26 julho 2009

Tenham medo, muito medo!


O cenário é apocalíptico, verdadeiro "Mad Max" sanitário: ruas desertas, escolas, fábricas, restaurantes, centros comerciais fechados, os próprios pilares da portugalidade, igrejas, estádios, casas de fado, fechados; e as famílias fechadas em casa (persianas corridas, janelas fechadas, portas fechadas, casota do cão fechada) com as câmaras de segurança direccionadas, já não para os bairros periféricos, mas para partículas em suspensão e vizinhos, a suspeita corroendo os valores mais sólidos do matrimónio, filhos, criadas, maçanetas das portas.
A crer em jornais e TV (e na Roche, e na Gilead), o H1N1 propaga-se mais depressa que o comunismo; pior: os comunistas só comiam criancinhas, o H1N1 come a família toda.
127 mortos nos Estados Unidos, 21 no Canadá, 7 na Austrália, 29 no Reino Unido, 3 em Espanha…
Segundo o último relatório da OMS, já há 311 mortos em todo o mundo, principalmente no mundo ocidental. Face a números tão aterradores, o que são 6 milhões de crianças morrendo anualmente devido a fome e subnutrição e 10 milhões devido a doenças que podiam ser evitadas com uma simples vacina?

6 comentários:

silvia disse...

Brilhante!
Obrigada pelo post.
Beijo Ana

P. Pilatos disse...

Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que, em todo o Mundo, 816 pessoas morreram depois de terem contraído o vírus H1N1. A OMS refere ainda que a gripe A já está a chegar aos 200 mil casos e que a doença deverá atingir todos os países do planeta muito brevemente.

Na Europa, mais de 16 mil doentes foram confirmados com a doença, entre eles mais de 30 mortais. Em Espanha morreu o sexto paciente com gripe A, durante o passado fim-de-semana.

O último relatório da direcção-geral de saúde refere que em Portugal, os casos de infecção pelo vírus H1N1 ascende já aos 239 casos.
Caro Snr. Pina, então isto não é preocupante ? 200 mil casos em pouco mais de um mês ?
É um facto que nos devemos sentir humilhados quando a nossa preocupação é ir diariamente ao ginásio para abater as banhas porque comemos demais, quando no mundo morrem diariamente milhares de criancinhas com fome. MAs isso não invalida o facto de nos sentirmos preocupados com os novos virus.
Como diz, o H1N1 de facto propaga-se mais depressa que o comunismo. Já pensou o que seria da humanidade se fosse ao contrário ?

tiago andré martins disse...

Caro P. Pilatos, faz parte do meu feitio (talvez seja defeito, não sei, outras gentes o dirão...), não me preocupar com uma pandemia de uma gripe de um vírus H1N1, quando temos uma gripe de um vírus H3N2 (a dita "gripe normal", embora haja outros vírus que a cause) que, anualmente, provoca muito mais mortes (cerca de 600 000 anuais em todo o mundo) que esta gripe suína. Ainda por cima, façam-se contas e deixemo-nos de sensacionalismos: 816 mortes em 200 mil infectados dá uma percentagem de 0,41% mortes de infectados... Na Europa, 30 mortes em 16 mil infecções: 0,19% de mortes. Não, caro senhor P. Pilatos (já agora, só por curiosidade, é de alguma descendência grega?), não me preocupa mesmo nada a gripe A. Acho que o senhor é só mais uma vítima de um sensacionalismo que não tem respeito pelas pessoas e que fomenta o pânico entre as populações. Ninguém aqui em casa vai ter Tamiflu, nem máscaras, nem vai lavar as mãos daquela "maneira especial" (decidimo-lo colectiva e democraticamente): se apanharmos, apanhamos, se não, paciência, melhor, menos uma chatice. 100% a favor do senhor Pina: preocupemo-nos com assuntos que são dignos de interesse e deixemo-nos de "comprar o peixe" da comunicação social que, agora que viram que esta da gripe A pegou, não querem mais nenhuma: trata-se, no fundo, de uma fusão muito bizarra entre o caso Maddie e o "Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago - o sensacionalismo da primeira, o pânico da segunda.

Quanto à parte em que diz, cito, "Como diz, o H1N1 de facto propaga-se mais depressa que o comunismo. Já pensou o que seria da humanidade se fosse ao contrário ?", abstenho-me de comentários. Já pensei e já fiz o meu exercício mental acerca desse assunto, mas vou abster-me de o comentar, não o nego, por ir em choque com a minha escolha política.

tiago andré martins disse...

Ah, pois, esqueci-me de referir a morte de cerca de 100% de infectados com o HIV-SIDA por complicações devido à supressão do sistema imunitário, provocada pela doença; as cerca de 7 milhões de vítimas anuais de cancro; 1.6 milhões de pessoas que morrem devido à tuberculose (doença que, só por capricho capitalista das farmacêuticas, não está ainda erradicada) - sobretudo crianças dos países em desenvolvimento; esses todos, que não merecem a atenção dos media porque, parece-me, estão fora de moda.

(Sem contar com os 6 milhões de crianças que morrem anualmente à fome... Mas isso, pelo senhor P. Pilates, é preferível ignorar face à GRIPE - maiúsculas propositadas - que se atravessa...)

Anónimo disse...

Incrível comentário do Tiago, resta pouco por acrescentar.

Só quero relembrar que em Portugal em 2006 morreram mil (1.000) pessoas em acidentes de viação.

Por uma questão de lógica, todos os que estão aterrorizados com as estatísticas do H1N1 começarão a apanhar o metro a partir de amanhã.

Como o Tiago bem referiu a mortalidade da nova gripe (0,41%) não é superior à mortalidade da gripe normal.

Se não é superior que passaria se a televisão tivesse ignorado esta gripe?

E pensando de forma diferente, que passaria se a televisão resolvesse não ignorar que a maior causa de mortalidade infantil no mundo é a diarreia?

Já sei que agora o leitor esclarecido pensará que se há algo que a televisão não deixa de mostar são diversos tipos de diarreias e seus produtos.

Mas é da diarreia normal que estou a falar, aquela que passa em quatro dias só com uma dieta.

al disse...

Há um outro artigo que introduz uma perspectiva diferente e mto interessante. A ler:


PANDEMIA DE LUCRO

Que interesses económicos se movem por detrás da gripe porcina???

No mundo, a cada ano morrem milhões de pessoas vitimas da Malária que se podia prevenir com um simples mosquiteiro. Os noticiários, disto, nada falam!

No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarreia que se poderia evitar com um simples soro que custa 25 centimos. Os noticiários, disto, nada falam!

Sarampo, pneumonia e enfermidades (curáveis com vacinas baratas) provocam a morte de 10 milhões de pessoas a cada ano. Os noticiários, disto, nada falam!

Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves... os noticiários mundiais inundaram-se de noticias...
Uma epidemia, a mais perigosa de todas...Uma Pandemia!
Só se falava da terrífica enfermidade das aves. Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10 anos ... 25 mortos por ano.

A gripe comum mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25.

Um momento, um momento. Então, por que se armou tanto escândalo com a gripe das aves?
Porque atrás desses frangos havia um "galo", um galo de crista grande: a farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflú vendeu milhões de doses aos países asiáticos.
Ainda que o Tamiflú seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua população. Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram milhões de dólares de lucro.
Antes com os frangos e agora com os porcos..

Sim, agora começou a psicose da gripe porcina. E todos os noticiários do mundo só falam disso...

Já não se fala da crise económica nem dos torturados em Guantánamo... Só a gripe porcina, a gripe dos porcos...
E eu pergunto-me: se atrás dos frangos havia um "galo"... ¿ atrás dos porcos... não haverá .... um "grande porco"?

A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflú. O principal accionista desta empresa é nada menos que um personagem sinistro, Donald Rumsfeld, secretário da defesa de George Bush, artífice da guerra contra o Iraque...
Os accionistas das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos, estão felizes pelas suas vendas novamente milionárias com o duvidoso Tamiflú.

A verdadeira pandemia é de lucro, os enormes lucros destes mercenários da saúde.

Não nego as necessárias medidas de precaução que estão a ser tomadas pelos países. Mas se a gripe porcina é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios de comunicação, se a Organização Mundial de Saúde se preocupa tanto com esta enfermidade, por que não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o fabrico de medicamentos genéricos para combatê-la?
Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos genéricos gratuitos a todos os países, especialmente os pobres. Essa seria a melhor solução.

Isabel Portugal, PhD
Centro de Patogénese Molecular, URIA
Faculdade de Farmácia
Universidade de Lisboa