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22 junho 2011

Passos e Crato: factos e expectativas

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pois então, aos homens de carácter!!
quando Maio traiu Abril ..
ou ..  

..... de como Passos Coelho
  • encomendou a Santana Castilho um programa (de governo) para a Educação
  • ignorou o trabalho feito e desdenhou do (óptimo) serviço prestado, apesar de o ter subscrito ao prefaciar o livro que o consubstancia, e ...
  • incompreensivelmente, em 8 de Maio,  apresentou ao país uma paupérrima des-alternativa de programa --- este bem à la Mª de Lurdes Rodrigues!
  • em sessão pública de 12 de Maio (na foto) desvendou estreita colaboração com Santana Castilho no processo gestativo do livro-programa, elogiou o autor, as ideias e as medidas contidas em "O Ensino Passado a Limpo"!
  • no mesmo dia e perante centenas de testemunhas, Passos Coelho prometeu, relativamente ao contra-programa do seu partido, 'arrepiar caminho'; disse textualmente: «Iremos melhorá-lo»!
  • durante a campanha eleitoral ninguém lhe ouviu UMA palavra sobre Educação.
  • sem rebuço e sem remorso, sem qualquer explicação, desempenhou a palavra dada.
  • ganhador das legislativas e indigitado PM, escolheu para ministro da Educação, não o Homem cujo programa solicitou, prefaciou, apresentou e elogiou, - e dp. descartou!!, mas um outro - que sem pruridos aceitou o cargo, vinculando-se a um assumidamente mau, retrógrado/continuista e milú-socretino programa!!
evidências aqui, aqui , aqui

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e .. agora sim, aqui fica, para que o apreciem devidamente, o artigo da Pessoa que poderia/deveria estar agora a curar esta doente Educação - melhor ainda, este afundado país!  - (mas não, Ele é GRANDE demais para tanta nacional-pequenês..)


SANTANA CASTILHO

Passos e Crato: factos e expectativas

Sobre o que já foi dito a propósito da parte conhecida do novo Governo pouco se poderá acrescentar. Impera a ortodoxia financeira do Banco Central Europeu, coadjuvada pela tecnocracia operacional do FMI. Três economistas (Victor Gaspar, Álvaro Santos Pereira e Nuno Crato) e um gestor (Paulo Macedo) fazem a quadratura do cerco. Se Paulo Macedo mandar rezar missa no fim, é porque o Bom Escuteiro acertou nas segundas escolhas. 
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A competência técnica abunda, ainda que deslocada de campo, nalguns casos. Mas um Governo que se limite a uma corporação de técnicos competentes não governa. É governado. Na segunda-feira passada, Assunção Cristas fez curiosas declarações na Assembleia da República. Disse que, quando chegou ao parlamento, sabia menos de áreas onde produziu trabalho do que hoje sabe de agricultura, de que, reconheceu, sabe muito pouco. Não disse o que sabia ou seria capaz de aprender sobre o ambiente. Mas a sinceridade, o voluntarismo e o progresso contextual ficaram documentados. Só tenho pena da Agricultura.
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Paulo Macedo fez um trabalho notável como director-geral dos impostos. Na altura, condicionou a aceitação do cargo à percepção de vencimento igual ao que auferia no BCP. Agora, apesar de ter subido, entretanto, na hierarquia do banco, aceitou o miserável vencimento de ministro. Causa perplexidade a mudança. E causa ainda mais ver tal pasta entregue a quem, do ramo, só tem no currículo ter sido administrador da Médis. Para a saúde dos portugueses, é muito pouco. Para a saúde dalguns, que vivem da doença dos outros, pode ser salutar. 
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Bem consciente do ónus de me declarar tão cedo contra a corrente, não comungo da euforia generalizada, que abriu braços à Educação. Explico o que posso explicar. Em Abril, Passos Coelho tinha um programa eleitoral para a Educação. Em Maio tornou público outro, que não só nada tinha a ver com o primeiro, como era a sua antítese. Escassos dias volvidos sobre a divulgação do último, Passos Coelho comprometeu-se publicamente a melhorá-lo. Mas faltou à palavra que empenhou e apresentou-se ao eleitorado com um programa escrito em eduquês corrente, com medidas até a 19 anos de prazo, pasme-se, e que, entre outros disparates, consagrava: a recuperação de duas carreiras no seio da classe docente; o enterro definitivo da eleição dos directores; a diminuição do peso dos professores nos conselhos gerais; o aumento da promiscuidade entre a política partidária e a gestão pedagógica do ensino; a protecção da tirania e do caciquismo; a adulteração do sentido mais nobre do estatuto da carreira docente; a consolidação dos mega-agrupamentos; a manutenção da actividade nefasta das direcções regionais; uma significativa omissão sobre concursos de professores e muitos outros aspectos incontornáveis da política educativa; a recuperação da ideia bolorenta de uma agência externa de avaliação educacional e a subserviência à corporação do ensino privado, por forma que a Constituição proíbe. Os professores, agora em êxtase, esqueceram-se disto? Eu sei que o programa de Governo ainda não é conhecido. Mas só pode resultar do que contém isto e do do CDS. E o do CDS não se opõe a isto. 
Nuno Crato é um notável divulgador de ciência e um prestigiado professor de Matemática e Estatística. Em minha opinião, o merecido prestígio intelectual que a sociedade lhe outorga foi trazido a crédito incondicional como político da Educação. No mínimo, o juízo é precipitado. Permito-me sugerir que leiam a sua produção escrita sobre a matéria. Que ouçam, com atenção, e sublinho atenção, a comunicação apresentada em 2009 ao “Fórum Portugal de Verdade” e as intervenções no “Plano Inclinado”. Os diagnósticos não me afastam. Os remédios arrepiam-me. Nuno Crato é um econometrista confesso, que repetidas e documentadas vezes confunde avaliação com classificação. Nuno Crato pensa que se mede a Educação como se pesam as batatas e que muda o sistema de ensino medindo e examinando. E não mudará. Ou muda ele ou não muda nada. Fico surpreendido como os professores deixam passar com bonomia a hipótese, admitida, de contratar uma empresa privada para fazer os exames ou a intenção, declarada, de classificar os professores em função dos resultados. Estes dislates patenteiam pouco conhecimento sobre as limitações técnicas dos processos que advoga e uma visão pobremente parcial sobre o que é o ensino. Nuno Crato, que muitas vezes tem sido menos cauteloso ao apontar o indicador às ciências da Educação, tem agora o polegar da mesma mão virado para ele. Espero que não se entregue às ciências ocultas da Economia para redimir a Escola pública.
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A sustentabilidade do estado social vai pôr em causa os serviços públicos de Saúde e de Educação. No início da sua actividade, como líder do PSD, Passos Coelho trouxe esta questão à discussão política. Como é habitual, evocou a demografia: o Estado social, como o conhecemos, não suportaria a gratuidade desses serviços, numa pirâmide etária com tendência para se inverter. A necessidade de evitar a bancarrota determinou, depois, uma espécie de estado de inevitabilidade e de necessidade nacional que impede, pela urgência e pelo acenar insistente da tragédia grega, que discutamos outras vertentes possíveis de análise. Em todo o caso, teimo em duas perguntas: por que razão a acuidade do problema é menor em países com maior capacidade redistributiva da riqueza produzida? Por que razão uma economia incivilizada passa pela crise sem que a possamos pôr em causa? 

in Público, 22/6/2011

09 maio 2011

assim , não, Passos Coelho, assim não!!

é que NÃO, mesmo!

Vou de perplexidade em perplexidade, e só me ocorre perguntar: mas qu' é esta ***** ???!!!

Então num dia o homem (PPC) prefacia o novo livro de Santana Castilho, "O Ensino Passado a Limpo" - levando-nos (incrivelmente!) a crer que subscreve a sua visão para a Educação e as respectivas reformas, absolutamente inequívocas, reiteradas ao longo dos últimos 6 anos em artigos atrás de artigos e num sem número de intervenções públicas ............................................ e no outro anuncia em programa eleitoral uma série de medidas, algumas delas em tudo contrárias àquilo que Santana Castilho vem defendendo para a Educação e a Escola Pública ?????!!!!!!!!!!
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as mais gritantes :
  1. gestão escolar - Santana Castilho: devolver a democraticidade às escolas; Passos Coelho: continuidade (e refinamento) do cargo de director (a)
  2. ensino público, ensino privado - Santana Castilho: público é público, cabe ao estado assegurá-lo, e com qualidade; financiamento de escolas privadas, só em caso de inexistência de oferta pública ; Passos Coelho: um ramo de cenouras às 'famílias' mais à sua liberdade de escolha .. (b) 
  3. organização da rede escolar - Santana Castilho: fim da constituição de mega-agrupamentos ; Passos Coelho: defende sem vacilar a prossecução desta política (c) - (*)
  4. taxas de sucesso, abandono escolar - Santana Castilho:: "há as mentiras pequenas, as mentiras grandes e.. há as estatísticas; a quem não sabe não deve passar-se um 'falso' diploma; Passos Coelho: (d) 
  5. destino do actual modelo de ADD - Santana Castilho: lixo e sem contemplações; Passos Coelho: condenação de cuja tibieza noutro ponto parece arrepender-se .. 
  6. processo de Bolonha - Santana Castilho: não aprova; Passos Coelho: nem sabe muito bem que volta lhe há-de dar.. (e)
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Pois é, contrariamente às expectativas de muitos, o programa eleitoral do PSD para a Educação é uma manta de retalhos que se contradizem entre si num atabalhoamento de perceptíveis diferentes estilos e opostas visões no que à área da Educação concerne. E tanto mais ambíguo porquanto há, lá pelo meio, outros pontos, considerações, medidas, que considero do mais correcto, essas sim expectáveis tendo em conta as difundidas circunstâncias do lançamento próximo do novo livro de Santana Castilho..

Assinalo, pela relevância, um parágrafo cuja autoria reconheço:
O país não suportará mais quatro anos de crispação, de políticas erradas, de facilitismo e de indisciplina nas nossas escolas. A persistência nos erros monumentais cometidos nos últimos seis anos seria irremediavelmente dramática para o país e para as gerações vindouras.

Pois. Quase tudo o que vejo neste programa é precisamente a persistência, que lhes/nos será fatal, nos tais monumentais erros cometidos nos últimos 6 anos.

Dos "objectivos e metas da Estratégia de Desenvolvimento da Educação" do PSD, continuo a saber zero: quais são, afinal, as intenções de Passos Coelho? As que ontem revelou à imprensa, ou o que calculo não vá desdizer dia 12, relativamente ao prefácio (que assinou) de «O Ensino Passado a Limpo?»

  • ver artigos que Santana Castilho vem escrevendo para o jornal Público, aqui 
*
Seguem-se excertos (pela ordem em que os encontrei aqui- pps. 94 a 99)    do programa eleitoral do PSD para a educação que corroboram as muitas discrepâncias com o pensamento de Santana Castilho, e que todos os professores deste país reconhecerão. (- professores esses que, é bom lembrar, já provocaram, em anteriores eleições legislativas, uma insonhada ascensão do BE por via das posições de Ana Drago na AR .. ah pois é!..) 

então vejamos:


Objectivos para a Mudança
A actual situação do sistema de ensino em Portugal exige que se encontre a melhor combinação de políticas para responder a três desafios centrais: (...)

(a) 
A melhoria do sistema de gestão  [a melhoria ??? mantendo este modelo??? - ah, por favor, não nos tome a todos por parvos!!!!!]
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Gestão das escolas e envolvimento dos pais e da comunidade
  • O primeiro sinal e passo a dar neste sentido é o do estabelecimento de uma nova carreira profissionalizada de Director Escolar // O Governo deve garantir a formação adequada e contínua de Directores nas áreas de liderança e gestão; [acontece que esta condição já se verifica, não há melhoria possível, senhor Pedro Passos Coelho!! O seu 'primeiro passo' mais não é do que um insustentável 'marcar passo'!] // A selecção do Director deve ocorrer por via de concurso promovido pelo Conselho Geral, com um caderno de encargos com objectivos mínimos; [igual, igual - igualíssimo ao que já está!!]
  • (b) Serão desenvolvidas iniciativas de liberdade de escolha às famílias em relação à oferta disponível, independentemente da natureza pública ou privada do estabelecimento de ensino  [ou seja, podemos todos pôr os filhos em escolas privadas, daquelas que expulsam os pequenos 'corrécios' que dão cabo das estatísticas de sucesso e da cabeça dos professores? - porreiro, pá! - e eu a pensar  que o senhor não era tão demagógico como José Sócrates!! -  ingenuidades..]
  • No modelo de gestão das escolas deve ver-se reforçada a participação das autarquias e da sociedade civil na sua gestão estratégica, pela via do aumento da capacidade de intervenção nos Conselhos Gerais, através de um maior peso nas quotas de representação; [uau!! ainda mais?? quer dizer, estamos quase a voltar ao reinado da sinistra..- tudo para manter e agravar ainda mais, é esse o vosso sinal de mudança??!! - assim não, Passos Coelho, assim não!!...]
  • O Ministério da Educação estabelecerá um enquadramento legal que permita implementar modelos alternativos de governo e de contratualização da gestão de escolas [ jobs for the boys, you mean? mas que raio de partido é o PSD, afinal? - Pois não foi o Passos Coelho que garantiu - se bem me lembro em congresso - que "com ele não"??]

Criação de uma cultura de transparência orientada para resultados.
  • ... Deve ser criada, a partir das estruturas já existentes, a Agência Nacional de Avaliação da Educação. Esta Agência deve ser responsável ainda pela construção de um sistema nacional de indicadores de avaliação da Educação, em linha com as melhores práticas internacionais, que confira transparência e confiança aos cidadãos e que incentive as famílias a tomarem decisões mais conscientes no exercício da sua liberdade de escolha; [??? - liberdade de escolha relativamente à Educação .. hum .. significa isto escolher o país em que se põem os filhos a estudar? Ou, se não, o que é que se entende então por Avaliação da Educação? - e o que é exactamente um sistema nacional de indicadores de avaliação da Educação? = ranking das escolas? É isso que entende por avaliação da Educação? Não deveria ser o sistema Educativo no seu todo (divisão de ciclos, condições de transição, programas e curricula, actualização dos grupos de docência, etc) - que não as escolas individualmente - a estar em causa nessa avaliação?! - por favor explique-se....]
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Desenvolver e consolidar uma cultura de avaliação a todos os níveis do sistema de ensino.
  • Avaliação Externa das Escolas: deve ser implementado um modelo de avaliação externa das escolas baseado no “valor acrescentado”, com base nas metodologias já testadas em Portugal, que integre todas as dimensões do seu desempenho – pedagógica, organizacional e financeira – e que confira uma comparabilidade credível e escrutinável entre as diversas unidades orgânicas; [pois, exactamente. A minha acaba de ser objecto de uma! - nova corrida.. e ... mais um empate PSD/PS. Já agora ..  onde é mesmo que este seu programa encaixa no slogan da sua campanha?! ...]

Motivar e desenvolver os recursos humanos da educação
Neste âmbito é propósito do Governo do PSD lançar um Programa de Formação para os recursos humanos visando:
  • A aquisição de novas competências de gestão comportamental e de conflitos em sala de aula e na escola; [como? - na formação inicial dos 'aspirantes' a professores, ou em mais umas acçoezinhas no âmbito da formação contínua dos já contratados? (pagas pelos próprios, em horário pós-laboral? - mais do "over-worked/underpaid"?) - olhe que, como motivação.....] 
  • (d) a gestão personalizada e capacitação de alunos em risco de insucesso e abandono escolar, com prioridade para os Directores, Coordenadores de Directores de Turma e Directores de Turma; [mas o sr e o seu partido sabem - não sabem? - que a razão primeiríssima, quer de insucesso quer do abandono escolar, é o absoluto desinteresse que grande parte dos nossos alunos e respectivos Encarregados de Educação manifestam em relação à escola? Que não há gestão, por mais "personalizada"(e ela existe já, pelo menos por parte dos DsT!) , capaz de fazer face à demissão das famílias relativamente à educação dos seus filhos? À ausência de uma cultura nacional dos valores mais básicos, sistematicamente ignorados ou atropelados também pelos media, e uma própria ex-ministra da educação, e mais a sociedade que a legitimou e continua a elogiar??]

  • (d?) Elaboração de um Plano Nacional de Formação Contínua de Professores; [mas ele já não existe? - assim todo virado para as novas tecnologias e com uns resultados fantásticos na melhoria da qualidade de ensino, como todos sabemos??]

  • A simplificação do Estatuto da Carreira Docente, [ simplificação? É tudo quanto se lhe ocorre dizer? E por simplificação deve entender-se o quê, exactamente??!!!!!! ] em articulação com as competências mais extensas dos Directores de Escola;  [ohhhhporfavor!!!!!!!!!!!!!!!! Mas o que é que o ECD tem a ver com as competências dos "profissionalizados-líderes-gestores"????? E o que é que essa sua medida mudaria relativamente ao que já existe, não me diz?!]
  • O reforço das competências e atribuições do pessoal não docente das escolas, designadamente visando a promoção da disciplina e segurança nas escolas e o combate ao abandono e insucesso escolar.[(d?!!) - e como, se o pessoal não docente é (e vai continuar a ser) cada vez mais escasso?!]
a ver se entendi: 
  1. o título deste campo é "Motivar e desenvolver os recursos humanos da educação" 
  2. os 'recursos humanos...', pelo desenrolar da conversa, são professores e pessoal não docente
  3. 'recursos humanos' esses que já têm vindo a ser, não só desconsiderados, mas também seriamente afectados pelo congelamento sucessivo das suas carreiras e, mais recentemente, ainda pela significativa redução dos seus ordenados
  4. 'recursos humanos' de quem se espera - a ver se eu entendi mesmo!! : mais formação, melhores competências, mais gestão individualizada em prol dos alunos - numa palavra, mais e mais trabalho (com ECD simplificado no caso dos professores para facilitar essa desdobragem!)
  5. e .. ver de novo o título deste 'capítulo', ver bem ..  a ideia é motivá-los? desenvolvê-los? significa isso que os acham pouco ou mal desenvolvidos, o que quer que isso signifique nas vossas alfinetadas cabecinhas???!!! Mas VOCÊS NÃO APRENDEM NADA??!!!!! E Passos Coelho vai lançar «O Ensino Passado a Limpo» a que título???!!!!!!!!!!!!  
Pois só posso concluir que nesse vosso partido, com que eu não gastaria um segundo do meu tempo não tivesse acontecido, precisamente, a impensável 'colagem' às ideias de Santana Castilho, neste PSD, alguma coisa [(quase) tudo?] vai mesmo muito, muito mal!
     adiante, capítulo seguinte:


    Estabilidade e dignificação da profissão docente
    • Não há bom ensino nem boas aprendizagens sem que se valorize o papel do professor e do educador. Torna-se urgente restabelecer a confiança no trabalho dos professores, contribuir para o reforço da sua autoridade e promover ambientes de escola e de sala de aula favoráveis ao seu bom desempenho.[ah! Até que enfim, plenamente de acordo!!] Importa apostar na valorização profissional, científica e pedagógica, [o papel social do professor... foi só 'en passant'? para fingir que sim?...] ao mesmo tempo que se pretende mobilizar as suas competências para o fundamental: ensinar melhor e proporcionar aprendizagens mais sólidas. [se tivessem acabado em 'ensinar'.. mas não, tinha de vir o ferraozinho do 'melhor' como a sugerir que se ensina mal..]  A valorização profissional dos docentes passa ainda pelo investimento na formação contínua [mas quantas formações contínuas é que os professores têm de fazer??!] e pela elaboração de um modelo de selecção e de profissionalização em exercício dos novos professores e educadores. [que ingenuidade! eu a pensar que desta vez ia sair qualquer coisa de jeito, assim uma referência, por exemplo, à responsabilidade das famílias, da sociedade, da tutela (sim, que ainda estou à espera de muiiitos pedidos de desculpa pelo tanto que me aviltaram nos últimos anos!!) - o título, que diabo, refere a 'dignificação da profissão docente'!..- pois não, para os psds, como para os pss, o cerne de todos os problemas da Educação parece estar - ainda, e sempre, nos professores! E que bem vos ficava a Mª de Lurdes no elenco, ideias tão irmanadas!]
    • Pretende-se, igualmente, implementar um modelo de selecção e profissionalização em exercício [isto não está repetido?!] que permita ao Estado escolher os melhores professores e educadores, [assim tipo o 'exame de admissão' que preconiza também o PS?] os mais competentes e os que revelem maior sentido ético da profissão docente.[Ah, pois, que bem.. então e esse sentido ético revela-se como? E onde? E isto tudo é aplicável a quem? Aos profissionalizandos, aos profissionalizados, aos quase reformados?]
    • E pretende-se elaborar um Plano Nacional de Formação Contínua de Professores e Educadores que contribua para a concretização dos objectivos e metas da Estratégia de Desenvolvimento da Educação [outra vez????!!!!!!!!!!!!!! Mas vocês não têm nem a noção do ridículo??]


    Racionalização e gestão descentralizada da rede de oferta de ensino:
    • (c) Consolidação do Processo de Agrupamento de escolas, privilegiando a verticalização pedagógica e organizacional de todos os níveis de ensino, bem como a progressiva autonomia da sua organização e funcionamento;  [ora cá está, a grande "pata na poça"! - bad, bad decision! - e olhe que o Bill Gates também acha!]
    • (d) Introdução de novas metodologias de promoção do sucesso escolar e de combate ao abandono escolar; [QUAIS?- perpetuar ad-eternum o eduquês? manter nas escolas, a todo o custo, os 5,10%? de alunos que inviabilizam as aprendizagens dos outros todos?]
    • Em paralelo, deve proceder-se à especialização dos recursos humanos e das equipas das Direcções Regionais de Educação em funções - [DREs para quê, quando o que se apregoa várias vezes atrás é o reforço da autonomia das escolas, 'controlada' pelas autarquias??]

    Orientar a organização do Ministério da Educação para a criação de valor e para os resultados
    Aumentar o sucesso escolar nos 2.º e 3.º Ciclos [ainda mais?!!]
    • (d) O Governo deve focalizar a sua acção nestes níveis de ensino em três vertentes: a prevenção do insucesso escolar no 2.º Ciclo, com identificação dos factores de risco e áreas lacunares em cada disciplina, para reforço dirigido das aprendizagens; combate ao insucesso escolar no 2.º e 3.º Ciclos, por via de uma intervenção precoce, com projectos e recursos dirigidos de forma personalizada; erradicação do abandono escolar em idades inferiores a 15 anos, com sinalização dos alunos em risco e intervenções articuladas a nível local. [mas o que é que isto traz de novo, pergunto eu??!! E depois, quando será que eu verei algum governo deste país mexer no aberrante sistema que permite aos alunos transitar de ano com negativa a 3 disciplinas - que podem ser sempre as mesmas - até ao 9.º ano?? Mas será este um factor intocável ?????????????]

    ensino Superior
    (e)

    O Governo deve promover uma ampla discussão nacional do processo de Bolonha, tendo em vista uma resposta urgente e operacional aos seguintes pontos fundamentais: 
    - Mudança para um novo paradigma de competências e capacidades mais adaptadas às necessidades reais do país e da economia global.   
    - Adaptação da carreira docente aos objectivos de Bolonha [????? - sou eu que já estou farta deste post ou isto é mesmo uma contradição?]


      (*)
      e agora um jogo de argúcia - veja as diferenças:
      ...
      Caso venha a ser Governo, o PSD irá prosseguir a constituição dos chamados mega-agrupamentos. No programa hoje divulgado os sociais-democratas defendem a “racionalização e gestão descentralizada da rede da oferta de ensino”, nomeadamente através da “consolidação do processo de agrupamento de escolas, privilegiando a verticalização pedagógica e organizacional de todos os níveis de ensino”.

      Foi este um dos princípios que também norteou a reorganização da rede escolar implementada no ano passado pela equipa de Isabel Alçada, que levou à fusão de 103 unidades orgânicas em 86 agrupamentos. Actualmente existem 1078 escolas e agrupamentos do ensino básico e secundário.

      ler mais destas irmandades PSD_PS , aqui
      *
      É .. está mesmo na hora de mudar, mas, definitivamente, NÃO para este programa eleitoral!


      17 março 2010

      SURPRISE ! .. ??

      nota prévia: o quadro abaixo - surrealista como convém - é de Cruzeiro Seixas ..
      .
      «Na noite da passada Segunda feira, o Ministério da Educação (ME) enviou por e-mail aos sindicatos, com quinze dias de atraso, o projecto final de Estatuto da Carreira Docente (ECD).
       .
      Para Mário Nogueira, secretário geral da Federação Nacional dos Professores, "o documento é inacreditável porque é completamente diferente do que decorreu da negociação: acaba com concursos e tudo o que são formas de mobilidade é suprimido, apenas fica a mobilidade interna e a cedência por interesse público".
      (..)
      João Dias da Silva considera que "se este caminho for adoptado, isto corresponde ao fim da carreira especial dos professores".
      Mário Nogueira diz que "se este diploma tiver pernas para andar os professores também têm pernas para voltar a descer a Avenida da Liberdade", já que "quando os docentes souberem disto [a tutela pediu confidencialidade] vão ficar com a mesma indignação que os fez manifestarem-se. » - ler notícia completa, mais análise da FENPROF, aqui

      *
      Ora acontece que os professores já sabem 'disto'. Acontece também que qualquer professor esclarecido (e talvez menos ingénuo que os dirigentes sindicais) já deveria antever um quadro destes. De resto, que é que esperavam? Ou andam todos a dormir e não se aperceberam dos sinais? - óbvios, diga-se de passagem..

      Pois o que é que se pode esperar de uma ministra - por muitos esgares que exiba frente às câmaras - que, mal aceitou o cargo, a primeira coisa que fez foi elogiar a sua antecessora e respectiva equipa? Que não perdeu tempo a garantir a bondade das políticas do ME socretino? Não entenderam isto como uma agressão, um absoluto desrespeito por tudo o que vos fizeram sofrer? Não vos soou isto, logo aí, a ameaça de que tudo iria continuar na mesma, talvez até.. piorar?
      • Afinal, que esperavam todos de uma pessoa que aceita ser ministra da educação de um governo chefiado pelo mesmíssimo homem que fizera do ataque à classe docente e da destruição da escola pública a sua mais inflamada bandeira? (ou acham que a 'milú' decidia sozinha?!)
      • Que esperavam vocês, professores, sindicatos, de uma pessoa que aceita chefiar o ministério ao tempo mais conturbado de todos, sabendo, como de resto o inteiro país, da crispação nas escolas, da inexequibilidade das medidas impostas, do comprometimento-em-curso de todo um processo educativo? Que o fez, plagiando (sorrisos à parte..) , elogiando uma figura que se tornara odiosa , quando devia era ter-se comprometido MUDANÇA?
      Depois de tudo o que se viveu / sofreu no primado de Mª de Lurdes Rodrigues (logo compensada pelos magníficos serviços prestados, não esquecer), depois de todas as agressões e enxovalhos, alguém por aí ouviu um pedido de desculpas? - por parte fosse de quem fosse, e muitos o deviam?

      Algum dos que agora se espantam ouviu alguém (PM, nova ME e assessores) assumir publicamente os erros, a incompetência da anterior equipa da 5 de Outubro? Reconhecer que foram desastrosas, todas, as medidas impostas? - do ex-novo ECD ao Estatuto do Aluno, passando pelo novo Modelo de Gestão e essa esquizofrénica ADD mais as suas mirabolantes versões?

      Pois. Não.  

      O que ouvi eu, foi o sr. José Sócrates afirmar, em campanha eleitoral, que estava muito satisfeito consigo próprio.

      O que ouvi, também, e desde o primeiro dia, foi a sra. Isabel Alçada elogiar as políticas educativas do anterior governo e declarar-se disposta a prossegui-las.

      Por isso a mim não me espantam agora as traições, os atropelos legais ou morais. Já estava à espera. Houve até quem se tivesse dado ao trabalho de avisar os mais distraídos (**) :  Santana Castilho, por exemplo, fê-lo 2, 3, 'n' vezes, ao que me lembro. Previu este quadro inteiro: « (..) para suspender tacticamente um modelo de avaliação do desempenho que já não existe, reforçaremos estrategicamente um poder que se instala sob a nossa ingenuidade. Não me entendem? Estejam atentos aos próximos capítulos!» S.C. - Público, 28/10/09 
      .
      Eu ouvi e li. Vocês estiveram onde, este tempo todo ??

      (**) para quem precisa que se lhe reavive a memória:
      1. Isabel Alçada segundo Santana Castilho
      2. os desacordos do acordo  
      3. mais do mesmo
      4. um traste chamado Isabel Alçada
        .

        Ah, e sobre voltar a descer a Avenida da Liberdade, sr. Mário Nogueira, pois.. não me parece. Para quê?
        .

        16 novembro 2009

        impaciências

        É, confesso, ultimamente ando um tanto impaciente, mau-feitio, irritada com merdinhas que, noutras alturas, me deixariam indiferente. Irritam-me as quintinhas do facebook, os coraçõezinhos, os inocentes entreténs dos meus amigos (sorry...) numa altura em que, contra os professores, se cozinham pratos envenenados entre sindicatos, ME e sabe-se lá que partidos políticos.


        Irritou-me hoje sobremaneira um mail que recebi : um apelo para divulgar por "todos os meus contactos" !! , e um texto (publicado no site do Ilídio Trindade) com o seguinte título: «VAMOS SOLICITAR AO PSD A CLARIFICAÇÃO DA SUA POSIÇÃO Ora tenham dó!! Para começar, o texto é de uma tibieza .. confrangedora. Vejam só como acaba, digam-me lá se o problema é meu: «Assim, urge esclarecer os eleitores, nomeadamente os Professores, sobre qual é efectivamente a vossa posição. A oposição tem maioria, mas...  Com os melhores cumprimentos,  »

        "solicitar"??!! "os melhores cumprimentos"?? !! Pois eu, se tivesse votado PSD e os visse agora desdizer-se, romper promessas e supostos pactos com a classe docente - muita - que neles confiou (!!!!) - eu, estaria absolutamente possessa com o seu descaramento, a falta de carácter, a vassalagem ao PS. Eu já lhes teria escrito, mas chamando-os traidores e vendidos. Já os teria insultado em tudo onde pudesse - blogues e mails e jornais. No FB, por exemplo! E já me teria manifestado em incontida fúria - em frente à sua sede, à AR, o que fosse.

        Ora acontece que eu não votei neles. 
        Eu escrevi para quem quis ler (.) que era um erro crasso essa opção.
        Pois então, que se mexa quem tão convicta e empenhadamente andou a fazer patéticos apelos ao voto no PSD! Batam com a cabeça nas paredes, arrepelem-se quanto queiram (e, desculpem, merecem..), peçam contas, protestem.

        Agora não me venham é com rodriguinhos e pedidos de cumplicidades. 
        Eu, para esse peditório, NÃO DOU!