31 julho 2011

andar à guna

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tudo retirado daqui

ideias para fintar a crise
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(andar à guna é andar à boleia, sem pagar bilhete, do lado de fora do autocarro/eléctrico ;)
. gui castro felga

28 julho 2011

ora então os exames nacionais

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começo, pegando no título de um artigo de Henrique Raposo (www.expresso.pt), «As escolas desistiram de ensinar português?» aqui
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Preâmbulo: não sou professora de português e a escola onde trabalho é uma escola pública normal, tendo por referência a margem sul.
Todos os anos os alunos da minha escola (não sei se de todos os anos de escolaridade) cumprem uma actividade que tem por título base: "Escrever à maneira de ..." . Todos os anos é, deste modo, homenageado um autor (José Saramago em 2011..). Todos os anos o produto final deste trabalho é um livro com recolha dos melhores textos dos alunos: óptimos, comoventes de tanta qualidade. Livro esse por várias vezes subsidiado, premiado, pela autarquia ou outra instituição.

Os professores de português não só ensinam português, como o fazem através dos mais exímios 'falantes' da língua, apesar dos programas mais ou menos arrevesados que saem do ministério da educação. E saibam que há alunos que escrevem maravilhosamente, com sensibilidade, criatividade, imaginação, domínio correcto das estruturas da língua. Muitos deles (quase todos) dão erros ortográficos. A maior parte (incluindo os do 12.º) não saberá o significado da palavra 'deíctico'. Sabê-lo-ão Nuno Crato, Pedro Passos Coelho, Cavaco Silva, os deputados 'especialistas em educação' Amadeu Albergaria e Michael Seufert? Eu ... punha as mãos no fogo!  (não se preocupem, o word também não a (re)conhece..) [ver no fim]

É que, se por um lado, os exames enfermam do problema (grave!) de alterarem as regras do jogo sem pré-aviso, (1) o verdadeiro cerne da questão das alegadas não-aprendizagens, a português, está irremediavelmente ligado a uma prática nacional recorrente que poderia dar pelo nome de "experimentação esquizóide" (2).
Eu explico:

(1) dos exames:
Aquilino Ribeiro, por Artur Bual
Não sei se foi o caso, este ano, com a disciplina de português. O que sim, sei, é que no último ano em que fui chamada a corrigir provas do 12.º (de inglês, a disciplina que lecciono) me deparei com um modelo que em nada respeitava a matriz ou o tipo de prova dos anos anteriores. [O ME costumava publicar (não sei se ainda o faz..) uma 'prova modelo' para orientação de professores e alunos e, nos anos em que isso não acontecia, vinham indicações para as escolas de que se mantinha actual a última publicação.]
Seja o que for que se argumente em defesa ou ataque das práticas lectivas correntes, o que é facto é que, em anos de exame, os professores orientam toda a sua leccionação, envidam todos os seus esforços (muitas aulas suplementares, por exemplo .. nem vos passava pela cabeça, pois não?..)- para que, precisamente, os seus alunos obtenham sucesso - nos exames! Ora, quando eles furam as regras, segue-se o descalabro, obviamente. Foi público que os maus resultados deste ano se deveram à má prestação nos grupos de gramática, em que não se teria insistido tanto nos anos anteriores. Significa isto que quem agora elaborou as provas de exame é mais exigente que os seus antecessores? Não, e não. Significa, tão só, uma visão (subjectiva) de prioridades, uma opção sobre o que avaliar, e como...
E eu pergunto: num 12.º ano, o que será, de facto, importante? - que os alunos saibam o nome da função gramatical desempenhada por uma palavra na frase, ou que, não o sabendo, sejam capazes de escrever textos bem esquematizados, com organização lógica de ideias e frases elaboradas, as palavras funcionando todas nos sítios certos, que demonstrem até possuir um invulgar domínio da língua através, nomeadamente, do uso comedido, inteligente, selectivo, de figuras de estilo?
Para mim, a resposta é óbvia.

É-o tanto mais, e passo ao outro ponto, porquanto ...

(2) da tutela e das suas decisões

Em Portugal, a 'nomenclatura' das coisas passa a vida a mudar e, convenhamos, assim não há quem se entenda! Para mim, que sou professora de inglês, o que era um 'complemento directo' quando há mais de 30 anos comecei a dar aulas continua a ser um 'complemento directo', um 'sujeito' um 'sujeito', etc. etc. Pois não a português! Os iluminados do ministério ou do governo (vide o caso do 'para-quê-novo-acordo-ortográfico!!) decidem alterar tudo vezes sem conta (a bem dizer, a cada novo governo!!) sem fazerem qualquer avaliação do que havia anteriormente (e não só em metodologias de ensino!), passam da gramática estruturalista (de F. de Saussure) para a generativa (de N. Chomsky, 'gerativa' em português do Brasil e ñ há acordo q lhe valha..) e dessa para uma outra qualquer - para ... ? para justificarem doutoramentos subsidiados? para darem visibilidade, fama, proveito, a teses de afilhados? Dos porquês não sei, as consequências sinto-as no dia a dia, mormente a nível da disciplina que ensino, e que exige referência de aprendizagens na língua materna.
Não me esqueço do dia em que o meu filho, pequeno de uns 8 anos, me chega a casa todo ufano: «Hoje aprendi as 'oxítonas', 'paroxítonas' e 'proparoxítonas'!» !!?? Para mim, eram as palavras 'agudas', 'graves', esdrúxulas'. Não faço ideia que nome lhes darão os meus alunos, hoje. Calculo que os pais deles também não, circunstância essa bem adversa: impede que ajudem os filhos nos tpc e afecta-lhes a auto-estima, sabem como é, aquela sensação de estar 'por fora', de não acompanharem a evolução dos tempos. A questão, mesmo, é perguntarmo-nos se se trata realmente de evolução. É evolução terem os nossos jovens substituído o cérebro por uma calculadora? Um livro por um 'magalhães'?
Eu .. só sei que nada sei e, à boa maneira do filósofo, gosto muito de 'dúvidas metódicas'. Ainda assim (ou talvez por essa necessidade, esse - acho eu - indispensável, exercício de questionar-me e às coisas) diria que ao ministério da educação (e a quem nele decide!!)  falta muita, muitíssima reflexão, muito conhecimento de causa, muito estar por dentro das realidades: as da escola e as dos nossos alunos. É que não é toda deles, nem dos seus professores, a culpa dos insucessos nacionais.
Por uma vez que seja, questione-se também o intocável, inacessível círculo de 'bem-mal-pensantes' - os que ditam as regras, os que os aconselham (APP, por ex) e os que são principescamente pagos para elaborarem as provas de exame, as de Português e as outras - e que podem estar muito, mas mesmo muito mal feitas!
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grupo II
1.4. Na expressão " na minha vida", "minha" é um
(A) determinante que funciona como deíctico temporal
(B) pronome que funciona como como deíctico pessoal
(C) determinante que funciona como deíctico pessoal
(D) pronome que funciona como como deíctico temporal

- got it?
Eu sei .. o exercício até se fazia sem saber o significado da dita palavra (resposta c.. ).. mas ... para quê estas .. modernices? - e não, não me acho 'bota-de-elástico'! O que é que se pretende com isto, afinal?? Testar se o aluno decorou (provavelmente sem a perceber) uma palavra difícil? Mostrar que o pessoal ligado ao ME está muito actualizado (?!), p'ra 'frentex'?
determinante possessivo - não estava bem? que defeito lhe encontraram os 'doutores do templo"? - um pouco assim como a gestão democrática das escolas, entendem? - até hoje não conheço justificação para nem benefícios resultantes de - a terem substituído.
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AR: representantes - de quem?

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voltei a  "O Estado da Educação e do Resto", do Mário Carneiro

o link para o post tinha-o já colocado aí abaixo, mas é uma pena não divulgar as descobertas do M.C. relativamente aos 2 ilustres porta-vozes dos partidos que decidem continuar a dar-nos cabo da vida e da esperança ..

o assunto é o da (não) suspensão do actual modelo de ADD .. e desta vez vou abster-me de qualificar os políticos e as suas atitudes .. desprezo, um enorme desprezo, é o que me merecem, só isso.

excertos do post acima referido, A avaliação do monstro - aqui

«Tive hoje a oportunidade de conhecer, pela tv, o deputado Amadeu Albergaria, do PSD, e o deputado Michael Seufert, do CDS. Tive essa oportunidade, porque estes deputados intervieram, no Parlamento, para explicar as razões que levaram os seus partidos a não votar favoravelmente os Projectos de Resolução apresentados pelo PCP e BE, com vista à suspensão do actual modelo de (pseudo) avaliação do desempenho docente. (...)
o currículo do deputado Michael Seufert é, deve ser salientado, particularmente sui generis. (...) Michael Seufert declara que das suas habilitações literárias também fazem parte a frequência de licenciatura em Engenharia Electrotécnica e de Computadores - Ramo Telecomunicações - Redes de Dados e a frequência de mestrado no mesmo curso. Isto é, Michael Seufert ainda não concluiu a licenciatura, mas já frequenta o mestrado. Eu não sabia que isto era possível, mas, pelo vistos, deve ser (...) ainda pude verificar, no seu original currículo, que a profissão deste deputado, de 28 anos, é: estudante.» - M.C.
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um mail do CDS para mim!!

dois, a bem dizer ...

fui repescar umas coisas q me chegavam quando decidia enviar para os vários grupos parlamentares os meus protestos e 'recados' .. recebi muiiiiiiiitas promessas do CDS, algumas do seu líder, PP ..
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«Ora esguardai, como se fôsseis presentes, uma tal cidade assim desconfortada e sem nenhuma certa fiúza de seu livramento, como viveriam em desvairados cuidados, quem sofria ondas de tais aflições? ...» - FERNÃO LOPES, Crón. D. João I
pois esguardai!

1
from Grupo Parlamentar CDS-PP gp_pp@pp.parlamento.pt
to Ana Lima
date Thu, Jan 8, 2009 at 4:54 PM
subject RESPOSTA - contra a avaliação-fantochada do ME
mailed-by pp.parlamento.pt

Grupo Parlamentar CDS-PP to me




Grupo Parlamentar


Cara Professora Ana Maria Pereira Lima Silva,

Como penso que sabe, o CDS apresentou um Projecto de Resolução que previa a suspensão do actual modelo e que apontava caminhos para um modelo transitório para o presente ano lectivo. Foi votado no passado dia 5 de Dezembro e esteve quase a ser aprovado. Infelizmente, tal não aconteceu e perdeu-se uma oportunidade de sair deste impasse e ultrapassar a teimosia e arrogância do Ministério da Educação nesta matéria.

Neste âmbito, e uma vez que houve abertura para a visão do CDS-PP sobre esta injustiça, apresentamos já um Projecto de Lei, que será discutido no próximo dia 23 de Janeiro, que consagra a revogação dos presentes decretos regulamentares e onde apresentamos uma avaliação transitória para o presente ano lectivo, que vai de acordo às exigências dos professores, mas também às necessidades das escolas no desenvolvimento normal das suas actividades. Este projecto, se mantiver o acolhimento que a proposta inicial do CDS teve, pode ser a solução definitiva para a questão da avaliação dos professores.

Até lá, viabilizaremos todas as iniciativas que ajudem a resolver, ainda que só parcialmente, esta questão.

Atentamente

Paulo Portas
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mensagem q motivou a resposta:
Enviada: quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009 16:12
Assunto: contra a avaliação-fantochada do ME
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«Caros Deputados,

Hoje vão ter a possibilidade de fazer justiça, votando favoravelmente a proposta apresentada pelo grupo parlamentar do PSD! Vão ter 150.000 Professores a olhar, atentamente, para cada um de vós. Queremos ser avaliados, mas não por este modelo "remendado" e pedagogicamente duvidoso. PEDIMOS UMA ÚLTIMA VEZ: FAÇAM JUSTIÇA - VOTEM FAVORAVELMENTE E SUSPENDAM ESTE MODELO DE AVALIAÇÃO DO ME! Façam tréguas nas "guerras" partidárias!»

Ana Maria Pereira Lima Silva, Professora

2.

from Presidência CDS-PP presidencia@cds.pt
date Thu, Feb 26, 2009 at 12:28 PM
subject Fw: RESPOSTA - SER PROFESSOR


Cara Ana Lima,

Embora os deputados do CDS já tivessem lido o seu e-mail só agora o pude avaliar pausadamente. Como, na minha família, tive e tenho professores, "revisitei" , no seu texto muito do que é a ética de serviço de um professor. Impressiona-me ( e cansa) a tentativa de "virar o país" contra os professores. Pela injustiça, pela desmotivação que causa e pelo péssimo serviço prestado ao país. Bem haja pelo seu texto.

Com estima,
Paulo Portas
Gabinete da Presidencia
Largo Adelino Amaro da Costa, 5
1149-063 Lisboa
Telefs: 21.881 47 22/39
Fax: 21.886 10 11
E-mail: presidencia@cds.pt
----- Original Message -----
From: Grupo Parlamentar CDS-PP
To: Pedro Mota Soares
Cc: Presidência CDS-PP
Sent: Tuesday, January 20, 2009 3:53 PM
Subject: FW: RESPOSTA - SER PROFESSOR

De: Ana Lima [
Enviada: terça-feira, 20 de Janeiro de 2009 15:12
Para: Grupo Parlamentar CDS-PP
Assunto: Re: RESPOSTA - SER PROFESSOR

Obrigada por ter respondido..
Espero que o texto que enviei tenha, de algum modo, servido para 'lançar luz' sobre o que é, de facto, isto de "ser professor".
Com os meus cumprimentos,
Ana Lima

2009/1/20 Grupo Parlamentar CDS-PP

Cara Professora Ana Lima,

Começo, desde já, por agradecer o seu contacto.


Como já tem conhecimento, o CDS-PP apresentou um Projecto de Lei que vem na sequência de um anterior Projecto de Resolução que previa a suspensão do actual modelo - e que apontava caminhos para um modelo transitório para o presente ano lectivo. Foi votado no passado dia 5 de Dezembro e esteve quase a ser aprovado. Infelizmente tal não aconteceu, como bem sabe, e perdeu-se uma oportunidade de sair deste impasse e ultrapassar a teimosia e arrogância do Ministério da Educação, nesta matéria.

Neste âmbito - e uma vez que houve abertura para a visão do CDS-PP sobre este problema na Educação - o nosso Projecto de Lei será votado nesta sexta-feira, dia 23 de Janeiro. Este Projecto do CDS consagra a revogação dos presentes decretos regulamentares e apresenta uma avaliação transitória para o presente ano lectivo - que vai de acordo com as exigências dos professores e também com as necessidades das escolas no desenvolvimento normal das suas actividades.

Queremos, neste âmbito como em todas as nossas propostas, apresentar soluções para que o País possa, de uma forma responsável, voltar à normalidade no seu sistema público de Educação. Acredito que este projecto, se mantiver o acolhimento que a proposta inicial do CDS teve, pode ser a solução definitiva para a questão da avaliação dos professores. 

Espero que no próximo dia 23 seja um dia de normalização do sistema de ensino público.

Atentamente,

Paulo Portas



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Enviada: sábado, 17 de Janeiro de 2009 12:12
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Assunto: SER PROFESSOR
Aspectos que toda a gente parece ignorar sobre a profissão de professor e que será bom esclarecer:

1º. Esta é uma profissão em que a imensa maioria dos seus agentes trabalha (em casa e de graça, entenda-se) aos sábados, domingos, feriados, madrugada adentro e muitas vezes, até nas férias! Férias, sim, e sem eufemismos, que bem precisamos de pausas ao longo do ano para irmos repondo forças e coragens. De resto, é o que acontece nos outros países por essa Europa fora, às vezes com muito mais dias de folga do que nós: 2 semanas para as vindimas em Setembro/ Outubro, mais duas para a neve em Novembro, 3 no Natal e mais 3 na Páscoa, 1 ou 2 meses no verão.
2º. É a única profissão em que se tem falta por chegar 5 minutos atrasado (5 minutos que equivalem a um tempo, de 45 ou 90 minutos!)
3º. É uma profissão que exclui devaneios do tipo "hoje preciso de sair meia hora mais cedo", ou o corriqueiro "volto já" justificando a porta fechada em horas de expediente.
4º. É uma profissão que não admite faltas de vontade e motivação ou quaisquer das 'ronhas' que grassarão, por exemplo, no ME (quem duvida?) ou na transparente AR.
5º. É uma profissão de enorme desgaste. Ainda há bem pouco tempo foi divulgado um estudo que nos colocava na 2ª posição, a seguir aos mineiros, mas isto, está bom de ver, não convém a ninguém lembrar…
6º. É uma profissão que há muito deixou de ser acarinhada ou considerada, humana e socialmente. Pelo contrário, todos os dias somos agredidos – na nossa dignidade ou fisicamente (e as cordas vocais não são um apêndice despiciendo…) , enxovalhados na praça pública, atacados e desvalorizados, na nossa pessoa e no nosso trabalho, em todas as frentes, nomeadamente pelo 'patrão' que, passe a metáfora económica tão ao gosto dos tempos que correm…, ao espezinhar sistematicamente os seus 'empregados' perante o 'cliente', mais não faz do que inviabilizar a 'venda do produto'!
7º. É uma profissão em que se tem de estar permanentemente a 100%, que não se compadece com noites mal dormidas, indisposições várias (físicas e psíquicas) ou problemas pessoais …
8º. É uma profissão em que, de 45 em 45, ou de 90 em 90 minutos, se tem de repetir o processo, exigente e desgastante, quer de chegar a horas, quer de "conquistar" , várias vezes ao longo de um mesmo dia de trabalho, um novo grupo de 20 a 30 alunos (e todos ao mesmo tempo, não se confunda uma aula com uma consulta individual ou a gestão familiar de 1, 2, 'n' filhos...)
9º. É uma profissão em que é preciso ter sempre a energia suficiente (às vezes sobre-humana) para, em cada turma, manter a disciplina e o interesse, gerir conflitos, cumprir programas, zelar para que haja material de trabalho, atenção, concentração, motivação e produção. Batemos aos pontos as competências exigidas a qualquer dos nossos milionários bancários, dos inefáveis empresários, dos intocáveis ministros! Ao contrário deles (da discrepância salarial e demais benesses não preciso nem falar) e como se não bastasse tudo o que nos é exigido …
10º. ainda somos avaliados, não pelo nosso próprio desempenho, mas pelos sucessos e insucessos, os apetites e os caprichos dos nossos alunos e respectivas famílias, mais a conjuntura política, económica e social do nosso país!
Assim, é bom que a "cara opinião pública" comece a perceber por que é que os professores "faltam tanto" – leia-se 'faltavam' (*)
Para além do facto de, nas suas "imensas" faltas, serem contabilizadas também situações em que, de facto, estão a trabalhar :
- no acompanhamento de alunos em visitas de estudo,
- em acções, seminários, reuniões, para as quais até podem ter sido oficialmente convocados,
- para ficarem a elaborar ou corrigir testes e afins , que não é suficiente o tempo atribuído a essas tarefas ,
- ou, como vem sucedendo ultimamente, a fazerem em casa, que é o sítio que lhes oferece condições, horas e horas não contabilizadas do obrigatório "trabalho de escola"….
Para além disto, e não é pouco, há pelo menos, como acima se terá visto, toda uma lista de 10 boas e justificadas razões para que o façam.

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Correcção : as nossas faltas nem sequer são faltas! São dias descontados ao período de férias!
(*) agora praticamente não faltamos: 5 dias/ano de artigo 102 contra os anteriores 12 ou os 24 dias (2 por mês) do antigo artigo 4.º, alguém se lembra? Não faltamos, o que não se traduz necessariamente em maior produtividade, muito menos em mais qualidade.
· Agora vamos para as aulas, doentes, indispostos, mal dormidos, encharcados em calmantes (sim, em que acham que resulta o stress em que nos têm mantido nos últimos 3 anos?!).
· Nem temos, sequer, hipótese de ir ao médico, que nos obrigam a repor as aulas (escapamos apenas se estivermos presos, sabiam?) Mais: o nosso médico, que nos conhece há 20 anos, não pode atestar da nossa doença, se não for convencionado!! - esta, uma situação do mais aberrante, nas raias do surrealismo!!
· Os testes que dantes ficávamos a corrigir (abdicando de dias de férias) demoram agora semanas e semanas a serem entregues aos alunos…
E … também há quem, não dando uma única falta, tenha (nas aulas, em casa..) uma 'rica vida', acreditem!
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"não é oportuno" ..... agora .....

Tribunal Constitucional "chumbou" a revogação do modelo de avaliação
PSD e PS em disputa eleitoral pela avaliação de professores

30.04.2011 - 13:49 Por Sofia Rodrigues


PS e PSD estão a tentar capitalizar eleitoralmente o travão do Tribunal Constitucional (TC) à revogação da avaliação dos professores. Dois ministros socialistas reclamaram ontem vitória por causa da declaração de inconstitucionalidade do decreto. O PSD, que forçou a revogação do diploma no Parlamento, transforma o caso numa promessa eleitoral.

imbecis ao poder!

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eles .. a bem dizer .. já lá estão ..
"É extraordinário! Neste abençoado país todos os políticos têm «imenso talento». A oposição confessa sempre que os ministros, que ela cobre de injúrias, tem, à parte os disparates que fazem, um «talento de primeira ordem»! Por outro lado a maioria admite que a oposição, a quem ela contantemente recrimina pelos disparates que fez, está cheia de «robustíssimos talentos»!
De resto todo o mundo concorda que o país é uma choldra. E resulta portanto este facto supracómico: um país governado «com imenso talento», que é de todos na Europa, segundo o consenso unânime, o mais estupidamente governado! 
Eu proponho isto, a ver: que, como os talentos sempre falham, se experimentem uma vez os imbecis!"
— José Maria Eça de Queirós (Os Maias)

fantoches e fantochadas

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uma corja de mentirosos, oportunistas, sem carácter
exemplos do que aparece quando no google se faz a busca "avaliação de professores" :
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Tribunal chumba anulação da avaliação dos professores | economico.sapo.pt/.../tribunal-chumba-anulacao-da-avaliac... - Em cache
A revogação da avaliação dos docentes aprovada no Parlamento por toda a oposição foi hoje considerada inconstitucional.
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www.fenprof.pt/ - Em cache
Regime de avaliação do desempenho foi suspenso: escolas e professores livram-se de uma inutilidade mas outros problemas persistem (documento aprovado pelos ...  ???????????????? - no site ñ vi nada!!! ..
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tsf: PSD e CDS dizem que projectos do PCP e BE não são oportunos
Ontem às 17:26Artigo com Áudio
PSD e CSD contornaram, esta quarta-feira, as exigências do PCP e BE para a suspensão imediata da avaliação dos professores, contrapondo que o Governo apresentará um novo modelo até ao início do ano lectivo.
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Fenprof espera respostas sobre avaliação de desempenho na próxima semana  (pois, é por isso mesmo que eu me vou dessindicalizar!)
Ministro promete modelo de avaliação reformulado para «muito em breve»
PSD promete insistir na revogação do actual modelo de avaliação ??!!-o PSD?! .. ?? ?? ?? ?? ?? ?? !!! !!!   !!!! !!!! !!!! !!!! !!!!!! !!!!!! !!!!!! !!!! !! !!!!! !!!! !!!! !!!! !!!


roubado do Kaos:


«Andou a babar-se para chegar ao poder, não teve dúvidas em criar uma crise política para lá chegar, negou a crise internacional e prometeu o que agora não cumpre. (...) »
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pq rir é o único remédio

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Gente "fina" é outra coisa...


Um casal de Cascais foi de férias para o Amazonas. Estão no hotel e, para passar o tempo, resolvem alugar uma lancha e vão navegar para o rio.

Acontece que a embarcação bate num tronco, faz um rombo, começa a meter água e a afundar-se.

Os jacarés que se encontravam na margem atiram-se imediatamente à água...

Ela, ao ver aquilo, exclama para o marido:

"Oh, Bernardo!... Eu acho o máximo o Amazonas!... Já viu???... Para além do hotel ser super-estupendo e a lancha ser, imensamente, de todo!... Olhe os salva-vidas!... São da Lacoste!!!..."

pois .. mundo cão


Os 25 mais ricos de Portugal aumentaram fortunas para 17,4 mil milhões

27.07.2011 - 20:02 Por Ana Rute Silva  - aqui
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A fortuna dos 25 mais ricos de Portugal aumentou 17,8 por cento, somando 17,4 mil milhões de euros, revela a lista anual da revista Exame, liderada por Américo Amorim. Após três anos consecutivos de queda, os bilionários conseguiram aumentar os seus activos.

Os 10 mais ricos
1º Américo Amorim: 2587,2 milhões de euros
2º Alexandre Soares dos Santos: 1917,4 milhões de euros
3º Belmiro de Azevedo: 1297,6 milhões de euros
4º Família Guimarães de Mello: 1006,6 milhões de euros
5º Família Alves Ribeiro: 779,7 milhões de euros
6º Perpétua Bordalo da Silva e Luís Silva: 679,7 milhões de euros
7º Rita Celeste Violas e Sá, Manuel Violas: 650,6 milhões de euros
8º Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo: 645,8 milhões de euros
9º Família Cunha José de Mello: 638 milhões de euros
10º António da Silva Rodrigues: 551 milhões de euros

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Sei que pareço um ladrão...
Mas há muitos que eu conheço
Que, sem parecer o que são,
São aquilo que eu pareço.
António Aleixo

um mundo justo ..

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A Forma Justa
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Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo
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Sophia de Mello Breyner Andresen

retirado daqui

Where Did It All Go Wrong?

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27 julho 2011

'einde-vos uns aos outros!

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vómito de Millie Brown
o norte é que sabe, quando se trata de extravasar fúrias; eu é q já de lá saí há mto tempo, ainda vou em eufemismos ..
ah, e os fantoches somos nós, que aturamos esta canalha dos políticos, que não lhes atiramos com ovos, não lhes cuspimos para a cara. 
e mais não digo.

do Luís Costa, aqui : «Tributo às Prostitutas»
do Octávio Gonçalves, aqui : «que espécie de iniciativa "maricas" é esta que, hoje, vai a votação no Parlamento?»
          e  aqui: «Desacreditei. Ponto final.»

do Mário Carneiro, aqui: «A avaliação do monstro»
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e a propósito ...... o Mário Nogueira .........? foi a banhos? 
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adenda:
pela parte q me toca, farei .. o relatório no dia 30 de agosto, se me apetecer ..

tb desisto: ñ quero mais saber desta bandalheira nacional - políticos, sindicatos, tvs, jornais e futebóis; pois q sejam todos muito felizes, e q ninguém ouse queixar-se-me em setembro!

p'ra já, p´ra já, vou-me dessindicalizar.
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NOJO   NOJO   NOJO   NOJO   NOJO
NOJO   NOJO   NOJO   NOJO   NOJO.

a Caverna - de Platão a Matrix

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Mito da Caverna, Matrix , TV : absolutamente a ver! (vídeo ñ incorporável)
como a TV afecta o nosso cérebro:
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Amy & Carole

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From Amy's first album "Frank"
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gregos vs portugueses

por grazia tanta,
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Grécia e Portugal.  

Razões para os gregos terem pouca consideração pela reacção dos portugueses ao aperto da troika

É bem claro o que diz o economista grego neste vídeo :



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1º - Não devemos, não pagamos, como posição de princípio;
2º - Há um movimento que executa essa ideia, recusando pagar autoestradas, serviços públicos, etc;
3º - A auditoria é feita através de 19 grupos coordenados e competentes para a recolha de informação pública pois é transparente que o governo grego não vai fornecer dados;

O que se passa na Grécia é bem diverso do que se vem pretendendo para aplicação em Portugal

Como venho dizendo*, proceder a uma auditoria como a levada a cabo pelos gregos é possível em Portugal, a despeito de se estar bem longe do grau de desobediência civil, de mobilização popular e de maturidade política e organizativa evidenciada pelos gregos.

Porém, em Portugal, pretendem, grupos com fortes apoios políticos, sindicais e (curiosamente) mediáticos, com intuitos pouco transparentes, apontar apenas como ponto único de objectivo, uma auditoria.
Aqui, os amadores, os infiltrados de partidos, os candidatos à construção de novos agrupamentos partidários e afins, colocam na agenda, a auditoria cidadã. E mais não dizem.
É curto e enganador; apenas visam entreter as pessoas para mascarar a inépcia política de que são portadores, enquanto o tempo passa e a troika aplica o seu programa.
Como é evidente, colocam um instrumento (auditoria) no lugar do objectivo que deverá ser não pagar esta dívida que nos querem fazer engolir como nossa. A auditoria que querem é descontextualizada de uma acção política, subalterniza a mobilização social, a construção de movimento aglutinador, sem controlos partidários. 

Qualquer acção consequente contra a dívida que nos esmaga passa por:

  1. Declaração política, clara de que não devemos, não pagamos a obscura dívida que nos imputam;
  2. Mobilização social num quadro de unidade contra a troika e os seus agentes locais; num quadro não controlado por partidos, proto-partidos e organizações sindicais;
  3. Paralelamente, recolha de informação sobre a corrupção, os compadrios, os pagamentos ínvios, as muitas e variadas formas de descapitalização do Estado e de assalto aos nossos bolsos e direitos;
  4. Denúncia sistemática desses elementos recolhidos junto da população, por todos os meios possíveis, como justificação para que se recuse o pagamento;
É para isto que estou disponível. E vocês?

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a lição da Islândia

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Islândia: economia recupera três anos depois da crise

População satisfeita por governo não ter resgatado bancos. Regresso ao mercado da dívida bom, entrada no euro em dúvida

Por Redacção (Agência Financeira)
2011-07-24 11:01

Os islandeses sentem que a situação económica melhorou depois da crise de 2008, mas estão satisfeitos por não terem resgatado os bancos e por terem feito frente aos políticos.

«As coisas estão melhor porque foram feitas boas escolhas e [os políticos] ouviram o que a população queria», disse Annel Finnbogason ao enviado especial da agência Lusa a Reiquejavique.

Este assistente social de 45 anos lembra como os islandeses fizeram manifestações e se revoltaram contra o primeiro-ministro da altura, Geir Haarde, o qual atacaram com ovos em Janeiro de 2009.

Depois disso o político demitiu-se e foi processado por negligência no colapso dos bancos islandeses, o que Finnbogason considera «justo porque tomou más decisões».

Outro sinal de descontentamento e vitória popular foi a reprovação, por 93 por cento, do reembolso dos depósitos britânicos e holandeses no Icesave, um dos bancos que faliu, o que dificultou as negociações internacionais.

«Sinto-me orgulhosa das pessoas que se uniram», recorda a Sunna Johannsdottir, de 21 anos, enquanto Marteinn Gudjonsson afirma que «o povo fez a diferença» no rumo que o país tomou.  - ler mais

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25 julho 2011

CLARICE LISPECTOR

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«Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. »
«Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa, ou forte como uma ventania, depende de quando, e como, você me vê passar!».
«Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre...» 
«Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...»
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1920: Nasce Clarice Lispector, no dia 10 de dezembro [.. como uma que eu cá sei ..] de 1920, em Tchechelnik, uma aldeia da Ucrânia, terra de seus pais, Pedro e Marieta Lispector. - 1921: Em fevereiro, com apenas dois meses, chega a Maceió, Alagoas, com seus pais e suas duas irmãs, Elisa e Tânia. E o português do Brasil será a língua materna da menina Clarice.
(biografia: vidas lusófonas e releituras)

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CLARICE LISPECTOR (10/12/1920 - 9/12/1977) continua sendo algo estranho e fascinante na literatura brasileira. Dotada de especial sensibilidade, sua preocupação maior nunca esteve no enredo, no linear das coisas. Exigiu, ao contrário, que o leitor se entregasse em meditação à aventura de ler, se quisesse desfrutar da profundidade dos conceitos que se multiplicavam.

Alguém chegou mesmo à ousadia de dizer que CL era uma grande escritora à procura de um tema  ( ... )




Clarice Lispector: uma cosmovisão
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AQUI e AGORA
Estou tentando captar a quarta dimensão do instante-já. Meu tema é o instante? Meu tema de vida. Procuro estar a par dele, divido-me milhares de vezes, em tantas vezes quanto os instantes que decorrem, fragmentária que sou e precários os momentos – só me comprometo com a vida que nasça com o tempo e com ele cresça: só no tempo há espaço para mim.
Domingo é o dia dos ecos – quentes, secos, e em toda a parte zumbidos de abelhas e vespas, gritos de pássaros e o longínquo das marteladas compassadas – de onde vêm os ecos de domingo? Eu que detesto domingo por ser oco.
Nada existe de mais difícil do que entregar-se ao instante. Esta dificuldade é dor humana. É nossa. Eu me entrego em palavras e me entrego quando pinto.

ASPIRAÇÃO – I
Quero apossar-me do é da coisa.
Quero possuir os átomos do tempo.
Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.
Mas bem sei o que quero aqui: quero o inconcluso. Quero a profunda desordem que no entanto dá a pressentir uma ordem subjacente.
Um dia eu disse infantilmente: eu posso tudo. Era a antevisão de poder um dia me largar e cair num abandono de qualquer lei. Elástica.


EROS
Só no ato do amor – pela límpida abstração de estrela do que se sente – capta-se a incógnita do instante que é duramente cristalina e vibrante no ar e a vida é esse instante incontável, maior que o acontecimento em si.
No amor o instante de impessoal jóia refulge no ar, glória estranha de corpo, matéria sensibilizada pelo arrepio de instantes.
Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser então.
O anel que tu me deste era de vidro e se quebrou e o amor acabou. Mas às vezes em seu lugar vem o belo ódio dos que se amaram e se entredevoraram.
Olha para mim e me ama. Não: tu olhas para ti e te amas. É o que está certo.

VERBUM – I
A palavra é a minha quarta dimensão.
O que pintei nessa tela é passível de ser fraseado em palavras? Tanto quanto possa ser implícita a palavra muda no som musical.
E eis que percebo que quero para mim o substrato vibrante da palavra repetida em canto gregoriano.
Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio.
O que te falo nunca é o que te falo e sim outra coisa. 
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compilado por Márcio José Lauria

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Clarice ...  por ...  Clarisse:
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Temperamento impulsivo
“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

Lúcida em excesso
“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”.
C.L. pintada por Giorgio de Chirico

Ideal de vida
“Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser. O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de ‘a protetora dos animais’. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la. [...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima. É pouco, é muito pouco.”
ler mais:

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Não entendo
Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação:
quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Clarice Lispector
(1920-1977)

retirado daqui
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Perdoando Deus

“ Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele.”- CL
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Em 1° de fevereiro de 1977, Clarice comparece aos estúdios da TV Cultura, canal 2, em São Paulo, para um debate e acaba concedendo entrevista ao jornalista Júlio Lerner para o programa Panorama Especial. No entanto, pede ao entrevistador que a entrevista só vá ao ar após a sua morte. Este se tornaria o único registro audiovisual da autora, que aí se mostra reservada, imprevisível e extremamente angustiada. O pedido foi atendido e a TV Cultura só exibiu a entrevista no dia 28 de dezembro, 19 dias após a sua morte.
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No total são 5 vídeos que emocionam os fãs de Clarice Lispector.
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Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=9ad7b6kqyok
Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=TvLrJMGlnF4
Parte 3 - http://www.youtube.com/watch?v=2Orgxd9bD_c
Parte 4 - http://www.youtube.com/watch?v=ptCJzf20rbY
Parte 5 - http://www.youtube.com/watch?v=TbZriv5THpA
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- Clarice Lispector por Aracy Balabanian (ouvir!)
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PPC e PP, aprendam!

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Egipto diz não ao FMI
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«O Egipto ousou dizer "não" ao FMI, três semanas depois do [governo do] Cairo ter chegado a um acordo com esta instituição internacional quanto à concessão de um empréstimo de 3000 milhões de dólares (2100 milhões de euros), destinado a financiar o défice orçamental egípcio.

O governo do Egipto preferiu proceder a uma revisão do orçamento do ano económico que começou em Julho, declarando que, para já, não precisa de empréstimos. As necessidades poderão ser cobertas por um imposto sobre os rendimentos mais elevados... Os ricos emirados árabes, como o Qatar, também ajudaram ao financiamento do orçamento egípcio oferecendo 500 milhões de dólares, enquanto a Arábia Saudita terá prometido uma soma equivalente.

O volte-face do ministro egípcio das finanças Samir Radwan foi realizado sob pressão do movimento da praça Tahrir que propôs tributar os ricos em vez de pedir no estrangeiro.  Aliás, uma das razões do descontentamento social crescente que fez cair Mubarak foi o facto de ele ter baixado a taxa superior de tributação, favorecendo assim os ricos».

http://offxore.blogspot.com/2011/07/egipto-diz-nao-ao-fmi.html
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quem pondera sempre alcança?

Educação
Crato pondera anular efeitos da avaliação nos contratados

Ana Petronilho
25/07/11 00:05


Sindicatos dizem que Crato está “receptivo” a cancelar resultados da avaliação.

A avaliação dos docentes, aprovada pelo anterior Governo e ainda em vigor, está em vias de ser neutralizada nos concursos para professores contratados. Esta foi uma das principais reivindicações dos sindicatos de professores durante as primeiras reuniões com o novo ministro da Educação, Nuno Crato, segundo a Federação Nacional de Professores (Fenprof) e a Federação Nacional da Educação (FNE).

Em causa estão cerca de 35 mil professores contratados, que concorreram ao próximo ano lectivo, e que foram avaliados no actual sistema. Este modelo prevê que os professores com um resultado "muito bom" ou "bom" consigam um lugar à frente na lista nacional, sendo assim mais fácil a colocação numa escola.

"O ministro reconheceu como sendo absurdas" as implicações que os resultados da avaliação docente têm no concurso de colocação dos professores contratados, assegura ao Diário Económico o membro da direcção nacional da Fenprof, António Avelãs. Também a FNE levantou esta questão junto do ministro e assume que quer "diminuir ao máximo as consequências desta avaliação", ao que Nuno Crato terá sido "receptivo", acrescenta o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva. 

Muito bem!
Agora o que eu pergunto é,
E os outros? Os não contratados? Não escapam à condenação desta sentença surreal? Vão sucumbir ao processo monstruoso e kafkiano? Passar o mês de Agosto enredados em papeis, evidências, descritores, relatórios, auto-avaliações?
Saberão NC, AA, JDS, que o pesadelo ainda não acabou para os restantes milhares de professores?! Que se arrasta até 31 de Agosto?
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I am a Norwegian -2

no Público:
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O terrorismo chegou ao país do Nobel da Paz  -  fotogaleria
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in Norway News, aqui
[23.07.2011, 02:42pm, Sat. GMT]
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Norway stands firm against acts of terror

Oslo, 24 julho 2011
Terrorism has little to do with politics or beliefs: it is an act of the criminally insane. While the man behind the bombing in Oslo and the shootings at a youth camp on the Norwegian island of Utoeya, will ultimately have to explain his actions in a court of law, nothing he says is likely to help the rational world come to terms with yet another senseless attack on innocent people.

The murder spree left an estimated 92 people dead, many young people at a Norwegian Labour party camp and were described as being among the country's finest. In his reaction, the Norwegian Prime Minister, Jens Stoltenberg, said: "No one will bomb us to silence, no one will shoot us to silence, no one will ever scare us from being Norway."

This is important as Norway is among those countries which have domestic and international policies based on the principles of democracy, tolerance, justice and the rule of law and respect for human rights. In this they have been a sterling example to the international community. If the attacks, allegedly by a Norwegian rightwing fundamentalist, had caused the country to turn its back on these values, then the gunman would have succeeded in inflicting an even more grievous injury on all those committed to a peaceful, tolerant world. This is perhaps something that those who were quick to try and link the attacks to Islamic fundamentalists should think about.

Making uninformed speculation before there is time to establish at least some basic facts, feeds into the distrust and hysteria terrorists try to spread. The UAE (United Arab Emirates) was among those countries that condemned the attacks. Reflecting the sentiments of the international community, UAE Foreign Minister Shaikh Abdullah Bin Zayed Al Nahyan expressed the country's "full solidarity with the government of Norway in confronting these criminal acts". 
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A Noruega “não abandonará jamais os seus valores”, diz primeiro-ministro - ler mais

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O extremista, que confessou ter levado a cabo os ataques que provocaram pelo menos 93 mortos em Oslo e numa ilha perto, vai ficar em prisão preventiva durante oito semanas - até 26 de Setembro - e não poderá ter nenhum contacto com o exterior até ao dia 22 de Agosto.   

sobreviventes da ilha de Utoeya
A justiça norueguesa decidiu hoje que há risco de o suspeito poder destruir ou comprometer provas caso seja libertado.
A polícia está a investigar a alegação de que haveria cúmplices ou mais células ligadas a Breivik. No seu manifesto-diário, Breivik contava ter feito tudo sozinho.
Breivik foi ouvido hoje pela primeira vez em tribunal, à porta fechada, e a audiência já acabou. - ler mais

Última actualização às 16h14

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Manifesto de Breivik: cerca de 11 mil “traidores” portugueses deveriam morrer- ler
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o medo

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de Carlos Drummond de Andrade
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a poem a day keeps the devil away

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o título é de uma página do FB, criada há pouco tempo..
uma ideia feliz, um oasis ..
está aqui

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e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia
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Al Berto

I AM A NORWEGIAN

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"In spite of this attack we will be even more open, more tolerant and more democratic if it is possible. Let me quote the leader of the youth party who were on the island: “You will not destroy us. You will not destroy our democracy or our ideals for a better world”. This is his peace globe."- Renny Bakke Amundsen

One of the young survivors from the island attack has expressed this in an excellent way: “If one man can show so much hate, think how much love we can show together.“  - RennyBA

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«Eu, quando choro,
não choro eu.
Chora aquilo que nos homens
em todo tempo sofreu.
As lágrimas são as minhas,
mas o choro não é meu.»
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António Gedeão
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