdes Rodrigues cita Max Weber para justificar a sua acção política, movida, diz ela, pela “ética das convicções”. Atentem, generosas leitoras e leitores, ao naco de prosa que a ex-ministra escolhe para caracterizar quem tem vocação para a política (no caso, ela própria):
      “… Só quem está certo de não desanimar quando … o mundo se mostra demasiado estúpido ou demasiado abjecto para o que … tem a oferecer … tem vocação para a política …” (in “A Escola Pública Pode Fazer A Diferença”, p. 18)
      .
      Freud ensinou-nos que nenhuma palavra ou pensamento acontecem por acidente. Uma coisa são os erros comuns, outra, os actos falhados. É falhado o acto que leva Maria de Lurdes Rodrigues a citar, assim, Weber, para justificar a sua acção política. E fez tudo o que fez, confessou-nos no circo do lançamento, com grande alegria, qual pirómana que se baba de prazer ante as cinzas da escola pública que deixou.
      Eis as entranhas de uma coisa que não é pessoa, que não tem alma, e que não aguenta mais que 18 páginas para dizer, de modo obsceno, o que pensa dos que esmagou com sofrimento. 
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      O livro é híbrido e frio, como a autora. É um relatório factual e burocrático sobre as suas tenebrosas medidas de política educativa. A excepção a este registo está na introdução, um arremedo ensaísta de alguém que chegou a ministra sem nunca ter percebido o que é uma escola e para que serve um sistema de ensino.
      Permitam-me duas notas factuais a este propósito e a mero título ilustrativo:
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      1. A autora introduz, como grande tema de debate sobre políticas educativas, o nível de conhecimentos adquiridos na escola. Interroga-nos assim: “… Os adultos que fizeram a quarta classe da instrução primária no tempo dos nossos avós sabiam mais do que os jovens que hoje concluem o 9º ano? [*]…” (obra citada, p. 11). A questão é intelectualmente pouco honesta. Porque compara 4 anos de escolaridade com 9. Porque é formulada por alguém que contribuiu definitivamente para que não se possam hoje comparar resultados escolares, coisa que, apesar das dificuldades, se podia fazer na época a que alude.
      .
      2. A ex-ministra diz que não fez uma reforma da educação, que tão-só concebeu e aplicou medidas. Se é surpreendente o conceito (“reforma” foi palavra-chave citada até à exaustão na vigência do Governo que integrou), entra em delírio surrealista quando escreve (p.15): “… Não se pode considerar que o conjunto das medidas configurem uma reforma da educação, porque de facto não foi introduzida uma mudança nos princípios de funcionamento do sistema educativo, ou uma mudança na sua estrutura e organização …”. Não mudou princípios de funcionamento do sistema educativo, nem mudou a sua estrutura e organização? E os estúpidos somos nós? Enxergue-se e tenha decoro.
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      Segue-se o Diário da República narrado aos papalvos por 20 euros e 19 cêntimos. Registam-se apoios, listam-se colaboradoras e colaboradores e referem-se reuniões. Nenhuma dúvida, nenhum apreço pelo contraditório que lhe foi oposto, muito menos qualquer riqueza dialéctica. Um deserto, numa imensa auto-estrada de propaganda.
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      Ao longo dos últimos 5 anos, fundamentei nesta coluna de opinião a oposição a cada uma das 24 medidas que o livro distingue, pelo que tão-só recordo as mais emblemáticas das que a autora refere: a aberração pedagógica e social, que nacionalizou crianças e legitimou a escravização dos pais, baptizada como “escola a tempo inteiro”; o logro do ensino profissional (Maria de Lurdes fala de 28.000 alunos em 2005, para dizer que os quadruplicou em 2009. Mas conta mal. No ano- lectivo de 2004-05 tinha 92.102 alunos no conjunto dos cursos que ofereciam formação profissional); a demagogia de prolongar para 12 anos o ensino obrigatório (na Europa a 27 só 5 países foram por aí) sub-repticiamente sustentada pela grosseira manipulação estatística que lhe permite afirmar que no ensino secundário temos um professor para cada 8,4 alunos (p.90), pasmem quantos conhecem a realidade; a insistência no criminoso abandono de milhares de crianças com necessidades educativas especiais, por via da decantada aplicação da Classificação Internacional de Funcionalidade; a engenharia financeira e administrativa (depois veremos onde nos conduzirá), que está a transferir para a propriedade de uma empresa privada, por enquanto detida pelo Estado, todo o património edificado; e, “the last, but not the least”, a fraude pedagógica imensa que dá pelo nome de Novas Oportunidades, forma de diplomar a ignorância na hora, gerando injustiça e semeando ilusões.
      .
      Na cerimónia do lançamento do livro que acabo, sumariamente, de analisar, Sobrinho Simões, um cientista de grande gabarito e um homem de muitos méritos, referiu-o como “o mais sólido”que leu até hoje. Quem dedicou a vida a combater o cancro com o rigor da ciência, não podia, estou seguro, afirmar o que afirmou, se tivesse analisado a produção técnica e legislativa que sustenta a racionalidade do livro que elogiou. Mas a vida actual é assim. Muitos sucumbem, adaptando-se a esta sociedade doente. Continuo felizmente de saúde. Por isso choro quando vejo cair os melhores.

      Santana Castilho, professor do Ensino Superior 
       . 
      a imagem é um quadro de Roman Morhardt;  podia chamar-se:  'a monstra volta a atacar'

      [*] ver aqui, um bom exemplo desse estrondoso sucesso que foram (são) as políticas 'educativas' da socretina MLR


      29 junho 2010

      Sinais de Fogo

       ainda Jorge de Sena ..

      O romance Sinais de Fogo parte de um ciclo que pretendia “cobrir, através das experiências de um narrador, a vida portuguesa desde 1936 a 1959”. Nesta narrativa, centrada no Verão de 1936, a eclosão da Guerra Civil de Espanha é o acontecimento que, como observou Mécia de Sena, catalisa “o despertar do protagonista para a realidade política e social, para o amor e até para o acto da criação poética”. Este romance de formação (ou Bildungsroman), seja qual for a relação entre o Jorge protagonista e o Jorge autor, é a obra-prima de um poeta que nos dá a ver o tempo e o modo de fazer-se um poeta. - por Jorge Fazenda Lourenço, aqui 
      . 
      Um romance de poesia em bruto - por Por Carlos Câmara Leme
      «Publicado postumamente, longo, inacabado, "Sinais de Fogo" é um dos mais portentosos romances portugueses da segunda metade do século XX. Não há que ter medo das palavras: estamos perante  uma absoluta obra-prima.» (ler resumo, aqui) 
      .

       'grandes livros' (documentário RTP2) :


      - do vídeo: «Em Sinais de fogo, Jorge de Sena lembra o tempo em que vimos a liberdade escapar-se das nossas mãos, com a nossa colaboração silenciosa. Mas teremos compreendido a lição? Teremos já, afinal, aprendido a ser livres?»

      pois.. parece que não ..

      23 abril 2010

      bookcrossing

      pois.. não aguentei a semana inteira de desintoxicação digital..


      É o dia mundial do livro e a Fnac-Chiado celebra-o de modo original: quem quiser passar por lá hoje e amanhã (entre as 10h e as 22h) pode trocar um livro já lido por outro e ainda recebe um vale de desconto.



      books: love them and leave them

      .
      eu.. não consigo (amá-los e deixá-los, entenda-se) - só faria esta troca com um livro que não me tivesse agradado, o que à partida não me parece correcto.. Já pruridos destes não tem Pepe Carvalho, o imortal personagem de Montálban que sempre acende a lareira com obras lidas, significativas.. (à suivre. :)

      01 maio 2009

      Feira do Livro de Lisboa 2009

      Começou ontem e prolonga-se até 17 de Maio.

      Consultei o programa, a lista disponível dos livros do dia .. por enquanto apenas se referem os de 2 editoras, e não vi nada que me entusiasmasse..

      Sessões de autógrafos com os escritores também parece haver muito poucas - ou, existindo, não vêm (por enquanto) publicitadas.

      Bom, pelo menos suporte online é coisa que este ano não escasseia.
      A Feira tem site, blogue, twitter e está no face book.