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31 julho 2011

pois ..

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1.

Ouvimos dizer: Não queres continuar a trabalhar connosco.
Estás arrasado. Já não podes andar de cá para lá.
Estás muito cansado. Já não és capaz de aprender.
Estás liquidado.
Não se pode exigir de ti que faças mais.


Pois fica sabendo:
Nós exigimo-lo.

Se estiveres cansado e adormecido
Ninguém te acordará nem dirá:
Levanta-te, está aqui a comida.
Porque é que a comida havia de estar ali?
Se não podes andar de cá para lá
Ficarás estendido. Ninguém
te irá buscar e dizer:
Houve uma revolução. As fábricas
esperam por ti.
Porque é que havia de haver uma revolução?
Quando estiveres morto, virão enterrar-te
Quer tu sejas ou não culpado da tua morte.

Tu dizes: Que já lutaste muito tempo. Que já não podes lutar mais.

Pois ouve:
Quer tu tenhas culpa ou não:
Se já não podes lutar mais, serás destruído.


2.

Dizes tu: Que esperaste muito tempo. Que já não podes ter esperanças.
Que esperavas tu?
Que a luta fosse fácil?

Não é esse o caso:
A nossa situação é pior do que tu julgavas.

É assim:
Se não levarmos a cabo o sobre-humano
Estamos perdidos.
Se não pudermos fazer o que ninguém de nós pode exigir
Afundar-nos-emos.

Os nossos inimigos só esperam
Que nós nos cansemos.

Quando a luta é mais encarniçada
É que os lutadores estão mais cansados.
Os lutadores que estão cansados demais, perdem a batalha."


Bertolt Brecht, versão portuguesa de Paulo Quintela, in "Vértice" nº. 382/383
retirado daqui
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09 janeiro 2010

acordos envenenados .. e nós

Ouvi ontem o Mário Nogueira na rádio, comentando o acordo com o ME .. verdade que me pareceu completamente 'engasgado' ..

e.. sabem? o cansaço, a desilusão com este processo todo andam a tolher-me vontades, energias. depois do que vivemos nos últimos 4 anos, das lutas todas em que nos empenhámos, da capitulação que se seguiu...

ver tudo regressar à estaca zero..
- a opinião pública que de novo se vira contra nós,
- os sindicatos que voltam a alinhar em espécies de memorandos,
- os professores que parecem não estar 'nem aí ',
- sobretudo as mentiras, as leituras enviesadas da ME,
- a imprensa que se cola e não questiona,
- e o fazerem de nós parvos, outra vez e ad eternum..

Deixei de acreditar, perdi a capacidade do espanto (e estou a repetir-me..).  Estou cansada de ilusões, rendo-me à evidência das utopias - definitivamente utópicas. Como disse o Santana Castilho (aqui), somos uma classe que o não é. Prescindimos da força que nos unia, entregámos os pontos, depusemos as únicas verdadeiras armas que alguma vez tivemos. Desagregámo-nos do todo que - impensavelmente - chegámos a ser. Os 120 mil esboroados em pó.

Despertença: o que resta, o sentimento que (me) fica.



a imagem tirei de empréstimo; daqui

29 dezembro 2009

nebulosas

como de costume, tudo muito pouco claro: "nenhum docente avaliado com 'Bom' será prejudicado" .. espero que isso  queira dizer que todos vão ter pelo menos 'bom', seja o que for que tenham - ou não - entregue..
o artigo abaixo é de Ramiro Marques, do Profblog, e explica como já ninguém está nem aí para os problemas da educação, muito menos os dos profs.. - RIP

Nenhum docente será prejudicado, promete a ministra. Acordo parcial à vista com a Fne

a imagem ao lado é de Alfred Gockel 

21 novembro 2009

pelo direito à liberdade de expressão e de opinião

Alguém que muito prezo disse-me: «uma opinião é uma opinião, não devias ter retirado a tua!»Também por isso, reponho aqui este post. É a minha opinião, o meu sentir, tenho pleno direito a ambos, sobretudo depois  do incitamento ao 'apedrejamento público' de que fui alvo e da maneira como me destrataram pessoas que, afinal, não merecem a minha consideração.
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uma adenda (23/11/09) só para quem tenha a memória curta: façam o favor de ler, aqui , aqui , e aqui - tudo citado neste blogue, aqui



Os 13 'magníficos'

Assim vos chamou o João Francisco, depois que todos vocês tiveram a ousadia, o sentido de oportunidade, a lucidez e a verticalidade de publicarem na imprensa a vossa famosíssima 'declaração de intenções'. Na altura, o JF dedicou-vos até uma medalha com a efígie do Paulo Guinote. Congratulou-vos pela 'lição de coragem', chamou aos "Umbigo's thirteen" o valor mais seguro no combate à crise de valores.. (ver) Lembras-te, Paulo? Lembram-se, vocês todos outros 12 magníficos, co-autores do texto?

Era Junho e poucos os professores que ainda resistiam, de facto e no terreno. Sem O.I., andávamos quase todos à toa sem sabermos como proceder em relação à FAA. Cuja entrega os sindicatos aconselhavam. Que era de lei, constava do ECD como obrigação.. Por outro lado, a manif de 30 de Maio tinha reacendido esperanças, incendiado vontades - de não pactuar, de assumir a luta, a justeza das nossas posições - até ao fim. O assunto todos os dias inundava mails e blogues, e no entanto .. peremptórios, defensores convictos - desde o início - da não entrega de coisíssima nenhuma, apenas dois umbiguistas, o Teo e a Reb.

É então que o vosso texto aparece. Estoirou por aí com a incandescência, o troar ensurdecedor de um fogo-de-artifício. No Umbigo, o post teve 399 comentários. No Público, é divulgado com pompa e circunstância. O título-resumo, no jornal, inequívoco. E incontestado por qualquer dos autores: «Os subscritores desta declaração recusam participar numa mistificação e não vão entregar a sua ficha de auto-avaliação»

aqui, para que não haja dúvidas:
Sei bem que na vossa 'declaração' tiveram o cuidado de se ilibarem de responsabilidades colectivas. É certo que o vosso texto salvaguardava hipóteses de outras avaliações.
Não interessa. Não interessou, sobretudo, na altura. O que intuí eu, o que interiorizámos muitos, foi que havia um exemplo de verticalidade a seguir, uma única atitude digna e coerente a tomar: não entregar a FAA, nem a 'oficial', nem outra qualquer; não pactuar; não entrar nas estatísticas de sucesso do ME, relativamente às suas políticas de ADD.
Eu .. comovi-me com a vossa atitude arrojada. Eu, senti vergonha das hesitações, das dualidades que até então me tinham tolhido. E desejei estar ao vosso lado naquela hora, sofrer convosco as penalizações que viessem, quaisquer que elas fossem. Escrevi-o, divulguei-o aqui. Levei, talvez, outros a seguir-vos..

Aceito as vossas imperfeições, as vossas fraquezas, como vocês aceitarão as minhas... Mas não vos perdoo.
Não vos perdoo terem (quase todos) entregue um qualquer tipo de auto-avaliação.
Não vos perdoo que, através daquilo que entregaram, se tenham feito avaliar, logo vocês, e quase todos. Escusado iludirem-se, na óptica do ME é isso que vocês agora são: professores avaliados, e precisamente segundo a mistificação que diziam recusar. Como todos os outros, incluindo os que entregaram objectivos individuais, vocês - quase todos - cederam e pactuaram, sim. Paulatinamente integraram-se no sistema, validaram as estatísticas falaciosas do ME, deram força ao despudor da sua propaganda. Vocês - quase todos - falharam na "coerência com as atitudes e posições assumidas no passado".
Não vos perdoo terem deixado sozinhos, não só alguns (2? 3?) dos co-autores do vosso manifesto, como todos os outros colegas que, seguindo-vos, entraram inteiros nesta guerra, levaram a sério os seus princípios éticos.
Não te perdoo sobretudo a ti, Paulo. Eram 13 os signatários do documento, mas um nome sobressaía por direito próprio: o teu. Tu eras o "valor seguro" de que falava o JF. O teu nome era a garantia de que muitos precisávamos. Tinha a força de uma bandeira, a firmeza imutável de uma pedra.

Sinto-me abandonada, traída, e o que me vem à memória é uma frase do discurso do Luther King -  em meu nome, em nome de todos os professores não-avaliados:

In a sense we've come (...) to cash a check, a check which has come back marked "insufficient funds."