06 março 2009

Eurodeputados portugueses passam a ganhar o dobro!!

A notícia vinha no DN de ontem (aqui, na íntegra) e, apesar de já quase nada me surpreender (muito menos o que venha do lado dos políticos), não posso deixar de revoltar-me. CRISE? Qual crise?

Ora leiam:
«A partir das próximas eleições europeias, que em Portugal se realizam a 7 de Junho, os eurodeputados vão passar a ganhar um vencimento único com a entrada em vigor do novo Estatuto do Deputado do Parlamento Europeu (PE). No caso dos portugueses, o aumento vai para o dobro do que ganhavam até aqui. De 3815 euros [2525 líquidos] passam para os 7665 brutos [5963 líquidos]. Isto sem esquecer outros subsídios: a juntar à remuneração propriamente dita, há, por exemplo, o "subsídio de estadia". Esta ajuda de custo, no valor actual de 287 euros diários, é devida aos deputados "por cada dia de comparência a reuniões oficiais dos órgãos do Parlamento de que o deputado faça parte e que se realizem no interior da UE", lê-se no regulamento disponível na sítio da Internet do PE. A esta quantia acrescerá ainda uma outra, de 143 euros, caso a comparência tenha de ser feita fora da UE.

A ver se percebi bem: então os caros representantes que nós elegemos para o Parlamento Europeu irão ganhar, por mês, 5963 euros líquidos para .. ? - fazerem os TPC? tipo um professor a corrigir testes em casa, será isso? E por cada dia em que forem ao local de trabalho (tipo nós com as aulas, as reuniões..) mais 287 euros? Ou, havendo deslocação ali para a Suíça, por exemplo, (287+143) - mais 430 euros extra? por reunião?

É isto, ou estou a inflaccionar?


Agora, giro, também, é ler os argumentos, a propósito do novo estatuto, dos EDeputados:
  • Este Estatuto põe fim à violação do princípio de trabalho igual por salário igual" *, diz a deputada Edite Estrela, chefe da delegação socialista no PE.
  • Carlos Coelho, deputado social-democrata no PE, concorda com a harmonização entre os deputados dos 27, já que "existia uma desigualdade" entre membros do PE.
  • Ao contrário, Ilda Figueiredo, chefe dos comunistas no PE, alerta que o salário único "não tem em conta as realidades dos vários países". A deputada do PCP considera injustificável que "os eurodeputados ganhem mais do que os deputados do seu país", que é o caso de Portugal.
  • Em contraponto, para Edite Estrela "justifica-se que um eurodeputado ganhe mais" ** do que um deputado da AR e que, além disso a harmonização existe também nos salários dos comissários europeus
** porquê, pergunto eu?!

* Pois .. há ESTATUTOS .. e estatutos .. ou 'a harmonização' com os congéneres europeus existirá também nos salários dos restantes trabalhadores ? ! ?


É fartar, vilanagem!!! o povo é sereno! E muito bovino. Lembram-se daquele texto do Guerra Junqueiro? E ..... é claro que já percebemos todos quem tem vindo/vai continuar a - pagar estas mordomias?

acima, na imagem, uma outra farsa, mas de Gil Vicente

16 comentários:

Anónimo disse...

«O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.

Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e
o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto e lacaio dos
exploradores do povo.»

- poema "O Analfabeto Político" , B. Brecht

Luís disse...

Este Blog irrita-me!
Quando há temas que me interessam, o que há para dizer já vem dito no texto original!
Não há para aí um 'jozédiogoquintela' para lançar a confusão?

josédiogoquintela disse...

Pois eu acho muito bem este novo estatuto dos Eurodeputados! Ou querem que os nossos representantes façam figura de pobres lá fora?
Afinal, é como diz a Bárbara Guimarães: os meus fãs gostam de me ver bem vestida, é para eles que me produzo, eles merecem!

E.. haja decência: comparar o trabalho dos Eurodeputados com o dos professores?? Por amor de Deus!!
Primeiro: os Deputados são a imagem de Portugal na Europa, no Mundo! Quanto aos professores, são a imagem de quê? Só se for do péssimo estado a que chegou a educação no nosso país!

Segundo: os Eurodeputados fartam-se de trabalhar, sim, e para o bem de todos nós! É das reuniões em que participam que ganhamos a protecção para a nossa agricultura, as pescas, as pequenas e médias empresas.

Já os professores .. FINGEM que trabalham!! Só sabem é protestar, sem se importarem com o muito que prejudicam as nossas crianças e os verdadeiros trabalhadores deste país, com as suas greves e manifestações! Já alguém, por acaso, viu os Deputados fazerem greve? Eles sim, servem Portugal!

Os professores, para o que (não) fazem, até que estão muito bem pagos! Demais, se querem saber a minha opinião.

Luís disse...

:-))))
Ora bem! Agora sim, isto pode ficar mais engraçado!

Anónimo disse...

Concordo com o Luís, não é saudável que pensemos todos o mesmo.

E realmente já estamos fartos de tantas queixas. As portas do país estão abertas, não estão?

Em vez desta inveja em relação aos deputados, por que não fazem como eles e vão para o estrangeiro?

Caramba, se milhares de homens e mulheres da classe operária tiveram a coragem de se ir embora!

Pensam que são melhores que eles?
Pensam que são diferentes?

Desenganem-se.

Professores: peguem no curso que tiraram, nos conhecimentos que a vida vos deu e no vosso potencial (por pequeno que seja) e saiam do país.

Perderam a guerra. O país não se moveu nem se moverá com uma força como a vossa.

Pensaram que cem mil pessoas podiam mudar o mundo. Ou pelo menos um país. Ou um governo.

Realmente podem. Outras cem mil pessoas poderiam. Vocês não.

Esperar que nas próximas eleições ganhe o PSD dificilmente aumenta a vossa dignidade (se ainda vos sobra alguma).

A liberdade que pensavam ter nunca existiu, mas também não se pode dizer que lutaram por ela.

al disse...

parece que reconheço o bedum deste fel .. cheira-me a Vital Moreira ..

- qq dia responde-lhe, sr. anónimo, que hoje estou cansada, mas sp contestarei uma afirmação sua:

"estamos fartos de tantas queixas." ??? quais queixas, pergunto eu?

Aqui, que me tenha dado conta, não há queixas, só uma denúncia, e bem clara:
a da imoralidade de uns milionários ordenados-para-nada, mais das mordomias escandalosas de que os srs E-deputados, contrariamente a todos os outros portugueses, usufruem

Teodoro disse...

são uns entre tantos outros
tax.come@chulos.pt_e_arredores

Carlos Milho disse...

Pois o único comentário que o srs. josédiogoquintela e anónimo merecem é que, ao menos, tiveram bons professores que os ensinaram a escrever sem erros. Parabéns aos dedicadíssimos professores, pois sei bem que ensinar português a alunos mal educados e cuja verborreia exemplifica a sua perfeita e completa ignorância não é nada fácil. Infelizmente o Ministério da Educação também sofre do mesmo mal de tacanhez, por isso temos o país e o governo que o povo merece. Quanto a mim, faço a minha luta onde a julgo mais importante, junto dos meus alunos, trabalhando para continuar a fazer aquilo que sei melhor, utilizando o meu potencial de pedagogo, por muito pequeno que os senhores achem que ele seja...

tiago martins, 12ºc disse...

Ah, professora, pode ter a certeza que quero responder face à imbecilidade que se encontram em dois comentários acima...
Recuemos cerca de 30/40 anos. 30, para ser mais facil e para não encaixarmos a faixa temporal no salazarismo. Há coisa de 30 anos estavam os actuais eurodeputados na escola. Sem dúvida que os eurodeputados são os representantes de Portugal na Europa, sem dúvida que os eurodeputados são importantes nos diálogos internacionais e sem dúvida alguma que são importantes em tomadas de decisãode carácter europeu. Mas agora não me venham dizer que essas pessoas importantes não andaram na escola. Não me venham dizer que essas pessoas importantes não tiveram professores. Porque, não se iludam, eles não subiram na vida a custo do punho ou do sacrifício (pelo menos não a maior parte): eles subiram na vida porque se afiliaram num partido e conseguiram o necessário para subir a altos cargos políticos. Quem os avalia? Não me venham com a história dos 4 em 4 anos que essa conversa já está mais que ultrapassada (as eleições mostram apenas que o povo português não gosta de mudanças, caso contrário não teríamos sempre os mesmos dois partidos em governos sucessivos...).

A verdade é que o senhor Anónimo dali de cima não tem nenhum senso-comum. Sugere esse senhor, vejam só, a emigração dos professores. Suponhamos que todos os que estão descontentes (cerca de 120 mil) faziam como o senhor imbeci... perdão, anónimo diz e iam para o estrangeiro. Era o senhor best... perdão, anónimo (hoje estou para enganos, não façam caso...) que ia dar aulas a todos os milhares (não sei se não chegará ao milhão) de alunos que ficariam sem ninguém para os ensinar? Com certeza, contratavam-se os desempregados, mas chegaria? As salas de aula ficariam (ainda mais!) sobrelotadas, os poucos professores que restariam acabariam por emigrar também e acabaria por se instalar uma espécie de geração analfabeta, onde os filhos estariam ao abandono, sem saber ler nem escrever, sem saber o b-a-bá da vida (sim, da vida, biológica e filosoficamente falando).

Diz depois a determinada altura o senhor arrog... perdão, anónimo, que o que os professores têm é inveja e que outra qualquer classe trabalhadora teria conseguido muito melhor mobilizar Portugal inteiro. Sim, realmente no círculo de amigos do anónimo (possivelmente constituído por militantes PS's) acredito que haja muita gente que partilha a mesma opinião desse senhor. Não no meu. Acredito que também não no de qualquer professor. Dizer que ninguém está do lado dos professores acho que é o que, em todo o comentário do anónimo, mais me enoja. No meio de tantas barbaridades essa é, realmente, o cúmulo. Foram contadas cerca de 150 mil pessoas na última mega-manifestação. 120 mil eram professores. 30 mil eram alunos, pais, sindicalistas, simpatizantes, militantes da oposição... enfim, 30 mil pessoas diferentes que estavam lá para dar o seu "contributo" aos números. Na área da grande Lisboa (que não acredito muito que tenham vindo simpatizantes não-docentes de outras regiões do país...). Mas sem dúvida que me enoja dizer que os professores estão sozinhos nesta luta. Enoja-me a mentira, mas sobretudo o sem-vergonha típico de um anti-docente com que ataca assim toda uma classe.
Quanto à inveja... meu amigo, é o argumento mais antigo e mais infantil que existe em todas as regiões do globo. Lembra-se quando ainda era petiz e diziam-lhe que o carrinho do outro era mais bonito que o seu e o senhor respondia "Tu tens é inveja!"? Errr... Pois... Diria que as semelhanças estão à vista e são um tanto ou quanto evidentes...
Depois o clássico "trazer um partido político à mistura para ver se safo o meu querido PS". PSD (se calhar também não, que o PS chegou-se tanto à direita que ninguém já sabe distinguir laranja de rosa... mas pronto, para o exemplo que se segue serve...), CDS-PP, CDU, BE... Votem em qualquer um de acordo com a vossa consciência política. Mas se têm amor-próprio não votem Milú. Não votem Lemos. E, pelamordedeus, não votem Sócrates. (O quê? O Anónimo pode fazer um apelo a não votarem no PSD e eu não posso fazer a não votarem no PS? :D)

Enfim, já há algum tempo que não falava por cá, mas acho que agora compensei ;)

Beijinhos!

Valerie disse...

Compensaste sim, Tiago. Pelo menos para mim que vinha aqui com intenções de deixar a minha opinião/posição face às barbaridades que li do "dito cujo" (chamemos-lhe assim) e ao ler o teu comentário apenas posso congratular-me por existirem alunos (pessoas!) como tu e fazer minhas as tuas palavras.

Porque só faz bem ler outra vez, aqui vai:


"Ah, professora, pode ter a certeza que quero responder face à imbecilidade que se encontram em dois comentários acima...
Recuemos cerca de 30/40 anos. 30, para ser mais facil e para não encaixarmos a faixa temporal no salazarismo. Há coisa de 30 anos estavam os actuais eurodeputados na escola. Sem dúvida que os eurodeputados são os representantes de Portugal na Europa, sem dúvida que os eurodeputados são importantes nos diálogos internacionais e sem dúvida alguma que são importantes em tomadas de decisãode carácter europeu. Mas agora não me venham dizer que essas pessoas importantes não andaram na escola. Não me venham dizer que essas pessoas importantes não tiveram professores. Porque, não se iludam, eles não subiram na vida a custo do punho ou do sacrifício (pelo menos não a maior parte): eles subiram na vida porque se afiliaram num partido e conseguiram o necessário para subir a altos cargos políticos. Quem os avalia? Não me venham com a história dos 4 em 4 anos que essa conversa já está mais que ultrapassada (as eleições mostram apenas que o povo português não gosta de mudanças, caso contrário não teríamos sempre os mesmos dois partidos em governos sucessivos...).

A verdade é que o senhor Anónimo dali de cima não tem nenhum senso-comum. Sugere esse senhor, vejam só, a emigração dos professores. Suponhamos que todos os que estão descontentes (cerca de 120 mil) faziam como o senhor imbeci... perdão, anónimo diz e iam para o estrangeiro. Era o senhor best... perdão, anónimo (hoje estou para enganos, não façam caso...) que ia dar aulas a todos os milhares (não sei se não chegará ao milhão) de alunos que ficariam sem ninguém para os ensinar? Com certeza, contratavam-se os desempregados, mas chegaria? As salas de aula ficariam (ainda mais!) sobrelotadas, os poucos professores que restariam acabariam por emigrar também e acabaria por se instalar uma espécie de geração analfabeta, onde os filhos estariam ao abandono, sem saber ler nem escrever, sem saber o b-a-bá da vida (sim, da vida, biológica e filosoficamente falando).

Diz depois a determinada altura o senhor arrog... perdão, anónimo, que o que os professores têm é inveja e que outra qualquer classe trabalhadora teria conseguido muito melhor mobilizar Portugal inteiro. Sim, realmente no círculo de amigos do anónimo (possivelmente constituído por militantes PS's) acredito que haja muita gente que partilha a mesma opinião desse senhor. Não no meu. Acredito que também não no de qualquer professor. Dizer que ninguém está do lado dos professores acho que é o que, em todo o comentário do anónimo, mais me enoja. No meio de tantas barbaridades essa é, realmente, o cúmulo. Foram contadas cerca de 150 mil pessoas na última mega-manifestação. 120 mil eram professores. 30 mil eram alunos, pais, sindicalistas, simpatizantes, militantes da oposição... enfim, 30 mil pessoas diferentes que estavam lá para dar o seu "contributo" aos números. Na área da grande Lisboa (que não acredito muito que tenham vindo simpatizantes não-docentes de outras regiões do país...). Mas sem dúvida que me enoja dizer que os professores estão sozinhos nesta luta. Enoja-me a mentira, mas sobretudo o sem-vergonha típico de um anti-docente com que ataca assim toda uma classe.
Quanto à inveja... meu amigo, é o argumento mais antigo e mais infantil que existe em todas as regiões do globo. Lembra-se quando ainda era petiz e diziam-lhe que o carrinho do outro era mais bonito que o seu e o senhor respondia "Tu tens é inveja!"? Errr... Pois... Diria que as semelhanças estão à vista e são um tanto ou quanto evidentes...
Depois o clássico "trazer um partido político à mistura para ver se safo o meu querido PS". PSD (se calhar também não, que o PS chegou-se tanto à direita que ninguém já sabe distinguir laranja de rosa... mas pronto, para o exemplo que se segue serve...), CDS-PP, CDU, BE... Votem em qualquer um de acordo com a vossa consciência política. Mas se têm amor-próprio não votem Milú. Não votem Lemos. E, pelamordedeus, não votem Sócrates. (O quê? O Anónimo pode fazer um apelo a não votarem no PSD e eu não posso fazer a não votarem no PS? :D)" Tiago Martins.


Obrigada Tiago.

al disse...

Valerie, assim não vale!!;-))
E agora, o que é que eu vou responder??

Obrigada Tiago, é verdade que compensaste, sim. Os teus comentários são sempre uma imensa lufada de ar fresco. Aparece mais vezes a colorir este blog, 'tá?

bjinho mto grato,
ana lima

Anónimo disse...

Cristina N. diz:

É por causa da ignorância, é por causa da insensatez, é por causa da imbecilidade, é por causa da inveja que há contra os professores - afinal são quem ainda nos dá referências, quem ainda se preocupa em transmitir valores, quem ainda (Ó ousadia! Ó idealismo perene!) permanece no terreno da luta diária de formar os nossos jovens, aqueles que um dia queremos ver ser gente de verdade, que com dignidade sabe para onde e por onde caminhar... Senhor Josédiogo e outros que tais, tenham vergonha e falem apenas daquilo que conhecem...Não se atrevam a ir além da chinela.

Anónimo disse...

Tiago
Como disse o Gedeão a propósito de Galileu( coitaditos destes patronos, onde eles andam metidos...ainda por cima mortos!) "Eu queria agradecer-te a inteligência das coisas que nos deste "...neste caso que nos dás :) e como cantava uma amiga que se foi embora ontem " Havemos de chegar ao fim da estrada ..." que eu continuo , teimosamente, a acreditar ,que não seja a da ignorância e da brutalidade. Muito obrigada pela tua lucidez, caro Mestre.
Ana Gouveia

Sr imbecil disse...

Olá a todos, sou o Sr. Anónimo aka senhor imbecil.

Gostava de começar por mostrar o meu contentamento por ver que o meu comentário os leva a reagir e a sair da inércia do auto - elogio (excepto a Valerie que se limita a fazer um copy paste do Tiago e a AL que depois do dito copy paste diz que já não faz falta dizer nada...)

No entanto, o meu contentamento vem junto com uma certa preocupação por ver a facilidade com que recorrem a insultos para colorir a vossa argumentação. Insultar é sinónimo da fraqueza que a vossa classe já tem mostrado com frequência.

Tenciono usar este comentário para esclarecer alguns mal-entendidos que surgiram com o que disse antes, escarnecer de alguns dos vossos comentários e concluir desapaixonadamente que tenho razão.

Não foram “bons professores” quem me permitiu escrever o que escrevi sem erros. Foram os muitos livros que li (muitos mais do que o Programa obriga) e o corrector do word. Tive bons professores (poucos), muito maus professores (poucos também) e muitos professores razoáveis. Mas não foram eles que me ensinaram a reconhecer a ironia tão evidente no texto de josédiogoquintela e que vocês, obviamente, não reconheceram.

O que se me afigura realmente triste nos vossos comentários é a vossa incapacidade para ouvirem (neste caso lerem). Não se iludam, vocês não lêem. Ler implica ter abertura de espírito para entender (leia-se entender e não aceitar) as ideias dos outros e isso requer uma certa adaptação mental.

Vocês não leram o que escrevi, vocês começaram a ler e imediatamente adaptaram o texto às vossas ideias preconcebidas (leia-se preconceituosas) e daí surgiu a vossa resposta. E isto, Tiago, é o que a escola não ensina. O b-a-ba da escola não te fala disto. A filosofia que se ensina e se avalia consiste em decorar o que alguém escreveu e reproduzi-lo para uma folha de exame.
Leram o post anterior: “professores: la lutte continue” ? Por que não responderam iradamente ao comentário: “Tiveram a solução nas mãos e abdicaram dela” ? Não vos insulta isto? Ou só percebem um insulto em forma de bofetada? Não entendem a subtileza?
Será que a origem do mal-entendido está no facto de me ter referido aos professores em termos gerais e Al, no seu comentário, ter separado o trigo do joio?
Se assim foi, peço desculpas.
Mas não creio que tenha sido esse o caso. Porque Carlos Milho diz: “temos o governo que o povo merece.” O povo. Meditemos nestas palavras... O povo, eles. Não nós.
Disse que a vossa classe não ganhou esta guerra, não pode mudar um país, nem um governo, nem uma ministra.
Talvez tenha sido injusto. Realmente 120.000 professores souberam mobilizar-se desde o primeiro momento, no início subtil, da opressão de Sócrates. Entre esses 120.000 contam-se vários Conselhos Executivos que abdicaram do cargo, que não aceitaram as medidas do ME. E se houve professores que fizeram o papel de capataz, muitos mais souberam opor-se à sua pequena tirania!
E desses 120.000, poucos desistiram, poucos abandonaram a luta!
E não esqueçamos a importante participação dos estudantes!
Esperem.
Não foi isso que ocorreu. Talvez noutro país. Neste não. E vocês sabem isto. Aceitam-no se vos for dito da maneira correcta. Porque se as coisas não são ditas dessa maneira, vocês-não-lêem-e-pronto.

Queria dedicar agora algumas palavras ao Tiago.
Nunca disse que sou do partido socialista. Mas volto a dizer que esta tranquila espera pelo D. Sebastião em cavalo laranja, esta paródia da democracia que consiste em votar no menos mau, não contribui para a mudança, não vos dignifica.
Realmente os Eurodeputados não subiram na vida a pulso. Os professores também não. E pensemos:
qual é a grande diferença entre um professor (desses gloriosos 120.000!!) que no final entrega os seus OI e um eurodeputado? Resposta: alguns milhares de euros. A semelhança: nenhum está a subir na vida a pulso (bom, o professor nem sequer está a subir, está, digamos, a cair com mais suavidade).
Pensaram que a revolução está ao alcance de todos.
Não está.
Se nem uma greve aos exames conseguem fazer!

Por isso, professores a história não vos recordará. Porque os professores não lutaram e perderam.
Lutaram e desistiram

tiago martins, 12ºc disse...

Antes de mais não sou professor. Posso ter sido eu que não "li" bem, mas parece-me que o senhor imbecil/anónimo ficou com a ideia que eu pertencia à classe docente. Pois, não pertenço. Pertenço a outra "classe" (chamemos-lhe assim), a dos alunos que, à semelhança dos professores, também têm estatutos e outras leis que tais, completamente renovadas, com incoerências e com tamanha falta de compreensão do que se passa nas escolas e de como os seus intervenientes agem no dia-a-dia. Se compreendi mal peço desculpa, mas é só um pequeno reparo que me pareceu necessário.

O que vou aqui escrever é inútil. Mas ainda acho necessário deixar aqui este texto.

O senhor imbecil/anónimo diz que numa leitura é necessário haver um entendimento daquilo que se está a ler, abre parêntesis, entender, não aceitar, fecha parêntesis. Entendi o seu texto, senhor imbecil/anónimo, mas não o aceitei. Também entendo o nazismo, o seu contexto histórico e o motivo da sua subida, mas não implica que o aceite. Eu contestei aquilo que o senhor disse. Assim como o vou fazer neste comentário também. Mas ao contrário do senhor, eu não tenho a arrogância e a prepotência de dizer que vou concluir este texto a provar que tenho razão. Porque o senhor tem a sua opinião, eu tenho a minha, alguém terá outra.

A história recordará os professores. Porque vão ser os professores que vão lá estar para a ensinar. Ou porque vão ser alunos que gostaram tanto da disciplina de história, ensinada por professor X, que vão escrever, já de diploma na mão, livros acerca de história. A história não recorda os fracos. A história (salvo o arquivo do blogger) não recordará o senhor imbecil/anónimo, nem o seu discurso derrotista numa patética tentativa de aproximação a alguma possível realidade. A história vai recordar os 120.000 indivíduos que marcharam pela sua dignidade e contra o retirar da identidade da classe. A história vai recordar toda uma classe vestida de preto, de luto pelo que era a educação.

Podem ter havido desistentes - em todas as lutas os há - mas foram vítimas de chantagem, não foi porque tivessem querido desistir da luta! E se não houve CE's a demitir-se em massa, se não houve professores a emigrar (como o senhor tão mal sugere), se não houve um virar de costas levado ao extremo, se não houver greve aos exames, se não houver mais lutas, mais nada, é porque não as podem fazer. Porque foram chantageados com DL e Despachos (embora haja a questão da sua legalidade. Vede o parecer de Garcia Pereira no blog A Educação do meu Umbigo). Porque têm uma mesa onde pôr comida.
Mesmo assim ainda há muitos CE's a prescindir da entrega de OI. Ainda há professores a protestar. Ainda há gente (como eu e muitos muitos outros) pelos professores (por isso acho que é, mais uma vez, nojativo, quando o senhor diz que não há ninguém do lado dos docentes). Ainda há aqueles que, ao contrário do senhor que nem o nome é capaz de pôr aqui, têm a coragem de se assumir publicamente contra tudo o que se passa.
A grande diferença, senhor imbecil/anónimo, entre um deputado no PE e um professor não é a diferença de milhares de euros. É, como disse antes, o subir a pulso. Ao passo que um eurodeputado está lá, sim senhor, eleito pelo povo, um professor tem que fazer uma prova de acesso à carreira, sucessivas especializações, se for recém-licenciado pode esperar sentado e ser um dos 20 mil afortunados a ocupar o lugar de outros 20 mil desafortunados, contratados, que entretanto foram para a rua, apenas para sofrer o mesmo destino desses 20 mil a quem ocuparam o lugar, passado um ano, tem que passar noites em claro para corrigir testes, fichas, trabalhos..., tem que preparar aulas, tem que ser avaliado não por grelhas objectivas, mas pela opinião de um avaliador... Etecetera, etecetera, etecetera. Concordo num ponto do seu discurso! Ena, uau, viva! Os professores estão a cair. Mas não é suavemente: é porque os estão a empurrar para baixo!

Não espero salvação de nenhum D. Sebastião. Muito menos de um montado num cavalo laranja. Ou num rosa. Espero que o povo português (sim, povo, todos, professores ou não) acorde do seu sonho cor-de-rosa e veja o mundo a preto, branco e cinzento em que nos encontramos. E que vote, sobretudo, com justiça.

Por isso, senhor imbecil/anónimo, não vou dizer que houve uma revolução. Nem vou dizer que os professores têm já a luta ganha. Mas digo que a mensagem foi passada. Que está tudo exposto. Agora só não ouve quem é surdo - só não lê quem é cego.

Luis Lima disse...

Sim sr Tiago, nao mostres piedade a este imbecil!

Long live the fighters!

P.S: mas nos tempos livres vê isto:
http://www.youtube.com/watch?v=cOaVrUvY29g