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30 dezembro 2010

AL VENT

J.M. Serrat
Foram ícones de uma época, uma geração de sonhos, lutas,  garra. A generosidade, a utopia mais utópica, o Maio de 68, o Che, o Allende, o internacionalismo. Revoluções lá longe e esse estar-se disposto a morrer por uma causa, o povo unido que jamais será vencido, a saudade tanta desse tempo outro..

E quero recordá-los a todos assim prenhes de urgência e de futuro, quando da pura raiva lhes brotavam canções que eram armas,  rubras como um cravo que também aqui, anos depois ..  

No vídeo reconheci os catalães Joan Manuel Serrat e Lluís Llach, o uruguaio Daniel Viglietti , o português Luís Cília, os valencianos Paco Ibañez e Raimon, apenas alguns entre tantos desses cantautores que no palco celebraram os 30 anos de al vent, canção que, no início dos anos 60, se tornou num símbolo de resistência ao franquismo, nomeadamente por ser cantada em catalão.

 
Paco Ibañez

Al vent,
la cara al vent,
el cor al vent,
les mans al vent,
al vent del món.

I tots,
tots plens de nit,
buscant la llum,
Daniel Viglietti
buscant la pau,
buscant a déu,
al vent del món.

La vida ens dóna penes,
ja el nèixer és un gran plor:
la vida pot ser eixe plor;
però nosaltres

al vent,
Luís Cília
la cara al vent,
el cor al vent,
les mans al vent,
al vent del mon.

I tots,
tots plens de nit,
buscant la llum,
buscant la pau,
buscant a déu,
al vent del món.
 



Chegaram-me com o 25 de Abril, e com eles os chilenos exilados depois de Pinochet com quem um dia cantei, acho que na reitoria da universidade clássica de Lisboa, Vitor Jara, Mercedes Soza, Violeta Parra. E vieram espanhóis e italianos e gente de toda a parte e numa manifestação imensa cantámos el pueblo unido e a bandiera rossa. E nesses dias misturámos línguas e desfizemos Babel, e internacinalmente, fraternamente, celebrámos o inteiro Abril.



Desses tempos  a grata memória, e a homenagem ..

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Caminante, no hay Camino - Juan Manuel Serrat 

    *

    Lluís Llach, L' Estaca

      *
      Manifesto, de Vitor Jara (assassinado em 1973)

        *

        Quilapayun canta "El Pueblo Unido Jamas Sera Vencido" en Santiago, 
        frente a La Moneda, pocos dias antes del golpe militar del 11 de Septiembre de 1973


        .

        ponerle rabia !

        a paisagem exterior-mente, Cruzeiro Seixas

        um ano que acaba - mal. que ameaça perspectivar-se assim eterno, futuro. negro de cenizas e desesperança, obscuro, tenso.
        não me apetecem balanços, relembrar desacontecimentos - políticos, sociais. passar-lhes ao lado como por ignorá-los, fazê-los desexistir por omiti-los.
        contra o que foi e o que -inapelavelmente?- será, busco socorro nas vozes dos poetas, desses cantores de ontem. as razões, as  de sempre. tão prementes, tão actuais, tão aparentemente inócuas, agora.


        DIES IRAE

        Apetece cantar, mas ninguém canta.
        Apetece chorar, mas ninguém chora.
        Um fantasma levanta
        A mão do medo sobre a nossa hora.

        Apetece gritar, mas ninguém grita.
        Apetece fugir, mas ninguém foge.
        Um fantasma limita
        Todo o futuro a este dia de hoje.

        Apetece morrer,mas ninguém morre.
        Apetece matar, mas ninguém mata.
        Um fantasma percorre
        Os motins onde a alma se arrebata.

        Miguel Torga (aqui)

        *
        mudam-se os tempos - Luís de Camões, José Mário Branco


        *
        eu vi este povo a lutar, José Mário Branco


        *

        O LUGAR DA CASA

        Uma casa que fosse um areal
        deserto; que nem casa fosse;
        Cruzeiro Seixas
        só um lugar
        onde o lume foi aceso, e à sua roda
        se sentou a alegria; e aqueceu
        as mãos; e partiu porque tinha
        um destino; coisa simples
        e pouca, mas destino:
        crescer como árvore, resistir
        ao vento, ao rigor da invernia,
        e certa manhã sentir os passos
        de abril
        ou, quem sabe?, a floração
        dos ramos, que pareciam
        secos, e de novo estremecem
        com o repentino canto da cotovia.

        Eugénio de Andrade (aqui)



        *
        que força é essa, Sérgio Godinho


        *

        e sobre os tempos da guerra civil espanhola,


        A galopar - Paco Ibáñez y Rafael Alberti
        Concierto en el teatro Alcalá de Madrid en mayo de 1991.


        GALOPE

        Las tierras, las tierras, las tierras de España,
        las grandes, las solas, desiertas llanuras.
        Galopa, caballo cuatralbo,
        jinete del pueblo,
        al sol y a la luna.

        ¡A galopar,
        a galopar,
        hasta enterrarlos en el mar!

        A corazón suenan, resuenan, resuenan
        las tierras de España, en las herraduras.
        Galopa, jinete del pueblo,
        caballo cuatralbo,
        caballo de espuma.

        ¡A galopar,
        a galopar,
        hasta enterrarlos en el mar!

        Nadie, nadie, nadie, que enfrente no hay nadie;
        que es nadie la muerte si va en tu montura.
        Galopa, caballo cuatralbo,
        jinete del pueblo,
        que la tierra es tuya.

        ¡A galopar,
        a galopar,
        hasta enterrarlos en el mar!
        .
        Ponerle voz e ponerle rabia también !
        .

        ¡A galopar,
        a galopar,
        hasta enterrarlos en el mar!

        02 maio 2010

        o GAC está de volta!

        Em Abril de 2000, lia-se a seguinte notícia na imprensa cultural do país: «A discografia completa do GAC (*) vai ser reeditada em CD. Serão reeditados os álbuns "Pois Canté!!", "...E Vira Bom", "...Ronda de Alegria" (que incluirá o EP "Marchas Populares") e a compilação de singles "A Cantiga é uma Arma".»

        Dez anos depois deste primeiro anúncio, estes álbuns, EP e singles de vinil vão finalmente conhecer a edição em CD. São 4 edições individuais em CD, com som restaurado e remasterizado a partir das fitas originais por José Fortes.
        Cada álbum contém um libreto de 20 páginas com a transcrição integral das edições originais, incluindo as letras das músicas. As autorias individuais são aqui reveladas pela primeira vez. Os libretos têm textos introdutórios de Nuno Pacheco e João Lisboa. Os inéditos “Hino da Reconstrução do Partido” e “Hino da Confederação” enriquecem a versão CD que reúne os 4 singles em “A Cantiga É Uma Arma”.  (fonte)

        A 30 de Abril de 2010, no seu 36º aniversário, o GAC está de volta!

        (*)
        Criado logo a seguir ao 25 de Abril de 74 com o intuito de intervir politicamente através da cultura, o GAC (Grupo de Acção Cultural) é um projecto central da história da música portuguesa, não só pela conjunctura em que se inseria e que sempre orientou a lírica das suas canções mas também, quiçá mais importante, pelo papel desbravador que teve no desenvolvimento da música tradicional portuguesa moderna.
        Projecto liderado inicialmente por José Mário Branco, integrou igualmente muitos outros nomes importantes, dos quais se destacam José Afonso, Fausto, Adriano Correia de Oliveira, João Lóio, os Gaiteiros Carlos Guerreiro, Rui Vaz e Pedro Casaes, Eduardo Paes Mamede, João Lisboa, Nuno Ribeiro da Silva entre muitos outros. (fonte)
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