Acabava de entrar o ano de 1872. E o novo ano que chegava interrogava o ano velho. "'-Fale-me agora do povo", pedia o novo ano. E o velho: “-É um boi que em Portugal se julga um animal muito livre, porque lhe não montam na anca; e o desgraçado não se lembra da canga!” -"Mas esse povo nunca se revolta?" insistia o ano novo, espantada £ respondia o velho: “-O povo às vezes tem-se revoltado por conta alheia. Por conta própria, nunca" E uma derradeira questão:"- Em resumo, qual é a sua opinião sobre Portugal?" E a resposta lapidar do ano velho:"- Um pais geralmente corrompido, em que aqueles mesmos que sofrem não se indignam por sofrer”. Este diálogo deve-se a Eça de Queirós. O mesmo Eça que escreveu sobre o Portugal de então: "O povo paga e reza. Paga para ter ministros que não governam, deputados que não legislam (...) e padres que rezam contra ele. (...) Paga tudo, paga para tudo. E em recompensa, dão-lhe uma farsa" Estávamos, repito, em 1872.
Aquilino, por Artur Bual
Estamos obviamente a falar do povo português. Esta "raça abjecta", congenitamente incapaz, de que falava Oliveira Martins. Este povo cretinizado, obtuso, que se arrasta submisso, sem um lamento, sem um queixume, sem um gesto de insubmissão, tão pouco de indignação e muito menos de revolta. Um povo que se deixa conduzir passivamente por mentirosos compulsivos como Sócrates ou Passos Coelho ou por inutilidades ignorantes como Cavaco Silva, não merece mais que um gesto de comiseração e de desdém. É vê-los nas televisões, por exemplo, filas e filas de gente acomodada, cabisbaixa, servil e absurdamente resignada, a pagar as estradas que a charlatanice dos políticos tinha jurado "que se pagavam a si mesmas"!
Sem qualquer tipo de pejo e com indisfarçável escárnio, o Estado obriga-os a longas filas de espera para conseguirem comprar e pagar o aparelho que lhes vai possibilitar a única forma de pagar as portagens que essa corja de aldrabões, agora no poder, se lembrou de inventar! E eles passam a noite inteira à espera, se preciso for. E lá vão depois, bovinamente, de chapéu na mão, a mendigar a senha redentora que lhes dará o "privilégio de serem esbulhados electrónica e quotidianamente pelo Estado”.
Um povo assim não presta, não passa de uma amálgama amorfa de cobardes. Porque, se esta gentinha "os tivesse no sítio" recusar-se-ia massivamente a pagar as portagens. E isso seria o suficiente para que os planos governamentais ruíssem como um castelo de cartas.
Mas não. Esta gente come e cala. Leva porrada e agradece. E a escumalha de medíocres que detém o poder, rejubila e escarnece desta populaça amodorrada e crassa que paga o que eles quiserem, quando e como eles o definirem. Sem um espirro de protesto, sem um acto de revolta violenta, se preciso for.
Pelo contrário, paga tudo. Paga para tudo. Sem rebuço, dóceis, de chapéu na mão, agradecidos e reverentes, como o poder tanto gosta. E demonstram-no publicamente, disso fazendo gala. Como eu vi, envergonhado, a imagem de um homenzinho ostentando um sorriso desdentado, exibindo perante as câmaras da TV o aparelhinho que acabara de pagar, como se tivesse ganho uma medalha olímpica.
Esta multidão anestesiada espelha claramente o pais que somos e que, irremediavelmente, continuaremos a ser - um pais estúpido, pequeno e desgraçado. O "sítio" de que falava Eça, a "piolheira" a que se referia o rei D. Carlos. "Governado" pelas palavras "sábias" de Alípio Severo, o Conde de Abranhos, essa extraordinariamente actual criação queirosiana, que reflecte bem o segredo das democracias constitucionais.
Dizia o Conde: "Eu, que sou governo, fraco mas hábil, dou aparentemente a soberania ao povo. Mas como a falta de educação o mantém na imbecilidade e o adormecimento da consciência o amolece na indiferença, faço-o exercer essa soberania em meu proveito...”
Nem mais. Eis aqui o segredo da governação. A ilustração perfeita com que o rei D. Carlos nos definia há mais de um século: "Um país de bananas governado por sacanas". Ontem como hoje. O verdadeiro esplendor de Portugal.
Jornal de Barcelos, (Luis Manuel Cunha, Professor – in Jornal de Barcelos de 27/10/2010)
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comentário e texto retirados daqui e daqui, respectivamente .
comentário de Zé das Esquinas, o Lisboeta:
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Já aqui comentei, a propósito de não sei o quê, que o real povo português está fielmente representado num programa da RTP1 chamado de Preço Certo. Quem quiser ver com olhos sociológicos e de estudo não necessita de ir passear pelo país. Basta-lhe passar uma horas a ver uma dúzia destes programas. Não tem mal, nem tem bem. É assim mesmo, um retrato do País onde incluo o apresentador e os seus quatro assistentes.
E a propósito da afirmação incluída neste post «que a falta de educação mantém o povo na imbecilidade e adormecimento» quero ainda acrescentar uma pequena mas verdadeira «estória».
Uma amiga de infância contou-me no outro dia que tinha sido aconselhada a inscrever-se no programa «Novas Oportunidades» para ter o 12º Ano e assim poder subir um nível na carreira administrativa na Segurança Social onde fez todo o seu percurso laboral e onde, nos anos sessenta e setenta, se entrava com o antigo 5º Ano dos Liceus…
Dizia-me ela que entusiasmada com a ideia, pois está à beira da reforma, que até eu entrava no seu salto académico, pois era referido no seu trabalho que lhe dará a equivalência. E então contou-me que estava a contar a «estória da sua vida» em Word (vê lá tu, eu a escrever num computador…). Concluindo, a equivalência era-lhe atribuída mediante a avaliação de um trabalho com um número de «x» páginas onde ela contaria com palavras e imagens, a sua vida.
Não quero, por agora, fazer comentários a este programa das Novas Oportunidades, que acabei de contar e que, repito, me foi contado pela voz da própria candidata.
Mas tenho a certeza que a minha querida amiga de infância fez bem ao inscrever-se, porque merece de certezinha absoluta ser remunerada um nível acima e um dia ter uma melhor reforma.
Mas se «isto» é um programa de Ensino, que permite o acesso directo à Universidade, como vi à dias um senhor de oitenta e tal anos orgulhosamente manifestar o seu interesse, após obter a equivalência ao 12º Ano neste mesmo programa, aí já tenho as minhas maiores dúvidas.
Quem ganhar mais de 500 mil euros anuais pagará um imposto de 3%. Medida é provisória e deve durar apenas dois anos. Em Portugal, Bloco insiste numa das suas propostas mais antigas, o imposto sobre as grandes fortunas.
Câmara dos Deputados, Brasília Estreia com exemplo de austeridade
O deputado federal José Antonio Reguffe (PDT-DF), que foi proporcionalmente o mais bem votado do país com 266.465 votos, com 18,95% dos votos válidos do DF, estreou na Câmara dos Deputados fazendo barulho. De uma tacada só, protocolou vários ofícios na Diretoria-Geral da Casa.
Abriu mão dos salários extras que os parlamentares recebem (14° e 15° salários), reduziu sua verba de gabinete e o número de assessores a que teria direito, de 25 para apenas 9. E tudo em caráter irrevogável, nem se ele quiser poderá voltar atrás. Além disso, reduziu em mais de 80% a cota interna do gabinete, o chamado “cotão”. Dos R$ 23.030 a que teria direito por mês, reduziu para apenas R$ 4.600.
Segundo os ofícios, abriu mão também de toda verba indenizatória, de toda cota de passagens aéreas e do auxílio-moradia, tudo também em caráter irrevogável. Sozinho, vai economizar aos cofres públicos mais de R$ 2,3 milhões nos quatro anos de mandato. Se os outros 512 deputados seguissem o seu exemplo, a economia aos cofres públicos seria superior a R$ 1,2 bilhão.
“A tese que defendo e que pratico é a de que um mandato parlamentar pode ser de qualidade custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje. Esses gastos excessivos são um desrespeito ao contribuinte. Estou fazendo a minha parte e honrando o compromisso que assumi com meus eleitores”, afirmou Reguffe em discurso no plenário.
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das razões da eleiçao de JOSÉ ANTÔNIO REGUFFE
em Out. 2010
Um homem ficha limpa
Dono da maior votação proporcional do País, José Antônio Reguffe chega à Câmara disposto a reduzir o salário dos deputados e o número de parlamentares no Congresso
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por Adriana Nicacio, Hugo Marques e Sérgio Pardellas - aqui
Aos 38 anos, o economista José Antônio Reguffe (PDT-DF) foi eleito deputado federal com a maior votação proporcional do País – 18,95% dos votos válidos (266.465 mil) no Distrito Federal. Caiu no gosto do eleitorado graças às posturas éticas adotadas como deputado distrital. Seus futuros colegas na Câmara dos Deputados que se preparem. Na Câmara Legislativa de Brasília, o político desagradou aos próprios pares ao abrir mão dos salários extras, de 14 dos 23 assessores e da verba indenizatória, economizando cerca de R$ 3 milhões em quatro anos. A partir de 2011, Reguffe pretende repetir a dose, mesmo ciente de que seu exemplo saneador vai contrariar a maioria dos 513 deputados federais. Promete não usar um único centavo da cota de passagens, dispensar o 14º e 15º salários, o auxílio-moradia e reduzir de R$ 13 mil para R$ 10 mil a cota de gabinete. “O mau político vai me odiar. Eu sei que é difícil trabalhar num lugar onde a maioria o odeia. Quero provar que é possível exercer o mandato parlamentar desperdiçando menos dinheiro dos cofres públicos”, disse em entrevista à ISTOÉ.
A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Floripa (2006), nos presenteou com um caso de uma tribo na África chamada Ubuntu.
Ela contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo; então, propôs uma brincadeira pras crianças, que achou ser inofensiva.
Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.
As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!", instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.
O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.
Elas simplesmente responderam: "Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"
Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo, e ainda não havia compreendido, de verdade,a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?
Ubuntu significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!"
of hard work and a long voyage
you stand in the centre of your room,
house, half-acre, square mile, island, country,
knowing at last how you got there,
and say, I own this,
is the same moment when the trees unloose
their soft arms from around you,
the birds take back their language,
the cliffs fissure and collapse,
the air moves back from you like a wave
and you can’t breathe.
No, they whisper. You own nothing.
You were a visitor, time after time
climbing the hill, planting the flag, proclaiming.
We never belonged to you. You never found us.
It was always the other way round.
Somos pessoas comuns. Pessoas com deveres , direitos e responsabilidades. Pessoas que se levantam todas as manhãs para estudar, trabalhar ou procurar emprego. Pessoas que têm família e contas para pagar. Pessoas que trabalham arduamente para proporcionar um futuro melhor àqueles que os rodeiam.
Este é um movimento aberto, apartidário e não-violento , com uma estrutura horizontal sem líderes. ...Condenamos de forma clara o sistema político, económico e social. Recusamo-nos a ser escravos e reféns de uma classe política privilegiada e corrupta, de um sistema eleitoral fechado às pessoas, e de uma economia de mercado sem regras nem ética, que a todos nos deixa indefesos e sem voz.
Defendemos uma democracia verdadeira assente nos seguintes princípios e normas de funcionamento:
1. - Estabelecimento gradual de uma democracia participativa em que sejam as pessoas a tomar as decisões relevantes para si próprias.
2. - Reforma da lei eleitoral de modo a que:
- O voto de todos os portugueses tenha o mesmo valor e representatividade.
- As eleições não sejam um exclusivo de partidos mas permitam candidaturas de cidadãos e colectivos.
- Os mandatos sejam revogáveis, o programa eleitoral seja vinculativo e a sua alteração só possa ocorrer mediante referendo.
3. - Fim dos privilégios da classe política (reformas, imunidades, etc). Rigor nas incompatibilidades no exercício de cargos públicos e moldura penal agravada para os crimes cometidos no desempenho destas funções.
4. - Transparência em todos os actos do Estado e acesso dos cidadãos a toda a documentação sobre contratos, receitas e despesas públicas.
5. - Acabar com as práticas públicas de favorecimento dos interesses privados que atravessam o Estado. Regulação efectiva das entidades financeiras (banca, seguradoras, etc), de forma a evitar a especulação dos mercados.
A responsabilidade de refundar a democracia, de construir um mundo diferente, mais justo, mais solidário, recai sobre todos nós. Juntos em Portugal, unidos a todos os que no mundo resistem e se revoltam, devemos lutar por resgatar aquilo que quase já se perdeu - a dignidade humana.
O futuro é de todos nós: dos nossos avós, dos nossos pais, e sobretudo dos nossos filhos.
Entre os homens mais ricos do País, uns estariam mais disponíveis do que outros para pagar uma contribuição especial no actual momento de crise.
O homem mais rico de Portugal coloca-se de fora da lista dourada quando questionado sobre a sua disponibilidade para aceitar um imposto especial sobre as grandes fortunas. "Eu não me considero rico", afirmou Américo Amorim ao Negócios. "Sou trabalhador", contrapôs. E pronto, conversa acabada. Para a matéria em apreço, o cognominado "rei" da cortiça garante que não passa de um simples assalariado.
O que justifica que os ricos paguem menos impostos que os pobres? Absolutamente nada
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O título do artigo é Stop coddling the super-rich (Deixem de mimar os super-ricos), foi publicado no New York Times de 14 de Agosto (aqui), o seu autor é Warren Buffett e a sua leitura é obrigatória. Buffett é actualmente o terceiro homem mais rico do mundo, foi durante anos o mais rico e é considerado o mais astuto investidor de sempre. E o artigo é obrigatório não porque seja a primeira vez que Buffett diz o que escreveu agora, mas porque o que escreveu é importante.
O que Buffett diz é simples: os ricos dos Estados Unidos, apesar de terem visto os seus rendimentos subir de forma astronómica nos últimos anos, têm visto os seus impostos descer sistematicamente graças a uma classe política que os beneficia por sistema. Buffett considera que isso é injusto e que não existe racionalidade social ou económica que sustente esse estado de coisas. E muito menos num contexto de crise financeira como o que os EUA atravessam, onde se pedem sacrifícios à classe média e aos mais desfavorecidos. O multimilionário dá o seu próprio exemplo e conta que, no ano passado, pagou apenas 17,4 por cento de impostos sobre os seus rendimentos, enquanto os seus empregados pagaram 33 a 41 por cento. Em Portugal, a história seria a mesma.
Buffett termina propondo um aumento de impostos para os agregados familiares que ganham mais de um milhão de dólares e um aumento ainda mais substancial para os que atingem mais de dez milhões.
O artigo teve um impacto considerável - não só nos EUA -, com apoiantes e detractores a envolver-se em discussão. Os últimos explicaram mais uma vez que era fundamental que o sistema premiasse de forma particularmente generosa os investidores, pois estes corriam grandes riscos e, se os prémios não fossem excepcionalmente generosos, eles deixariam de investir. Curiosamente, este é precisamente um dos argumentos que Buffett desmonta no seu artigo: "Trabalho com investidores há 60 anos", escreve o financeiro, "e nunca vi ninguém recusar um investimento razoável por causa da taxa de imposto a aplicar sobre o eventual ganho".
Outros críticos explicaram tecnicamente que, mesmo que o imposto dos ricos aumentasse, isso não iria resolver os problemas financeiros dos EUA - esquecendo no meio da argumentação minudências como a equidade, a justiça e a moral.
Mas o mais curioso nas reacções ao artigo de Buffett não foi a polémica, mas a quantidade de milionários que apareceram a apoiar a sua posição e a declarar-se disponíveis para pagar mais impostos - o que é tanto mais significativo quanto se conhece a chantagem assassina que os republicanos levaram a cabo para defender as reduções fiscais para os ricos, à qual Obama (que afinal não é FDR, que desgraçadamente não é FDR) cedeu em toda a linha.
A questão é que Buffett acha que a actual injustiça social passa das marcas e que é excessivo e indefensável o privilégio que a sua competência financeira lhe confere.
Tenho a certeza de que muitos ricos portugueses partilham destas ideias e que na realidade lhes repugnam, em termos morais e económicos, os privilégios fiscais de que beneficiam e que sabem que sobrecarregam fiscalmente os portugueses mais pobres. É inevitável que esse sentimento de vergonha atinja os bancos com empresas nas ilhas Caimão e as empresas do PSI20 com sedes na Holanda e noutros paraísos fiscais, que ficámos a conhecer nas páginas do PÚBLICO no passado domingo. É natural que, devido às férias de Verão, estes empresários ainda não tenham aparecido a manifestar o seu apoio às ideias de Buffett, mas certamente que o farão nos próximos dias, exigindo do Governo de Passos Coelho a mesma inflexão fiscal que o terceiro homem mais rico do mundo defende no seu país.
Cañizares, 'ministro' del Papa, vepeor abortar que abusar de niños
El ex primado de España dice que la reforma de la ley del aborto es parte del proyecto de Zapatero "para hacer una sociedad y una cultura totalmente nuevas" (ler mais)
JUAN G. BEDOYA - Madrid - 29/05/2009
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de DeLacroix
A notícia acima chegou-me agora via e-mail, já tem dois anos. Calculo que, de então para cá, o catolicismo deste e de outros devotos não se tenha alterado uma vírgula, que se mantenham todos na absoluta margem de uma "sociedade e uma cultura novas".
Penso nos milhares (milhões?) de jovens que se deslocaram a Madrid para - quê? - rezar com? ver? bajular? - 'sua santidade'. E penso nos indignados ali mesmo ao lado, esses sim lutando por uma sociedade mais justa e mais .. 'cristã'. Penso na opulenta instituição igreja, na influente Opus Dei, no Vaticano dos tesouros imensos, todos os poderosos católicos deste mundo, que em outro decerto não crêem, ou levariam a sério os ensinamentos - cristãos, socialistas: "Mais facilmente passará um camelo pelo buraco de uma agulha que um rico entrará no reino dos céus!" -, daquele que a muitos justifica a existência e cujas contas bancárias engorda, não é, senhor Ratzinger dos sapatos Prada, fiel resgatante do 'tribunal do santo ofício' de má memória?
E pergunto-me: tão estúpida é esta geração de católicos (agora) alfabetizados? - na universidade estudava o outro que (catolicamente) se propunha atentar contra a vida dos manifestantes 'anti-visita papal' - Tão incapazes de pensar são estes jovens, só de portugueses uns milhares? Tão cegos à hipocrisia e à incongruência, onde elas entram pelos olhos dentro?
Que fazem eles mais a sua santa madre igreja pelos refugiados do presente? Pelas mulheres vítimas da 'sharia'? Ou 'infiéis' para vocês não contam, ainda que massacrados? Que acções concretas - que não enfezadas rezas - pelos que todos os dias morrem de fome, agora de novo na Somália, e sempre, sempre, nesses tantíssimos países africanos, meninos e meninas quase todos, e as TVs não escondem as barrigas inchadas, as bocas cobertas de moscas, os olhos fundos de tristeza.
Por que ignora a igreja católica mais os seus encerados papas a África dos mártires quotidianos, das mulheres excisadas? O que faz pela Índia dos pedintes - estropiados para que rendam, às famílias ou às máfias - crianças sem braços e sem pés, os olhos queimados? Que condenação à China pelas meninas afogadas, asfixiadas à nascença, por indesejadas? E não venham dizer que não sabem, padres bispos crentes cardeais!! Violar meninos e meninas vocês aceitam. E vendê-los como escravos, mutilá-los, assassiná-los! A tudo isso fecham os olhos, tudo isso desincluem dos vossos ridículos discursos. Aborto é que nem pensar, homossexualidade é crime, usar preservativo um sacrilégio! - "O que fizerdes aos outros, é a mim que o estais fazendo", clamou o filho do vosso deus. - A vocês não vos pesa a consciência?
de Johann Heinrich Füssli
Vocês, doutores do templo, e vocês, folclóricos seguidores desses sepulcros caiados, que fazem - fizeram - pelos pobres cada dia mais pobres e mais numerosos da vossa terra, pelos desse outro país dos Reis Católicos, malditos sejam com a sua Inquisição, as suas práticas dementes. "Amai-vos uns aos outros", disse Ele. Que é que vocês aprendem, afinal, nas vossas missas catequeses encontros papais? Que cristianismo é o vosso?!!
Pergunto-me muitas vezes: vocês papas e super ricos e 'barões' atolhados de benesses, vocês que dizem acreditar - católicos que não cristãos!, pretensos detentores da verdade - vocês não têm medo do inferno? Não vos preocupa o castigo divino, as vossas riquezas acumuladas sobre a miséria de tantos, a vossa soberba, a vossa indiferença? E quem vos dá o direito a essa doutrina deturpada e cúmplice?
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A Verdadeira História da Igreja Católica Romana - ver aqui imagens elucidativas dos vários instrumentos de tortura usados ao longo da História pela Igreja Católica, Apostólica, Romana .
a youtube comment: «The words are from Alfred Lord Tennyson's poem, "The Lady of Shalott," from the 19th c. Although this is sung beautifully, the actual poem doesn't end that well for the Lady--she dies. Many of the poem's verses are left out in the song so that it isn't as melancholic as the poem.»
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J.W. Waterhouse's The Lady of Shalott, 1888
"The Lady of Shalott" is a Victorian ballad by the English poet Alfred, Lord Tennyson (1809–1892). Like his other early poems – "Sir Lancelot and Queen Guinevere" and "Galahad" – the poem recasts Arthurian subject matter loosely based on medieval sources. (fonte)
- Quando eu uso uma palavra - disse Humpty Dumpty num tom escarninho - ela significa exatamente aquilo que eu quero que signifique ... nem mais nem menos.
- A questão - ponderou Alice – é saber se o senhor pode fazer as palavras dizerem coisas diferentes.
- A questão - replicou Humpty Dumpty – é saber quem é que manda. É só isso. .
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- Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
- Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
- Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
- Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.
Escritor e matemático britânico. Homem de carácter tímido, adopta este pseudónimo para as suas obras literárias, o seu verdadeiro nome (Charles Lutwidge Dodgson) utiliza-o para as obras científicas. De formação universitária, é professor de matemáticas em Oxford e estudioso da lógica matemática. Escreve diversos relatos de falsa aparência infantil cuja matéria narrativa está, ilusoriamente, próxima do absurdo - ler mais
Meredith Jane Monk (born November 20, 1942 in New York City) is an American composer, performer, director, vocalist, filmmaker, and choreographer.
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Since the 1960s, Monk has created multi-disciplinary works which dwell in the spaces between music, theatre, and dance, recording extensively for ECM Records.
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Experimentadora radical da voz e efeitos com a voz, boca, língua e garganta. Pianista mais que minimalista. Compositora de óperas e trilhas, com uma enorme discografia. - fonte
'roubado' do sítio da APEDE (aqui ), um texto que eu apoio e subscrevo inteira, entusiasticamente!
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«Com a sua contundência habitual – aquela que torna altamente improvável que algum político do centrão o venha a convidar para ministro -, Santana Castilho abordou, nesta sua última crónica, um tema essencial: o vínculo profundo que liga o conceito de avaliação do desempenho a um modelo despótico de gestão que a ideologia neoliberal dominante transferiu do mundo empresarial, onde nasceu, para universos laborais e institucionais originalmente orientados para a prestação de serviços sociais cujo fim último não é (não deveria ser) a produção de lucros com vista à acumulação de capital.
No território das empresas, a avaliação do desempenho tem sido um notável mecanismo de coerção sobre os trabalhadores, dominados pelo jugo das metas e dos objectivos de produção. Muitas vezes arbitrariamente definidas e impossíveis de atingir, essas bitolas são, ainda assim, impostas como forma de manter quem trabalha sob a pressão permanente do patamar inalcançável. Inculcada a ideologia do sucesso, supostamente quantificável e mensurável à luz dos ditos objectivos e metas, a impossibilidade de as realizar é vivida pelo trabalhador como fracasso pessoal e como culpa. No quotidiano despótico das empresas, a violência destes dispositivos de poder tem conduzido a um aumento exponencial das doenças nervosas e até das taxas de suicídio, particularmente obscenas em casos que foram denunciados no país de Sarkozy.
Já o dissemos antes e agora repetimo-lo, movidos pelo texto de Santana Castilho: a introdução deste conceito de avaliação para aferir a qualidade do desempenho docente, feita pela mão de José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, e agora retomada por Nuno Crato, veio inscrever no exercício da profissão de professor o pior das estratégias de poder e de submissão usadas nas empresas.
E o erro fatal em que os professores – bem como os seus representantes sindicais – se deixaram cair foi precisamente o de aceitarem a inevitabilidade desta ideia de avaliação, como se de uma evidência se tratasse para a qual não haveria alternativa credível. Fragilizados perante a propaganda anti-docente montada pelos agentes do governo e pelos serventuários que regurgitam o que passa por opinião pública, os professores – todos nós – caíram na armadilha e cederam à chantagem. Capitularam face à imposição de um modelo de avaliação por «metas e objectivos», com receio de que a “opinião pública” pensasse que, afinal, os professores não queriam ser avaliados – o que, hoje em dia, parece quase um crime anti-social.
Divergir do rebanho traz sempre os seus riscos. Mas também acarreta as suas recompensas, às vezes inesperadas. Talvez tenha chegado o tempo de afirmar muito claramente, sem medo de escandalizar os nossos queridos conterrâneos, que, se a avaliação é esta coacção imbecil, então os professores não querem mesmo ser avaliados. »
Se alguma coisa a vida e os muitos anos de profissão me ensinaram, foi que ninguém consegue ensinar nada a alguém que não queira aprender, sejam alunos ou aprendizes de feiticeiro, de ministro, lo que seya .. E é pena. Já aqui o disse 'n' vezes, e repito-o: oiçam o que diz Santana Castilho, porqueele (ao contrário dos desgovernantes que sempre nos calham em rifa..) - ele, sabe do que fala!
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. in Público, 17 de Agosto, 2011
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Um neoliberal é isto, Álvaro!
Santana Castilho *
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1. O Álvaro, que veio do Canadá para pôr a economia do país na ordem, disse na Assembleia da República que não sabia o que era um neoliberal. Agostinho Lopes ensinou-o assim: “…É alguém que tem três axiomas com que justifica tudo: globalização, revolução científica e técnica e competitividade. É alguém que tem três mandamentos sagrados: privatizações, liberalização dos mercados e desregulamentação dos mecanismos de orientação económica. E tem um único instrumento como variável de ajustamento dos desequilíbrios: o preço do trabalho …”. A lição dada ao Álvaro, se complementada com a compulsão para aumentar impostos e taxas, faz uma bela síntese da actividade do Governo até agora.
2. O ministro das Finanças também precisa de uma lição que o esclareça sobre o que é uma conferência de imprensa. Convocada uma, que se supunha para anunciar os cortes na despesa, proibiu as perguntas e prendou-nos com mais aumentos, agora na electricidade e no gás. A subserviência à troika deixou à dita a missão soberana de, finalmente, esclarecer os indígenas sobre o desvio colossal, a solver com mais confiscos colossais. Aproveitando a inércia, Passos Coelho foi lesto no Pontal: preparem-se que vem aí muito mais e, por favor, não estrebuchem, porque o inferno espreita. Quanto ao corte na despesa, é esperar até Outubro. Antes, Passos tem que ultimar a oferta do BPN a Isabel dos Santos e companhia, resolver o bónus da TSU e escolher quem vai abocanhar a TAP, a RTP, os CTT, as Águas de Portugal e um naco da CGD, tudo a preço de saldo e em nome do inferno que espreita.
3. Para os que ainda tinham dúvidas, chegou a definitiva dissipação: a regulamentação da avaliação do desempenho dos professores, agora apresentada, é tão-só o Simplex 3 do modelo de Maria de Lurdes Rodrigues, que sucede ao Simplex 2 de Isabel Alçada. Definitivamente, há uma nota que sobressai, por maior que seja a esperteza para a dissimular: continuar a política que privilegia a diminuição do preço do trabalho.
HanusheK, economista da Educação por quem Nuno Crato tem grande apreço e trouxe recentemente a Portugal, foi dos primeiros a apontar a “falta de incentivos mercantis” (Journal of Human Resources, Junho de 1979) quando analisava a eficiência em Educação. Atente-se bem à semântica da expressão, não descuidada num académico com a responsabilidade dele. Mercantil é um adjectivo que se refere ao comércio, à mercancia, coisa bem afastada do objecto da Educação, suponho eu. Se tomarmos o vocábulo em sentido figurado, diz-se daqueles que perseguem só ganhos materiais, que são interesseiros e meros especuladores. A génese da avaliação do desempenho pode ser facilmente compreendida por quem a estude a partir da segunda metade do século passado, quando tomou relevância a preocupação política e económica de analisar em detalhe os custos de produção do serviço público de Educação. Por o ter feito, por a ter abordado na prática, em experiências e projectos de natureza educacional e empresarial, compreendo-a bem, rejeito-a como panaceia para a melhoria da qualidade da Educação e lamento que os professores e a sociedade em geral a aceitem como os crentes aceitam os dogmas, isto é, com reverência sacra. A avaliação do desempenho tornou-se um instrumento de uma concepção tecnocrática de gestão. A prática de modelos estereotipados para a realizar está estudada e reprovada pelo balanço dos resultados. Assim, a grande alteração que ficou por fazer foi desistir dela. O processo deveria ser indissociável da avaliação do desempenho de cada escola, depois de alterar radicalmente o modelo de gestão vigente. É estúpido avaliar com as mesmas referências e medidas o que é radicalmente diferente. É estúpido impor a todos o mesmo processo. É estúpido confundir a Educação com a actividade mercantil. Sei que incorro na fúria de muitos. Mas é o que penso e o que considero essencial. Tudo o mais é acessório, embora relevante, por ser tomado por essencial.
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Posto isto, vejamos, então, o acessório. Isenta-se da avaliação cerca de um terço dos docentes em exercício. Esperta malha. Calam-se muitos. Reduz-se o número de aulas a observar e, com isso, custos enormes e logística disforme. Pouco importa que se recupere, implicitamente, o conceito de professores titulares e que vá às urtigas o rigor do ministro e o que resta da coerência do seu discurso.
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Quotas viram percentis. Boa jogada! É mais erudito, ou não fora o ministro um mestre em Estatística e o secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar um anterior defensor da avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues. E neste ambiente em que todos começam a fazer de conta que não foram o que foram e não disseram o que disseram, faz de conta que as quotas desapareceram. Como reclamavam os sindicatos. Se assinarem rápido o papel, substituam “acordo”, de má memória, por um sinónimo. “Ajuste directo” ou “conúbio” seria perfeito e adequado aos tempos!
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Se afastarem a espuma, encontram o mesmo disfarce ideológico, que visa condicionar a independência intelectual e profissional do exercício da docência: pela precarização da profissão (fala Crato de assistir os “novos” isentando os “velhos”, ignorando que muitos dos “novos” têm 10, 15 e até mais anos de exercício); pela proletarização da profissão; pela persistência da desconfiança militante na classe; pelo refinamento dos padrões de desempenho, como se professor fosse sapateiro (sem desprimor para com tal ofício).
Também isto, Álvaro de Vancouver, o ajudará a saber o que é um neoliberal.
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* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)
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Avram Noam Chomsky (Filadélfia, 7 de dezembro de 1928) é um linguista, filósofo e ativista político estadunidense.
É professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Seu nome está associado à criação da gramática ge(ne)rativa transformacional, abordagem que revolucionou os estudos no domínio da linguística teórica. É também o autor de trabalhos fundamentais sobre as propriedades matemáticas das linguagens formais, sendo o seu nome associado à chamada Hierarquia de Chomsky.
Seus trabalhos, combinando uma abordagem matemática dos fenómenos da linguagem com uma crítica do behaviorismo,nos quais a linguagem é conceitualizada como uma propriedade inata do cérebro/mente humanos, contribuem decisivamente para a formação da psicologia cognitiva, no domínio das ciências humanas.
Além da sua investigação e ensino no âmbito da linguística, Chomsky é também conhecido pelas suas posições políticas de esquerda e pela sua crítica da política externa dos Estados Unidos. Chomsky descreve-se como um socialista libertário, havendo quem o associe ao anarcossindicalismo.
O termo chomskiano é habitualmente usado para identificar as suas idéias linguísticas embora o próprio considere que esses tipos de classificações (chomskiano, marxista, freudiano) "não fazem sentido em nenhuma ciência", e que "pertencem à história da religião, enquanto organização". - fonte
Uma espécie de guru do movimento anticapitalista no mundo de hoje - assim podemos caracterizar Noam Chomsky. Esse acadêmico, professor de linguística e filosofia no Massachusetts Institute of Technology (MIT), é também um ativista político incansável em suas manifestações contra o capitalismo americano.
A família de Chomsky era de imigrantes russos. O pai, William Chomsky, foi notável estudioso da língua hebraica.
Em 1945, Noam Chomsky iniciou estudos de linguística e de filosofia na Universidade da Pensilvânia. Em 1949, casou-se com a linguista Carol Schatz, com quem teria dois filhos.
No início dos anos 1950, graças a uma bolsa de estudos, Chomsky realizou pesquisas na Harvard University. Em 1955, concluiu o doutorado na Universidade da Pensilvânia. Dois anos depois, publicou "Estruturas Sintáticas". Nele, Chomsky criou o modelo da gramática generativa, que revolucionou os estudos da linguagem.
Desde 1955, Chomsky é professor e pesquisador do MIT, onde obteve a cátedra de línguas modernas e linguística, com atividade acadêmica e científica intensa e ininterrupta. Publicou diversos ensaios e estudos teóricos, como "Reflexões sobre a Linguagem", "Linguagem e Mente" e "A Gramática Generativa".
Paralelamente à pesquisa filosófica e linguística, tornou-se ativista político de grande popularidade não só nos EUA, mas também na Europa e no Terceiro Mundo.
A partir de 1964, começou a lutar contra o envolvimento norte-americano na guerra do Vietnã. Em 1969, publicou "American Power and the New Mandarins", que alcançou grande repercussão. Chomsky passou a dar palestras e divulgar suas idéias políticas a platéias cada vez mais numerosas. Conquistou tanto seguidores, muitos deles no campo da mídia, quanto detratores, que consideram sua visão de mundo simplória.
Em 1978, publicou "Human Rights and Foreign Policy", outra obra de grande popularidade. Atacando a política externa norte-americana, Chomsky tornou-se uma referência nos meios políticos de esquerda.
Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, as intervenções de Chomsky viram-se ainda mais valorizadas, com a questão do terrorismo e do intervencionismo na ordem do dia.