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03 julho 2011

Santana Castilho arrasou hoje na Sic notícias

hei-de também dizer de minha justiça..
mas para já, aqui ficam duas análises sobre a intervenção de Santana Castilho no jornal das 19, SIC notícias, 3 de Julho de 2011


1.
do Luís Costa, um texto que subscrevo inteiramente:
Magistral

«Santana Castilho tem o condão de superar constantemente as minhas expectativas, apesar de estas serem, como todos sabem, muito elevadas. Já Passos Coelho, não deixando os seus créditos por mãos alheias, mas soprou todas num instante. São ambos insuperáveis, embora em campos diferentes.
Num punhado de minutos, o autor de O Ensino Passado a Limpo pôs a nu o verdadeiro carácter de Pedro Passos Coelho, e lavou a seco as políticas governamentais para a Educação. Como todos esperávamos, confirmou-se a farsa dos dois programas, assim como a pantomina da mudança súbita nas intenções do líder do PSD relativamente à entrega da pasta do ME. Um verdadeiro salto mortal com pirueta. Depois… Bem, depois começou o concerto.
No xadrez das unidades de medidas educativas ― tem de se dizer assim, pois Nuno Crato é um matemático puro ―, destaco o grande balde de água fria que obrigou alguns entusiastas da suposta suspensão do encerramento de escolas do primeiro ciclo a tomarem banho e a mudarem de roupa antes do jantar. Como bem demonstrou o Professor, a medida é provisória e resulta apenas de alguns constrangimentos logísticos. Antes não fosse!
Como numa sinfonia ― assim como esta que estão a ouvir neste momento ―, Santana Castilho, em envolvente cadência, fez saltar da sua batuta a desonestidade da não suspensão do actual modelo de avaliação, a hipocrisia da maior autonomia das escolas e do reforço da autoridade dos professores, a continuidade das políticas de “agrupamentação” e de esvaimento do interior, os passos adiante na municipalização das escolas e no reforço do controlo remoto através de directores como-que-eleitos… Pelo meio, surgiram algumas notas cratinas ― oriundas do oboé do ministro da Educação ―, que soaram descompassadas, dissonantes, como se tivessem sido escritas em papel quadriculado.
Finda a melodia, ficou-me a eterna pergunta a revolutear no cérebro: PORQUÊ, DR. PEDRO PASSOS COELHO?»
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2.
 'roubado' do Octávio Gonçalves, mais um texto que aplaudo e subscrevo:
daqui

Santana Castilho arrasa a dupla Passos e Crato

«Numa confirmação de coerência, competência, classe e capacidades comunicativa e argumentativa ímpares, Santana Castilho acaba de arrasar, no Jornal das 7 da SIC Notícias (entre as 19.08 e as 19.20), o programa do Governo/PSD para a Educação e o perfil de incoerência e desonestidade política de Pedro Passos Coelho, deixando pouco lugar a esperanças numa dupla que alia o descrédito do Primeiro-Ministro à ignorância do Sistema e da Educação do Ministro da Educação e Ciência.
Mais logo, espero que contando já com o vídeo da intervenção, explanarei o conteúdo das suas críticas (com destaque para a mentira e a ignorância que suporta a decisão de não revogação imediata do modelo de avaliação), mais uma vez totalmente coincidentes com as minhas e as de muitos milhares de professores, e a natureza absolutamente demolidora do seu juízo sobre Pedro Passos Coelho.»
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07 maio 2011

homenagem a Luís Costa

porque ele merece!

  • são grandes os Homens que não precisam de se 'pavonear' para que outros lhes vislumbrem o valor
  • são grandes os Homens que se mantêm fieis às suas causas, às suas convicções, muito especialmente quando isso não lhes é de todo favorável. quando outros se arrebanham, se vergam a conveniências, políticas, partidárias, sindicais.
  • são grandes os Homens que não têm vergonha de se expor. que mostram o que lhes vai na alma por inteiro, as palavras significando isso mesmo que dizem, duras, indignadas, comovidas, apaixonadas.
  • são grandes e são raros os Homens bons, os que lutam e se indignam e desanimam e de novo lutam e sempre, por mais sós, descrentes, magoados. porque esse é um destino a que não escapam. porque  é essa a sua natureza.

Luís Costa é professor e escritor, editor do blogue DaNação. Regressou à blogosfera porque tinha que ser, cumprindo um destino, honrando a sua natureza. Fê-lo com estas palavras:
«Dedico ao Professor Santana Castilho este regresso ao meu posto. A sua inteligência, a sua determinação, a sua persistência férrea e a sua coerência absoluta são profundamente inspiradoras, despertam as energias e abalam as consciências.»

Pelos teus vários regressos, Luís, por seres esse Homem grande, o meu obrigada!
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24 novembro 2010

greve, greve e greve! - de Luís Costa

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um artigo de outro PROFESSOR, Luís Costa, do blogue DaNação - a ler, absolutamente!


«Cada vez mais só, continuo, no entanto, a pensar pela minha cabeça e a fazer de “idiota útil”, quando isso convém à luta dos professores. É a minha consciente ingenuidade labrega, a eterna sujeição aos princípios que norteiam a minha conduta, a incorrigível submissão dos interesses estritamente pessoais às causas que considero benéficas para o colectivo. É POR ISSO QUE FAÇO GREVE.(...) »
(...)
«PREFIRO SER “IDIOTA ÚTIL”, EM PROL DA MINHA CLASSE PROFISSIONAL, DA MINHA “RELIGIÃO DOCENTE”, DA ESCOLA EM QUE ACREDITO, A SER UM MALABARISTA DE LUXO DOS INTERESSES INSTALADOS. E sou tão burro, tão burro, tão burro, que vou aproveitar metade do dia para ir a uma consulta médica e a outra metade para… corrigir trabalhos e preparar as aulas do dia seguinte. (...) »

ler texto completo aqui



um poema de Miguel Torga que lhe dedico, e a todos os PROFESSORES que lutam pelas suas crenças :

 
Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!

Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.

E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.

Miguel Torga
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24 junho 2010

um blogue que vale, um apelo

É do Luís Costa a carta aberta que aqui incluo. Vi-a citada no facebook, retirei-a depois do blogue do seu autor: DaNaçãohttp://dndanacao.blogspot.com/ -  a conhecer, absolutamente. Blogue que 'renasceu' por homenagem a um Homem, um paladino destas lutas da educação (ver no fim deste post)

A carta dirige-se aos Movimentos: MUP, PROMOVA e APEDE, mas é também um apelo à mobilização dos professores. Alguém, nos comentários do FB, acrescentou os Encarregados de Educação a esta demanda para resgatar a Escola Pública. Todos somos poucos. Vamos tarde, mas mais vale tarde ..

O autor ilustrou o seu texto com uma imagem do D. Quixote, eu acrescento-lhe dois cartazes do Maio de 68 que me parecem bem apropriados!
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de Luís Costa
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carta aberta
A Ilídio Trindade, Octávio Gonçalves e Ricardo Silva

Escrevo-vos esta missiva, porque ainda não se extinguiu no meu peito a chama olímpica que, em tempos, nos acalentou a alma e nos levou aos mais altos patamares da dignidade e da resistência e porque ainda acredito — talvez ingenuamente — que ainda é possível emergir destas cinzas exangues e frias, em cujo ventre germina o conformismo e a obediência cega. Escrevo-vos, porque acredito piamente que ainda é possível travar esta devastação que está a abocanhar vampiricamente as escolas públicas. E o que ainda é possível resgatar vale bem a pena, acreditai!

Guardo na minha memória — como se tudo tivesse ocorrido há instantes —, os tempos em que os vossos blogues eram mobilizadores, proactivos, inquietadores, subversivos. Muito mais do que os sindicatos, os vossos blogues agitaram as consciências, uniram os professores em torno de uma causa nobre, ajudando a construir a mais alta muralha de resistência. É, aliás, esse mesmo o significado de “movimento” e de “mobilização”. É, pois, em honra do vosso passado recente e da vossa própria génese que eu vos dirijo este apelo.

Sem pôr em causa o papel fundamental da vossa acção — continuar a informar os professores e a denunciar os desmandos da tutela —, permiti que vos diga que o adormecimento da classe também tem uma correlação significativa com a evolução que os vossos textos conheceram: já não são mobilizadores, já não apelam à resistência nem à luta, já não geram crença nem ânimo, porque vós mesmos pareceis já não acreditar. 

Analisar, informar, criticar e denunciar são acções muito meritórias, mas, sem as sementes da organização para a resistência, para a luta — e para a revolta, se for preciso — acabam por se dissipar na indiferença dos ouvidos cansados, macerados pela agonia de uma profissão violada e pelo fel das palavras do coro trágico em que os vossos blogues se tornaram. Neste momento, ou tentais ligar o desfibrilador enquanto é tempo, ou então de nada vale o canto fúnebre. Ficar à espera de Godot é morrer de fraqueza. É preferível, caros colegas, morrer de atrevimento! É muito mais digno!

Antes que me pergunteis pelo livrete das sugestões, aqui estão elas:

- uni-vos, por amor de Deus, que já ontem era tarde;

- reuni os três movimentos (MUP, PROMOVA E APEDE), de preferência no centro do país, e convocai para essa reunião todos os professores que estejam dispostos a participar, a militar numa frente de luta;

- organizai um primeiro corpo que será o alicerce de uma teia muito maior, com um representante activo em cada agrupamento ou escola (com a Internet não levará muito tempo);

- organizai uma onda de resistência, passiva ou activa, em todas as escolas (é preciso que o lobo faminto e desvairado procure outros rebanhos para saciar a sua gula; as bestas selvagens atacam os mais fracos, os mais desprotegidos, os mais amedrontados, os mais encolhidos);

- se há tantas petições e abaixo-assinados na blogosfera, para tudo e para nada, também vós podeis pedir aos professores deste país que vos reconheçam e legitimem como seus representantes nas negociações com o ME (é fundamental, é vital que a tutela veja os professores unidos e, SOBRETUDO, organizados);

- o facto novo que resultará de todas essas sinergias mudará, definitivamente, o rumo da nossa classe (nós temos o direito de escolher os nossos representantes e o ME tem a obrigação de os ouvir e com eles negociar).

Afinal, como é que Portugal nasceu? Afinal, como é que o Brasil se tornou independente? Porque não pediram autorização a ninguém. Porque já eram livres e independentes no âmago que os sonhou.

Luís Costa


(fonte)


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«Dedico ao Professor Santana Castilho este regresso ao meu posto. A sua inteligência, a sua determinação, a sua persistência férrea e a sua coerência absoluta são profundamente inspiradoras, despertam as energias e abalam as consciências.» LC  (aqui)
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