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24 agosto 2011

UBUNTU

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roubado da Em@, no FB:

A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Floripa (2006), nos presenteou com um caso de uma tribo na África chamada Ubuntu.

Ela contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo; então, propôs uma brincadeira pras crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!", instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: "Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"

Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo, e ainda não havia compreendido, de verdade,a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!" 
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21 julho 2011

oblige

.. é o 'nome' de uma pessoa que me deixou um comentário num post sobre o "Ensaio sobre a Cegueira", de José Saramago .....  Foi em 2008, quando este blogue tinha outro nome e se inseria num projecto de biblioteca escolar .. até ser censurado ..
Acho o comentário de uma lucidez .. que dói.
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«Gostaria de comentar esta reacção dos americanos com base na opinião de um personagem do livro chamado "Kafka na margem".
Fala das "pessoas ocas", incapazes de admitir que erram ou de saber sequer o que é um erro. Estas têm por hábito atacar, sem necessidade de motivos válidos, aquilo que desconhecem. 
Porque não tendo nada dentro, qualquer ideia que alguém lhes ponha será suficiente para as levar a agir, a atacar.
Como se costuma dizer nos filmes de série B americanos, pessoas que "disparam primeiro e fazem perguntas depois". Cegos que não vendo, não podem ver.
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(...)
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Podemos pensar que estamos no inferno sem o saber, mas é mentira. Sabemos que estamos no inferno e gostamos.

Segunda-feira, 06 Outubro, 2008
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30 outubro 2010

da filosofia, que sempre é mais séria .. seria? *

Jean-Paul Sartre, (1905-1980) -  filósofo existencialista, prémio Nobel da Literatura 1964 (que recusou) , dramaturgo, romancista, argumentista, activista político, ......


Para Sartre, a ideia central de todo o pensamento existencialista é que a existência precede a essência. Não existe nenhum Deus que tenha planeado o homem e portanto não existe nenhuma natureza humana fixa que o homem deva respeitar. O homem está totalmente livre e é o único responsável pelo que faz de si mesmo. E, para ele, tal como para Kierkegaard (outro filósofo existencialista),  são esta liberdade e responsabilidade as principais fontes de angústia. (fonte)

L'existence précède l'essence. 
C'est la conscience qui rend possible le néant. 
L'homme est condamné à être libre. 
Il se sent étranger dans un monde absurde.  (fonte)

  • «L'existentialisme est un humanisme. La condition humaine est l'intersubjectivité.» [o existencialismo é um humanismo. A condição humana é a intersubjectividade]
  • «La Liberté, ce n'est pas de pouvoir ce que l'on veut, mais de vouloir ce que l'on peut.» [a liberdade, não é podermos (fazer) o que queremos, mas querermos aquilo que podemos]
  • «Ne pas choisir, c'est encore choisir.» [não fazer escolhas, é, em si, uma escolha]
  • «Dans la vie on ne fait pas ce que l'on veut mais on est responsable de ce que l'on est.» [na vida, não fazemos aquilo que queremos, mas somos responsáveis pelo que somos]
  • «On peut toujours faire quelque chose de ce qu'on a fait de nous.» [temos sempre o poder de fazermos qualquer coisa com o que fizeram de nós]
  • «Je préfère le désespoir à l'incertitude.» [prefiro o desespero à incerteza]

a Náusea
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ainda do Citador:
  • «Nunca se é homem enquanto se não encontra alguma coisa pela qual se estaria disposto a morrer.»
  • «Um homem não pode ser mais homem do que os outros, porque a liberdade é igualmente infinita em todos.»
  • «Por mim, creio que estamos mortos há muito tempo: morremos no exacto momento em que deixamos de ser úteis.»

* de um poema de Alexandre O'Neill

    18 setembro 2010

    El derecho al delirio

    A obra mais conhecida do escritor uruguaio Galeano é, sem dúvida, As Veias Abertas da América Latina. Nela, analisa a História da América Latina como um todo desde o período colonial até a contemporaneidade, argumentando contra o que considera como exploração económica e política do povo latino-americano - primeiro pela Europa e depois pelos Estados Unidos da América. O livro (publicado em 1971) tornou-se um clássico entre os membros da esquerda latino-americana (fonte)
    .. e viria, em 2009, a ser oferecido por Hugo Chávez a  Barack Obama..

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    em baixo: 
    vídeo realizado por Nerea Ganzarain, con música de "Bosques de mi Mente" y un texto de Eduardo Galeano - precioso!
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    Aunque no podemos adivinar el tiempo que será, sí que tenemos, al menos, el derecho de imaginar el que queremos que sea. En 1948 y en 1976, las Naciones Unidas proclamaron extensas listas de derechos humanos; pero la inmensa mayoría de la humanidad no tiene más que el derecho de ver, oír y callar. �Qué tal si empezamos a ejercer el jamás proclamado derecho de soñar? �Qué tal si deliramos, por un ratito? Vamos a clavar los ojos más allá de la infamia, para adivinar otro mundo posible:
    • el aire estará limpio de todo veneno que no venga de los miedos humanos y de las humanas pasiones; 
    • en las calles, los automóviles serán aplastados por los perros; 
    • la gente no será manejada por el automóvil, ni será programada por la computadora, ni será comprada por el supermercado, ni será mirada por el televisor; 
    • el televisor dejará de ser el miembro más importante de la familia, y será tratado como la plancha o el lavarropas; 
    • la gente trabajará para vivir, en lugar de vivir para trabajar; 
    • se incorporará a los códigos penales el delito de estupidez, que cometen quienes viven por tener o por ganar, en vez de vivir por vivir nomás, como canta el pájaro sin saber que canta y como juega el niño sin saber que juega; 
    • en ningún país irán presos los muchachos que se nieguen a cumplir el servicio militar, sino los que quieran cumplirlo; 
    • los economistas no llamarán nivel de vida al nivel de consumo, ni llamarán calidad de vida a la cantidad de cosas; 
    • los cocineros no creerán que a las langostas les encanta que las hiervan vivas; 
    • los historiadores no creerán que a los países les encanta ser invadidos; 
    • los políticos no creerán que a los pobres les encanta comer promesas; 
    • la solemnidad se dejará de creer que es una virtud, y nadie tomará en serio a nadie que no sea capaz de tomarse el pelo; 
    • la muerte y el dinero perderán sus mágicos poderes, y ni por defunción ni por fortuna se convertirá el canalla en virtuoso caballero; 
    • nadie será considerado héroe ni tonto por hacer lo que cree justo en lugar de hacer lo que más le conviene; 
    • el mundo ya no estará en guerra contra los pobres, sino contra la pobreza, y la industria militar no tendrá más remedio que declararse en quiebra; 
    • la comida no será una mercancía, ni la comunicación un negocio, porque la comida y la comunicación son derechos humanos; 
    • nadie morirá de hambre, porque nadie morirá de indigestión; 
    • los niños de la calle no serán tratados como si fueran basura, porque no habrá niños de la calle; 
    • los niños ricos no serán tratados como si fueran dinero, porque no habrá niños ricos; 
    • la educación no será el privilegio de quienes puedan pagarla; 
    • la policía no será la maldición de quienes no puedan comprarla; 
    • la justicia y la libertad, hermanas siamesas condenadas a vivir separadas, volverán a juntarse, bien pegaditas, espalda contra espalda; 
    • una mujer, negra, será presidenta de Brasil y otra mujer, negra, será presidenta de los Estados Unidos de América; una mujer india gobernará Guatemala y otra, Perú; 
    • en Argentina, las locas de Plaza de Mayo serán un ejemplo de salud mental, porque ellas se negaron a olvidar en los tiempos de la amnesia obligatoria; 
    • la Santa Madre Iglesia corregirá las erratas de las tablas de Moisés, y el sexto mandamiento ordenará festejar el cuerpo; 
    • la Iglesia también dictará otro mandamiento, que se le había olvidado a Dios: �Amarás a la naturaleza, de la que formas parte�; 
    • serán reforestados los desiertos del mundo y los desiertos del alma; 
    • los desesperados serán esperados y los perdidos serán encontrados, porque ellos son los que se desesperaron de tanto esperar y los que se perdieron de tanto buscar; 
    • seremos compatriotas y contemporáneos de todos los que tengan voluntad de justicia y voluntad de belleza, hayan nacido donde hayan nacido y hayan vivido cuando hayan vivido, sin que importen ni un poquito las fronteras del mapa o del tiempo;
    la perfección seguirá siendo el aburrido privilegio de los dioses; pero en este mundo chambón y jodido, cada noche será vivida como si fuera la última y cada día como si fuera el primero.

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    o mesmo texto (El derecho de soñar), dito pelo autor: 
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    Eduardo Galeano por José Saramago, aqui

    na foto, Eduardo Galeano em 1989 (+ texto)
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    21 agosto 2010

    o nojo

    enviado por Oblige, um texto que é uma bela reflexão filosófica:

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    Gostava de falar de um tema que ultimamente me tem ocupado o pensamento.

    O nojo.

    Não qualquer tipo de nojo, refiro-me ao nojo intelectual. O pior deles todos e o mais difícil de provocar.

    O nojo que temos por algo repugnante, por exemplo, por muito intenso que seja, está-nos imbuído na mente de forma tão profunda que nem o podemos controlar. É algo orgânico, instintivo. O nojo intelectual não.

    Este tipo de asco (visceral ainda que não venha das vísceras) é puramente racional, pouco ou nada tem de emotivo. É produto de um cérebro que tem ideias, que se rege (ou pelo menos que se tenta reger) pela lógica e pela lucidez e que é confrontado por algo que pode ser insultuosamente mesquinho, ou medíocre, ou presunçoso, mas que, de algum modo, tem algum poder sobre uma ou mais pessoas. Quero dizer, algo que gostaríamos de poder ignorar mas não podemos.

    Pessoas que, quando têm algum poder sobre outras, costumam provocar esse nojo.
    Pessoas cujo pequeno poder se amplifica pelo tamanho da sua mediocridade. Gente que pede mais do que aquilo que dá, gente que argumenta sem lógica. Cegos que pensam que só eles é que vêem. Hipócritas que nem sequer escondem a sua falsidade, ou pior, hipócritas que não sabem que são hipócritas. Moralistas sem ética, críticos de café… Enfim, podia continuar sem conseguir falar de todos eles.

    Pessoas que não são demasiado ambiciosas ou cruéis, que não aspiram a muito mais do que o pouco poder que têm, que apenas querem agregar os outros ao seu pequeno ninho de putrefacção. São hienas, nunca leões.

    Por si mesmos apenas provocam o nosso escárnio, ou irritação, ou a nossa pena. No entanto, quando têm poder revelam toda a asquerosidade que os move e os nutre.

    Espero ter sabido explicar que este nojo, à sua maneira, é pior, mais incapacitante que aquele que sentimos por um ditador, alguém que viola, alguém que mata. Esse tipo de nojo é emotivo, moral, não necessita de racionalização para existir.

    O outro sim.

    O nojo intelectual nubla a mente, corrói a nossa resistência. Faz-nos adaptar a ele e, por muito que custe admiti-lo, adapta-se a nós.

    Quando o aceitamos como algo que tem direito a existir, perdemos, perdemo-nos.

    Eu já perdi, perdi-me.
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    Oblige
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    imagem de Picasso

    24 março 2010

    Hypatia de Alexandria

    o post aguardava 'retoques' , esteve de pousio. Aqui vai agora, só para os meus amigos/as minhas amigas não ficarem a pensar que morri :) .. o filme, Ágora, é que já não está nas salas de cinema, se chegar a aparecer em vídeo não percam.
    A homenagem, de qq modo, é mesmo a essa ignorada grande mulher, Hypatia de Alexandria: matemática e astrónoma, filósofa, e como eu teria gostado de a ouvir referenciada numa visita de estudo que fizemos ao Planetário..

    Rachel Weisz interpreta o papel Hipátia de Alexandria, a primeira mulher filósofa do Ocidente que contribuiu para o desenvolvimento das Matemáticas e da Astronomia.
    A partir da biblioteca de Alexandria, Hypatia leva a cabo uma luta para salvar a sabedoria do mundo antigo ameaçada por perseguições religiosas. Um filme épico e de grande orçamento que nos chega de Espanha pela mão do realizador Alejandro Amenabar. fonte

    imagem: Hypatia as imagined by Raphael
    Detail from The School of Athens (1509-1510)
    Full name: Hypatia (Ὑπατία)
    Born: c. 370
    Died: 415
    Era: Ancient philosophy
    Region: Ancient Greece
    School: Platonism
    Main interests: mathematics, astronomy

    tudo sobre Hypatia, aqui 
    Rachel Weisz é a protagonista com a sua personagem Hypatia, uma lendária filósofa e matemática da antiga Alexandria, numa altura em que o Império Romano começava a entrar em declínio e a aceitar o Cristianismo como a religião legal (...)
    Na primeira parte do filme conhecemos Hypatia como professora, a ensinar matemática e astronomia aos seus discípulos e a tentar solucionar o enigma das órbitas planetárias em torno do Sol.   fonte

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    10 fevereiro 2010

    o riso como superação da morte

    (..) o riso, um riso louco que nasce dentro do desespero, da violência, no adverso, como uma alegria louca que brota do desespero (...) em entrevista a Mafalda Ivo Cruz

    Na história da Psicologia, da Filosofia e da Teoria Literária, existem diversas tentativas de explicação do fenómeno do riso.
    • Aristóteles, na sua Poética, considera que o cómico consiste no prazer de nos rirmos daquilo que é desagradável ou que tem defeitos.
    • Segundo Kant, seria na contradição entre a expectativa e a realidade que residiria a essência do cómico.
    • Para Herbert Spencer, o riso seria o índice de um esforço que se depara repentinamente com um vazio.
    • O filósofo Arthur Schopenhauer defendia o riso como manifestação pessimista diante da dramaturgia absurda que é a vida.
    •  « rien n'est plus drôle que le malheur ». (Samuel Beckett)

    O filósofo Francês Henri Bergson realizou um dos mais aprofundados estudos sobre o cómico. Na obra O Riso (que eu tive de ler em tempos de faculdade..) encontram-se reunidos três artigos de fundamental importância para a compreensão dos mecanismos da comicidade:

    O riso é a mecânica aplicada no ser vivo. «Ainsi, jusque dans notre propre individu, l'individualité nous échappe. Nous vivons dans une zone mitoyenne entre les choses et nous, extérieurement aux choses, extérieurement aussi à nous-mêmes.» - (Henri Bergson)

    Também de fundamental importância para uma tentativa de compreensão do fenómeno do riso é o estudo realizado por Sigmund Freud, intitulado Os chistes e a sua relação como o inconsciente. Nesta obra, que se centra numa expressão concreta do cómico – a anedota – Freud procede à abordagem dos mais importantes meios de criação da comicidade. Concebe o cómico como um meio de obtenção de prazer e de superação da dor.

    No trantorno da expressão emocional involuntária, as crises de choro e/ou riso, além de serem incontroláveis, tendem a ser desproporcionais ao estímulo recebido, podendo estar completamente dissociada do estado de humor ou mesmo ser contraditória ao contexto no qual o estímulo está inserido.

    O riso e a melancolia respondem por estados de espírito e de ânimo aparentemente opostos, porém complementares. Não obstante as diferentes acepções destes termos no curso da História, eles permanecem tão emblemáticos quanto reveladores da experiência humana. (da exposição O Riso e a Melancolia)
     
    (..) uma situação ou uma história real cria tensão dentro de nós. Enquanto tentamos enfrentar dois conjuntos de emoções e pensamentos, precisamos de alívio e a risada é o caminho para limpar nosso sistema de tensão crescente e incongruência. O que achamos engraçado de acordo com a nossa idade ou estágio de desenvolvimento mental, parece estar relacionado com os fatores estressantes deste período. Basicamente, nós rimos daquilo que nos estressa.

    Schopenhauer, Bergson, Nietzsche, Bataille e vários outros documentam a preocupação da filosofia com o riso. Baudelaire estuda-o nas artes plásticas, enquanto Freud, Lacan, Roustang e Jacques Alain-Miller observam-no da perspectiva da psicanálise. Quanto mais o espírito está seguro, afirma Nietzsche, mais o homem desaprende a gargalhada, necessária para sair da crença na razão e na positividade da existência.
    • Bergson lembra que o que provoca o riso é o afastamento do homem do que se considera como próprio dele – sua racionalidade e sua suposta capacidade de usar o intelecto, adaptar-se. (..) este segundo riso tem como alvo o próprio eu, seus desejos impossíveis e suas ilusões. Remete à experiência do nada, do impossível e da morte, permitindo pensar o que não pode ser pensado, porque não faz parte do mundo “reconhecido” pela razão.
    • Dostoievski apresenta assim ( no conto “Polzunkóv” ) aquele segundo riso, cuja finalidade está no homem que, rindo, livra-se instantaneamente de um sistema que o oprime, bem como do imprevisível e da morte. Dialogicamente desdobrada em duas, a personagem ri principalmente de suas esperanças frustradas.

    Publicado inicialmente em Românica – revista do Depto.de Literaturas Românicas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. n. 11, 9-26, 2003.

    09 fevereiro 2010

    la liberté pour quoi faire? *

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     título de um livro de George Bernanos.
    • «Le monde moderne n'a pas le temps d'espérer, ni d'aimer, ni de rêver.»
    • «Les peuples ne peuvent se passer d' honneur, nous paierons cher d'avoir cru en nous plutôt qu'en lui.» 
    • «Un monde gagné pour la technique est perdu pour la liberté.»

    Por definição, a liberdade opôe-se ao instinto. Enquanto que o instinto se aplica primeiramente e sobretudo aos animais, a liberdade apenas diz respeito ao homem, na medida em que os seres humanos têm poder de decisão sobre a sua existência (cours de philosophie)

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    Keny arkana: Ils ont peur de la liberté (rap)

    Des mensonges, on nous a offert, et devine qui s'en sert? / Là où ça prie la conjoncture, où ça vénère l'économie / Où il y a peu d'Etres Humains parmi les "Etres Economiques" / Où ça construit sa propre prison, par sécurité /  Camarade... ils ont peur de la liberté!
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    Richie Havens, Freedom

    • Keny Arkana (born December 20, 1982 in Boulogne-Billancourt outside Paris) is a female French rap artist. She is active in the alter-globalization movement with "La Rage Du Peuple", a music collective created in 2004 in the neighborhood of Noailles in Marseilles.
    • Richie Havens (born January 21, 1941) is an American folk singer and guitarist. He is best known for his intense rhythmic guitar style (in open tuning), soulful covers of pop and folk songs, and his opening performance at the 1969 Woodstock Festival.