10 agosto 2010

de Santana Castilho, resposta definitiva a quem a pediu* ..

 .. ou de como "quem semeia ventos" .. deve estar preparado para colher tempestades

* aqui e aqui  (os comentários são tão edificantes como os posts respectivos..)

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Senhor Professor Paulo Guinote:

Ausente de Lisboa e sem acesso à Internet desde 4 deste mês, só hoje tomei conhecimento de um “e-mail” que me dirigiu e de dois “posts” que publicou sobre o meu último artigo do “Público”. Porque publicitou os seus comentários, espero que acolha o meu no mesmo local.

1. Sem o conhecer, tive consideração por si. Perdi-a há muito. E como é meu apanágio, desde tempos em que o senhor não era sequer nascido, tentei dizer-lho cara a cara. O senhor furtou-se. E não venha com jogos de cintura em que é mestre porque guardei os “e-mails” trocados. 

2. Embora necessária, não considero a inteligência uma qualidade humana de topo. Mas julgava que a possuía quanto baste. Os termos em que se refere ao que escrevi tornam evidente que me enganei. 

3. O senhor tem uma lamentável visão animalesca da informação pública disponível. Julga que a pode marcar, como os animais marcam território, e ela passa a ser sua. E não passa. Continua pública. Diz que demorou 2-3 dias a pesquisar o que escreveu no seu blogue. O problema é seu e não abona, duplamente, a seu favor. Primeiro porque revela que é um pobre pesquisador, já que qualquer pessoa expedita reúne o que o senhor reuniu num par de horas. Depois porque uma análise simples do que vai publicando, cruzada com o tempo que diz necessitar para lá chegar, torna ridícula tal afirmação. Não faria outra coisa na vida e precisaria de dias com 48 horas. Mas o que é relevante para o que agora importa é que o senhor não resistiu ao seu pedantismo, ao seu insuportável convencimento e à oportunidade de se pavonear ante uma assembleia de seguidores. 
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O documento que usei e que o senhor também usou é público e está ao alcance de qualquer, sem nenhum tipo de protecção. As páginas de que me servi estão identificadas e citada a publicação, por forma explícita e clara, enquanto a referência no seu blogue é implícita e menos clara. Por que diabo de raciocínio o senhor quer impor à plebe que eu teria sempre que ir beber ao guru Guinote? E que, quando ele usa uma fonte, qualquer outro que escreva sobre o mesmo fica proibido de ir ao original e é sempre obrigado a citar Guinote (ainda que o tivesse lido)? É essa a sua ética? Mas se o senhor não estivesse só interessado em dar espectáculo e cotejasse o que eu escrevi com o que o senhor escreveu, perceberia rápido que eu consultei documentos originais. Com efeito, no que toca às relações alunos/professores, o senhor fica-se pelo pré-primário e pelo básico, enquanto eu registo os números referentes ao secundário e ao superior. O que prova que fui ao documento original. Escapou-lhe esse detalhe, na ânsia de dar “show”.

O mesmo direi quanto aos números a que recorri para quantificar as despesas dos países comparados, que têm diferenças patentes dos que o senhor publicou. É só soletrar uns e outros, coisa que fará com facilidade. Usei dados da OCDE. O senhor veio depois dizer donde provinham os seus. Se procura reverências por os exibir, eu não. Não tenho essa visão parola da informação que uso e que está ao alcance de qualquer, sem sujeição a “royalties” abusivos. Se tem quem o procura como Sol, eu afasto-me de si por uma questão de higiene. 

4. Senhor professor Paulo Guinote,

não tenho que justificar coisa alguma, como o senhor insinua numa epígrafe da sua prosa, com a soberba que o caracteriza. Seria, ou será, ainda vamos ver, o senhor, que acusou, que teria, ou terá, veremos, que provar o que disse, coisa que não conseguirá, porque errou e não foi além de um simples processo de intenções. Mas a consideração que me merecem muitos colegas que o lêem e a defesa do meu nome, que não será enlameado por si depois de 40 anos de actividade docente, justificam mais algumas considerações, a saber:

5. Escolhi a Noruega como paradigma de mitos falsos por ser o caso em que é mais fácil mostrar evidências exibindo as estatísticas oficiais do país. Imagino o que o senhor diria se me tivesse espraiado com a Suécia, onde estudei em 1979, com quem desenvolvi projectos educacionais quando integrei o VIII Governo Constitucional e cuja realidade educativa acompanho continuadamente. Ou se tivesse falado mais da Finlândia, onde já me desloquei por três vezes, expressamente para estudar a organização e a política educativas. 

Senhor professor Paulo Guinote, 

estudei no Educational Testing Service, em Princeton, manipulando informaticamente dados educacionais, numa altura em que o ERIC chegava a Portugal em papel, apenas. Tenho anos de trabalho em projectos internacionais da União Europeia e do Banco Mundial, onde tabelas e quadros estatísticos nos afogam diariamente. A Escola Superior de Educação de Santarém, a que presidi, assim como ao respectivo Conselho Científico, durante quase uma década (andaria o senhor ainda pelos bancos da faculdade) foi pioneira, com a Universidade do Minho e a de Coimbra, na introdução da informática aplicada à Educação, como poderá confirmar compulsando a imprensa da época. Acha que tudo isso, que pouco vale, é certo, não me terá tornado autónomo do seu farol para encontrar uma insignificante informação que o senhor quer nacionalizar para o feudo do seu umbigo? Enxergue-se e poupe-nos ao provincianismo.

Três notas finais, senhor professor Paulo Guinote:

1ª Está à sua disposição o meu acervo documental, em suporte papel. São milhares de documentos, organizados com um profissionalismo que, como historiador, certamente apreciará. Precisará de muitos dias para percorrer, em diagonal, toda a informação estatística e dados sobre economia da educação. Mas ajudá-lo-ei a encontrar num fósforo as tabelas de que me socorri para citar a OCDE. E está também à sua disposição o meu computador pessoal onde, com a sua competência informática, poderá verificar as datas de arquivo do documento que usei sobre a Noruega, bem como das várias versões anteriores que, deduzi do que escreveu, eu conhecia há anos e o senhor não. Basta que comigo combine. Por uma única vez, entrará em minha casa e aí permanecerá o tempo que lhe aprouver para verificar a injustiça que cometeu. 

2ª Naturalmente que li os comentários que se sucederam aos seus “posts”. Não me incomoda a crítica, por mais dura que seja. Mas enojam-me aqueles que sob anonimato caluniam e ofendem, sem medir nem pensar, condenando inquisitoriamente. Ao que chegámos, no seio de professores! Permita-me, apenas a título de esclarecimento, que corrija um. Alguém diz ser um facto que eu sou associado da FENPROF e filiado activo, ligado a listas em processos eleitorais. Puro delírio, servido como facto. Tal como não tenho nem nunca tive filiação partidária, não sou nem nunca fui filiado em qualquer sindicato. 

3ª Sei que não está habituado a que lhe falem assim, pese embora a sua má criação militante. Diga o que disser, não lhe darei mais troco. Apenas lhe abrirei a porta da minha casa, se aceitar o repto. A polémica acaba aqui. Não me utilizará para se promover nem para alimentar o triste espectáculo em que o senhor é, do mesmo passo, produtor, actor e entusiasta espectador. Se tiver que voltar a si, será em juízo. 

Santana Castilho

Lisboa, 9 de Agosto de 2010

na imagem, retirada daqui, um animal marcando território ..

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acabadinho de me chegar (12.30) , via mail: 

«Quando ataca, depois de escolher o alvo, o rinoceronte fecha os olhos e investe com toda a força bruta. Mas é fácil evitar o ataque de quem é bruto e nada racional ao ponto de fechar os olhos!...»
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1 comentário:

fernando disse...

Quem fala assim, não é gago!
Bravo, Santana Castilho! O outro andava a pedi-las há muito tempo.