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25 abril 2010

saudade

.. do futuro, de um sonho a cumprir ..
*

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.. e uma citação que a Em@ usa em cada mail:


      
      "A saudade 
       é uma tatuagem na alma
       só nos livramos dela 
       perdendo um pedaço de nós."
 .

   in "O outro pé da sereia", Mia Couto 
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Liberdade

Não hei-de morrer sem saber
Qual a cor da liberdade.
Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.

Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas embora escondam tudo

e me queiram cego e mudo
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.

(Jorge de Sena, Poesia II)

*
Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir

(Sérgio Godinho, à queima roupa)


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memórias: o 25A, antes e durante.. aqui
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23 abril 2010

antes que acabe o dia..

Ouvi-o hoje duas vezes, uma delas a propósito do concurso de professores: este governo não é pessoa de bem.
Novidade? Nenhuma. Só o registo da tardi-érrima conclusão.
Que este, o anterior governo, quase todos os governos, a bem dizer, não são pessoa de bem e agem de má fé é um dado mais do que adquirido. Que os políticos (quase) todos se estão bem marimbando para outros interesses que não os próprios, quase uma la-palissade. Que o digam os professores, e é só um exemplo.
Pois hoje insurgia-se na rádio (assim a modos que incrédulo - e eu pergunto-me como pode, tanta ingenuidade, tanta cegueira - tanta fita?) - insurgia-se então um qualquer senhor do PSD  contra a inconstitucionalidade de se alterarem as regras do jogo a meio do processo (pois, deixa-me rir, que  grande novidade ! ou ainda não conhecem o engenheiro??) desta feita a propósito da tributação de mais valias bolsistas. Ah, os 'grandes grupos' não são abrangidos pela manobra, óbvio!- e nada de novo. Apenas mais uma entre milhentas ilegalidades, dispiciendas de tão corriqueiras.
Algum espanto? Nenhum. Só mesmo ouvir Cavaco Silva a exortar à esperança (oh por favor!!) - e no futuro, esclarece ele. Mas qual esperança, qual futuro?
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E o 25 de Abril aí às portas, mais uma vez. As previsíveis comemorações ocas de sentido,  e as palavras caindo, quando haviam de queimar. Palavras desvirtuadas, o significante totalmente outro. Palavras conspurcadas por bocas que não deveriam ousá-las.  
Ousar .. lutar, ousar vencer, um slogan que de repente me vem à memória como uma frase batida.
Vazia.
E eu que ontem voltei a ver Os Capitães de Abril dessa Maria irmã da Inês, tão alheia uma a tudo o que filmou e o que disse e que pensou a outra. Eu e uma turma de 10.º. Os alunos silenciosos, suspensos da alheia história, daquelas imagens impossíveis, eu falando-lhes em off, contando-lhes de como foi  assim mesmo tudo quanto aos dezoito anos vivi senti sonhei.. Eu não me contendo de chorar,  cenas que me desfazem, acontece-me sempre que vejo o filme. As lágrimas são as minhas mas o choro não é meu, qualquer coisa assim disse o António Gedeão. Choro por mim e por nós todos que acreditámos. E choro pelo muito, pelo absolutamente tudo que foi desbaratado, por essa esperança morta, pelo futuro desfeito, malsonhado. Choro de raiva  impotência saudade e crescem-me ímpetos assassinos. Pudesse - ousasse - eu, e mataria quem matou Abril. Depois penso, para quê? Outros virão e serão iguais, oportunistas, mentirosos, matadores da esperança.
Não há tempo para o sonho, e pelo sonho tenho ido tantas vezes.
Agora não. Agora nada.
E quero esquecer esse mês, e passarei esse dia sem festas  e sem emoção, sem canções de luta.
Abril, que seja outro. Um que venha e valha. E pode ser de madrugada.
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25 abril 2009

um cravo negro

Há um ano , doía-me a memória do 25 de Abril de 1974. Uma depressão funda, uma raiva que me ditou um texto.

Hoje, já nem a dor, já nem a raiva. Apenas o imenso vazio, um cravo apunhalado, um presente - um futuro - blue.

07 fevereiro 2009

die Lorelei, ou o 25 de Abril 34 anos depois

"Ich weiss nicht, was soll es bedeuten, dass ich so traurig bin ..." assim começa o poema Die Lorelei, de Heinrich Heine, que, numa tradução livre, será qualquer coisa como "não sei o que pode significar esta tristeza...".

No meu caso terá sido a visão dos cravos, mal cheguei hoje à escola: vermelhos, omnipresentes, significado e significante afastando-se inexoravelmente.

Dói-me a memória daqueles slogans de há 34 anos, sobretudo um, tão veementemente sentido: "O Povo / unido / jamais será vencido!" - verdade inquestionável, de uma invencibilidade segura e para sempre ... "como havíamos de morrer, tão próximos, e nus, e inocentes", dizia o Eugénio de Andrade...

A 3 dias do 25 de Abril, o que resta em mim é basicamente o desencanto - que desejaria um nada: absoluto, redondo, e final. Tudo a esse sentimento de perda, à certeza de que me enganei, de que nos enganámos todos (tão próximos, e nus, e inocentes) ...

A iconografia, absolutamente oca, o que resta. Transformada em objecto turístico, comerciável. "O 25 de Abril, para mim, é nome de ponte, um feriado mais no calendário", dizem os meus alunos.

Eu, agora professora, olho para os cravos - vermelhos, omnipresentes - e tenho vontade de chorar. E tenho raiva de quem, todos os dias, fecha "as portas que Abril abriu". Tenho raiva dos oportunismos, das corrupções, da lambe-botice recompensada, do carneirismo-carreirismo militantes, da mediocridade incentivada, da inércia das nêsperas, do afã dos adesivos, das atitudes dúbias e duais, do endeusamento das aparências.


Tenho raiva de já não acreditar
que
O 25 de Abril, como o Natal, é "quando um homem quiser".
O 25 de Abril seria, para sempre
- a liberdade sem amarras, a justiça, a inteligência, a coragem recompensadas
- o pensamento correndo livre, as ideias confrontando-se sem medos, construindo utopias
- a euforia de, juntos, trabalharmos para um futuro que queríamos - críamos - melhor.
- a convicção de que, juntos, podemos transformar o mundo.

" tão próximos, e nus, e inocentes" ....


ana lima, 22 Abril 2008

resistências: cronologia de uma Revolução

Quase tudo o que há para saber sobre o pouco antes... e o durante .. aqui

A crónica começa assim: «Há vinte anos» (agora seriam 34!!!) « em vésperas do 25 de Abril, Portugal era um país anacrónico.» (...) No vídeo abaixo, imagens do 'Portugal anacrónico' , resultado da ditadura de Salazar e da 'filosofia' dos 3 Fs: Fado, Futebol e Fátima - "O povo quer-se analfabeto"...


Queixa das almas jovens censuradas

letra: Natália Correia; música e voz: José Mário Branco




Depois, vem o relato dos acontecimentos que foram precursores daquela que viria a ser conhecida como "A Revolução dos Cravos" - começando no dia 22 de Fevereiro de 1974, em que é publicado um livro decisivo, até às 22:55 de 24 de Abril, em que « ... uma canção " E depois do Adeus ", interpretada por Paulo de Carvalho, marca o início das operações militares contra o regime. »


É, no entanto, outra canção, também ela usada como código pelos capitães revoltosos, que virá a tornar-se num dos símbolos da Revolução: Grândola Vila Morena, de José Afonso:


vídeo de Zeca Afonso no Coliseu
(29 de Janeiro de 1983)
quando já estava muito doente (última aparição num espectáculo)



sobre o que veio depois, a par da biografia do Zeca: http://www.aja.pt/biografia.htm


postado por ana lima