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22 julho 2011

clowns

acabei de ouvir num telejornal:

Cavaco Silva, presidente da república portuguesa: «O ministro das finanças já explicou claramente; entre a palavra "desvio" e a palavra "colossal" havia uma série de palavras que foram omitidas.»
Passos Coelho, primeiro ministro de Portugal: «Não há nenhum buraco colossal, o que eu referi foi um " esforço colossal "
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mais palavras para quê?
o circo chegou ao (governo do)país e nós pagamos para ver as palhaçadas!
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'tá-se bem no kaos

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volta e meia roubo-lhe um boneco, gosto do seu jeito certeiro, quase sempre magistral. desta vez copio-lhe também o título, um niquinho do texto .. tudo com as devidas homenagens, agradecimentos pela tanta inspiração!

do blogue WEHAVEKAOSINTHEGARDEN , o que segue:
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Fenomenologia do ser Passos Coelho


Numa entrevista a uma revista francesa Passos Coelho tentou vender a imagem de um grande gestor de enorme cultura, tão culto, tão filosofo que até leu Kafka muito depois da 'Fenomenologia do Ser", de Sartre.  - ler mais aqui
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14 julho 2011

"uma falta de ética impressionante”

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Económico
23/11/10 07:13

Declarações de Passos Coelho são “de uma falta de ética impressionante”

Para Carvalho da Silva o Parlamento deveria legislar no sentido de que a lei prevista para 2011 entrasse já em vigor. "Vemos esta coisa caricata entre o PS e o PSD, toda esta encenação de como vão tapar o buraco de 500 milhões de euros e temos neste país três grupos económicos que se se aplicasse na distribuição dos dividendos a tal lei que em princípio será aplicada a partir de 1 de Janeiro, chegava para cobrir o buraco dos 500 milhões de euros. Isto é um escândalo. Isto revolta", conclui.  - fonte

 *

"É o vale tudo!", diz Carvalho da Silva após reunir com Passos

À saída da reunião com Passos Coelho, o secretário-geral da CGTP criticou a escolha do mês de Agosto para a discussão pública da revisão das leis laborais e verificou que "os verdadeiros detentores da riqueza continuam dispensados dos sacrifícios".
(..)
Carvalho da Silva disse aos jornalistas que perguntou a Pedro Passos Coelho se está disponível para taxar as operações dos bancos e assim substituir os sacrifícios dos trabalhadores. "O primeiro-ministro disse que não" - assim, tout court ... e viva a democracia!!

- fonte


06 julho 2011

quando só as moscas mudam ...

no Público de hoje, 
mais um artigo imperdível de SANTANA CASTILHO *:


Quanto vale a palavra de Pedro Passos Coelho?

Sob a epígrafe “Confiança, Responsabilidade, Abertura”, o programa de Governo garante-nos que “… nada se fará sem que se firme um pacto de confiança entre o Governo e os portugueses … “ e assevera, logo de seguida, que desenvolverá connosco uma “relação adulta” (página 3 do dito). Tentei perceber. Com efeito, é difícil estabelecer um pacto de confiança com um Governo que não se conhece no momento em que se vota. Mas, Governo posto, o que quer isto dizer? E que outra relação, se não adulta, seria admissível? O que se seguiu foi violento, mas esclarecedor. Passos afirmou em campanha que era um disparate falar do confisco do subsídio de Natal? Afirmou! Passos garantiu que não subiria os impostos e que, se em rara hipótese o fizesse, taxaria o consumo e nunca o rendimento? Garantiu! Passos prometeu suspender o processo de avaliação do desempenho dos professores? Prometeu! Mal tomou posse, sem pudor, confiscou, taxou e continuou. O homem de uma só palavra mostrou ter várias. Ética política? Que é isso? Confiança? Para que serve isso? Relação adulta? Que quer isso dizer?

Não tinha que ser assim, julguei que não seria assim. Mas foi, fatalmente! Passos reconduziu-me a Torga que, se tivesse algum apreço pelos políticos, não se teria demarcado deles de modo tão eloquente: “ A política é para eles uma promoção e para mim uma aflição. E não há entendimento possível entre nós … Separa-nos um fosso da largura da verdade … Ouvir um político é ouvir um papagaio insincero.” Conhecíamos as divergências de Passos Coelho, relativamente a José Sócrates. Começamos agora a conhecer as convergências. Se a palavra de Sócrates já estava politicamente cotada, faz agora sentido perguntar: quanto vale a palavra de Pedro Passos Coelho? 

O programa de Governo para a Educação está longe de constituir o plano coerente, arrojado e corajoso de que o país necessitava, para combater o estado de calamidade educativa a que chegamos. Retoma a retórica habitual enganosa: enuncia preambularmente princípios consensuais, para logo os anular através das respectivas medidas. A gasta autonomia e a estafada desconcentração estão lá. Mas não é preciso ser-se iluminado para perceber que, quanto à rede de escolas e gestão das mesmas, é mais controlo centralizado e mais concentração desumanizada e desertificante do interior do país. A suspensão do encerramento de algumas centenas de estabelecimentos não é ditada pela alteração de políticas. Justifica-a o atraso das obras em curso nos grandes centros educativos. Logo que concluídas, prosseguirá a transferência das crianças e a actividade da Parque Escolar, sobre a qual não há uma palavra. 

A municipalização da Educação, para que o programa aponta, terá como consequência a feudalização educacional pelo caciquismo local. Quem esteve atento às recentes movimentações nos processos de escolha dos directores não pode deixar de ficar apreensivo. Não me espantará se, a breve trecho, a progressão na carreira docente e o próprio despedimento dos professores depender da decisão dos directores que, por sua vez, dependem dos Conselhos Gerais.

Até Sua Santidade a Troika é profanada no programa para a Educação. Ela manda diminuir o financiamento do ensino privado? O programa faz prever o seu aumento! Ela recomenda o reforço da Inspecção-Geral da Educação? O programa passa ao lado. 

Claro que as direcções regionais e o cortejo de custos e prebendas que significam resistem à prudente via reformista. 

A prova de acesso à docência é recuperada. Foi instituída por Maria de Lurdes Rodrigues, que, entretanto, não a pôs em prática. Estipula que, para se exercer actividade docente num estabelecimento de ensino público pré – escolar, básico ou secundário, não chega o grau académico de mestre. É preciso aprovação numa prova de avaliação de conhecimentos e competências. Recuperando-a, Nuno Crato vem dizer duas coisas: que não confia nas instituições de ensino superior que formam professores e que nós, portugueses, não devemos confiar no Estado. Com efeito, as universidades e os politécnicos, que formam professores, não são clandestinos. Foram reconhecidos pelo Estado como competentes para tal, através de uma agência externa, tão do agrado do ministro. Para operarem, têm que obedecer às exigências do Estado. O Estado fiscaliza-as e pode fechá-las, se deixar de lhes reconhecer qualidade. O Estado é, pois, tutor de todas. Mas, mais ainda, o Estado é dono da maioria. Neste quadro, esta prova de avaliação de conhecimentos e competências mostra que o Estado não confia em si próprio. E faz com que todos aqueles que pagaram propinas durante anos para obterem uma habilitação profissional, sublinho, profissional, se sintam agora enganados e deixem de confiar no Estado.

Nuno Crato lamentou o tempo que se perde com conflitos. Mas permite que continue o maior do sistema. Refiro-me ao processo pelo qual se avalia o desempenho dos docentes. Foi deplorável Pedro Passos Coelho ter dito que não revoga a avaliação do desempenho porque agora só tem três meses, quando, em Março, quando a propôs, tinha seis. Se isto fizesse algum sentido, que não faz (Passos Coelho sabe bem que não fala verdade), então devia tê-lo dito em campanha. E não disse. Mais: esqueceu-se de que, em Novembro de 2009, o PSD deu ao PS um mês para fazer a mesma coisa? Entretanto, entre o programa eleitoral do PSD e o programa do Governo, sumiram os princípios que deveriam nortear o futuro modelo. Dissimuladamente, como convinha!

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

02 julho 2011

Passos Coelho: a estória de uma suspensão anunciada

post reposto e acrescentado ..
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Em Março, podia-se revogar (o processo, 'monstruoso' e 'kafkiano', de avaliação de professores) porque, nessa altura, o Governo ficava com seis meses para preparar um novo modelo de avaliação, agora só temos três meses, o que é tempo insuficiente. - PPC na apresentação do programa do governo, AR, 30 de Junho

Ora, sr. PM: não faça de nós parvos! E, por favor, poupe-nos às  esfarrapadas justificações que agora inventa, só para não cumprir o que prometeu!! 

1.º: mesmo sem alternativa, um modelo "monstruoso e kafkiano" não tem, por essas mesmas características, o direito a ser perpetuado. Muito menos à custa do sacrifício de milhares de professores e do bom funcionamento das escolas, só porque o senhor agora já não quer, ou não tem coragem, para lhe pôr fim.

2.º:  a não existência de um não pode servir de justificação para a não suspensão do outro. É assim como se um medicamento mal receitado e fatal continuasse a ser ministrado a um paciente!

3.º:
um modelo alternativo bem gizado, justo, exequível, mereceria, decerto, que se parasse para pensar: 3 ou 6 meses, um ano, dois anos. Que prejuízo adviria daí para os alunos, a escola, o país?! Não estão, além do mais, congeladas as carreiras dos professores? Sejamos coerentes!

4.º:
  há 6 meses, o governo estava demissionário, e a AR prestes a ser dissolvida

5.º:
o partido do governo votou contra o projecto de suspensão que o senhor apresentou!!- não ia, com certeza, preparar qualquer alteração a algo que defendia!!

6.º:
  o senhor já na altura se apresentava como potencial candidato a vir a formar governo. Era o senhor que devia ter começado a preparar o novo modelo de ADD!!

7.º: 
já em pré-campanha, o senhor continuou a iludir-nos a todos, insistindo na bondade - e urgência! - da suspensão deste modelo. (ver evidência 2)
 
8.º:
o senhor mentiu: quando, em entrevista para a SIC, Clara de Sousa o acusou de não ter proposto qualquer alternativa, o senhor respondeu-lhe, e cito: «Propus, sim!» - ou seja, já tinha alternativa!! (a prova está aí em vídeo, para que se lhe avive a memória. É que, sabe, até para mentir é preciso alguma ciência..)

9.º: o senhor enganou-nos: o programa eleitoral do seu partido dizia textualmente: "A substituição do actual modelo de avaliação do desempenho dos docentes é uma iniciativa de particular importância e urgência. (...) O Governo do PSD apresentará, no início da legislatura, (...) uma proposta de um novo modelo de avaliação do desempenho docente, assente nos princípios já elencados (...)"

10.º: ou seja, a alternativa - que o senhor propôs e agora diz não ter preparada!, já estava consubstanciada em 'princípios' contidos em livro que o senhor muito bem conhece, que até prefaciou, veja bem!! A alternativa deu-lha Santana Castilho de mão beijada, há 3 meses! O senhor é que, tendo-lha alegadamente pedido, a dispensou, o que me leva à conclusão óbvia de que não a queria. Pior ainda, de que já nessa altura NÃO TENCIONAVA USÁ-LA! E isso, na minha opinião, sr. PM, só tem um nome: DESONESTIDADE!

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evidência 1: entrevista de Clara de Sousa (CS) a Passos Coelho (PC) em 25 de Março de 2011:
  • CS: «...uma notícia de hoje acabou com o modelo de avaliação dos professores .. A iniciativa foi do PSD, ... (pausa) mas não propôs nenhum modelo alternativo.»
  • PC: «Propus sim! É verdade!» (diz, todo sorrisos e com ar ufano - que agora, a bem dizer, me parece 'pinoquiano' ..) 
  • CS .. (tenta interromper ..)
  • PC: «Olhe, Clara de Sousa, tenho muito gosto em deixar ...» (e estende uns papeis à entrevistadora - o tal modelo alternativo, supongo...)
  • CS: ....
  • PC: «Mas eu vou dizer ..» .. «mas eu vou dizer..» ... «Deixe-me dizer-lhe pelo menos duas coisas. Que são importantes.»
  • PC: «A primeira é, o PSD tomou, não uma atitude eleitoral, mas uma atitude de meridiano bom senso .. que já constava do programa eleitoral da dra. Manuela Ferreira Leite ....» (- bom, afinal, tempo, papa feita, houve, e de sobra!!)
    • PC: «O actual modelo de avaliação de professores .. de desempenho de professores .. É UM PROCESSO MONSTRUOSO E KAFKIANO. O PSD comprometeu-se nas últimas eleições a suspender esse processo e a propor um outro.» (.. levantando um dedinho conciliador e auto-crítico..): «É verdade que, na altura das eleições, não propôs. NÓS hoje PROPUSEMOS! Propusemos a  suspensão do actual e um novo modelo que possa ser desenvolvido.»
      • CS: «Já está desenhado esse modelo?»
      • PC: «ESTÁ AQUI DESENHADO. Em que termos? Em termos de distinguir .. o que é .. (e olha para a cábula..) a avaliação de desempenho da classificação de desempenho. São coisas completamente diferentes (ora aqui está: ipsis verbis o que disse/escreveu Santana Castilho!, ou não estão lembrados??)
       .
        .  
      evidência 2:  (já nada disto o preocupa, sr. PM?!)

      « suspender este modelo de avaliação pode contribuir para pacificar a vida das escolas e dar aos professores a possibilidade de se focarem melhor naquilo que é a sua vocação, que é ensinar! » - PPC, Abril de 2011
      .


      .
      evidência 3:  (quem te viu/ouviu e quem te vê/ouve!)
       
      «Os professores não precisam de ter um exército burocrático, nem de que todos os dias os informem de como devem dar as aulas..»  
      «Ai do ministro da educação que pense que tem de mudar os professores para reformar a Educação!»

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      .

      mais um auxiliar de memória: de "O Ensino Passado a Limpo", de Santana Castilho - excertos do prefácio escrito e assinado por Passos Coelho:
      • «O Ensino Passado a Limpo” é assumidamente um contributo público para um novo programa de actuação política no domínio da Educação. O seu autor, Professor Santana Castilho, é uma das personalidades que, com grande independência e não menor pertinência, mais se tem destacado em Portugal no debate sobre a política educativa. Habituei-me, sobretudo ao longo destes intensos anos que marcaram a última década, a ler e ouvir muitas das suas críticas e propostas, na forma de entrevistas, artigos e edições dedicadas a esta temática. Não escondo que, à medida que se adensavam as conturbações trazidas pelas sucessivas tentativas de reforma educativa, mais certeiras me foram parecendo as suas observações críticas e maior simpatia fui sentindo pela sua análise serena mas acutilante.» - PPC
      • «Quem realiza verdadeiramente as transformações são os múltiplos agentes que operam e intervêm diariamente no processo educativo, sendo o legislador apenas uma das partes envolvidas. Neste sentido, as reformas só estarão adquiridas se aqueles que são os agentes da mudança as tomarem como suas também. Não significa isto que um processo reformista tenha de ser normalmente consensual, mas se for por princípio tomado como sendo de carácter impositivo ou “confrontacional” tenderá a ser rejeitado como se se tratasse de um qualquer corpo estranho e a deixar as marcas próprias desse tipo de defesa com que os organismos vivos reagem. É assim do puro domínio da boa Política perceber estes processos e liderá-los numa base de parceria para que possam ser bem-sucedidos.» - PPC
      • «...é importante reconhecer que os últimos anos têm trazido uma burocratização insuportável em torno de todo o processo educativo, descaracterizando as missões dos diversos intervenientes, sobretudo notório no caso dos professores, e desvirtuando o propósito implícito aos procedimentos, como foi o caso mais revoltante da avaliação de desempenho.» - PPC
      • «As más políticas e a instabilidade têm provocado estragos grandes que não têm de ser irreversíveis se actuarmos depressa. Mas só a boa resposta política pode ser capaz de restaurar a nossa capacidade para mudar no sentido que é necessário e desejado pela maioria. Esta obra (O Ensino Passado a Limpo) ajuda-nos a concretizar essa mudança.» - PPC
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      Precisamente, dr. Passos Coelho! Desde que foi eleito, o senhor tem vindo a demonstrar à saciedade que, pelo menos no domínio da Educação, é, não só de uma incoerência confrangedora e inaceitável, como também, perfeitamente incapaz de dar qualquer 'boa resposta política'.  Assim sendo, nem o senhor nem o seu ministro são as pessoas indicadas para operarem a 'tão necessária mudança' que leve a que os 'muitos estragos' não sejam 'irreversíveis'.

      Aqui há tempos (que não hoje..) , ter-me-ia espantado de que não se desse conta, também o senhor, desta evidência! Um conselho, uma pergunta :
      .
      POR QUE NÃO SE DEMITE?  
      e por que não leva atrás o seu triste ME?! 
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      Seria ... pois, 'seria' .. a única atitude honesta a tomar. .
      É que, sabe.. «Não se brinca com o país! Não se brinca com os portugueses!» - Passos Coelho (o próprio!..) acusando José Sócrates: aqui  [bom, é certo que isto foi dito em campanha eleitoral... não seria para levar a sério, é isso, PPC?]

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      e para que se veja o abismo da diferença, excertos de uma entrevista a Santana Castilho, pela Educare:
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      E: Critica duramente o modelo de avaliação, referindo que é "tecnicamente uma nulidade e politicamente um desastre". Contra a avaliação ou a favor de um outro método avaliativo?
      SC:A avaliação é uma coisa distinta da classificação. Um primeiro-ministro e uma ministra da Educação ignorantes e que odiaram os professores confundiram os dois conceitos e impuseram, à bruta, um sistema de classificação inqualificável. Não sou contra a avaliação, desde que seja exequível e contribua para melhorar a qualidade do sistema de ensino e a qualidade do desempenho dos professores. Qualquer inteligência média compreende isto.
       .
      E:  Avaliar as atividades da tutela é uma das medidas que propõe no seu livro. Desconfiado com a atuação do Ministério?
      SC: Como em qualquer sistema, quem dirige é o primeiro interessado em ter elementos constantes que permitam corrigir rotas mal traçadas. Um Ministério da Educação não é um califado a que se deva obediência cega, ou um papado infalível. Não é uma questão de desconfiança. É uma questão de mudança de paradigma. Auscultar o que os portugueses pensam da aplicação das políticas delineadas pelo Ministério da Educação parece-me ser um belo começo para que professores, pais e alunos se sintam cada vez mais como entidade coesa. Utopia? Talvez! Mas um grande Professor (a maiúscula é intencional), que também foi poeta, ensinou-nos, há muito, que o sonho comanda a vida. fonte
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      Pois.. há quem saiba o que diz, o que seria necessário fazer. pena que competência, honestidade, coerência, estejam tão nos antípodas dos fazedores de política ..
      Tivesse PPC usado de bom senso, e as escolas já estariam 'pacificadas', o ensino e a educação na rota da desejável, imprescindível, urgentíssima MUDANÇA. pena ..

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      um post que aqui pus em 7 de Junho, "Educação, um pacto de silêncio"
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      01 julho 2011

      PPC, o verdadeiro erro de casting

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      Em Março, podia-se revogar (o processo, 'monstruoso' e 'kafkiano', de avaliação de professores) porque, nessa altura, o Governo ficava com seis meses para preparar um novo modelo de avaliação, agora só temos três meses, o que é tempo insuficiente. - PPC na AR, ontem

      Ora, sr. PM: não faça de nós parvos! E, por favor, poupe-nos às  esfarrapadas justificações que agora inventa, só para não cumprir o que prometeu!! 

      1.º: mesmo sem alternativa, um modelo "monstruoso e kafkiano" não tem, por essas mesmas características, o direito a ser perpetuado. Muito menos à custa do sacrifício de milhares de professores e do bom funcionamento das escolas, só porque o senhor agora já não quer, ou não tem coragem, para lhe pôr fim.
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      2.º: um modelo alternativo bem gizado, justo, exequível, mereceria, decerto, que se parasse para pensar: 3 ou 6 meses, um ano. Que prejuízo adviria daí para os alunos, a escola, o país?! Não estão, além do mais, congeladas as carreiras dos professores? Sejamos coerentes!
       .
      3.º: há 6 meses, o governo estava demissionário, e a AR prestes a ser dissolvida
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      4.º: o partido do governo votou contra o projecto de suspensão que o senhor apresentou!!  - não ia, com certeza, preparar qualquer alteração a algo que defendia!!
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      5.º: o senhor já na altura se apresentava como potencial candidato a vir a formar governo. Era o senhor que devia ter começado a preparar o novo modelo de ADD!!
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      6.º: o senhor é um mentiroso: quando, em entrevista para a SIC, Clara de Sousa o acusou de não ter proposto qualquer alternativa, o senhor respondeu-lhe, e cito: «Propus, sim!» - ou seja, já tinha alternativa!! (a prova está aí em vídeo, para que se lhe avive a memória. É que, sabe, até para mentir é preciso alguma ciência..)
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      7.º: a alternativa - que o senhor propôs e agora diz não ter preparada!, já estava consubstanciada em 'princípios' contidos em livro que o senhor muito bem conhece, que até prefaciou, veja bem!! A alternativa deu-lha Santana Castilho de mão beijada, há 3 meses! O senhor é que, tendo-lha alegadamente pedido, a dispensou, o que me leva à conclusão óbvia de que não a queria. Pior ainda, de que já nessa altura NÃO TENCIONAVA USÁ-LA! E isso, na minha opinião, sr. PM, só tem um nome: DESONESTIDADE!

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      evidência 1: entrevista de Clara de Sousa (CS) a Passos Coelho (PC) em 25 de Março de 2011:
      • CS: «...uma notícia de hoje acabou com o modelo de avaliação dos professores .. A iniciativa foi do PSD, ... (pausa) mas não propôs nenhum modelo alternativo.»
      • PC: «Propus sim.» . «É verdade!» (diz, todo sorrisos e com ar ufano - que agora, a bem dizer, me parece 'pinoquiano' ..) 
      • CS .. (tenta interromper ..)
      • PC: «Olhe, Clara de Sousa, tenho muito gosto em deixar ...» (e estende uns papeis à entrevistadora - o tal modelo alternativo, supongo...)
      • CS: ....
      • PC: «Mas eu vou dizer ..» .. «mas eu vou dizer..» ... «Deixe-me dizer-lhe pelo menos duas coisas. Que são importantes.»
      • PC: «A primeira é, o PSD tomou, não uma atitude eleitoral, mas uma atitude de meridiano bom senso .. que já constava do programa eleitoral da dra. Manuela Ferreira Leite ....» (- bom, afinal, tempo, papa feita, houve, e de sobra!!)
      • PC: «O actual modelo de avaliação de professores .. de desempenho de professores .. É UM PROCESSO MONSTRUOSO E KAFKIANO. O PSD comprometeu-se nas últimas eleições a suspender esse processo e a propor um outro.» (.. levantando um dedinho conciliador e auto-crítico ..): «É verdade que, na altura das eleições, não propôs. NÓS hoje PROPUSEMOS! Propusemos a  suspensão do actual e um novo modelo que possa ser desenvolvido.»
      • CS: «Já está desenhado esse modelo?»
      • PC: «ESTÁ AQUI DESENHADO. Em que termos? Em termos de distinguir .. o que é .. (e olha para a cábula..) a avaliação de desempenho da classificação de desempenho. São coisas completamente diferentes (ora aqui está: ipsis verbis o que disse/escreveu Santana Castilho!, ou não estão lembrados??)
      • (...)
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      evidência 2:  (já nada disto o preocupa, sr. PM?!)
      .
      « suspender este modelo de avaliação pode contribuir para pacificar a vida das escolas e dar aos professores a possibilidade de se focarem melhor naquilo que é a sua vocação, que é ensinar! » - PPC, Abril de 2011
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      evidência 3:  (quem te viu/ouviu e quem te vê/ouve!)
      «Ai do ministro da educação que pense que tem de mudar os professores para reformar a Educação!»

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      mais um auxiliar de memória:
      de "O Ensino Passado a Limpo", de Santana Castilho - excertos do prefácio escrito e assinado por Passos Coelho:

      • «O Ensino Passado a Limpo” é assumidamente um contributo público para um novo programa de actuação política no domínio da Educação. O seu autor, Professor Santana Castilho, é uma das personalidades que, com grande independência e não menor pertinência, mais se tem destacado em Portugal no debate sobre a política educativa. Habituei-me, sobretudo ao longo destes intensos anos que marcaram a última década, a ler e ouvir muitas das suas críticas e propostas, na forma de entrevistas, artigos e edições dedicadas a esta temática. Não escondo que, à medida que se adensavam as conturbações trazidas pelas sucessivas tentativas de reforma educativa, mais certeiras me foram parecendo as suas observações críticas e maior simpatia fui sentindo pela sua análise serena mas acutilante.» - PPC
      • «Quem realiza verdadeiramente as transformações são os múltiplos agentes que operam e intervêm diariamente no processo educativo, sendo o legislador apenas uma das partes envolvidas. Neste sentido, as reformas só estarão adquiridas se aqueles que são os agentes da mudança as tomarem como suas também. Não significa isto que um processo reformista tenha de ser normalmente consensual, mas se for por princípio tomado como sendo de carácter impositivo ou “confrontacional” tenderá a ser rejeitado como se se tratasse de um qualquer corpo estranho e a deixar as marcas próprias desse tipo de defesa com que os organismos vivos reagem. É assim do puro domínio da boa Política perceber estes processos e liderá-los numa base de parceria para que possam ser bem-sucedidos.» - PPC
      • «...é importante reconhecer que os últimos anos têm trazido uma burocratização insuportável em torno de todo o processo educativo, descaracterizando as missões dos diversos intervenientes, sobretudo notório no caso dos professores, e desvirtuando o propósito implícito aos procedimentos, como foi o caso mais revoltante da avaliação de desempenho.» - PPC
      • «As más políticas e a instabilidade têm provocado estragos grandes que não têm de ser irreversíveis se actuarmos depressa. Mas só a boa resposta política pode ser capaz de restaurar a nossa capacidade para mudar no sentido que é necessário e desejado pela maioria. Esta obra (O Ensino Passado a Limpo) ajuda-nos a concretizar essa mudança.» - PPC
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      Precisamente, dr. Passos Coelho! Desde que foi eleito, o senhor tem vindo a demonstrar à saciedade que, pelo menos no domínio da Educação, é, não só de uma incoerência confrangedora e inaceitável, como também, perfeitamente incapaz de dar qualquer 'boa resposta política'.  Assim sendo, nem o senhor nem o seu ministro são as pessoas indicadas para operarem a 'tão necessária mudança' que leve a que os 'muitos estragos' não sejam 'irreversíveis'. Aqui há tempos (que não hoje..) , ter-me-ia espantado de que não se desse conta, também o senhor, desta evidência!
      Um conselho, uma pergunta :

      POR QUE NÃO SE DEMITE?  
      e por que não leva atrás o seu triste ME?!

      Seria ...
      pois, 'seria' .. a única atitude honesta a tomar. .
      É que, sabe.. «Não se brinca com o país! Não se brinca com os portugueses!» - Passos Coelho (o próprio!..) acusando José Sócrates: aqui  [bom, é certo que isto foi dito em campanha eleitoral... não seria para levar a sério, é isso, PPC?]
      .
      e para que se veja o abismo da diferença, excertos de uma entrevista a Santana Castilho, pela Educare:

      E: Critica duramente o modelo de avaliação, referindo que é "tecnicamente uma nulidade e politicamente um desastre". Contra a avaliação ou a favor de um outro método avaliativo?

      SC: A avaliação é uma coisa distinta da classificação. Um primeiro-ministro e uma ministra da Educação ignorantes e que odiaram os professores confundiram os dois conceitos e impuseram, à bruta, um sistema de classificação inqualificável. Não sou contra a avaliação, desde que seja exequível e contribua para melhorar a qualidade do sistema de ensino e a qualidade do desempenho dos professores. Qualquer inteligência média compreende isto.

      E: Avaliar as atividades da tutela é uma das medidas que propõe no seu livro. Desconfiado com a atuação do Ministério?
      SC: Como em qualquer sistema, quem dirige é o primeiro interessado em ter elementos constantes que permitam corrigir rotas mal traçadas. Um Ministério da Educação não é um califado a que se deva obediência cega, ou um papado infalível. Não é uma questão de desconfiança. É uma questão de mudança de paradigma. Auscultar o que os portugueses pensam da aplicação das políticas delineadas pelo Ministério da Educação parece-me ser um belo começo para que professores, pais e alunos se sintam cada vez mais como entidade coesa. Utopia? Talvez! Mas um grande Professor (a maiúscula é intencional), que também foi poeta, ensinou-nos, há muito, que o sonho comanda a vida.

      fonte
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      pois.. há quem saiba o que diz, o que seria necessário fazer. pena que competência, honestidade, coerência, estejam tão nos antípodas dos fazedores de política .. 
      tivesse PPC usado de bom senso, e as escolas já estariam 'pacificadas', o ensino e a educação na rota da desejável, imprescindível, urgentíssima MUDANÇA. pena ..
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      um post que aqui pus em 7 de Junho, "Educação, um pacto de silêncio"
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      26 junho 2011

      espectáculo não enche barriga!

      in Público, 25/6/11
      Opinião
      Por Vasco Pulido Valente 



      O espectáculo Passos Coelho
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      Um ministro resolveu ir tomar posse de Vespa, demonstrando assim a sua modéstia, informalidade e juventude (não se imagina Catroga de bicicleta, pois não?) e, além disso, o que é ainda melhor, de acordo com o ambiente e a crise. No mesmo dia, Pedro Passos Coelho anunciou que ele (e, suponho, que o funcionalismo) passarão daqui em diante a viajar na Europa em "classe económica". E, não contente com isso, acabou com os governadores civis, sem acabar com os governos civis. Nenhuma destas tremendas decisões vai, evidentemente, fazer a menor diferença na vida dos portugueses. Dizem os peritos que são actos simbólicos, uma espécie de voto de pobreza laico e moderno e uma demonstração de que os grandes, embora na módica medida da sua natureza, sofrem tanto como os pequenos.

      Infelizmente, o público ignora que o primeiro-ministro, mesmo voando todo torcidinho para Bruxelas, goza de extraordinários privilégios - como de resto lhe compete. Ou que o Estado é proprietário de um parque de 29.000 automóveis, que se destinam ao uso oficial e "pessoal" (que uso pessoal?) de quem manda (e certamente manda bem) no indigenato. A esses o dr. Passos Coelho por enquanto não lhes tirou nada. Nem me cheira que tire, porque a propaganda não valeria muito e ele próprio não teria a oportunidade de se mostrar à chuva na fila do autocarro de Massamá-S. Bento. A política do gesto, ou se quiserem do símbolo, é notoriamente limitada. Talvez provoque alguma simpatia ingénua e distraia as pessoas por um minuto ou dois de coisas mais sérias. Mas não é para levar a sério.

      O mal é que este novo regime (reconheço que em estilo soft) até agora só se preocupou com aparências. Começou com o número mágico dos dez ministros, que no fim lá ficaram por 11 e não poupam um tostão a ninguém. A seguir, apareceram os quatro independentes, sempre uma experiência perigosíssima que se pode com facilidade pagar cara. Como também o principal número da festa, a "lufada de ar fresco", que é, no fundo, a proverbial quantidade desconhecida, em que não há razões para acreditar ou não acreditar. À superfície, os portugueses, com a sua habitual preguiça de pensar, andam contentíssimos com o espectáculo. Não deviam; deviam esperar por alguma mudança substancial e sólida. O espectáculo, às vezes, consola a alma, mas não enche a barriga.

      retirado daqui

      18 junho 2011

      a montanha pariu um Crato

      o post é do Octávio Gonçalves e está aqui. Gostava de o ter escrito eu..

       aqui fica um excerto, mas leiam o resto, vale (muito) a pena!:

      (...)
      «Aliás, não acho nada normal, nem saudável, nem transparente, [eu tb não, Octávio, nada mesmo!] que se encomende ao Professor Santana Castilho um programa eleitoral e um livro (para arrebanhar professores) e se escolha uma outra personagem ( relativamente à qual não se fez constar publicamente que tivesse participado na elaboração do programa eleitoral ou que tivesse sido usado, durante a campanha eleitoral, para levar os professores a votarem no PSD) para executar um programa que plasmou o essencial do texto do Professor Santana Castilho e lhe "plagiou" passagens do seu livro.»
      (...)

      não resisti, fui buscar + um bocadinho do post original:
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      «Tendo em conta o processo de elaboração do programa eleitoral do PSD para a Educação, de duas, uma:
      1. o Professor Santana Castilho não aceitou o convite para Ministro da Educação, por quebra, da parte de Pedro Passos Coelho, do compromisso assumido publicamente em "melhorar" o programa eleitoral. A ser assim, ficará, mais uma vez, ilustrada a verticalidade e a fidelidade a princípios que estrutura o carácter do Professor Santana Castilho;
      2. Pedro Passos Coelho não convidou o Professor Santana Castilho para assumir a pasta de Ministro da Educação e, então, tendo em conta o processo acima referenciado, revela um oportunismo e uma instrumentalização da Pessoa e dos professores que não augurará nada de bom para o futuro. »
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      10 junho 2011

      Passos Coelho e a Educação

      Passos Coelho ganhou as eleições de domingo passado.
      Durante a campanha eleitoral, não lhe ouvi UMA palavra sobre educação.

      Fê-lo antes, em pré-campanha.
      E é isso que neste momento lhe venho cobrar: que mantenha a sua palavra!

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      «Os professores não precisam de ter um exército burocrático, nem de que todos os dias os informem de como devem dar as aulas..»
      «Ai do ministro da Educação que pense que tem de mudar os professores para reformar a Educação!» .
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      « suspender este modelo de avaliação pode contribuir para pacificar a vida das escolas e dar aos professores a possibilidade de se focarem melhor naquilo que é a sua vocação, que é ensinar! »

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      - em 12 de Maio de 2011, no lançamento de "O Ensino Passado a Limpo",
      sobre o programa do PSD para a Educação, a promessa de Passos Coelho:
      «    Iremos melhorá-lo!   »   (ouvir)


      *
      - excertos do prefácio (da autoria de Passos Coelho)
      a "O Ensino Passado a Limpo", de Santana Castilho:

      • Aqui se procura (...)apontar orientações e soluções susceptíveis de serem incorporadas num programa de acção política governativa. (...) o autor (...) estabelece uma proposta realista de prioridades de acção que se adequa bem à hierarquia dos problemas a merecer resposta mais urgente no ponto a que chegámos em matéria de resultados na Educação.
      • (...) é evidente que vejo a presente edição como muito útil para a definição dos passos a dar neste domínio no futuro próximo.
      • (...) O país não muda por decreto e a Educação e o Ensino também não. Quem realiza verdadeiramente as transformações são os múltiplos agentes que operam e intervêm diariamente no processo educativo, sendo o legislador apenas uma das partes envolvidas. Neste sentido, as reformas só estarão adquiridas se aqueles que são os agentes da mudança as tomarem como suas também.
      • (...) os últimos anos têm trazido uma burocratização insuportável em torno de todo o processo educativo, descaracterizando as missões dos diversos intervenientes, sobretudo notório no caso dos professores, e desvirtuando o propósito implícito aos procedimentos, como foi o caso mais revoltante da avaliação de desempenho.
      • As más políticas e a instabilidade têm provocado estragos grandes que não têm de ser irreversíveis se actuarmos depressa. Mas só a boa resposta política pode ser capaz de restaurar a nossa capacidade para mudar no sentido que é necessário e desejado pela maioria. Esta obra ajuda-nos a concretizar essa mudança.
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      Ora aí está, Passos Coelho! 
      Mostre que é capaz de actuar bem e depressa! 
      A EDUCAÇÃO agradece!!!
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