19 junho 2009

o chico-espertismo

ainda da entrevista a José Gil..

P- O chico-espertismo de que fala é uma característica dos portugueses, que encontrou agora um campo mais propício?
JG - Foi o Marcelo Rebelo de Sousa que disse que Sócrates era um meio chico-esperto. Quando há uma característica pessoal de um chefe e este tem a possibilidade de a tornar real, transformando mecanismos psíquicos em comportamentos, isso provoca patologias colectivas. Mas patologias não só das pessoas, como patologias do funcionamento dos serviços. E o que parece estar a constituir-se é um chico-espertismo (nacional).


É .. só quem ande muito cego é que ainda não se deu conta: os chico-espertos estão mesmo na mó de cima, e é vê-los por aí aos molhos, mandando e desmandando. Eles são ministros, primeiro-ministros, secretários de estado, directores de tudo e mais alguma coisa. Podem ser corruptos, boçais, incompetentes, semi-analfabetos. Safam-se sempre.

Nas escolas já existiam (por norma também se foram sempre safando) mas é agora que a sua veia de chico-esperteza encontra terreno de sublimação, de gestação. Podem ser directores, apenas aspirantes ao cargo, ou simples cãezinhos de trela obedecendo à voz do dono.
Sobretudo estes últimos são quase sempre muito pouco dotados intelectualmente, muito ignorantes, e (perigosíssimo!), muito complexados. Tanto, que quando têm nas mãos um qualquer miseravelzinho poder não deixam passar a oportunidade de o exercer despoticamente, de o alardear com toda a prepotência que a sua chico-esperteza lhes dita. Só assim saem da sombra. Só assim existem para lá da sua mesquinhez, da sua insignificância.
São eles (mais os amados chefes-modelo) que vão pôr e dispor nas escolas. São estes 'podres pequenos poderes' que vão avaliar os professores, perseguir os que ousarem contestar a sua herança divina.
Ainda a missa vai no adro e sente-se já o fedor: do fel que destilam eles, e das muitas lambidelas que hão-de receber. É que os chico-espertos, quando têm poder, criam séquitos acéfalos e amenistas, definem comportamentos, "provocam", como aponta José Gil, "patologias colectivas" .


2 lufadas de ar fresco, a bem da m/ sanidade mental:
  • «Somos um país de analfabetos. Destes, alguns não sabem ler.» -Vergílio Ferreira

  • «Há sempre um zarolho ou um esperto que nos governa.» - José Saramago

    e mais a imagem, um quadro do Cruzeiro Seixas ..

4 comentários:

Ana, professora disse...

Ana, esses infelizes sempre existiram e bem sabes que deles não reza a história!

Mas já pensaste o sobressalto em que esse gentinha vive? Porque, usando a metáfora do padre António Vieira, "quando morre o tubarão, vão-se os pegadores com ele."

E isto não é um desejo mas sim uma constatação. O tubarão está no seu último estertor, portanto :-)

al disse...

assim morra o tubarão!! - e ñ estou assim tão certa..

bjis

Teodoro disse...

uma espécie de empreiteiros ao poder.

Luís Lima Faria disse...

Nao concordo com o primeiro comentário.

Os chicos espertos fazem a história que não se escreve, ou seja, são o estrume fértil onde crescem os ditadores, os chefes, os déspotas, enfim, aqueles de quem a história se lembra.

E não pensemos que morrem com o tubarão, simplesmente esperam na sombra por um novo tubarao, para se colarem. Desde o 25 de Abril que tivemos a prova do quão imperecíveis são estas pessoas.

Mas, e correndo o risco de ser injusto, não esqueçamos quem aguenta, tolera e - em última análise - permite a coexistência com este tipo de vermes.

Já é tempo de começar a sujar as maozinhas e chamar as coisas pelos nomes, dividir os professores em docentes e pseudoditadores, apontar o dedinho a quem merece.

P.S: este tubarão está moribundo, mas o que virá tem pelo menos quatro anos de vida.