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28 novembro 2010

eu te saúdo, Saramago!

- onde esse Homem Grande fala (e já lá vão alguns anos ..) das verdadeiramente responsáveis esferas de decisão política: os e as FMIs, OCDEs, Bancos Mundiais, OMCs ...  - tudo organismos não democráticos, porque não eleitos na sua representação.

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«Tudo se discute neste mundo, menos a democracia! »
«A democracia está aí, como se fosse uma santa de altar de quem já não se esperam milagres..»

« .. e não se repara que a democracia em que vivemos é uma democracia sequestrada, condicionada, amputada! Porque o poder do cidadão, o poder de cada um de nós, limita-se, na esfera política, a tirar um governo de que não se gosta e a pôr outro de que talvez se venha a gostar!»


ainda e sempre actual, José Saramago:


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10 agosto 2010

elegia do silêncio

 retirado daqui, um excerto do texto de José Saramago, As Palavras

(...)
Porque as palavras deixaram de comunicar. Cada palavra é dita para que não se oiça outra palavra. A palavra, mesmo quando não afirma, afirma-se. A palavra não responde nem pergunta: amassa. A palavra é a erva fresca e verde que cobre os dentes do pântano. A palavra é poeira nos olhos e olhos furados. A palavra não mostra. A palavra disfarça.

Daí que seja urgente mondar as palavras para que a sementeira se mude em seara. Daí que as palavras sejam instrumento de morte – ou de salvação. Daí que a palavra só valha o que valer o silêncio do acto.

Há também o silêncio. O silêncio, por definição, é o que não se ouve. O silêncio escuta, examina, observa, pesa e analisa. O silêncio é fecundo. O silêncio é a terra negra e fértil, o húmus do ser, a melodia calada sob a luz solar. Caem sobre ele as palavras. Todas as palavras. As palavras boas e as más. O trigo e o joio. Mas só o trigo dá pão”.


José Saramago, “As Palavras” in Deste Mundo e do Outro – Crónicas
Caminho - 1986

imagem: 'blue landscape', de Marc Chagall

Palavras de chumbo

Por Fundação José Saramago

  •    Quando digo responsabilidade
  •    quando digo democracia
  •    quando digo ética,
  •    quero dizer essas palavras 
  •    com palavras de chumbo.

José Saramago 

Esta entrada foi publicada em Agosto 10, 2010 às 12:01 am e está arquivada em Outros Cadernos de Saramago.

23 julho 2010

Fundação José Saramago

Saramago morreu há 1 mês e 5 dias, em Lanzarote.  

Da página que abre o 'site' da Fundação Saramago retirei a foto, o texto abaixo. O 'link' continua aí [à direita do blogue] sempre que a (o) queiram visitar..
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José Saramago repousará no Campo das Cebolas, após remodelação no local, em frente à Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago, à sombra de uma oliveira centenária que será transplantada da sua aldeia natal, Azinhaga, para Lisboa.

A frase do "Memorial do Convento" estará inscrita em pedra de Pero Pinheiro. Um banco de jardim possibilitará que os seus amigos leiam fragmentos da sua obra ou observem a paisagem que o Escritor teria da sua janela.

José Saramago está em Lisboa, nos seus livros, mas, sobretudo, nos nossos corações.

A Fundação
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10 julho 2010

o ser segundo Saramago

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Somos a memória 
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que temos 
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e a responsabilidade  
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que assumimos.
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Sem memória 
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não existimos
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sem responsabilidade 
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talvez não mereçamos existir.
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José Saramago
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21 junho 2010

S, de Saramago

celebrei-o em vida, um 'post' (um 'link') por cada letra  do seu nome       

  S
  A
  R
  A
  M
  A
  G
  O
.                                                                                                  

30 maio 2010

o' p'ra mim no Público de ontem! :-)

clicar na foto para ampliar

 .
A notícia, no P2, era uma efeméride: "No passado 29 de Maio de 1991", e referia-se à atribuição do prémio Camões ao poeta moçambicano José Craveirinha. Tudo certo, até aqui. Só a foto (e eu estou lá e lembro-me! :) não tem nada a ver com o assunto..

Era o dia dos meus anos. Em Estocolmo, José Saramago recebia o Nobel da Literatura 1998 e na Aula Magna da reitoria da Universidade Clássica de Lisboa rendia-se-lhe homenagem. Houve discursos no início - entre eles de Manuel Maria Carrilho, o ministro da Cultura de então, e música no fim, ao que me lembro com o Sérgio Godinho.. Havia um ecrã gigante que permitia acompanhar a cerimónia. Na plateia, muitos anónimos fãs de José Saramago (moi, par ex..) e um punhado de escritores lusófonos, alguns deles identificáveis na foto, nomeadamente o José Craveirinha. E o Mia Couto, que conheci nesse dia.
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